Alunos concluem Especialização em Arquitetura de Interiores com projeto desenvolvido para atender demandas reais do Iprede

ter, 21 julho 2026 10:22

Alunos concluem Especialização em Arquitetura de Interiores com projeto desenvolvido para atender demandas reais do Iprede

Iniciativa marcou o encerramento da Turma 11 da Especialização em Arquitetura de Interiores e trouxe a experiência de aplicar o conhecimento acadêmico em benefício da comunidade


A proposta representa a aplicação dos conhecimentos construídos durante a especialização em uma experiência prática, que alia formação profissional e contribuição social. - Foto: Ares Soares
A proposta representa a aplicação dos conhecimentos construídos durante a especialização em uma experiência prática, que alia formação profissional e contribuição social. - Foto: Ares Soares

Um projeto de requalificação para o Instituto da Primeira Infância (Iprede), desenvolvido pelos alunos da Turma 11 do Curso de Especialização em Arquitetura de Interiores da Universidade de Fortaleza, instituição mantida pela Fundação Edson Queiroz, marcou o encerramento da especialização, nesta segunda-feira (20). A iniciativa evidencia a aplicação prática dos conhecimentos adquiridos ao longo da especialização, além do impacto social promovido pela Pós-Unifor e da parceria institucional com a organização filantrópica sediada na capital cearense. O evento contou com a presença do presidente do Iprede, o médico pediatra e professor Sulivan Mota

A ação integra a disciplina de Estúdio Multidisciplinar, que desafia os alunos a desenvolver soluções para demandas reais, aproximando a formação acadêmica da prática profissional. No projeto destinado ao Iprede, os estudantes precisaram aliar domínio técnico, sensibilidade estética e uma escuta atenta às necessidades da instituição. O resultado foi uma proposta construída com responsabilidade social, buscando atender às demandas do espaço de forma funcional, acolhedora e alinhada à missão do Instituto.

Presidente do Iprede, o médico pediatra e professor Sulivan Mota - Foto: Ares Soares

Com 40 anos de existência, o Iprede desenvolve programas, projetos e serviços voltados ao acompanhamento de crianças com alterações do neurodesenvolvimento, desnutrição, obesidade e outras situações de vulnerabilidade. Considerando as necessidades da instituição, a turma foi dividida em sete grupos, e cada equipe ficou responsável pelo desenvolvimento de um ambiente da sede do instituto, conforme explica a professora Erica Martins

"O desafio não era apenas criar espaços bonitos de forma isolada, mas fazer com que todos os ambientes funcionassem como um único projeto, compartilhando identidade visual, paleta de cores, materiais e linguagem espacial. A ideia era que toda a turma trabalhasse como se fosse um único escritório de arquitetura, e não sete equipes independentes. Isso exigiu um diálogo constante entre os grupos. Embora cada equipe tivesse autonomia para desenvolver seu ambiente, foi necessário criar critérios comuns, negociar soluções, revisar propostas e garantir que todos os projetos conversassem entre si", explica.

A docente salienta ainda que, como a instituição sem fins lucrativos atende crianças e suas famílias, o aspecto lúdico também esteve presente nas propostas, sempre aliado à funcionalidade e ao acolhimento.

"Esse desafio mobilizou praticamente todos os conhecimentos construídos ao longo da pós-graduação: ergonomia, conforto ambiental, materiais, marcenaria, acústica, acessibilidade, sustentabilidade e viabilidade de execução. Não era possível resolver o projeto apenas com o conhecimento de uma disciplina; era necessário integrar todos esses saberes". - Profa. Erica Martins. Foto: Ares Soares

Diferencial

O diferencial da especialização está em proporcionar aos alunos uma experiência baseada em um cenário real, que reproduz situações semelhantes às que encontrarão no mercado de trabalho, especialmente porque boa parte deles já atua profissionalmente na área.

Para o desenvolvimento do projeto, os estudantes também precisaram lidar com orçamentos limitados e prazos definidos, aproximando ainda mais a atividade da realidade profissional. Ao longo desse processo, o diretor do Iprede participou das apresentações, acompanhou o desenvolvimento das propostas e ofereceu devolutivas, contribuindo para o aprimoramento dos projetos.

"Além de desenvolver o projeto, os alunos precisaram justificar tecnicamente cada decisão, demonstrar a viabilidade das soluções propostas e aprender a defender suas ideias diante do cliente, entendendo também quando era necessário adaptar o projeto às demandas apresentadas", explicou Erica.

A disciplina reproduziu a dinâmica de um escritório de arquitetura, com entregas parciais, revisões, ajustes e acompanhamento da coordenação. Como o trabalho será executado, também está prevista a emissão do Registro de Responsabilidade Técnica (RRT), e os alunos participarão da fase de execução, acompanhando a implementação das soluções desenvolvidas.

Para a aluna da especialização, Laila Parabá, o projeto proporcionou à equipe a oportunidade de conhecer o Iprede de perto e compreender melhor a realidade da instituição. 

"Participar desse projeto nos trouxe uma visão diferente de tudo o que já estávamos acostumadas. A parte pela qual ficamos responsáveis foi a entrada principal do Iprede, e trabalhar nesse espaço abriu muito os nossos olhos, porque é algo que ainda não está construído e que será desenvolvido do zero. Foi uma experiência que ampliou bastante nossa percepção sobre esse tipo de projeto", - Estudante da Especialização em Arquitetura de Interiores, Laila Parabá. Foto: Ares Soares

Para ela, o principal desafio surgiu a partir de um pedido da instituição para transformar a área em um corredor interativo, conectado à proposta da neurociência. "Para isso, tivemos que lidar com questões como iluminação e ventilação natural, buscando soluções que não interferissem no funcionamento dos projetores previstos para o espaço. Esse foi, sem dúvida, o maior desafio do projeto", disse.

A professora Erica finaliza ressaltando que, ao deslocar a arquitetura de interiores de um lugar frequentemente associado ao luxo e ao alto investimento, a iniciativa demonstra que um bom projeto nasce da compreensão das necessidades das pessoas e da capacidade de tomar decisões conscientes.

"Arquitetura de qualidade não depende de grandes orçamentos ou de materiais sofisticados, mas da habilidade de responder às demandas reais de quem utilizará o espaço. Ao formar profissionais capazes de projetar com excelência também em contextos de recursos limitados, a Unifor demonstra que a formação técnica pode estar a serviço da transformação social", completa.

Formação alinhada às tendências do mercado

O projeto desenvolvido para o Iprede exemplifica como a Especialização em Arquitetura de Interiores da Pós-Unifor traz a proposta de formar profissionais capazes de desenvolver projetos inovadores e alinhados às demandas contemporâneas do mercado.

A formação alia criatividade, técnica e gestão, abordando temas como neuroarquitetura, sustentabilidade, paisagismo, acessibilidade, iluminação, empreendedorismo e gestão de escritórios. Além das atividades em sala de aula, os estudantes participam de visitas técnicas, experiências práticas e ações de networking que aproximam a formação acadêmica da realidade profissional.

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