Ciência, mercado e prestígio internacional: a nova era de mestres e doutores

seg, 26 outubro 2026 10:13

Ciência, mercado e prestígio internacional: a nova era de mestres e doutores

Alunos e egressos mostram como o mestrado e o doutorado podem impulsionar carreiras, dar origem a pesquisas reconhecidas e proporcionar experiências internacionais. Inscrições para os programas seguem até 3 de novembro


Pós-Unifor está com vagas abertas para os programas de Administração, Direito e Gestão de Conflitos, Enfermagem, Psicologia, Odontologia e Saúde Coletiva (Imagem: Ares Soares e Google Flow / Edição: Luiz Gonzaga)
Pós-Unifor está com vagas abertas para os programas de Administração, Direito e Gestão de Conflitos, Enfermagem, Psicologia, Odontologia e Saúde Coletiva (Imagem: Ares Soares e Google Flow / Edição: Luiz Gonzaga)

Desenvolver uma tecnologia para melhorar o cuidado de pacientes, conquistar espaço na docência universitária, transformar uma tese em um livro premiado ou levar uma pesquisa para outro país. Essas são algumas das possibilidades que a formação em nível de mestrado e doutorado abriu para alunos e egressos da Universidade de Fortaleza (Unifor), vinculada à Fundação Edson Queiroz. 

Com inscrições abertas até 3 de novembro, os programas da Pós-Unifor reúnem diferentes áreas do conhecimento e oferecem caminhos tanto para quem deseja avançar na carreira quanto para quem pretende se dedicar à pesquisa científica.

Os cursos de mestrado e doutorado oferecem a oportunidade de desenvolver pesquisas, aprimorar competências e construir novas perspectivas de atuação profissional. Ao longo do percurso acadêmico, os estudantes ainda desenvolvem habilidades como pensamento crítico, liderança, autonomia e capacidade de tomar decisões diante de problemas complexos. 

“Uma pós-graduação de qualidade não deve entregar apenas um conjunto de conteúdos. Ela deve contribuir para que o profissional pense melhor, tome decisões mais qualificadas, seja capaz de inovar e tenha maior autonomia para enfrentar os desafios da sua carreira”, afirma o diretor da Pós-Unifor, professor Marcos James Bessa.

Na hora de escolher o curso, uma dúvida comum é a diferença entre o mestrado acadêmico e o profissional. O primeiro é mais direcionado à pesquisa científica e à formação de pesquisadores e docentes do ensino superior. Já o mestrado profissional tem como principal característica a aplicação do conhecimento científico na resolução de problemas encontrados no exercício da profissão. 

O doutorado, por sua vez, permite avançar ainda mais na investigação científica, com o desenvolvimento de pesquisas originais que contribuam para a produção de conhecimento. Isso não significa, porém, que a pesquisa acadêmica esteja distante das demandas do mercado, já que os estudos desenvolvidos na Universidade também podem apresentar soluções para desafios enfrentados pela sociedade.

>> Conheça as áreas com vagas disponíveis:

As oportunidades proporcionadas pela Pós-Unifor durante a trajetória acadêmica contribuem para o protagonismo de seus alunos e egressos, como Laise da Silva, Márcia Zabdiele, Fábio Alvarenga Peixoto e Bruno Diniz. Vamos conhecer cada um deles?

Pesquisa para transformar o cuidado na Enfermagem

A preocupação com a prevenção de lesões de pele em pacientes críticos levou a enfermeira Laise da Silva Soares a desenvolver uma pesquisa com aplicação direta na assistência à saúde. Egressa do Mestrado Profissional em Tecnologia e Inovação em Enfermagem (MPTIE), ela criou, durante o curso, um protocolo para orientar profissionais de saúde na prevenção e no tratamento dessas lesões, um problema que pode comprometer a recuperação dos pacientes e prolongar o período de internação.

O trabalho resultou no “Protocolo para Prevenção e Gerenciamento de Lesões de Pele (PPGLP)”, desenvolvido a partir da necessidade de padronizar os cuidados com base em evidências científicas. A ferramenta orienta equipes multidisciplinares na prevenção de lesões por pressão, dermatite associada à incontinência, lesões por fricção e aquelas relacionadas ao uso de adesivos médicos. Também pode auxiliar no acompanhamento da cicatrização.

Conforme explicou Laise para uma reportagem da Revista Unifor, o protocolo funciona como um guia para as decisões tomadas diariamente pelas equipes de enfermagem. Ao estabelecer orientações comuns, a ferramenta facilita o planejamento das intervenções, melhora a comunicação entre os profissionais e contribui para a continuidade da assistência. Segundo a pesquisadora, a inovação também pode ajudar a reduzir complicações como dor e infecções, além de favorecer a recuperação dos pacientes. 

