Orgulho Unifor: Egressa de pós-graduação estreia na literatura com “Cor de Defunto”, romance que une luto e humor
seg, 18 maio 2026 14:45
Orgulho Unifor: Egressa de pós-graduação estreia na literatura com “Cor de Defunto”, romance que une luto e humor
Inspirada pelas experiências na Especialização em Escrita e Criação da Unifor, Cami di Malta lança seu livro de estreia no mercado editorial e conquista leitores com uma narrativa sensível sobre dor, humor e pertencimento

Escrever, por vezes, é um exercício silencioso, um encontro íntimo entre memórias, sentimentos e palavras ainda sem forma. Para a escritora cearense Cami di Malta, esse processo ganhou novos caminhos durante a Especialização em Escrita e Criação da Universidade de Fortaleza, instituição mantida pela Fundação Edson Queiroz. Foi ali, entre leituras, debates e trocas literárias, que nasceu “Cor de Defunto”, seu romance de estreia lançado em 2026 pela editora Autêntica Contemporânea.
Natural de Fortaleza, Cami conta que a história já existia dentro dela há algum tempo, mas ainda sem direção definida. O curso da Pós-Unifor foi o espaço que permitiu transformar aquela ideia em livro. “Foi durante a pós-graduação que comecei a aprender de maneira mais estruturada e profunda sobre criação textual, e isso me deu ferramentas e coragem para finalmente dar voz àquela história que já pulsava dentro de mim”, afirma.
A obra aborda temas delicados como luto, violência doméstica e angústias existenciais, mas encontra no humor um caminho para equilibrar profundidade e leveza. Segundo a autora, o livro nasce do desejo de tocar emoções compartilhadas entre diferentes pessoas. “‘Cor de Defunto’ é um livro sobre o sentir, sobre acessar lugares profundos dentro de nós e perceber que nossas angústias mais existenciais e subjetivas também são experiências compartilhadas coletivamente”, explica.
Uma escrita construída na troca
Durante a especialização, Cami encontrou em seus professores aprendizado técnico e também um ambiente de acolhimento e desenvolvimento criativo. As disciplinas reuniam escritores, docentes e profissionais experientes do mercado editorial, criando um espaço de escuta e construção coletiva.
“Na pós-graduação [em Escrita e Criação], tivemos aulas com grandes conhecedores de literatura e escritores. Tivemos a oportunidade não só de aprender, mas também de levar nossos textos para discussão, refletir juntos e receber feedback dos professores e dos outros alunos”, relembra.
A escritora destaca que a diversidade da matriz curricular foi um dos principais diferenciais da formação. Além da escrita literária, ela também teve contato com etapas importantes do mercado editorial, como leitura crítica, edição e circulação de livros. “Aprender não só com escritores, mas também com editores de grandes editoras, nos oferece uma visão muito mais ampla do mercado editorial”, pontua.
Entre os momentos mais marcantes da trajetória acadêmica, Cami relembra as aulas da escritora e jornalista brasileira Socorro Acioli, escritora do livro “A Cabeça do Santo”, especialmente uma reflexão que acompanhou todo o processo de criação do romance. “Ela falava muito sobre ‘a história que só você pode contar’, e acho que essa ideia ficou ecoando em mim durante todo o processo de escrita de ‘Cor de Defunto’”, relembra a egressa.
Literatura que atravessa
Embora o livro tenha surgido de forma orgânica, escrever a história exigiu mergulhos emocionais profundos. A personagem principal, Lilá, carrega dores e conflitos que desafiaram a autora ao longo da construção narrativa.
“A parte mais desafiadora do processo de escrita foi justamente acessar sentimentos tão profundos e dolorosos para construir a personagem principal”, conta. “Me colocar no lugar da personagem, sentir como ela enxerga o mundo através dos olhos dela foi um processo intenso e, muitas vezes, doloroso”, relembra a autora.
Trecho do romance “Cor de Defunto” (Imagem: Editora Autêntica Contemporânea)
Ainda assim, o resultado encontrou acolhimento entre leitores e críticos. Em poucos meses de lançamento, o romance passou a figurar em listas de mais vendidos e teve estoques esgotados em algumas livrarias. Para Cami, o reconhecimento ainda é vivido com surpresa e gratidão. “Ainda estou assimilando tudo e me sentindo extremamente grata pela recepção que ele vem tendo em tão pouco tempo de publicação”, afirma.
Além da escrita, a autora também vem descobrindo os desafios do outro lado do mercado literário: divulgação, circulação e aproximação com leitores. Ela descreve essa etapa como um aprendizado constante, atravessado pelo trabalho coletivo da equipe editorial.
A coragem de começar e a força para continuar
Depois de viver em cinco países e atualmente dividir residência entre Brasil, Malta e Indonésia, Cami segue construindo sua trajetória literária entre diferentes culturas e experiências. Mesmo com o sucesso do primeiro romance, ela diz ainda estar assimilando a dimensão da estreia.
“Eu brinco que não escolhi ser escritora, foi a escrita quem me escolheu. Mas demorei bastante tempo para me reconhecer como escritora e ter coragem de colocar minhas palavras no mundo” — Cami di Malta, escritora e egressa da Especialização em Escrita e Criação da Pós-Unifor
Agora, enquanto acompanha os primeiros passos de “Cor de Defunto”, a autora já percebe novas histórias surgindo aos poucos. “Cabeça de escritor não para”, brinca Cami.
Ao transformar sentimentos íntimos em literatura, ela encontrou na honestidade o principal caminho para construir sua estreia. Para a escritora, mais que domínio técnico, escrever exige sensibilidade para enxergar o mundo e coragem para se colocar nas próprias palavras e impulso para continuar. “Eu sempre digo que escrevi ‘Cor de Defunto’ pra mim mesma. Escrevi um livro que eu gostaria de encontrar na livraria, ficar intrigada com a capa e o título e que eu devorasse assim que chegasse em casa”, ressalta.
Para quem sonha em escrever e publicar um livro, Cami deixa um conselho simples, mas carregado de honestidade: começar. Mesmo diante das inseguranças e do medo. “Muita gente trava tentando encontrar o momento ideal ou a grande ideia perfeita. Mas a escrita também se constrói no caminho”, afirma. “Eu diria para começarem escrevendo, mesmo com medo”.
Impulsione sua carreira criativa com a Pós-Unifor
A Especialização em Escrita e Criação é para quem quer uma formação aprofundada em escrita literária, unindo teoria e prática para desenvolver narrativas ficcionais e não ficcionais com qualidade técnica e sensibilidade criativa. Ao longo do curso, os estudantes exploram todas as etapas do processo de criação, desde o planejamento e a escrita até os caminhos editoriais e a análise crítica de obras e textos derivados.
Esta notícia está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), contribuindo para o alcance do ODS 4 – Educação de Qualidade. A Universidade de Fortaleza, assim, assegura a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, promovendo oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos.