Orgulho Unifor | Professores e aluna de Escrita e Criação são finalistas no Prêmio Jabuti 2026

ter, 27 outubro 2026 11:33

Orgulho Unifor | Professores e aluna de Escrita e Criação são finalistas no Prêmio Jabuti 2026

Com três obras indicadas, docentes e discente concorrem na etapa final da maior premiação de literatura brasileira


O Prêmio Jabuti é concedido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) há 68 anos (Foto: Divulgação/CBL)
O Prêmio Jabuti é concedido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) há 68 anos (Foto: Divulgação/CBL)

A literatura é um espaço vivo de escuta, invenção e transformação coletiva. Quando a palavra ganha corpo e alcança o reconhecimento nacional, o impacto ecoa não apenas na trajetória individual de quem escreve, mas em toda a comunidade que compartilha do mesmo ambiente de aprendizado. Refletindo essa vocação para a formação de excelência, a Universidade de Fortaleza (Unifor) — instituição mantida pela Fundação Edson Queiroz —, celebra a indicação de dois docentes e uma aluna do curso de especialização em Escrita e Criação entre os finalistas da 68ª edição do Prêmio Jabuti, o mais tradicional e prestigiado prêmio literário do país.

A lista de finalistas reúne a poetisa, tradutora e professora Nina Rizzi, concorrendo na categoria “Poesia” com o livro Diáspora não é lar (Editora Pallas); o romancista e professor Moacir Fio, finalista em “Romance de Entretenimento” com Aranha movediça (Editora Moinhos); e a escritora e aluna do curso Camila Paoletti, que estreia na literatura concorrendo na categoria “Escritor Estreante: Poesia” com a obra Lavra mareia (Editora Patuá).

A cerimônia oficial de premiação acontece nesta terça-feira (27), em um dos palcos mais emblemáticos da cultura nacional, a Sala São Paulo, na capital paulista, com transmissão ao vivo pelo canal da Câmara Brasileira do Livro (CBL) no YouTube. 

O prêmio contempla 23 categorias, selecionando cinco finalistas para a fase decisiva. Além da cobiçada estatueta em formato de jabuti e do prêmio de R$ 5 mil para os vencedores de cada eixo, o evento culmina na escolha do livro do ano, cujo autor é contemplado com R$ 70 mil e a participação em uma das principais feiras internacionais do livro. Pela primeira vez nesta edição, as obras vencedoras nas categorias de autores estreantes também concorrem ao prêmio principal.

Instituído em 1958 pela CBL sob a idealização de Edgar Cavalheiro e Mário da Silva Brito, o Prêmio Jabuti teve sua primeira entrega em 1959, consagrando Jorge Amado. Desde então, a premiação mantém o compromisso histórico de dar visibilidade e valorizar toda a cadeia do mercado editorial brasileiro, abrangendo escritores,ilustradores, capistas, livreiros e gráficos.

Poesia, ancestralidade e troca de saberes na formação literária

Para a professora Nina Rizzi, estar entre as finalistas na categoria Poesia representa um momento de profunda celebração e validação do percurso estético construído ao longo dos anos. A obra Diáspora não é lar (Editora Pallas) nasceu a partir de um convite para a publicação de um poema inédito na revista piauí, enquanto a autora realizava a leitura crítica de um livro sobre ancestralidade e identidade racial.

"Na época, estava fazendo a análise de um livro e a autora falava muito sobre questões de ancestralidade. Escrevi o poema que dá título ao livro e senti que ainda tinha mais a dizer. Minha mãe começou a entrar muito nesse projeto, tornando-o especial na minha trajetória poética. Traz experiências minhas e da minha mãe que também são coletivas, abrindo outra janela na minha escrita, inclusive com uma linguagem mais experimental, trabalhando com o pretuguês, outros idiomas e o iorubá", relata.

A autora ressalta que o caminho até a lista de indicados teve um sabor especial, uma vez que a inscrição da obra foi viabilizada diretamente por sua editora, a Pallas, surpresa que transformou o anúncio em um momento de pura vibração coletiva.

