seg, 28 setembro 2026 10:50
Entre a Universidade e o empreendedorismo: a trajetória de Jefferson Ryan nas Finanças
Primeiro lugar de sua turma no curso de Finanças da Universidade de Fortaleza, Jefferson Ryan conciliou a formação acadêmica com a experiência à frente do próprio negócio e, agora, inicia uma nova etapa profissional como consultor financeiro

Era maio de 2023. Jefferson Ryan estava no primeiro ano do curso de Finanças da Universidade de Fortaleza (Unifor), vinculada à Fundação Edson Queiroz, quando se viu em um ambiente que, até então, parecia distante da rotina de um universitário. Em meio a empresários, autoridades e profissionais do mercado, o aluno acompanhava uma palestra do então presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto.
O evento acontecia no Teatro Celina Queiroz, na própria Unifor, onde Jefferson teve a oportunidade de conhecer e conversar brevemente com Campos Neto. “Bati foto com ele, troquei um minutinho de conversa, mas conheci e conversei”, lembra.
Naquele encontro, o então aluno ouviu discussões sobre o Open Finance, tema que começava a ganhar espaço no sistema financeiro brasileiro e que, anos depois, encontraria espaço também em sua rotina profissional. “Foi sensacional”, sintetiza. Durante a palestra, Jefferson percebeu que a aproximação entre o conhecimento construído na Universidade e o mercado que ele começava a conhecer seria constante durante toda a sua formação.
Essa relação, aliás, logo passaria das palestras e visitas para desafios mais concretos. É que, no mesmo ano em que iniciou a graduação, Jefferson abriu, ao lado de um sócio, uma empresa voltada a licitações e passou a conciliar os estudos com as demandas do próprio negócio.
Assim, problemas de fluxo de caixa, relacionamento com fornecedores, precificação e gestão eram conceitos estudados em sala de aula e, ao mesmo tempo, parte do seu cotidiano. Quando surgiam dúvidas, os professores se tornavam também conselheiros para pensar soluções que, depois, poderiam ser colocadas em prática na empresa, chamada Anderson&Bandeira LTDA.
No início de 2026, Jefferson concluiu o curso de Finanças com a maior média e se consagrou como primeiro lugar da turma. Já havia deixado a sociedade da empresa para se dedicar ao trabalho de conclusão de curso e desenhar novos projetos profissionais. Graduado, começou uma nova etapa como consultor financeiro.
O jornal Unifor Notícias Mobile segue apresentando histórias de egressos que têm conquistado destaque no mercado de trabalho e levado a marca da formação da Universidade de Fortaleza. A trajetória Jefferson Ryan é um exemplo das oportunidades que se abrem quando, desde os primeiros semestres, sala de aula e mercado caminham lado a lado.
Da sala de aula para a empresa
Jefferson se deu conta do interesse e da aptidão pelo ramo de finanças muito antes de pensar em fazer um curso de graduação na área. Ele conta que, na infância, já gostava de administrar o próprio dinheiro, guardar o que recebia e fazer pequenas economias.
“Esse desejo por trabalhar com finanças sempre foi um norte. Desde criança, eu não sabia direito o que eu queria fazer, mas eu sempre gostei de [lidar com] dinheiro, de administrar, de juntar”, lembra.
Quando chegou ao fim do ensino médio, Jefferson considerava prestar vestibular para Economia ou Contabilidade quando conheceu o recém-criado curso de Finanças, área na qual encontrou uma formação que considerava mais próxima da prática que buscava. Escolheu a Universidade de Fortaleza pela estrutura e pela matriz curricular. “Eu fui atrás, vi a grade curricular, vi os projetos que tinha, vi os professores. Eu sempre fui muito de pesquisar antes de tomar uma decisão”, diz.
A Unifor também já fazia parte do imaginário de Jefferson. A irmã dele havia estudado na instituição e, desde mais novo, ele conhecia o campus e alimentava o desejo de um dia também estudar ali. A oferta do curso de Finanças aproximou esse desejo dos planos profissionais.
