ISGH e TEC Unifor fortalecem parceria para impulsionar inovação tecnológica na saúde

qui, 5 novembro 2026 10:56

ISGH e TEC Unifor fortalecem parceria para impulsionar inovação tecnológica na saúde

Aproximação com o ecossistema de inovação busca conectar desafios da gestão hospitalar a pesquisas, startups e soluções tecnológicas capazes de aprimorar processos e qualificar o atendimento aos pacientes


A instituição ampliou sua atuação ao longo dos anos e consolidou um modelo de gestão fundamentado na profissionalização, na eficiência operacional, na qualidade dos serviços e no cuidado ao paciente (Foto: Marjorie Zaranza)
A instituição ampliou sua atuação ao longo dos anos e consolidou um modelo de gestão fundamentado na profissionalização, na eficiência operacional, na qualidade dos serviços e no cuidado ao paciente (Foto: Marjorie Zaranza)

O Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH) busca ampliar sua capacidade de inovação tecnológica por meio da aproximação com o ecossistema de inovação do Parque Tecnológico da Universidade de Fortaleza (TEC Unifor), vinculada à Fundação Edson Queiroz. 

A iniciativa pretende fortalecer a conexão entre os desafios reais enfrentados pelas unidades de saúde e o conhecimento científico, as pesquisas acadêmicas e as soluções desenvolvidas por startups e empresas, com foco na modernização da gestão hospitalar e na melhoria dos serviços prestados à população.

De acordo com Luidgi Machado, gerente geral do Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI) do ISGH, o instituto surgiu com o propósito de contribuir para uma gestão mais eficiente e qualificada dos serviços públicos de saúde. 

Primeira organização social de saúde habilitada pelo Estado do Ceará, ele diz que a instituição ampliou sua atuação ao longo dos anos e consolidou um modelo de gestão fundamentado na profissionalização, na eficiência operacional, na qualidade dos serviços e no cuidado ao paciente. 

Atualmente, sua atuação abrange a gestão de unidades de saúde, especialmente hospitais de alta complexidade e outros equipamentos de saúde no Ceará.

Luidgi conta que com o crescimento das unidades e o aumento da complexidade dos processos, a tecnologia passou a ocupar um espaço cada vez mais estratégico na instituição. 

“Além de incorporar ferramentas tecnológicas, o ISGH também desenvolve soluções próprias para responder às necessidades identificadas em sua operação. Um exemplo é o ARS Vitae, sistema de prontuário eletrônico e gestão hospitalar que passa por um processo contínuo de desenvolvimento e aprimoramento”, comenta.

Tecnologia como aliada da gestão hospitalar

Nos últimos quatro anos, o NTI do ISGH tem ampliado sua atuação, deixando de ser visto apenas como uma área de suporte para assumir uma função estratégica junto à gestão e à assistência à saúde. 

O setor é responsável por atividades que vão da infraestrutura tecnológica, redes e segurança da informação ao desenvolvimento de sistemas, à integração de soluções e à gestão de projetos de transformação digital.

O gestor explica que a proposta é utilizar a tecnologia não apenas para informatizar atividades, mas também para aprimorar processos, apoiar decisões, aumentar a eficiência operacional e contribuir para a qualidade do atendimento aos pacientes.

A identificação de oportunidades de inovação ocorre por meio da proximidade entre o NTI e as áreas assistenciais, operacionais e de gestão. 

Nesse processo, Luidgi ressalta que a Comissão de Gestão da Informação e Comunicação em Saúde (CGICS) desempenha um papel importante ao promover a integração entre as necessidades da assistência, da gestão, da informação e da tecnologia.

“A partir das demandas identificadas, a equipe analisa os processos de ponta a ponta para avaliar quais mudanças podem gerar resultados efetivos. Isso porque nem todo problema exige necessariamente uma ferramenta tecnológica: em algumas situações, a reorganização de procedimentos pode ser suficiente para melhorar o funcionamento das atividades”, esclarece.

Quando a tecnologia apresenta potencial para aumentar a eficiência, a segurança e a qualidade das informações, são avaliadas possibilidades de desenvolvimento, integração ou incorporação de soluções.


“Um exemplo desse trabalho colaborativo é o módulo de Oncologia do ARS Vitae, desenvolvido a partir da interação entre o NTI, profissionais da assistência, gestores e referências técnicas. A iniciativa demonstra como necessidades identificadas no cotidiano dos serviços de saúde podem ser transformadas em soluções tecnológicas desenvolvidas pela própria instituição” - Luidgi Machado, gerente geral do Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI) do ISGH (Foto: Marjorie Zaranza).

