Entrevista Nota 10: Luiza Jane Eyre e o ineditismo do Plano Diretor para as políticas públicas de saúde

seg, 27 abril 2026 12:13

Entrevista Nota 10: Luiza Jane Eyre e o ineditismo do Plano Diretor para as políticas públicas de saúde

Representante da Unifor na Comissão de Política, Planejamento e Gestão em Saúde da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) fala sobre o lançamento do 1° Plano Diretor de Política, Planejamento e Gestão em Saúde


Mestre e doutora em Enfermagem, Luiza é pós-doutora em Saúde Coletiva e docente do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade de Fortaleza (Foto: Arquivo pessoal)
Mestre e doutora em Enfermagem, Luiza é pós-doutora em Saúde Coletiva e docente do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade de Fortaleza (Foto: Arquivo pessoal)

No final de 2025, a saúde coletiva do Brasil celebrou um feito histórico: o lançamento do 1º Plano Diretor de Política, Planejamento e Gestão em Saúde (1º PD-PPGS), um documento que estabelece uma agenda estratégica para a área. Elaborado pela Comissão de Política, Planejamento e Gestão em Saúde da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), o Plano orienta as ações da própria Comissão no período de 2026 a 2030.

A iniciativa, que fortaleceu o campo e seu papel na formulação de políticas públicas de saúde, contou com a participação de profissionais renomados de quase todo o país. É o caso da enfermeira e administradora de empresas Luiza Jane Eyre de Souza Vieira, docente do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC) da Universidade de Fortaleza — instituição da Fundação Edson Queiroz.

Ela integrou a Comissão da Abrasco junto a professora Raimunda Magalhães da Silva, também do PPGSC, representando a Unifor na elaboração do Plano como titular e suplente, respectivamente.

“O 1º PD-PPGS tem como principal objetivo fortalecer, de maneira integrada, a formação, a pesquisa e a incidência sociopolítica da PPGS no Brasil, ampliando sua capacidade crítica, científica e transformadora frente aos desafios estruturantes do SUS, das desigualdades sociais e das dinâmicas políticas e econômicas que incidem sobre a saúde”, explica a líder do Grupo de Pesquisa em Políticas e Práticas nas Redes de Atenção à Saúde (GPRAS) da Unifor.

Membro da Câmara de Assessoramento e Avaliação Técnico-Científica de Saúde Pública, Medicina Familiar e Doenças Negligenciadas da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), Jane é mestre e doutora em Enfermagem. Além de especialista em Educação e Tecnologias, possui habilitação em Produção e Uso de Tecnologias e pós-doutorado em Saúde Coletiva.

Na Entrevista Nota 10 desta semana, ela fala sobre o 1° Plano Diretor de Política, Planejamento e Gestão em Saúde da Abrasco e a importância da formação promovida pelo PPGSC da Unifor para a saúde coletiva.

Confira a entrevista na íntegra a seguir.

Entrevista Nota 10 — No final de 2025, a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO) apresentou o 1º Plano Diretor de Política, Planejamento e Gestão em Saúde (1º PD-PPGS). No que consiste esse documento e quais são seus principais objetivos?

Luiza Jane Eyre — O Plano para a área de Política Planejamento e Gestão em Saúde (PPGS) reafirma o reconhecimento de que esse campo reúne atores e sujeitos orientados por diferentes perspectivas, mas comprometidos com a construção e a sustentação de um projeto de sociedade e de saúde comprometido com a vida, com o direito à saúde (direito social), com o Sistema Único de Saúde (SUS) e com a sociedade brasileira sustentada nos valores da justiça, equidade e democracia.

O 1º PD-PPGS tem como principal objetivo fortalecer, de maneira integrada, a formação, a pesquisa e a incidência sociopolítica da PPGS no Brasil, ampliando sua capacidade crítica, científica e transformadora frente aos desafios estruturantes do SUS, das desigualdades sociais e das dinâmicas políticas e econômicas que incidem sobre a saúde.

Entrevista Nota 10 — Que lacunas esse 1º Plano Diretor de Política, Planejamento e Gestão em Saúde pretende preencher no âmbito da saúde coletiva?

Luiza Jane Eyre — Uma área de PPGS mais crítica, atualizada, conectada ao SUS e às lutas sociais. Pesquisa com maior relevância e aplicação. Formação mais integrada aos territórios. Contribuir para a redução das iniquidades em saúde. A implementação do Plano será acompanhada, e as informações divulgadas pela Abrasco – comunidade abrasquiana e a sociedade [estimulam que] participem de forma efetiva nos debates e ações que serão promovidos.

Entrevista Nota 10 — Você participou da elaboração do 1º Plano Diretor de Política, Planejamento e Gestão em Saúde, um marco histórico no campo da saúde coletiva nacional. Qual foi sua colaboração no desenvolvimento do documento?

Luiza Jane Eyre — Com o avanço dos debates sobre a necessidade da área de PPGS elaborar o 1º Plano Diretor, passei a integrar a subcomissão do Plano Diretor, que foi assumido como uma das tarefas centrais da Comissão, que passou a delinear, de forma coletiva, sentidos, propósitos, estratégias e ações voltadas à construção de uma atuação política comprometida e orientada para o fortalecimento do SUS, a formulação e implementação de políticas de saúde coerentes com as necessidades da população brasileira e o enfrentamento das iniquidades em saúde. Em síntese, a colaboração deu-se de modo coletivo entre os membros da Comissão.

Entrevista Nota 10 — Como surgiu essa oportunidade e o que ela representa para sua carreira?

