Orgulho Unifor: professor e egresso de Ciências Médicas são finalistas em prêmios nacionais de reumatologia

seg, 14 setembro 2026 16:04

Orgulho Unifor: professor e egresso de Ciências Médicas são finalistas em prêmios nacionais de reumatologia

Um estudo sobre diabetes e síndrome do túnel do carpo, da dissertação de Francisco Vilmar Félix, e a produção científica do docente Carlos Ewerton estão entre os destaques


As indicações reforçam o impacto do investimento em pesquisa e na formação científica da Unifor. (Foto: Arquivo pessoal)
As indicações reforçam o impacto do investimento em pesquisa e na formação científica da Unifor. (Foto: Arquivo pessoal)

A excelência da produção científica da Universidade de Fortaleza ganha mais um reconhecimento nacional. O professor Carlos Ewerton Maia Rodrigues, docente do Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas (PPGCM) da Unifor, é finalista de duas categorias nas premiações da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), que destacam trabalhos e contribuições relevantes para o avanço da pesquisa e da prática na área.

Doutor em Ciências Médicas, com área de concentração em Reumatologia, pela Universidade de São Paulo (USP), o docente celebra as indicações como resultado de uma trajetória construída com dedicação, persistência e trabalho coletivo.

“Naquele momento [ao receber a notícia da indicação], passou um filme de toda a trajetória até aqui e, especialmente, dos desafios de se fazer pesquisa de qualidade no Nordeste, muitas vezes com recursos bastante limitados e sem o suporte de grandes centros ou redes de colaboração”, compartilha Carlos Ewerton.

Para o professor, o reconhecimento demonstra que boas perguntas científicas, aliadas ao trabalho consistente, podem gerar resultados de impacto. “É também uma demonstração de que é possível produzir ciência relevante a partir do Nordeste, formar novos pesquisadores e contribuir de maneira efetiva para o avanço da reumatologia brasileira”, destaca.

Pesquisa revela relação entre diabetes e túnel do carpo 

Uma das indicações vem do trabalho “Diabetes Is Associated With a Distinct Clinical–Structural Expression of Carpal Tunnel Syndrome: A Cross-Sectional Ultrasonographic Study”, derivado da dissertação do egresso Francisco Vilmar Félix para o Mestrado em Ciências Médicas da Unifor. Orientado pelo professor Carlos Ewerton, o estudo é finalista do Prêmio Luiz Verztman da SBR.

A pesquisa surgiu a partir de uma inquietação compartilhada entre o professor e o aluno, que atua como cirurgião ortopédico e cirurgião de mão: compreender melhor como a síndrome do túnel do carpo se manifesta e pode ser diagnosticada em pessoas com diabetes.


“Ter esse trabalho reconhecido dentro de um congresso de reumatologia reforça justamente esse caráter interdisciplinar da pesquisa e mostra que uma pergunta surgida da nossa prática clínica pode gerar conhecimento relevante para diferentes especialidades. Para mim, é também uma confirmação de que aproximar assistência, ensino e pesquisa é um caminho que vale a pena seguir.”Vilmar Félix, médico ortopedista e egresso do Mestrado em Ciências Médicas da Unifor

Ao longo do estudo, os pesquisadores avaliaram a prevalência da síndrome do túnel do carpo em pacientes com diabetes e compararam os achados clínicos e ultrassonográficos com os de indivíduos sem diabetes. Os resultados revelaram que as pessoas com diabetes apresentam um perfil clínico e ultrassonográfico distinto.

Segundo Carlos Ewerton, a descoberta amplia a compreensão sobre a manifestação da síndrome nessa população e pode contribuir para uma abordagem diagnóstica mais direcionada. A pesquisa apresenta uma importante dimensão social, já que a ultrassonografia é um método mais simples, acessível e de menor custo quando comparado à eletroneuromiografia, exame tradicionalmente utilizado na investigação desses pacientes.

“Demonstrar a utilidade da ultrassonografia nesse contexto pode contribuir para ampliar o acesso ao diagnóstico, especialmente em serviços com recursos mais limitados e no próprio Sistema Único de Saúde”, ressalta o docente Carlos Ewerton. 

A orientação de Carlos Ewerton foi fundamental ao longo desse percurso, desde a construção da pergunta de pesquisa e do desenho do estudo até a interpretação dos resultados e a elaboração do artigo. Segundo Vilmar, o processo de orientação contribuiu para desenvolver um olhar mais crítico sobre as evidências e compreender não apenas os resultados encontrados, mas também seus significados científicos e clínicos e os próprios limites da pesquisa. 

Entre os finalistas de uma premiação nacional, ele vê o reconhecimento como uma conquista compartilhada. “Ver uma pesquisa que nasceu dentro da Universidade entre os finalistas faz todo esse percurso ganhar um significado ainda maior. É uma alegria pessoal, mas também uma conquista compartilhada com meu orientador, os demais autores, professores, colaboradores e todos que participaram do desenvolvimento do estudo”, destaca Vilmar.


“Acredito que esse seja um dos papéis mais importantes da universidade e da pós-graduação: formar pesquisadores capazes de olhar para os problemas que encontram no cotidiano, formular boas perguntas e produzir conhecimento que possa retornar para a sociedade.”Carlos Ewerton Maia, membro das Comissões de Lúpus e de Epidemiologia da SBR, docente do PPGCM da Unifor

Reconhecimento à produção científica

Além da indicação pelo trabalho orientado, o professor Carlos Ewerton também é finalista do Prêmio Pedro Nava, concedido pela SBR ao maior publicador brasileiro na área. A premiação reconhece a produção científica de pesquisadores brasileiros em artigos publicados em periódicos nacionais e internacionais nos dois anos que antecedem o Congresso Brasileiro de Reumatologia.

“Receber a notícia de que estava entre os finalistas foi uma grande surpresa e me deixou profundamente feliz e emocionado. Imediatamente pensei em tudo o que existe por trás de cada artigo publicado: as perguntas de pesquisa, os projetos, a coleta e análise dos dados, a orientação de alunos, o trabalho dos colaboradores e todo o processo, muitas vezes longo, até uma pesquisa chegar à publicação”, relata o docente.

Para o pesquisador, estar entre os finalistas representa o reconhecimento de um trabalho coletivo construído ao longo de muitos anos. Ele divide a conquista com alunos, orientandos, colaboradores e instituições que fazem parte de sua trajetória acadêmica, especialmente a Universidade de Fortaleza.

As duas indicações também refletem um processo que começa muito antes da publicação de um artigo ou da conquista de um prêmio. Para Carlos Ewerton, a pesquisa científica exige habilidades específicas, mas essenciais para esse tipo de trabalho.

Talvez o aprendizado mais marcante seja perceber que a pesquisa é construída muito antes do resultado final ou de qualquer reconhecimento. Ela começa com uma boa pergunta, mas exige persistência, disciplina e, principalmente, capacidade de trabalhar em equipe”, afirma.

Impacto para o PPGCM e para a Unifor

As indicações nacionais ampliam a visibilidade das pesquisas desenvolvidas no Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas da Unifor e reforçam a capacidade do programa de produzir conhecimento competitivo e relevante. Para o professor, o reconhecimento também representa um estímulo à formação de novos pesquisadores e à consolidação de uma cultura científica cada vez mais forte na Universidade.

“Quando um trabalho desenvolvido dentro do PPGCM alcança esse nível de reconhecimento, mostramos aos nossos alunos que a ciência produzida aqui pode ocupar espaços de destaque no cenário nacional e internacional”, destaca.

Ele reforça que as indicações podem ainda fortalecer novas colaborações e ampliar a visibilidade da produção científica da Unifor. “Mais do que os prêmios em si, essas indicações mostram que investimento em pós-graduação, formação de pesquisadores e pesquisa de qualidade gera resultados e contribui para consolidar a Universidade como um importante polo de produção científica no Nordeste e no Brasil”, afirma.

Para ele, o apoio institucional e as oportunidades de orientação e formação de novos pesquisadores no PPGCM foram importantes para sua trajetória. “Quando uma pesquisa desenvolvida nesse ambiente alcança reconhecimento nacional, como acontece agora, acredito que o resultado também reflete esse investimento institucional.”, acrescenta.


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