Tom Jobim “estaciona” na Unifor com exposição gratuita
Mostra Jobim-açu transforma a obra do compositor em uma experiência imersiva que celebra o centenário do artista

Para celebrar o centenário de Tom Jobim (1927-1994), a exposição itinerante Jobim-açu chega a Fortaleza com entrada gratuita. A mostra, que apresenta a relação do maestro com a natureza, a música e a cultura brasileira, fica na Universidade de Fortaleza (Unifor), instituição mantida pela Fundação Edson Queiroz, de 1º a 9 de outubro, com visitação de segunda a sexta-feira, das 9h às 19h, na Praça Central, em frente ao Centro de Convivência. A exposição convida o público a conhecer o universo de Jobim e sua profunda conexão com a Mata Atlântica, presente em sua obra e em sua maneira de perceber o Brasil.
Com curadoria do jornalista Hugo Sukman e da cineasta Daniela Thomas, que também assina a direção artística, Jobim-açu transforma um caminhão em uma exposição itinerante e imersiva dedicada ao compositor. O título Jobim-açu dialoga diretamente com a canção ‘Querelas do Brasil’, de Aldir Blanc e Maurício Tapajós. Na letra, Aldir une o sobrenome do compositor ao sufixo tupi açu, que significa "grande". A canção, que celebra a diversidade cultural e natural do país ao mesmo tempo em que denuncia sua destruição, traz Tom como um dos grandes intérpretes da brasilidade e alguém que transformou a fauna, a flora, as águas e as paisagens do Brasil em linguagem musical.
“Tom enxergava a floresta como patrimônio cultural. Ele costumava dizer que toda a sua obra havia sido inspirada pela Mata Atlântica. O músico compreendeu cedo que a biodiversidade brasileira não era apenas cenário, mas linguagem. A exposição parte justamente dessa convicção, mostrando como rios, árvores, aves e estações do ano inspiraram sua produção artística e moldaram sua maneira de pensar o Brasil”, conta Sukman.
A experiência começa antes mesmo da entrada. Envelopado com uma obra inédita de Danilo Zamboni, arquiteto e ilustrador, o caminhão se transforma em uma extensão da paisagem que moldou o imaginário de Tom, convidando o visitante a atravessar uma floresta feita de imagens, sons e tecidos suspensos.
A proposta da direção artística de Daniela Thomas é fazer com que o público atravesse uma espécie de “clareira poética”, em que música, memória e natureza se entrelaçam. No interior da mostra, tecidos suspensos recebem trechos de canções, fotografias e imagens de diferentes momentos da vida do compositor, enquanto um grande painel reúne registros biográficos que acompanham sua trajetória.
"Transformar um caminhão em um pedaço da Mata Atlântica significava criar um espaço onde as pessoas deixassem a cidade por alguns instantes. Trabalhamos com tecidos, imagens, sons e com o traço delicado de Zamboni para que cada visitante tivesse a sensação de atravessar a paisagem que alimentou a imaginação de Tom. É uma cenografia que convida a olhar para cima, ouvir os pássaros, perceber a luz e compreender que aquela floresta sempre esteve presente na música dele. A sensação é a de caminhar pela floresta que Tom tantas vezes traduziu em sons", afirma Daniela.
A experiência segue do lado de fora do caminhão. Cinco estações compostas por 20 painéis apresentam, por meio de textos breves e um amplo conjunto iconográfico, a trajetória de Tom Jobim, da infância até o reconhecimento internacional como um dos maiores compositores do século XX. Banquinhos convidam o público a permanecer no espaço, folhear os materiais disponíveis e desacelerar o ritmo da visita, transformando a praça em um ambiente de convivência e contemplação.
A ambientação sonora também acompanha essa narrativa. Duas playlists foram especialmente elaboradas para diferentes momentos da programação. “Durante a semana, estudantes serão recebidos por uma seleção dedicada às composições em que a natureza ocupa lugar central, ampliando o caráter educativo da exposição. Aos fins de semana, o repertório incorpora clássicos que atravessaram gerações, como ‘Chega de Saudade’ e ‘Se Todos Fossem Iguais a Você’, aproximando novos públicos da riqueza da obra de Jobim”, conta Daniela.
Além da visitação, a Jobim-Açu promoverá oficinas voltadas a crianças e estudantes, com atividades que articulam música, literatura, ilustração e educação ambiental.
Para a vice-reitora de Extensão e Comunidade Universitária da Unifor, Adriana Helena Moreira, “Tom Jobim não foi apenas um gênio da nossa música, mas também um olhar atento para a natureza e para a preservação do Brasil. Trazer essa exposição itinerante para o campus da Unifor alinha perfeitamente a arte à conscientização socioambiental, valores que buscamos trabalhar constantemente em nossas ações de extensão universitária”, comenta.
Sobre o curador Hugo Sukman
Hugo Sukman é jornalista, escritor e curador, com uma trajetória de mais de quatro décadas dedicada à cultura brasileira. Atuou como repórter, crítico de música e de cinema e colunista em veículos como Jornal do Brasil e O Globo. É um dos curadores do novo Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro (MIS-RJ), onde desenvolve projetos voltados à preservação e difusão da memória audiovisual e musical do país.
Sobre a curadora e diretora artística Daniela Thomas
Daniela Thomas é cineasta, diretora de arte e cenógrafa, reconhecida por sua atuação no cinema, no teatro e em grandes exposições. Ao longo de sua carreira, construiu uma linguagem visual marcada pelo rigor estético e pela criação de experiências imersivas. Foi diretora de filmes como ‘Terra Estrangeira’ e ‘Linha de Passe’ e assina a produção do longa ‘Ainda Estou Aqui’, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional e do Prêmio Grande Otelo.
Serviço
Tom Jobim “estaciona” na Unifor com exposição gratuita
Local: Praça Central, em frente ao Centro de Convivência
Endereço: Av. Washington Soares, 1321 - Edson Queiroz
Período: 1º a 9 de outubro
Horário: 9 às 19 horas