A entrada na Universidade coincidiu com outro passo importante. No ano anterior, Jefferson e um amigo de infância haviam começado a estudar o mercado de licitações com o acompanhamento de um profissional experiente no setor. Foram cerca de seis meses de preparação até que, já em 2023, os dois formalizaram a empresa. O negócio atuava no fornecimento de materiais escolares e de limpeza, além de serviços de comunicação visual para entes públicos.
Na operação, Jefferson passou a lidar com precificação, fornecedores, pagamentos, prazos e logística. Ao mesmo tempo, estudava Contabilidade, Finanças Aplicadas, Matemática Financeira e outras disciplinas da graduação. Sala de aula e empresa se tornaram espaços complementares de aprendizagem. Se o conhecimento chegava à empresa, os problemas encontrados no negócio também voltavam para a sala de aula em forma de dúvidas.
Os professores tiveram papel importante nessa dinâmica. Jefferson conta que muitos também possuíam experiência empresarial e conseguiam reconhecer situações semelhantes às que ele enfrentava. Quando surgia uma dificuldade, procurava quem pudesse orientá-lo. O auxílio sempre chegava, fosse em uma conversa que seguia depois da aula ou na indicação de docentes e profissionais que pudessem ajudar numa solução. “Muitas sugestões eu colocava em prática e dava certo”, celebra o egresso.
Para negociar com fornecedores, construir relações profissionais e conduzir o negócio, Jefferson percebeu que precisava desenvolver tanto conhecimentos técnicos quanto habilidades de comunicação e relacionamento. Assim, enquanto a experiência empreendedora colocava problemas concretos diante dele, a graduação ampliava o repertório para compreendê-los e buscar soluções.
Uma formação conectada ao mercado
Embora a iniciativa do empreendedorismo já tivesse intensificado a experiência prática de Jefferson durante a graduação, o então aluno fazia questão de aproveitar as diversas oportunidades de aproximação com a prática oferecidas pela Unifor, das visitas técnicas aos projetos de extensão, palestras e encontros com profissionais. Ele queria experimentar e conhecer as diferentes possibilidades de atuação dentro das Finanças.
Por isso, recorda com carinho as visitas ao Complexo do Pecém, M. Dias Branco, Banco do Nordeste e escritórios de investimentos de Fortaleza. “Eu tenho amigos que, por conta dessas visitas, conseguiram estágio e até emprego, dessa iniciativa dos professores de sempre estar explorando todas essas áreas dentro e fora da Universidade”, aponta.
Para o egresso, as experiências permitiam observar ambientes profissionais distintos e conhecer possibilidades que iam da carreira bancária e dos investimentos ao empreendedorismo. “Além da questão do networking e da oportunidade de conhecer novas pessoas, as visitas às empresas e as trocas de experiências contribuíram muito para ampliar nossa visão sobre o mercado de trabalho”, avalia.
Durante toda a graduação, Jefferson afirma que teve contato com conteúdos e práticas relacionados ao mercado financeiro. Ele teve a oportunidade de aprofundar conhecimentos sobre investimentos, análise de ativos e estratégias de mercado, relacionando os conteúdos teóricos estudados em sala de aula com situações práticas do mercado.
A Unifinance, Liga de Mercado Financeiro da Unifor, é uma iniciativa estudantil voltada justamente ao desenvolvimento desse tipo de conhecimento prático, com atividades relacionadas ao acompanhamento de carteiras de investimentos, pesquisa de ativos e estratégias de investimento. Embora Jefferson não tenha participado diretamente da liga por muito tempo, reconhece a importância desse tipo de iniciativa para aproximar os estudantes da realidade do mercado financeiro.
A Central de Carreiras e Egressos da Universidade também foi importante para o aluno compreender o mercado e acompanhar as possibilidades de atuação. Embora tenha optado por não realizar estágio para conseguir conciliar a graduação com a empresa, Jefferson acompanhava as vagas divulgadas pela plataforma da Unifor.
Para Jefferson, porém, um dos principais diferenciais da formação foram as pessoas que encontrou pelo caminho. Isso porque professores, empresários e executivos com experiência no mercado passaram a fazer parte de uma rede à qual ele podia recorrer para conhecer carreiras, discutir problemas e ampliar perspectivas.