"Eu não me inscrevi diretamente porque a inscrição do Jabuti é mais cara e eu não tinha esse valor. Este ano a minha editora fez a inscrição e, quando vi a notícia pipocar na internet, pulei de alegria. Estar entre os finalistas é uma chancela, uma possibilidade de que muito mais pessoas leiam a obra. É o que todo escritor busca: encontrar seus leitores", revela a professora.

Nina Rizzi enfatiza que chegar ao Jabuti funciona como um "farol", ampliando o alcance da obra e permitindo que o livro encontre novos leitores pelo país. Ela também destaca a conexão direta entre a produção literária premiada e o ambiente acadêmico da Unifor, onde leciona em formato de laboratório prático.


"Sou professora antes de todas as coisas. Amo profundamente lecionar e não vejo a poesia separada da educação. As aulas no curso de Escrita e Criação são muito divertidas e trocamos com pessoas de vários lugares do país e do exterior. Certamente me influenciou e influencia os alunos; é uma troca muito bonita. Ver a Camila Paoletti, que foi nossa aluna, também entre as finalistas é uma alegria gigante. A escrita criativa é um espaço de experimentação, um laboratório onde testamos o que funciona. Isso é uma comprovação de que, quanto melhor escrevemos, mais importante se torna partilhar." — Nina Rizzi, professora da especialização em Escrita e Criação

Sobre a expectativa para a noite de gala em São Paulo, Nina expressa um misto de ansiedade boa e emoção por rever parceiros de profissão e abraçar a literatura no palco nacional.

"Já estou com roupa de vestir e pronta para ir! Vai ser incrível encontrar amigos queridos e pessoas que admiro pelos livros. Os colegas que estão na final comigo são merecedores e têm livros incríveis, mas a torcida e a alegria por esse momento são gigantescas.”

Mapeando a verdade: a força do romance e o diálogo em sala de aula 

Finalista na categoria “Romance de Entretenimento” — modalidade voltada a valorizar obras com forte apelo de público e conexão narrativa —, o professor Moacir Fio comemora o destaque obtido por seu primeiro romance, Aranha movediça (Editora Moinhos), que já acumulava indicações em outros concursos literários, como o Prêmio Oceanos. A estrutura do livro foi inspirada no formato e nas ambiguidades dos programas investigativos de áudio.


Capa do livro Aranha movediça (Reprodução)

"Eu pretendia escrever algo em um formato de podcast true crime. Tenho um grande interesse pelas armadilhas da memória, pelo modo como construímos nossa ideia de verdade, e o true crime encapsula todas as problemáticas do jornalismo contemporâneo, entre a investigação e o espetáculo. Mas a história só começou a acontecer quando surgiram os personagens. A primeira a aparecer foi Maca, diante do mistério que a envolvia, concluí que precisava do podcast", explica.

Para Moacir, a indicação também evidencia a relevância de criar espaços em que a literatura de entretenimento seja analisada sem preconceitos e com rigor técnico, dialogando diretamente com a experiência do leitor moderno.

"Todas as categorias são focadas na experiência do público. É importante que o mercado abra espaço para reconhecer obras de entretenimento, pois isso demonstra que a boa narrativa atrai leitores e constrói conexões profundas sem perder a qualidade técnica", reflete o docente.

Segundo o autor, figurar na fase final do Jabuti com o romance de estreia traz um incentivo importante para a sequência de sua carreira, além de reafirmar a importância do trabalho contínuo por trás da escrita.


"Considerando que Aranha Movediça é meu primeiro romance, representa muito. É como se me dissessem que estou no caminho certo. Embora seja meu primeiro romance, já tenho mais ou menos uma década de literatura, em coletivos, editando revista independente, fazendo pesquisa. Sempre há muito trabalho por trás de qualquer conquista. Já me considero vencedor por ter chegado à final e estou ansioso para encontrar amigos e pessoas que admiro na cerimônia." — Moacir Fio, professor da especialização em Escrita e Criação

Ele completa lembrando que o troféu, se vier, terá um lugar especial de inspiração no seu dia a dia de trabalho: "Se por acaso eu voltar para casa com o troféu, vou deixá-lo em destaque na escrivaninha para me assombrar enquanto trabalho nos próximos livros”.

