qui, 22 outubro 2026 10:40
Unifor conecta estudantes e costureiras em ação social
Por meio de atividade extensionista da disciplina Gestão, Empreendedorismo e Sustentabilidade, estudantes participaram da organização de desfile que valorizou o trabalho de mulheres atendidas por iniciativas comunitárias do município

A integração entre conhecimento acadêmico, empreendedorismo e responsabilidade social marcou uma ação de extensão realizada em setembro, em parceria com a Prefeitura de Fortaleza. A iniciativa envolveu estudantes da Universidade de Fortaleza (Unifor), instituição mantida pela Fundação Edson Queiroz, na organização de um desfile que celebrou o talento e o trabalho de mulheres ligadas aos ateliês comunitários do município, com destaque para a coleção “Flor de Mandacaru”.
A atividade foi desenvolvida no contexto da disciplina Gestão, Empreendedorismo e Sustentabilidade, ministrada pela professora Roselene Couras, e proporcionou aos alunos a oportunidade de aplicar, na prática, os conhecimentos trabalhados em sala de aula. A ação também reforçou o compromisso da Universidade com a extensão universitária e com o desenvolvimento de iniciativas voltadas às necessidades da comunidade.
Inicialmente, a professora Roselene foi convidada para ministrar uma palestra sobre empreendedorismo direcionada às costureiras. A partir desse contato, surgiu a possibilidade de envolver os estudantes em uma experiência que articulasse formação acadêmica e impacto social.
“A Unifor possui um Acordo de Cooperação Técnica com a Prefeitura de Fortaleza, e essa parceria permite desenvolver ações de extensão a partir das demandas apresentadas pelo município. Nessa iniciativa, nosso papel é contribuir com o conhecimento da Universidade e envolver os alunos em uma ação próxima da realidade da comunidade”, explica Roselene.
Aprendizagem que ultrapassa a sala de aula
A participação dos estudantes na organização do desfile foi uma oportunidade de vivenciar, na prática, conceitos como gestão, criatividade, empreendedorismo e sustentabilidade. A turma esteve envolvida em decisões relacionadas à realização do evento, desde a definição da passarela até a escolha das músicas e a organização da participação das mulheres que desfilaram.
Os alunos também colaboraram para que as participantes se sentissem acolhidas durante a atividade, compreendendo a importância do trabalho coletivo e da atenção às pessoas envolvidas em cada etapa da organização.
Para Roselene, a experiência está diretamente relacionada à proposta pedagógica da disciplina, cuja avaliação é baseada em atividades e entregas extensionistas, em vez de provas tradicionais.
“Para nós, a participação dos alunos é uma parte muito importante dessa experiência. Nossa disciplina não tem prova: a aprendizagem acontece por meio das atividades e das entregas de extensão. Como professora, considero muito importante que o aluno perceba que o conhecimento que ele adquire na Universidade pode ser útil para outras pessoas”, destaca.
Além de desenvolver competências de planejamento, organização, criatividade e resolução de problemas, a atividade favoreceu o exercício da empatia e da responsabilidade social. O contato com as mulheres e com suas experiências permitiu aos estudantes compreender como o conhecimento acadêmico pode contribuir para ampliar oportunidades e valorizar iniciativas comunitárias.
A repercussão entre os alunos também evidenciou o impacto da vivência. A professora relata ter recebido uma mensagem de Samara, estudante do curso de Moda, que agradeceu pela oportunidade de participar da ação e destacou a alegria de conhecer o talento das mulheres envolvidas.
Costura, autonomia e geração de renda
A iniciativa está relacionada às ações de incentivo ao empreendedorismo por meio da costura, incluindo o atendimento a mães atípicas vinculadas ao Espaço Girassol. Nesse contexto, a Sala de Costura Criativa foi inaugurada com a proposta de oferecer um espaço para a realização de cursos de corte e costura e de pequenos consertos, ampliando as possibilidades de qualificação profissional e geração de renda.
A proposta também dialoga com a sustentabilidade ao valorizar o reaproveitamento de peças e tecidos, além de reconhecer a costura como uma atividade capaz de estimular a economia criativa e circular.
Para a professora Roselene, a Universidade pode contribuir de maneira significativa com iniciativas desse tipo ao aproximar o conhecimento acadêmico das necessidades identificadas na comunidade. Orientações sobre organização de negócios, cálculo de custos, definição de preços e divulgação de serviços são exemplos de como professores e estudantes podem colaborar para fortalecer pequenos empreendimentos.
“É essencial que essa contribuição comece pela escuta, respeitando o que elas já sabem e o que desejam construir”, ressalta.
A experiência também permitiu relacionar os conteúdos da disciplina aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), aproximando as discussões sobre sustentabilidade e responsabilidade social de situações concretas da sociedade.
“Flor de Mandacaru”: criatividade e valorização do trabalho feminino
A coleção “Flor de Mandacaru” representa um dos destaques da iniciativa ao reunir resistência, identidade nordestina e valorização do trabalho artesanal. As peças foram criadas e confeccionadas por costureiras dos ateliês comunitários dos conjuntos José Walter e Palmeiras, a partir de tecidos doados pela Feira Nacional do Comércio e Artesanato do Ceará (Fenacce) 2025.
A proposta integra a parceria entre a Secretaria Municipal do Desenvolvimento Econômico (SDE) de Fortaleza e a Fenacce, no contexto da cooperação entre a Prefeitura e a Unifor.
Inspirada na flor de mandacaru, símbolo de beleza e resistência mesmo diante de condições adversas, a coleção evidencia o potencial criativo das profissionais e o valor social do trabalho desenvolvido nos ateliês comunitários.
Na perspectiva pedagógica, o desfile permitiu aos estudantes perceber que cada peça apresentada ao público representa mais do que um produto: reúne conhecimento, dedicação, criatividade e a trajetória de quem a confeccionou.
“Vejo a coleção ‘Flor de Mandacaru’ como uma forma de dar visibilidade ao talento e ao trabalho dessas mulheres. Para a formação dos estudantes, participar desse momento é uma oportunidade de perceber o que existe por trás de uma peça apresentada na passarela: há trabalho, dedicação e uma pessoa que merece ter seu talento reconhecido”, afirma Roselene.