Primeira etapa do Complexo Cultural Yolanda e Edson Queiroz será inaugurada em 12 de novembro
Novo espaço dedicado à arte, à memória e à produção de conhecimento será aberto ao público em Fortaleza com quatro exposições

Fortaleza terá, a partir de 12 de novembro de 2026, um novo espaço dedicado à arte, à memória e à produção de conhecimento. Nessa data, será inaugurada a primeira etapa do Complexo Cultural Yolanda e Edson Queiroz, projeto da Fundação Edson Queiroz integrado ao campus da Universidade de Fortaleza (Unifor).
Pensado para figurar entre os principais equipamentos culturais do país, o complexo alia arte, arquitetura, educação e sustentabilidade. O empreendimento terá 87.652,25 m² de área construída, distribuídos em uma área de 25 mil m² ao lado da Unifor. Nesta primeira etapa, será entregue o Museu da Fundação Edson Queiroz, equipamento dedicado às artes visuais, à preservação da memória e à formação de novos públicos.
O projeto é de autoria do arquiteto cearense Luiz Deusdará, profissional responsável por mais de mil obras no país e vencedor de prêmios nacionais e internacionais. Embora tenha uma estética marcada pelo estilo brutalista, o complexo incorpora elementos de paisagismo e uma cobertura que conecta os dois principais pontos do empreendimento, o museu e a torre, contribuindo para um ambiente mais ventilado e agradável.
Museu da Fundação Edson Queiroz
O Museu da Fundação Edson Queiroz, que será entregue nesta primeira etapa, é o principal equipamento cultural do complexo. Distribuído em quatro andares expositivos, o museu reunirá mostras de arte, bibliotecas, atividades educativas e estruturas voltadas à preservação de acervos.
Complexo Cultural Yolanda e Edson Queiroz. Foto: Vito Moura.
Os quatro pavimentos foram planejados para receber exposições de artes visuais, mostras permanentes e itinerantes, além de espaços destinados à conservação e ao restauro de obras. Entre os ambientes estão salas de restauro abertas à observação do público, permitindo que os visitantes acompanhem de perto parte dos processos de conservação das obras.
A estrutura também contempla espaços voltados à pesquisa, à educação e à preservação de acervos, ampliando a atuação do museu para além da exposição de obras de arte.
Entre os ambientes dedicados à memória literária e cultural estão a Biblioteca Acervos Especiais, a Biblioteca Rachel de Queiroz e a Cordelteca Maria das Neves Baptista Pimentel. Esses espaços reunirão patrimônio bibliográfico, literatura, pesquisa e manifestações da cultura popular.
A proposta é que as galerias funcionem também como espaços de aprendizagem e formação, aproximando estudantes, pesquisadores e visitantes das diferentes manifestações artísticas e culturais.
Para a presidente da Fundação Edson Queiroz, Lenise Queiroz Rocha, a inauguração representa a concretização de um projeto voltado à ampliação do acesso à arte, à cultura, ao conhecimento e à memória.
“Esperamos que o Complexo se torne um espaço de encontro, reflexão e formação, aproximando diferentes públicos e fortalecendo a cultura como agente de transformação social. É também uma forma de homenagear o legado de Yolanda e Edson Queiroz, que sempre acreditaram na educação e na cultura como instrumentos para o desenvolvimento das pessoas e da sociedade” - Lenise Queiroz Rocha, presidente da Fundação Edson Queiroz.
Quatro exposições na abertura
A programação inaugural do Museu da Fundação Edson Queiroz terá quatro grandes exposições, com diferentes recortes da produção artística e da memória cultural.
A Bienal de Arte da Fundação Edson Queiroz — “Povo por vir” reunirá 160 obras de 40 artistas. Com curadoria de Lucas Dilacerda, a exposição, que substituirá a tradicional Unifor Plástica, propõe reflexões a partir da arte e dos saberes populares, abordando formas de convivência com a natureza e com a vida em comunidade. O título faz referência ao pensamento do filósofo Gilles Deleuze e à ideia de um povo capaz de resistir aos desafios de seu tempo.
O Espaço Yolanda e Edson apresentará a trajetória do casal responsável pela criação da Fundação Edson Queiroz. Com curadoria de Denise Mattar e cenografia de André Scarlazzari, a mostra utilizará uma abordagem sensorial e afetiva para contar aspectos da história pessoal e empresarial dos dois empreendedores, cuja parceria contribuiu para a formação de uma família e de um grupo empresarial com atuação marcante no Ceará.
