Biblioteca Digital de Teses e Dissertações
Título:
Saúde mental em residentes expostos à violência e assédio no ambiente educacional dos programas de residência médica
Autor:
Aguiar, Aline Guerreiro
Programa:
Mestrado Em Ciências Médicas
Data da defesa:
3 de jun de 2026
Orientador:
Bessa, Olivia Andrea Alencar Costa
Banca examinadora:
Colares, Jeova Keny Baima
Sa, Henrique Luis Do Carmo E
Resumo: A residência médica é considerada o padrão-ouro na formação de especialistas, porém está frequentemente associada a elevada carga de trabalho, pressão psicológica e exposição a situações de violência e assédio no ambiente educacional. Esses fatores têm sido relacionados ao comprometimento da saúde mental dos médicos residentes, com potenciais repercussões no desempenho profissional e na segurança do paciente. Apesar disso, ainda são escassos os estudos nacionais que investigam de forma integrada a associação entre assédio e desfechos em saúde mental nesta população. O objetivo desse estudo é analisar a associação entre a exposição ao assédio no ambiente de residência médica e a ocorrência de sintomas de depressão, ansiedade e estresse em médicos residentes. Trata-se de um estudo observacional, transversal, de abordagem quantitativa, realizado com médicos residentes de programas de residência médica vinculados à rede de serviços de saúde do estado do Ceará. A coleta de dados foi realizada por meio de quatro instrumentos: questionário sociodemográfico, Questionário de Atos Negativos revisado (NAQ-R), Questionário de Violência e Assédio (QVA) e Escala de Depressão, Ansiedade e Estresse (DASS-21). As análises incluíram estatística descritiva, testes de associação (qui-quadrado/Pearson) e cálculo de odds ratio (OR) com intervalo de confiança de 95%. Observou-se prevalência de assédio moral de 51,2%, sendo significativamente maior entre residentes de áreas cirúrgicas em comparação às áreas clínicas. A prevalência de sintomas relacionados a saúde mental foi de 47,4% para depressão, 37% para ansiedade e 59,5% para estresse, com proporções relevantes de casos classificados como severos ou extremamente severos. A exposição ao assédio esteve significativamente associada a maiores chances de depressão (OR = 4,01; IC95%: 2,12¿7,56), ansiedade (OR = 4,24; IC95%: 2,16¿8,33) e estresse (OR = 5,96; IC95%: 3,04¿11,66). O abuso verbal ou emocional foi a forma mais frequente de violência (52,4%), seguido de discriminação de gênero e idade, apresentando associação consistente com desfechos negativos em saúde mental. Observou-se ainda baixa disponibilidade ou desconhecimento de canais formais de denúncia e suporte. A exposição ao assédio no ambiente da residência médica está fortemente associada ao adoecimento psíquico, configurando-se como um fator relevante e potencialmente modificável na formação médica. Os achados reforçam a necessidade de estratégias institucionais voltadas à prevenção da violência, fortalecimento de mecanismos de denúncia e promoção da saúde mental dos residentes, contribuindo para ambientes de formação mais seguros, éticos e sustentáveis.
Abstract: Medical residency is considered the gold standard for specialist training; however, it is frequently associated with a high workload, psychological pressure, and exposure to violence and harassment within the educational environment. These factors have been associated with impaired mental health among resident physicians, with potential repercussions on professional performance and patient safety. Despite this, national studies investigating in an integrated manner the association between harassment and mental health outcomes in this population remain scarce. The aim of this study was to analyze the association between exposure to harassment in the medical residency environment and the occurrence of symptoms of depression, anxiety, and stress among resident physicians. This was an observational, cross-sectional study with a quantitative approach, conducted among physicians enrolled in medical residency programs affiliated with the healthcare network of the state of Ceará, Brazil. Data collection was carried out using four instruments: a sociodemographic questionnaire, the Negative Acts Questionnaire-Revised (NAQ-R), the Violence and Harassment Questionnaire (VHQ), and the Depression, Anxiety, and Stress Scale (DASS-21). Analyses included descriptive statistics, association tests (Chi-square/Pearson), and calculation of odds ratios (OR) with 95% confidence intervals. The prevalence of workplace harassment was 51.2%, being significantly higher among residents in surgical specialties compared with those in clinical specialties. The prevalence of mental health-related symptoms was 47.4% for depression, 37.0% for anxiety, and 59.5% for stress, with a substantial proportion of cases classified as severe or extremely severe. Exposure to harassment was significantly associated with increased odds of depression (OR = 4.01; 95% CI: 2.12¿7.56), anxiety (OR = 4.24; 95% CI: 2.16¿ 8.33), and stress (OR = 5.96; 95% CI: 3.04¿11.66). Verbal or emotional abuse was the most frequent form of violence (52.4%), followed by gender- and age-based discrimination, both showing a consistent association with adverse mental health outcomes. Limited availability of, or lack of awareness regarding, formal reporting and support channels was also observed. Exposure to harassment in the medical residency environment is strongly associated with psychological distress, representing a relevant and potentially modifiable factor in medical training. These findings reinforce the need for institutional strategies aimed at preventing violence, strengthening reporting mechanisms, and promoting residents¿ mental health, thereby contributing to safer, more ethical, and more sustainable training environments.
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