A conquista de uma posição em uma categoria estreante

Para a aluna de Escrita e Criação, Camila Paoletti, estar no final da categoria Escritor Estreante: Poesia com a obra Lavra mareia (Editora Patuá) foi uma notícia recebida com emoção e impacto. A escrita, praticada de forma reservada desde a infância, ganhou coragem para o mundo após um momento divisor de águas em sua vida.

"Decidir publicar foi uma forma de sobrevivência e reinvenção. Eu vinha vivendo anos de muita mudança e perdas, que culminaram em um acidente doméstico durante o qual senti medo de morrer. Foi ali que algo em mim decidiu colocar no mundo o que eu vinha escrevendo somente para mim nos últimos anos. A indicação é uma validação, é um incentivo para continuar colocando no mundo os projetos que venho trabalhando", revela Camila.

Ao se dar conta do tamanho da indicação, a reação imediata foi de surpresa e noites em claro tentando assimilar o marco profissional. "Foi bastante inacreditável. Não acompanhei a divulgação em tempo real e foram três noites sem dormir tentando compreender o que estava acontecendo. O apoio dos colegas e professores da Unifor me ajudou a aterrissar a notícia gradativamente", rememora.

A indicação ao Jabuti também fortaleceu o processo de construção da própria identidade enquanto escritora, enfrentando as conciliações diárias com a rotina profissional.


“Sempre hesitei em dizer que sou escritora. Estar entre os finalistas me ajuda a fortalecer essa identidade com confiança e a esculpir entre os meus dias a disciplina da escrita. Não é simples escrever quando se tem outro trabalho que provê o sustento financeiro, o que é a realidade da maioria dos escritores. Essa indicação é uma injeção de ânimo para que eu continue dispensando energia nos meus projetos, apesar do cansaço da rotina."
— Camila Paoletti, aluna da especialização em Escrita e Criação

Formação que impulsiona a produção e o mercado editorial

O reconhecimento no maior prêmio do país reflete o ambiente da especialização em Escrita e Criação da Unifor, estruturado como uma comunidade de aprendizado, desenvolvimento e estímulo à profissionalização do escritor.

Nas palavras dos próprios indicados, a troca entre docência e discente constrói caminhos práticos para transformar ideias em publicações de destaque no cenário nacional. "A especialização em Escrita e Criação vem me ajudando de várias formas: desde poder fazer parte de uma comunidade de escritores e aspirantes que se apoia, manter a cadência de escrita, receber retorno de leituras críticas e aprender técnicas e teoria para colocar em prática", ressalta a aluna Camila Paoletti.

Para o professor Moacir Fio, o curso desempenha o papel vital de retirar o processo criativo da solidão e inseri-lo em um ambiente de construção conjunta. "Cursos e oficinas criam comunidades. Sempre pensei na criação literária como um fenômeno comunitário. Mostramos aos estudantes que o aprimoramento técnico não elimina as incertezas, mas prepara o autor para reconhecer e agarrar as oportunidades", explica.

A professora Nina Rizzi sintetiza o impacto da formação na construção da carreira literária: "Ver nossos alunos conquistando espaço e ver a docência aliada à prática premiada é a comprovação de que estamos no caminho certo. A escrita criativa é um espaço de experimentação onde aprendemos juntos e nos inspiramos mutuamente."

Com duração de 20 meses e carga horária de 380 horas, em formato semanal, a o curso de especialização é voltado para graduados de qualquer área interessados em literatura, técnicas narrativas e mercado editorial. O curso acontece em modalidade EaD, com disciplinas no formato síncrono mediado e presenciais sob agendamento.


Esta notícia está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), contribuindo para o alcance do ODS 4 — Educação de Qualidade e do ODS 8 — Trabalho Decente e Crescimento Econômico.

Assim, a Universidade de Fortaleza reitera seu compromisso com o incentivo à cultura, o fortalecimento do mercado editorial e a promoção de uma educação crítica e emancipadora.

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