“Eu acho que o que a Unifor, principalmente, conseguiu me ajudar foi nessa parte do capital humano, de me conectar com pessoas. Eu acho que foi principalmente o que me abriu portas e me ajudou a chegar onde eu cheguei.” — Jefferson Ryan, consultor financeiro e egresso do curso de Finanças
Na avaliação do egresso, o perfil dos professores é um dos diferenciais da graduação. Além do domínio acadêmico, ele destaca a presença de docentes com experiência profissional e as certificações específicas do mercado financeiro. Essa combinação fazia com que uma aula pudesse continuar em uma visita técnica, em uma conversa com um profissional ou na discussão de um problema real.
“Os professores que estão ali dentro da sala de aula não estão só ali dentro da sala de aula. São professores que já passaram pelo mercado, que já empreenderam, que já trabalharam em grandes empresas”, reforça.
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Mercado em transformação
Nesta trajetória, Jefferson lembra que o professor Felipe Sobral, hoje coordenador do curso de Finanças, foi uma das figuras marcantes de sua jornada acadêmica. Foi ele, aliás, o docente que auxiliou sua participação no evento com Campos Neto no primeiro ano da graduação.
“Jefferson foi meu aluno logo no primeiro semestre. É curioso ver a evolução dos alunos com o passar dos semestres. Ele sempre foi um aluno muito curioso, desses que fazem perguntas interessantes sobre os temas debatidos em sala”, rememora o docente. Ele diz que busca seguir em contato com os alunos mesmo após a graduação pelas redes sociais e pelo programa Alumni, que faz essa ponte com os egressos.
O mercado financeiro vem passando por uma transformação significativa nos últimos anos, demandando profissionais capazes de combinar conhecimento técnico e visão estratégica. Muitos serviços foram digitalizados, as fintechs se expandiram, o mercado de capitais cresceu. A busca de pessoas e empresas por planejamento financeiro e investimentos também se ampliou.
Em geral, os profissionais interessados em atuar na área devem ser capazes de interpretar cenários econômicos, gerenciar riscos, estruturar investimentos e apoiar decisões estratégicas em organizações de diferentes portes, seja no Ceará ou no Brasil. Nesse cenário, Felipe Sobral aponta as seguintes competências que ganham importância na formação do profissional de Finanças:
- raciocínio quantitativo,
- domínio de ferramentas tecnológicas,
- comunicação,
- pensamento crítico,
- adaptabilidade.
A Unifor busca essa formação completa desde os primeiros semestres. Além de uma matriz voltada a diferentes campos da área financeira, os estudantes têm contato com professores que também atuam profissionalmente, projetos práticos, visitas a empresas, eventos, oportunidades de networking e iniciativas de preparação para certificações do setor.
“Nosso curso de Finanças prepara os alunos para trabalharem nos mais diversos cargos do mercado financeiro. Eles são preparados para obterem as certificações necessárias e também para desempenhar suas funções com ética e responsabilidade.” — Felipe Sobral, coordenador dos cursos de Ciências Econômicas e de Finanças da Unifor
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Da graduação para uma nova etapa profissional
Conduzir uma empresa durante a graduação vinha se apresentando como uma oportunidade rica para unir teoria e prática. Mas, nos meses finais da graduação, Jefferson decidiu encerrar sua participação na Anderson&Bandeira LTDA. Queria concentrar esforços no trabalho de conclusão do curso (TCC) e recalcular a rota profissional. Após cerca de três anos à frente do negócio, ele vendeu sua participação ao sócio, que seguiu com a empresa.
Na pesquisa de TCC, Jefferson voltou o olhar para um tema específico do mercado de capitais: “A evolução das debêntures como instrumento de financiamento empresarial no Brasil entre 2019 e 2025”. Ele diz que a complexidade do trabalho despertava o interesse de profissionais da área com quem conversava, reforçando, para ele, a dimensão alcançada pela formação ao final da graduação.