A experiência no mestrado teve importância decisiva em sua trajetória profissional. Foi durante a formação que Laise aprofundou os conhecimentos sobre pesquisa científica e compreendeu melhor como os resultados de um estudo podem ser incorporados à rotina dos serviços de saúde. Ao comentar a aplicação do trabalho, a egressa destaca a satisfação de “ver o protocolo sendo utilizado como guia para a implementação de cuidados baseados em evidências”.

Segundo ela, a pesquisa ganha ainda mais sentido quando contribui para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e aperfeiçoar a atuação dos profissionais. A experiência reforçou sua percepção sobre o papel da universidade na produção de conhecimentos capazes de responder às necessidades concretas da sociedade.


“Ver o protocolo sendo utilizado como guia para a implementação de cuidados baseados em evidências reforça a minha visão sobre o papel crucial da pesquisa na transformação da realidade na saúde. Ao apoiar estudos que visam a melhoria da qualidade de vida dos pacientes e a otimização da prática profissional, a universidade contribui significativamente para o avanço da saúde na nossa sociedade.” — Laise da Silva Soares Gurgel, mestra em Tecnologia e Inovação em Enfermagem pela Unifor e enfermeira

Fusão na vida acadêmica e profissional 

Quando decidiu cursar o mestrado e o doutorado em Administração na Unifor, Márcia Zabdiele não imaginava que a formação culminaria com sua aprovação em um concurso como professora adjunta na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab).

A docente, que hoje é professora da graduação em Administração e do Programa de Pós-Graduação em Administração e Controladoria da Universidade Federal do Ceará (UFC), descreve sua trajetória como uma fusão entre vida acadêmica e profissional, viabilizada pelas experiências vividas no Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGA).

“Minha aprendizagem com a elaboração de artigos científicos, com o ritmo intenso de estudos e com a competência dos professores foi essencial para minha formação. Eles foram grandes exemplos de dedicação à ciência”, afirma a egressa.

Márcia destaca que as vivências em disciplinas com professores estrangeiros, a participação em eventos acadêmicos e a oportunidade de apresentar trabalhos em ambientes estruturados contribuíram de forma significativa para sua preparação como pesquisadora, orientadora e docente no ensino superior.


“Passei em um concurso como professora adjunta na Unilab pouco antes de finalizar o doutorado. Foi um presente. Muitos terminam o doutorado sem ter garantias sobre o futuro profissional. No meu caso, tive essa graça antes mesmo da conclusão.” — Márcia Zabdiele, mestra e doutora em Administração pela Unifor e professora da graduação e da pós-graduação da UFC

Criado com a missão de formar profissionais altamente capacitados, o PPGA Unifor se consolidou como um centro de referência em ensino, pesquisa e inovação nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Em um cenário marcado pela transformação digital, por novas demandas de sustentabilidade, mudanças no comportamento dos consumidores e maior complexidade na gestão das organizações, profissionais de Administração precisam desenvolver competências que vão além do conhecimento técnico. E o programa está pronto para abraçar tanto quem deseja seguir pela pesquisa acadêmica quanto quem busca mais qualificação para atuar no mercado.

Da prática jurídica ao reconhecimento acadêmico

Foi a partir de situações vivenciadas na prática jurídica que Fábio Alvarenga Peixoto encontrou o tema que marcaria sua trajetória na pós-graduação. Procurador do Estado do Ceará desde 2008, ele se inquietava com decisões judiciais que recorriam à ideia de abuso de direito para restringir garantias fundamentais, muitas vezes sem apresentar critérios suficientemente claros para justificar essa interpretação. 

A questão, presente em sua rotina profissional, tornou-se objeto de estudo durante a trajetória para tornar-se mestre em Direito e Gestão de Conflitos e doutor em Direito Constitucional. No período, o egresso aprofundou a investigação sobre os limites do exercício dos direitos fundamentais e a maneira como o conceito de abuso é utilizado pelos tribunais brasileiros. “O Programa de Pós-Graduação em Direito (PPGD) foi o espaço em que essa passagem da preocupação prática para a construção dogmática se sistematizou”, afirmou à Entrevista Nota 10. 

Na pesquisa de doutorado, Fábio analisou decisões de tribunais estaduais, do Supremo Tribunal Federal (STF), do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e de cortes estrangeiras. O objetivo era compreender como a noção de abuso vinha sendo aplicada em casos envolvendo direitos como liberdade de expressão, reunião, greve e imprensa. A partir desse levantamento, buscou estabelecer parâmetros jurídicos mais claros para identificar situações de abuso, sem simplesmente transferir para o Direito Constitucional conceitos desenvolvidos no Direito Civil.

