Entrevista Nota 10: Nilson Lima e a especialização como diferencial competitivo na Segurança do Trabalho
seg, 16 março 2026 16:20
Entrevista Nota 10: Nilson Lima e a especialização como diferencial competitivo na Segurança do Trabalho
Docente da Especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho da Unifor analisa o mercado e explica a importância de uma formação especializada para se destacar profissionalmente

Com fiscalizações mais rigorosas, novas tecnologias, ampliação das políticas ESG (Ambiental, Social e Governança) e uma atenção crescente à saúde física e mental de quem trabalha, o mercado de Segurança e Saúde do Trabalho (SST) vive um momento de expansão e reposicionamento. Esse dinamismo na área fez da especialização profissional mais do que diferencial: uma necessidade competitiva.
É o que explica o engenheiro agrônomo e engenheiro de Segurança do Trabalho Nilson Lima de Oliveira. Docente convidado das especializações em Engenharia de Segurança do Trabalho e em Medicina do Trabalho da Universidade de Fortaleza — instituição mantida pela Fundação Edson Queiroz —, ele afirma que, hoje, ficar sem especialização significa perder espaço em um ambiente que exige atualização contínua e competências ampliadas.
“[Os engenheiros de segurança do trabalho] devem ser líderes de processos e não meros executores de rotinas. Precisam entregar valor estratégico, conectando SST a metas corporativas, indicadores e tomada de decisão, assim como necessitam dominar ferramentas tecnológicas e metodologias modernas de gestão”, pontua o engenheiro de Segurança do Trabalho do Grupo Aço Cearense.
Em sua atuação no Grupo, possui uma sólida experiência na área industrial, abrangendo Segurança do Trabalho, ESG e eSocial. Ele também desempenha atividades como Assistente Técnico Pericial, Auditor Interno em Sistema de Gestão em SST e Líder de Grupo de Trabalho em Gestão de NR-12, além de possuir experiência na gestão do sistema SOC.
Graduado em Engenharia Agronômica pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Nilson é especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho pela Faculdade Ateneu e pós-graduado em Higiene Ocupacional pela Universidade de Fortaleza. Como professor da Pós-Unifor, contribui para a formação de profissionais com foco na prevenção, na gestão de riscos e em sistemas de segurança.
Na Entrevista Nota 10 desta semana, Nilson fala sobre o mercado de segurança do trabalho e a importância de uma especialização para se destacar profissionalmente na área, além de comentar sobre os diferenciais da formação na Unifor.
Confira a entrevista na íntegra a seguir.
Entrevista Nota 10 — Professor, como você analisa o mercado de segurança do trabalho hoje? Que cenário encontramos atualmente em termos de oportunidades, desafios e exigências para os profissionais da área, especialmente os engenheiros?
Nilson Lima — O mercado de Segurança e Saúde do Trabalho (SST) atualmente vive um momento ímpar de dinamismo sem precedentes. As organizações passaram a enxergar SST não apenas como obrigação legal, mas como estratégia de gestão, diretamente conectada à produtividade, à sustentabilidade, à competitividade e à governança corporativa.
Falando de oportunidades, posso citar a expansão das políticas ESG — Environmental, Social and Governance (Ambiental, Social e Governança), que fez a segurança do trabalho se tornar um dos pilares do “S” e do “G”, aumentando investimentos em prevenção.
Cito também as demandas crescentes por PGRs (Programa de Gerenciamento de Riscos) mais robustos, com integração entre dados, indicadores e análise de riscos. Como profissional atuante na indústria, vejo cada vez mais as tecnologias da Indústria 4.0 (IoT, sensores, analytics, wearables) abrindo novas posições para engenheiros com visão de inovação. Concomitantemente, surge o crescimento de startups de segurança, gerando novas soluções e novos nichos profissionais. Outro assunto de grande importância hoje é a inclusão dos Riscos Psicossociais, saúde mental e clima organizacional.
Como desafios, posso dizer que, cada vez mais, os profissionais precisam dominar indicadores de desempenho, gestão avançada e leitura estratégica de dados. Entender a necessidade de integrar compliance, governança e proteção legal, além de dinamismo diante das constantes revisões das Normas Regulamentadoras e da exigência de atuação multidisciplinar, envolvendo comportamento humano, tecnologia, sustentabilidade e legislação.
Olhando para as exigências atuais referente aos engenheiros, eles devem ser líderes de processos e não meros executores de rotinas. Precisam entregar valor estratégico, conectando SST a metas corporativas, indicadores e tomada de decisão, assim como dominar ferramentas tecnológicas e metodologias modernas de gestão.
Entrevista Nota 10 — Nos últimos anos, o mercado de segurança do trabalho passou por mudanças importantes. Quais transformações você considera mais significativas na forma como as empresas enxergam essa área e o papel estratégico do engenheiro de segurança do trabalho?
Nilson Lima — As mudanças dos últimos anos foram profundas. Entre as mais significativas cito aqui cinco tópicos:
- SST (Saúde e Segurança do Trabalho) como estratégia corporativa. Hoje, a área faz parte do planejamento estratégico e está vinculada ao desempenho operacional e à reputação da empresa.