Na formatura, Jefferson recebeu a distinção pela maior média do curso de Finanças, concluindo a graduação em primeiro lugar. Para ele, o resultado representou uma consistência construída ao longo dos anos de formação.
Jefferson conquistou a maior nota de desempenho geral na sua turma, sendo reconhecido pela dedicação durante a cerimônia de Colação de Grau (Foto: Arquivo pessoal)
Pouco depois, uma nova oportunidade surgiu pelo LinkedIn. Jefferson havia compartilhado a conclusão da graduação quando foi procurado pela W1 Consultoria, uma empresa brasileira de planejamento financeiro pessoal e gestão patrimonial fundada em 2010.
“Eles viram que eu tinha me formado em Finanças e viram também a minha experiência comercial, que eu já tinha tido durante três anos e meio”, conta. Após as conversas, aceitou a proposta e passou a atuar como consultor financeiro voltado a pessoas físicas.
Na nova função, Jefferson trabalha com planejamento financeiro a partir dos objetivos de cada cliente. O processo envolve compreender receitas, despesas, eventuais dívidas e projetos de curto, médio e longo prazo para, a partir desse diagnóstico, traçar estratégias de organização financeira.
Jefferson explica que é um serviço muito personalizado. “Vou entender toda a tua situação e, em cima daquela tua situação e dos seus planos, vou traçar metas e objetivos. Como consultor, vou te ensinar como poupar”, detalha.
A carreira do egresso ainda está no início. Faz pouco mais de um mês que Jefferson está na W1 Consultoria, mas ele já projeta os próximos passos e sonha em crescer no local. Dentro do plano profissional que vem construindo na empresa, pretende avançar pelos diferentes níveis de consultoria, formar e desenvolver uma equipe e, futuramente, chegar a associate partner, etapa que ele descreve como uma entrada no quadro societário da empresa.
Finanças como caminho para transformar realidades
Se a afinidade com o dinheiro começou cedo, o significado atribuído às finanças mudou ao longo do caminho. Hoje, Jefferson diz enxergar a profissão não apenas como um exercício de administrar recursos, mas como uma possibilidade de ajudar pessoas a transformar planos em decisões concretas.
Essa percepção também tem raízes familiares. Ao falar sobre o pai, Jefferson recorda uma trajetória marcada por dificuldades financeiras na origem e pela valorização do estudo e do hábito de poupar. Foi dentro de casa, afirma, que começou a perceber como decisões financeiras tomadas ao longo do tempo podem interferir nas possibilidades de uma família.
Na atuação profissional, essa compreensão aparece na defesa da educação financeira e do planejamento como instrumentos para diminuir o peso que o dinheiro pode representar na vida cotidiana. Mais do que olhar para números, ele afirma buscar compreender os objetivos de quem está à sua frente e ajudar a construir caminhos possíveis para alcançá-los. “Eu acho que o meu propósito de vida é, mesmo falando de dinheiro, mudar e transformar vidas. É mudar e transformar pessoas e famílias”, afirma.
“A gente ajuda a trazer sonhos para a realidade. Sem julgar, queremos entender os clientes, o que os levou a tomar algumas decisões e o que fazer para dar a volta por cima. A educação financeira, vista sem tabu, pode mudar vidas.” — Jefferson Ryan, consultor financeiro e egresso do curso de Finanças
Ao olhar para os anos de graduação, Jefferson encontra na própria trajetória a confirmação de uma escolha que começou a ser desenhada antes mesmo de entrar na Universidade. Ele já sabia que gostava de Finanças, mas ainda precisava descobrir as possibilidades que cabiam dentro dessa área. Depois das experiências em sala de aula, projetos e contato com profissionais, Jefferson analisa que a Unifor foi uma “lupa” para consolidar sua escolha profissional.
Isso porque, segundo o egresso, a experiência universitária permitiu ampliar seu interesse pela área, colocá-lo em perspectiva e transformá-lo em um caminho profissional. “Eu tinha aquele desejo, mas ainda tinha aquela dúvida. Quando eu entrei no curso, foi aquela lente… É isso que eu quero, é com isso que eu me identifico”, resume.