Luiza Jane Eyre — Em 2021, foi renovada a coordenação da Comissão de PPGS.  A composição da Coordenação da Comissão teve representantes de quatro regiões do Brasil (exceto a região Norte), ampliando a representação regional. Esta diversidade regional fomentou mudanças significativas no debate da área.

Nesse ínterim, a coordenação do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC) da Unifor indicou o meu nome, Luiza Jane Eyre de Souza Vieira, e o da professora Raimunda Magalhães da Silva para integrarmos à Comissão de Política, Planejamento e Gestão em Saúde da Abrasco, como representantes — titular e suplente — do PPGSC da Universidade de Fortaleza.

Entrevista Nota 10 — Qual a importância de uma formação acadêmica interdisciplinar, especialmente do tipo stricto sensu, na atuação em saúde coletiva? Na sua visão, como a implementação do Plano Diretor pode estimular a busca no mercado por um perfil profissional com múltiplas competências?

Luiza Jane Eyre — A formação acadêmica interdisciplinar é fundamental para que o profissional perceba-se em um movimento que nos leva a pensar para agir e agir para pensar melhor, como enfatizado no 1º Plano Diretor da PPGS. O campo da saúde coletiva e a área de PPGSC se deparam com novos referenciais teóricos, aportes metodológicos, a diversidade de atores envolvidos, a pluralidade de saberes e um contexto político, econômico e social cada vez mais complexo e contraditório — o que passou a demandar um movimento de diálogo ampliado e de reposicionamento político da área de PPGS e da própria saúde coletiva. 

Este cenário demanda uma formação, uma reflexão e ação interdisciplinar, alinhada aos desafios que circundam os territórios e as iniquidades em saúde.

O Sistema Único de Saúde conforma-se e confirma-se com um ascendente mercado que absorve número significativo de trabalhadores e trabalhadoras. Esses profissionais fazem o diferencial nas políticas públicas/saúde, no planejamento e na gestão do SUS. Atuam em todos os níveis da atenção, da gestão, da formação profissional, na pesquisa, dentre outras esferas e instâncias de formação-atuação.

Entrevista Nota 10 — O Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC) da Unifor tem grande prestígio e reconhecimento a nível local e nacional. Quais são os diferenciais do PPGSC que você acredita serem fundamentais para quem pretende focar nessa área profissional?

Luiza Jane Eyre — O PPGSC tem alunos de diversas formações acadêmicas, o que fortalece a necessidade de uma formação interdisciplinar, fundamental para “viver, conviver e reviver” a atenção à saúde coletiva que emana dos territórios vivos. Acompanhando os desafios e temas que estão imbricados ao cotidiano no âmbito global e nacional, o PPGSC da Unifor atualiza currículos, metodologias e possibilita conexões que viabilizam a internacionalização. 

Os eixos e temas estruturantes do 1º PD da PPGS, estão sendo apresentados nas disciplinas, a exemplo da colonialidade, do racismo estrutural e patriarcado; das iniquidades e populações vulnerabilizadas; do modelo de produção de vida e cuidado; da oligopolização, financeirização e privatização; da precarização do trabalho; da emergência climática; da soberania Digital; da soberania alimentar; dentre outros temas que assolam a sociedade contemporânea.

Entrevista Nota 10 — Como a produção científica realizada na Unifor pode trazer destaque para seus egressos?

Luiza Jane Eyre — Na medida em que alcancem impactos na sociedade. O PPGSC tem vários destaques que foram incorporados e estão sendo incorporados ao SUS, seja em políticas públicas, cursos formativos, tecnologias e patentes, projetos multicêntricos e rede internacional de pesquisa, dentre outros destaques. 

Entrevista Nota 10 — Você representa o PPGSC da Unifor junto à ABRASCO. Qual a relevância para o Programa e seus alunos e egressos de contar com essa conexão próxima?

Luiza Jane Eyre — Creio que a relevância para o Programa seja a de alunos e egressos estarem próximos e conectados aos principais debates sobre ensino e formação em PPGS, sobre pesquisa, produção e disseminação do conhecimento e sobre a articulação com política e sociedade. 

Além do mais, eles podem se inteirar sobre referenciais teórico-metodológicos, se aproximar e contatar pesquisadores ícones da saúde coletiva e de universidades renomadas que vivenciaram e vivenciam a proposta. O projeto e a construção do SUS, os avanços e as perenes ameaças ao sistema de saúde brasileiro são momentos valorosos para a formação acadêmica-profissional, as articulações da Universidade e a mobilidade acadêmica.

O PPGSC participou de toda a linha do tempo que culminou com o 1º Plano Diretor da PPGS da Comissão de Política, Planejamento e Gestão em Saúde Coletiva da Abrasco. 

Entrevista Nota 10 — O PPGSC teve alguma participação na elaboração do Plano Diretor?

Luiza Jane Eyre — Estivemos nas reuniões da Comissão; na oficina durante o 13º Congresso da Associação Brasileira de Saúde Coletiva, realizado em 2022, em Salvador/BA, para debater elaboração do Plano Diretor da área; na Comissão “Diagnóstico” de problemas/proposições em quatro eixos para o Plano Diretor: política, ensino, pesquisa, movimentos sociais para o 1º PD; e na oficina de 2024 no Abrascão, realizado em Fortaleza/CE.

No decorrer de 2025, participamos da ampliação dos diálogos, da consolidação das contribuições e do lançamento do Plano no 14º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva da Abrasco, cujo tema centrou na “Democracia, equidade e justiça climática: a saúde e o enfrentamento dos desafios do século XXI”.


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