- Revisões das NRs (Normas Regulamentadoras) e novo enfoque do PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos). O foco migrou de documentos para gestão dinâmica de risco, com participação ativa das lideranças.
- Avanço do ESG. As empresas tornaram a saúde e segurança do trabalhador indicadores centrais de sustentabilidade e governança.
- Inserção da tecnologia. Monitoramento em tempo real, machine learning, digital twin, sensores IoT e plataformas integradas de gestão ampliaram o papel do engenheiro.
- Crescimento dos riscos psicossociais. As organizações passaram a considerar fatores emocionais, organizacionais e sociais como parte essencial do processo preventivo.
Entrevista Nota 10 — Que perfil profissional o mercado busca hoje no campo de segurança do trabalho? Quais competências técnicas se tornaram indispensáveis para o engenheiro que deseja atuar com excelência na área e acompanhar as exigências atuais das organizações?
Nilson Lima — Hoje o mercado busca engenheiros de segurança com competências técnicas essenciais, como domínio avançado dos Programas de Segurança, da certificação de ISOs, dos laudos, perícias, auditorias e metodologias de análise de risco, além de domínio em ferramentas de segurança, capacidade de interpretação e implementação das Normas Regulamentadoras.
O engenheiro [de segurança do trabalho] deve possuir conhecimentos sobre indicadores (leading e lagging) e aplicar ferramentas de gestão, liderança e melhoria contínua, demonstrando capacidade analítica mediante ao tema ESG, compliance e governança corporativa. Deve também conseguir integrar tecnologias da Indústria 4.0 ao ambiente laboral e desenvolver programas voltados à gestão de riscos psicossociais e bem-estar.
Hoje, exige-se que o profissional da engenharia de segurança seja menos cartesiano e possua capacidade de influenciar e liderar equipes, características de um gestor resolutivo de problemas complexos com visão cada vez mais inovadora.
Entrevista Nota 10 — Em um cenário de mudanças constantes e exigências cada vez maiores, por que investir em uma especialização se tornou tão importante para quem atua ou deseja atuar na área de segurança do trabalho? A especialização hoje é apenas um diferencial competitivo ou já se tornou uma necessidade para quem não quer ficar para trás profissionalmente?
Nilson Lima — A especialização deixou de ser diferencial para se tornar uma necessidade competitiva. Diante do que foi dito anteriormente, posso destacar algumas dessas necessidades:
- A legislação, os modelos de gestão e as tecnologias evoluíram, exigindo domínio técnico atualizado.
- O mercado demanda profissionais capazes de atuar em projetos estratégicos.
- Empresas buscam engenheiros com visão integrada, não apenas capacidade operacional.
- A especialização amplia significativamente o campo de atuação: indústria, serviço, energia, construção, consultoria, auditorias, ESG e startups.
Hoje, ficar sem especialização significa perder espaço em um ambiente que exige atualização contínua e competências ampliadas.
Entrevista Nota 10 — Na Unifor, a Especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho é a opção ideal para quem busca se qualificar na área com excelência. Como o curso pode alavancar a carreira de seus alunos e abrir portas para melhores oportunidades? O contato com o mercado de trabalho é uma realidade importante nessa formação?
Nilson Lima — A Especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho da Unifor entrega fortalecimento técnico e estratégico, conteúdo atualizado com NRs revisadas, temas atuais como riscos psicossociais, compliance e ESG, além de abordagem alinhada às práticas inovadoras da Indústria 4.0.
Outra característica da Unifor é a sua conexão direta com o mercado, com professores que são referência no âmbito de SST, atuantes na indústria e em grandes empresas. Há a oportunidade de desenvolver projetos, aulas dinâmicas com cases, estudos de caso, instrumentação de última geração, além de oportunizar a aproximação com empresas parceiras, favorecendo um networking estruturado para oportunidades reais.
O curso de pós-graduação prepara o engenheiro [de segurança do trabalho] para atuar em ambientes altamente regulados e tecnologicamente avançados.
Entrevista Nota 10 — Na sua visão, quais são os principais diferenciais da Especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho? De que maneira a Unifor, para além do curso em si, oferece suporte, excelência formativa e experiências únicas para os profissionais dessa área?
Nilson Lima — Entre os principais destaques da Especialização da Unifor, reforço tudo o que foi dito. A formação possui um corpo docente de excelência, composto por engenheiros, médicos, gestores, especialistas em ESG e profissionais da indústria. Na interdisciplinaridade contemporânea, integra gestão, liderança, indicadores, inovação, tecnologia e sustentabilidade.
No tocante à infraestrutura, afirmo que é uma das melhores do Brasil, referência com laboratórios modernos, ferramentas digitais e ambientes experimentais. A instituição prepara o profissional para o futuro, capacita o aluno para atuar em Indústria 4.0, ESG, gestão avançada de riscos e estratégias corporativas, além de prepará-lo com conhecimento aprofundado em técnicas de avaliações ambientais.