Ciência aberta e inteligência artificial: CSE Unifor projeta o futuro da publicação acadêmica
Nos dias 30/09 e 01/10, no auditório TEC Unifor, o Conselho Superior de Editoração (CSE), da Universidade de Fortaleza, promoveu programação especial em celebração ao seu Jubileu de Prata. O evento buscou discutir o impacto da pesquisa contemporânea, reforçar o acesso aberto e preparar a comunidade acadêmica para as urgências do cenário digital.
A presença do professor Sigmar de Mello Rode (UNESP/SciELO/ABEC), referência nacional em ética científica, marcou o ponto alto da programação, trazendo provocações sobre os limites e as responsabilidades da integridade acadêmica. O docente também ministrou oficina prática dedicada ao impacto da Inteligência Artificial (IA) nos processos editoriais e de investigação para docentes, editores, pareceristas e pesquisadores presentes.

Professor Sigmar de Mello Rode ministrando oficina sobre IA
na Pesquisa e Editoração Científica
IA, Ética e Integridade
A Oficina sobre IA na Pesquisa e Editoração Científica detalhou
como as ferramentas de IA generativa e analítica redefinem os fluxos
da Ciência Aberta, trazendo tanto oportunidades quanto alertas
rigorosos para autores e editores:
- Democratização e
suporte: a IA foi apresentada como uma aliada estratégica
para pesquisadores não nativos da língua inglesa, reduzindo
barreiras linguísticas na redação, na edição e na preparação de
manuscritos;
- Autoria estritamente
humana: diretrizes de entidades como COPE, ICMJE, JAMA e a
Portaria nº 2.664/2026 do CNPq estabelecem que softwares de IA não
podem ser listados como autores. As ferramentas não assumem
responsabilidade jurídica ou ética sobre o conteúdo, sendo obrigatória
a declaração transparente de qualquer uso da tecnologia;
- Risco de fraudes: a oficina alertou para o
surgimento de referências bibliográficas inventadas por IA e
mensagens ocultas para tentar burlar a avaliação, práticas que têm
levado periódicos e repositórios a adotar critérios mais rígidos de
rejeição imediata (desk rejection);
-
Confidencialidade na avaliação: pareceristas foram
orientados sobre os riscos de inserir manuscritos não publicados em
plataformas externas de IA, o que pode comprometer a privacidade dos
dados e o sigilo do processo de avaliação por pares.
Ao unir a memória de seus 25 anos de história ao debate prático sobre Inteligência Artificial, integridade editorial e ética na pesquisa, o CSE Unifor reafirmou que, embora as tecnologias transformem as ferramentas de trabalho, o fator humano, o rigor técnico e a responsabilidade social permanecem no centro da ciência.
Texto:
Raquel Procópio de Sousa e
Gustavo Cardoso Oliveira
Conselho Superior de Editoração –
CSE