Desafios e oportunidades para a inovação

Luidgi relata que apesar dos avanços, a transformação digital na saúde envolve desafios relacionados à diversidade dos serviços, ao grande volume de dados e à necessidade de manter sistemas seguros, confiáveis e disponíveis. 

Segundo ele, a limitação de recursos humanos e financeiros também exige que a instituição estabeleça prioridades e concentre esforços em iniciativas sustentáveis, com potencial de gerar benefícios concretos.

“Outro ponto é acompanhar a evolução de tecnologias como inteligência artificial, automação, interoperabilidade, computação em nuvem e análise de dados. Embora essas ferramentas apresentem novas possibilidades para a gestão hospitalar, sua adoção depende da avaliação de sua aplicabilidade e dos resultados que podem oferecer à realidade do ISGH”, comenta.

Nesse cenário, para o gestor, a colaboração com universidades, pesquisadores, startups e empresas é considerada uma oportunidade para ampliar as possibilidades de desenvolvimento tecnológico.

“Enquanto a instituição de saúde apresenta problemas concretos da operação, a academia contribui com conhecimento científico e os empreendedores oferecem novas tecnologias e modelos de solução. A partir dessa aproximação, as ideias podem ser avaliadas e validadas em um ambiente real de saúde”, enfatiza Luidgi.

TEC Unifor como ponte entre saúde e inovação 

A aproximação com o TEC Unifor está relacionada à compreensão de que a inovação não deve ser desenvolvida de maneira isolada. Embora o ISGH, reúna conhecimento sobre os desafios assistenciais e administrativos das unidades de saúde, Luidgi afirma que outras competências e tecnologias podem ser encontradas no ambiente acadêmico e empreendedor.

O gestor declara que o convênio firmado com a universidade contempla atividades de pesquisa e desenvolvimento, serviços científicos e tecnológicos, formação e capacitação de recursos humanos, além da absorção e transferência de tecnologia.

“A expectativa é que o TEC funcione como uma ponte entre as necessidades do ISGH e as soluções desenvolvidas por empresas e pesquisadores. A instituição pretende apresentar seus desafios operacionais para se transformar em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, além de utilizar o ambiente para capacitar equipes, estimular uma cultura inovadora e identificar tecnologias aplicáveis aos processos de saúde”, conclui Luidgi.

Impactos esperados 

De acordo com Fernando Ferreira, coordenador do TEC Unifor, o ISGH é um parceiro estratégico para o ecossistema, visto que o espaço obtém grande expertise e muitas soluções na área da saúde. 

Desta forma, para ele, o TEC Unifor pode agregar muito valor ao permitir que essas soluções cheguem na ponta e impactem positivamente na qualidade de vida das pessoas.

Fernando ressalta a vontade de, juntos, o ecossistema e o instituto possam desenvolver cada vez mais soluções aderentes às necessidades das pessoas, aplicando a ciência no mercado, gerando valor por meio da transferência tecnológica.

TEC Unifor

O TEC Unifor é o primeiro parque tecnológico cearense reconhecido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Inaugurado em 2017, impulsiona a inovação e a pesquisa por meio de parcerias com empresas e startups que desenvolvem soluções tecnológicas de impacto para a sociedade. 

As empresas são residentes ou não residentes no campus e contam com incentivos fiscais, apoio de pesquisadores e bolsistas, além de ambiente equipado com tecnologia de última geração, favorecendo o crescimento de seus produtos e negócios.

O TEC Unifor é ocupado por empresas residentes, núcleos de pesquisa, laboratórios, Unifor Hub, Espaço Growth e auditório. O espaço conta com recursos provenientes da Fundação Edson Queiroz e da Financiadora de Estudos e Pesquisa (Finep), por meio de duas chamadas públicas: 

  • “MCTI/Finep/FNDCT/CT - Verde Amarelo - Parques Tecnológicos / Seleção Pública de Propostas para o Apoio Financeiro a Parques Tecnológicos em Implantação e em Operação”.
  • "MCTI/Finep/FNDCT/CT – Verde Amarelo – Laboratórios Abertos de Prototipagem e Espaços Compartilhados", anunciado em 2022, com apoio financeiro de até 2 milhões de reais em projetos de pesquisa inovadores.

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