Orgulho Unifor: egresso de Farmácia compartilha trajetória de pesquisa em oncologia experimental

seg, 28 setembro 2026 16:51

Orgulho Unifor: egresso de Farmácia compartilha trajetória de pesquisa em oncologia experimental

Com sólida base científica construída na Universidade de Fortaleza e experiência nos Estados Unidos, Danilo Damasceno atua na investigação de compostos com potencial antitumoral


Mestre e doutor em Farmacologia, Danilo dedica sua carreira à oncologia experimental, investigando novos compostos no combate ao câncer. (Foto: Arquivo pessoal)
Mestre e doutor em Farmacologia, Danilo dedica sua carreira à oncologia experimental, investigando novos compostos no combate ao câncer. (Foto: Arquivo pessoal)

A paixão pela ciência raramente surge por acaso. Para Danilo Damasceno Rocha, egresso do curso de Farmácia da Universidade de Fortaleza (Unifor) — instituição mantida pela Fundação Edson Queiroz —, o fascínio pelas experiências de laboratório começou dentro de casa. 

Inspiração viva na sua infância, seu pai, um professor de química da Universidade Federal do Ceará (UFC), apresentava o universo científico para ele entre provetas e reativos, transformando a curiosidade em aprendizado.

Apelidada carinhosamente pela família de “cientista maluco”, a figura paterna tornou-se a primeira e principal referência profissional de Danilo, despertando nele o desejo de seguir os mesmos passos. Com a vocação moldada no convívio familiar, o estudante ingressou no ensino superior com uma certeza: o seu caminho seria dedicado à pesquisa científica. 

Essa paixão pela ciência encontrou terreno fértil no campus da Unifor, onde Danilo concluiu a graduação em Farmácia em 2004. A sólida base construída na instituição impulsionou uma trajetória acadêmica e profissional de destaque, com mestrado e doutorado em Farmacologia pela UFC — período que incluiu a experiência internacional do doutorado sanduíche na Universidade do Arizona, nos Estados Unidos — e pós-doutorado na mesma área. 

Atualmente, o egresso atua como pesquisador no Laboratório de Oncologia Experimental (LOE), vinculado ao Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM) da UFC, onde dedica sua carreira à oncologia experimental, investigando novos compostos no combate ao câncer.

Mergulhando no universo científico

Ao ingressar na graduação em Farmácia na Unifor, Danilo deparou-se com um leque amplo de possibilidades. Para ele, o setor de farmácia é muito abrangente e oferece diferentes caminhos de atuação, desde a indústria e a farmácia comunitária até as análises clínicas e a pesquisa científica.

“Durante a graduação, temos contato com áreas muito diversas, como química, botânica, microbiologia e farmacologia. Essa diversidade torna a formação muito rica e nos permite descobrir, ao longo do curso, com quais áreas temos maior afinidade”, afirma.

A sua imersão definitiva no universo científico ocorreu durante os anos em que o mundo acompanhou os avanços do Projeto Genoma Humano. Estimulado pelas aulas de Genética e Biologia Molecular na Unifor, Danilo buscou uma oportunidade de iniciação científica e passou os últimos anos da graduação integrado a um laboratório de pesquisa, vivenciando de forma mais próxima a rotina de um pesquisador.

De acordo com o egresso, a infraestrutura e o ambiente acadêmico da Unifor foram fundamentais para consolidar a sua formação no ramo.

“Os professores e também os colegas com quem convivi e compartilhei tantas experiências foram muito importantes ao longo de toda graduação. Além disso, a infraestrutura dos laboratórios era muito boa, assim como a Biblioteca, que acredito ser um espaço que os alunos deveriam aproveitar cada vez mais. Mesmo vivendo em uma era digital, ter acesso a livros atualizados e a um ambiente tranquilo e adequado para o estudo continua sendo muito valioso”, reflete.

A experiência internacional de pesquisa nos Estados Unidos

Com o diploma de farmacêutico em mãos e a bagagem de iniciação científica consolidada, Danilo ingressou na pós-graduação focado em se aprofundar como pesquisador. O desejo de vivenciar a pesquisa fora do país sempre esteve no seu horizonte de planejamento acadêmico, influenciado mais uma vez pela trajetória do pai, que realizou etapas da sua formação em instituições estadunidenses.

Na época, o seu orientador na Universidade do Arizona desenvolvia estudos com os mesmos objetos de estudo investigados por Danilo. A afinidade entre as linhas de pesquisa levou à elaboração e submissão de um projeto de doutorado sanduíche, posteriormente aprovado, possibilitando sua ida para a cidade de Tucson, no Arizona.

“O doutorado sanduíche sempre foi algo pensado. Meu pai fez doutorado e pós-doutorado nos Estados Unidos, o que aumentou minha vontade de ter minha própria experiência fora durante a pós-graduação. O meu supervisor no Arizona trabalhava com o mesmo grupo de moléculas e plantas que eu estudava na UFC e, por coincidência, conhecia meu pai. Submetemos o projeto e fomos aprovados”, relembra.

Entre os anos de 2010 e 2011, a rotina de pesquisa no exterior exigiu adaptação não apenas linguística e técnica, mas também resiliência no âmbito pessoal, uma vez que Danilo precisou administrar a distância da família e o nascimento recente da sua filha. No ambiente acadêmico, contudo, ele encontrou uma atmosfera multicultural altamente enriquecedora.

Para ele, a adaptação foi tranquila, pois considera que a linguagem científica é praticamente universal. “Independente do nível de inglês que você saiba, eu acho que a língua científica se conecta mais fácil”, conta o egresso. 

“O laboratório era composto por pessoas de Cuba, do México, da China, do Paquistão, do Sri Lanka e americanos também. A gente aprende sobre culturas de várias regiões do planeta e isso é que é legal também: essa internacionalização de culturas, de conhecimento e de formas de enxergar a pesquisa”, declara.

Segundo o egresso, mais do que o acesso a tecnologias de ponta, o maior aprendizado absorvido na instituição norte-americana esteve associado à mudança de postura diante dos dados analíticos e à construção de um rigor metodológico: “A pesquisa é feita muito mais de perguntas do que de respostas. Aprendi a desenvolver um pensamento crítico aguçado”.

Do estudo à pesquisa prática: o desafio da farmacologia anticancerígena 

De volta ao Brasil, o pesquisador deu sequência à sua trajetória acadêmica realizando o pós-doutorado entre 2012 e 2015. Ao longo dos anos seguintes, consolidou sua atuação na oncologia experimental e na descoberta de novos fármacos.

A rotina de Danilo envolve a investigação de compostos com potencial antitumoral, substâncias oriundas principalmente da biodiversidade brasileira, além de moléculas sintéticas, que são avaliadas em diferentes modelos experimentais. 

Quando apresentam resultados promissores, avançam para estudos voltados à compreensão de seus mecanismos de ação, por meio de ensaios in vitro e in vivo. Seus estudos também envolvem mecanismos de resistência aos tratamentos antineoplásicos, alvos moleculares e vias de sinalização relevantes para a biologia tumoral. 

Ele destaca que a transição entre o conhecimento amplo da graduação e a ultraespecialização da pesquisa é um processo natural de afunilamento técnico: “Na graduação temos contato com uma grande diversidade de informações e disciplinas, enquanto na pós-graduação vamos afunilando e aprofundando o conhecimento”, reflete.

O pesquisador lembra que a jornada entre a descoberta de uma molécula promissora na bancada do laboratório e a sua chegada às prateleiras e aos hospitais é longa, exigindo resiliência e constante atualização.


“A gente vai estudando, vai publicando, vai participando dos congressos. Uma coisa que temos que ter em mente é que o pesquisador não para. Ele tem que ter essa busca incessante por novas informações e também mostrar o seu conhecimento, passar o seu conhecimento para a comunidade.” — Danilo Damasceno, egresso do curso de Farmácia da Unifor

Estude Farmácia na Unifor em 2027.1

Reconhecido pela excelência acadêmica e pela infraestrutura de ponta, o curso de Farmácia da Unifor prepara profissionais capacitados para atuar em todas as frentes da profissão, desde a pesquisa científica e a indústria farmacêutica até a farmácia clínica e as análises toxicológicas.

Com laboratórios modernos, corpo docente formado majoritariamente por mestres e doutores e incentivo contínuo à iniciação científica, o curso proporciona uma formação abrangente e alinhada às exigências do mercado global.

Ao olhar para os alunos que hoje trilham o caminho da graduação, Danilo enfatiza que o motor principal de qualquer carreira científica de sucesso é a postura inquisitiva do próprio estudante. Para ele, as ferramentas tecnológicas e a infraestrutura disponíveis nas universidades ganham verdadeiro sentido quando combinadas com o interesse genuíno e a proatividade. 

“Aproveitem a infraestrutura da Unifor, os professores e a biblioteca. Às vezes o professor tem até a vontade, mas não sabe como alcançar o aluno, e o aluno tem que também fazer a parte dele de demonstrar interesse, de procurar a informação. O orientador não faz tudo. Na verdade, eu acho que boa parte do trabalho depende do aluno”, aconselha.

Ele acredita que a curiosidade deve ser prevalente na abordagem do pesquisador: fazer perguntas, pensar de forma crítica e avaliar bem os dados para gerar resultados relevantes: “O mundo do pesquisador é um universo de descobertas diárias onde o conhecimento não para, e isso é prazeroso”.

 

Esta notícia está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), contribuindo para o alcance dos ODS 3 - Saúde e Bem-Estar, ODS 4 – Educação de Qualidade e ODS 9 - Indústria, Inovação e Infraestrutura. 

A Universidade de Fortaleza, assim, assegura a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, promovendo oportunidades de aprendizagem e pesquisa, integrando ensino e a extensão ao desenvolvimento sustentável global.

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