CSE Informa | Confira dicas de redação de resumos em idioma estrangeiro para editores e autores

seg, 21 julho 2025 17:34

CSE Informa | Confira dicas de redação de resumos em idioma estrangeiro para editores e autores

Tradução não é apenas transposição de palavras, mas de significados e contextos culturais. Saiba como aprimorar seu “abstract” com dicas práticas


Revisar o “abstract” com atenção aos sentidos e nuances culturais é essencial para a qualidade de artigos científicos publicados internacionalmente (Foto: Getty Images)
Revisar o “abstract” com atenção aos sentidos e nuances culturais é essencial para a qualidade de artigos científicos publicados internacionalmente (Foto: Getty Images)

Por: Aliria Aiara Duarte
Conselho Superior de Editoração (CSE)

 

Um artigo científico é composto de vários elementos para que possa se enquadrar no escopo e formato exigidos para sua publicação em periódicos acadêmicos, variando de acordo com as diretrizes de publicação. Desse modo, o resumo, bem como seu correspondente em idioma estrangeiro — como o abstract (inglês), résumé (francês) ou resumen (espanhol) —, é um elemento fundamental.

Dependendo da área, o tipo de pesquisa (quantitativa, qualitativa, relato de experiência, cartografia, etc), que pode vir a resultar em um artigo científico, pode variar muito, incluindo itens como: resultados e análise de dados, apresentação de tabelas, quadros ou gráficos. No entanto, o resumo e o resumo em idioma estrangeiro são itens necessários em qualquer área ou tipo de pesquisa. 

O resumo, uma síntese concisa e objetiva do assunto que será abordado no artigo, apresenta, em poucas palavras — entre 150 e 500, podendo variar de acordo com área  e o modelo de escrita —, os pontos principais da pesquisa, como: metodologia, objetivos, principais autores e conceitos, e resultados. Assim sendo, sua versão estrangeira, como o abstract, deve ser capaz de passar as mesmas informações.

Tradução literal? Evite!

Um erro comum é pensar no resumo como uma tradução literal, palavra por palavra, do resumo em língua original. Seguir esse caminho quase sempre leva à traduções desconexas ou com pouco sentido. O ideal é tentar acessar o sentido mais próximo de determinada frase, expressão ou até mesmo palavra em outro idioma. 

Como um exemplo muito recorrente de tradução literal é a tentativa de tradução da palavra da língua portuguesa “saudade”, que em outros idiomas é tida pela junção de várias sensações que resultam no que conhecemos por ser a saudade, e não na palavra correspondente. Assim sendo, não seria possível uma tradução literal para outra palavra em outro idioma, mas uma expressão ou frase completa.

Outro caso emblemático é o do idioma japonês. Seus ideogramas não representam sons ou letras, como no alfabeto ocidental, mas conceitos inteiros. Assim, uma boa tradução exige mais que domínio técnico: requer sensibilidade cultural e compreensão profunda do significado por trás de cada símbolo.

A linguagem como sistema vivo

Assim como o português, o idioma estrangeiro são “sistemas vivos”, onde cada signo é a junção de um significante (imagem acústica ou forma material) ao significado (conceito ou ideia associada). 

Entender a linguagem a partir desse conceito, criado pelo linguista Ferdinand de Saussure, é fundamental para o entendimento de que a linguagem é uma capacidade humana de produzir, desenvolver e compreender o ato de se comunicar como um produto social identitário. 

A relação com a língua materna está diretamente ligada às vivências, memórias e referências culturais que moldam nossa personalidade. Ao escrever ou traduzir um resumo, é fundamental reconhecer essa dimensão subjetiva e coletiva da linguagem.

Como aprimorar o resumo em língua estrangeira?

  • O tradutor deve sempre tentar dominar o idioma, e isso só é possível consumindo e praticando o idioma em questão, então: assista a filmes, leia, ouça músicas, etc;
  • Expressões idiomáticas são sempre mais complicadas, pois dependem da experiência vivida e, geralmente, são sentidos figurados, o que reduz mais a possibilidade de contato com essa situação. No entanto há dicionários de expressões idiomáticas, bem como dicionários ou guias de gírias;
  • É sempre bom fazer uma revisão do resumo logo após sua conclusão, para analisar, em uma leitura contínua, se o que está traduzido faz sentido logicamente e culturalmente para o idioma a ser traduzido;
  • Utilização de ferramentas de inteligência artificial são cada vez mais comuns e realmente ajudam bastante, mas cuidado para não perder o significado cultural de determinadas palavras, contextos ou expressões;
  • Lembre-se sempre, termos e palavras caem em desuso, assim como nascem outras, o famoso neologismo, o que reforça a ideia da linguagem como um sistema social coletivo e vivo, então, atenção se certas palavras e expressões ainda são usadas;
  • Leia e releia seu resumo e seu resumo em língua estrangeira. E, caso tenha algum contato que seja nativo, pergunte se pode mandar o resumo para que ele dê uma última lida. 

 

A coluna CSE Informa é um espaço quinzenal de divulgação do Conselho Superior de Editoração (CSE) da Universidade de Fortaleza no jornal Unifor Notícias Mobile.

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