A terceira mostra será “Escrevendo tempos: encontros, elos e fronteiras entre artistas do Ceará e do Mundo nas coleções cearenses”, com curadoria de Galciani Neves e Max Perlingeiro. A exposição reunirá 135 obras de artistas cearenses e internacionais provenientes de acervos da Fundação Edson Queiroz, do Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará (MAUC) e de coleções particulares.
Entre os artistas nacionais estão Aldemir Martins, Antônio Bandeira, Raimundo Cela, Sérvulo Esmeraldo, Vitor Cesar, Jonas Van, Juno B e Patrícia Araújo. A mostra também terá obras de 55 artistas internacionais, incluindo Pablo Picasso, Salvador Dalí e Claude Monet. O percurso contempla diferentes períodos e correntes artísticas, do Barroco e do Renascimento europeu à arte contemporânea, passando pelo Impressionismo, Modernismo, Surrealismo, arte oriental, abstrações do pós-guerra, Construtivismo e arte cinética.
Por fim, “Constelações da Arte no Brasil” apresentará mais de 200 obras pertencentes à Fundação Edson Queiroz. O percurso aborda diferentes momentos das artes visuais brasileiras e reúne obras relacionadas às matrizes africanas, indígenas e europeias que contribuíram para a formação da identidade cultural do país. Entre os artistas estão Chico da Silva, Daiara Tukano, Alfredo Volpi, Antônio Bandeira, Tarsila do Amaral e Cândido Portinari.
Bibliotecas, literatura e preservação da memória
A atuação do Museu da Fundação Edson Queiroz também se estende à preservação do patrimônio bibliográfico e literário.
A Biblioteca Acervos Especiais reunirá obras históricas de interesse cultural, acadêmico e documental, com estrutura destinada à conservação, consulta, pesquisa e estudo.
A Biblioteca Rachel de Queiroz homenageará a escritora cearense e será dedicada à leitura, à pesquisa e ao contato com sua produção literária, além de receber atividades educativas e culturais.
Já a Cordelteca Maria das Neves Baptista Pimentel será dedicada à preservação e à difusão da literatura de cordel, reunindo publicações, registros e materiais relacionados a uma das principais expressões da cultura popular nordestina.
Universidade como parte da experiência
A proximidade com a Unifor é parte central da proposta do complexo. A estrutura poderá receber atividades de aprendizagem, pesquisa e formação para estudantes de diferentes áreas.
O grande átrio será um dos principais espaços de integração entre a universidade e o novo equipamento cultural. O ambiente poderá receber eventos acadêmicos, institucionais e culturais, como as tradicionais colações de grau, a Feira de Profissões e o Mundo Unifor, além de congressos, exposições, apresentações e outros encontros.
Universidade de Fortaleza. Foto: Ares Soares.
Para a vice-reitora de Extensão e Comunidade Universitária da Unifor, Adriana Helena Moreira, o museu deve funcionar como uma extensão da sala de aula e como espaço de reflexão, criatividade, pensamento crítico e aprendizado contínuo.
“O novo museu nasce não apenas como um lugar para preservar e expor obras, mas como um espaço vivo de conhecimento, educação, convivência e descoberta, aberto à cidade e às pessoas”, destaca.
O complexo também abrangerá o Teatro Celina Queiroz, que passará por reformulação para integrar o novo espaço dedicado à cultura, à educação e à formação profissional.
Sustentabilidade na construção
A preocupação ambiental também integra o projeto do Complexo Cultural Yolanda e Edson Queiroz. Segundo a Fundação Edson Queiroz, soluções construtivas adotadas na obra reduziram significativamente o uso de materiais e os impactos ambientais.
Entre os resultados estão a redução de aproximadamente 6 mil toneladas de emissões de gás carbônico, uma preservação ambiental equivalente a cerca de 1.350 árvores e uma economia de aproximadamente 42 mil litros de diesel.
sem comprometer a resistência estrutural. Foto: Ares Soares
O projeto também reduziu o consumo de cerca de 11.340 m³ de concreto e 1.134 toneladas de aço, além de possibilitar o reaproveitamento de 472 toneladas de plástico destinado à reciclagem. A economia de energia incorporada à produção dos materiais chegou a 55.196 gigajoules (GJ).
Uma das principais soluções utilizadas é o sistema BubbleDeck, tecnologia de laje que emprega esferas plásticas reutilizáveis no interior da estrutura. A solução reduz a quantidade de concreto necessária sem comprometer a resistência estrutural.
Com a integração entre o Museu da Fundação Edson Queiroz, a universidade, bibliotecas, teatro, espaços de pesquisa e formação, o Complexo Cultural Yolanda e Edson Queiroz pretende ampliar o acesso à arte e à cultura e fortalecer a relação entre preservação da memória, produção de conhecimento e formação acadêmica em Fortaleza.