O trabalho ultrapassou os limites da Universidade e conquistou reconhecimento nacional e internacional. Em 2023, a tese recebeu menção honrosa no Prêmio Capes de Tese e venceu o 1º Prêmio FIBE, concedido pelo Fórum de Integração Brasil Europa. A pesquisa também deu origem ao livro “Abusos de Direitos Fundamentais – Das Doutrinas Civilistas do Abuso de Direito à Teoria do Direito Constitucional”, publicado pela Almedina Brasil com o Selo FIBE e lançado na Unifor em setembro de 2026.


“Muito do que consta na tese — e agora no livro — decorreu diretamente do confronto das minhas pré-concepções com ideias e trabalhos jurídicos ensinados e discutidos em sala de aula e em grupos de pesquisa. O impacto do PPGD está, assim, em ter proporcionado um ambiente de excelência — reconhecido pelo conceito 6 na Capes —, no qual foi possível propor uma dogmática do abuso de direitos fundamentais singular, mas sem deixar dialogar com as tradições civilistas e constitucionais (muitas das quais não disseminadas no Brasil).” — Fábio Alvarenga Peixoto, mestre em Direito e Gestão de Conflitos, doutor em Direito Constitucional e Procurador do Estado do Ceará 

Para Fábio, a discussão não se restringe ao meio acadêmico. Ao propor critérios mais rigorosos para a interpretação do abuso de direito, sua pesquisa contribui para o debate sobre a proteção das garantias fundamentais e os limites das decisões judiciais. É também um exemplo de como uma questão surgida no exercício da profissão pode ganhar profundidade científica e resultar em uma produção reconhecida dentro e fora do país.

Formação que vai além dos títulos

Seja para conquistar novos espaços no mercado de trabalho ou construir uma carreira dedicada à pesquisa e à docência, a pós-graduação representa uma oportunidade de ampliar conhecimentos e desenvolver competências. Para o professor Marcos James Bessa, diretor da Pós-Unifor, a escolha entre as diferentes modalidades de formação deve considerar, sobretudo, os objetivos profissionais de cada estudante.

O gestor explica que os cursos voltados à formação prática, como os mestrados profissionais, permitem aplicar o conhecimento científico na resolução de problemas encontrados no cotidiano de trabalho. Já os mestrados e doutorados acadêmicos têm como foco principal a investigação científica e a produção de novos conhecimentos.

Essa distinção, no entanto, não significa que os dois caminhos estejam separados. “Uma boa formação prática precisa estar fundamentada em conhecimento científico, assim como a pesquisa acadêmica pode produzir impactos concretos para organizações e para a sociedade”, destaca.

Além do aprofundamento em uma área específica, Marcos James ressalta que a experiência na pós-graduação contribui para desenvolver a capacidade de analisar problemas, interpretar informações, trabalhar em equipe e tomar decisões. Na formação acadêmica, essas habilidades são fortalecidas pelo contato com métodos de pesquisa, pela análise de evidências e pela construção de argumentos científicos.

A Unifor, conforme o docente, traz diferenciais relevantes para quem busca uma pós. O corpo docente é formado por professores com elevada titulação e produção científica em periódicos nacionais e internacionais. A infraestrutura da Universidade oferece bibliotecas, salas de aula e plataformas digitais de ensino.

Também há oportunidades de internacionalização, viabilizadas por mais de 160 convênios com instituições estrangeiras, que favorecem o intercâmbio de estudantes e a presença de professores de outros países na Unifor. 

Além disso, os estudantes podem concorrer a bolsas de estudo de agências como Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), conforme os critérios dos respectivos editais. Marcos ainda aponta os bons conceitos dos programas nas avaliações da Capes e o desempenho em rankings internacionais como aspectos que fortalecem a formação oferecida pela Universidade.

E ele lembra que, para quem pretende seguir na carreira acadêmica, o mestrado e o doutorado representam etapas importantes, mas não encerram o processo de formação. Segundo o diretor, a trajetória de um pesquisador envolve dedicação contínua à produção científica, ao ensino e à orientação de novos profissionais. 


“É importante destacar que a carreira acadêmica não se resume à obtenção de títulos. Ela envolve a construção contínua de uma trajetória de pesquisa, produção científica, ensino, orientação e contribuição para a sociedade. Nesse percurso, mestrado e doutorado são etapas fundamentais porque ajudam o profissional a passar de um consumidor de conhecimento para alguém capaz de produzir, questionar e compartilhar conhecimento científico.” — Marcos James Bessa, diretor da Pós-Unifor
 

Sobre o Processo Seletivo Pós-Unifor

A Pós-Unifor está com inscrições abertas para os cursos de mestrado e doutorado até o dia 3 de novembro. Os programas oferecem oportunidades de aprofundamento acadêmico, desenvolvimento de pesquisas e qualificação profissional em diferentes áreas do conhecimento. Acesse o link abaixo para ingressar na Pós-Unifor.

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