seg, 6 julho 2026 15:20
Entrevista Nota 10: Randal Pompeu e a Unifor como referência em ensino superior
Reitor da Unifor aborda avanços em ensino, pesquisa, inovação, internacionalização e compartilha visão sobre o futuro da instituição

Há 53 anos, a Universidade de Fortaleza (Unifor), instituição de ensino da Fundação Edson Queiroz, desempenha papel estratégico na formação de profissionais, na produção de conhecimento e no desenvolvimento social do Ceará. Reconhecida por 11 anos seguidos como a melhor universidade privada do Norte e Nordeste no Ranking Universitário Folha (RUF), a instituição amplia continuamente seus investimentos em ensino, pesquisa e extensão, e, assim, reafirma o compromisso de proporcionar formação acadêmica de excelência.
Nos últimos anos, a Universidade consolidou importantes avanços em diferentes áreas. A expansão da pesquisa científica, a criação de novos centros especializados, o fortalecimento do ecossistema de inovação, a aproximação com empresas e organizações e a ampliação das oportunidades de intercâmbio acadêmico reforçam uma estratégia voltada à formação de profissionais preparados para os desafios de um mercado cada vez mais global, tecnológico e dinâmico.
A estratégia da Universidade também se traduz em investimentos contínuos na modernização do campus e na adoção de metodologias de ensino alinhadas às transformações da educação superior. A Unifor investe em laboratórios, ambientes de aprendizagem, recursos tecnológicos e iniciativas que integram ensino, pesquisa e extensão, ampliando as experiências práticas dos estudantes e fortalecendo sua conexão com o mercado de trabalho.
Ao mesmo tempo, a Universidade amplia sua atuação internacional por meio de acordos de cooperação, programas de mobilidade acadêmica e parcerias estratégicas com instituições de diversos países. O objetivo é promover a circulação do conhecimento, estimular a pesquisa colaborativa e oferecer aos alunos e professores experiências além do Brasil.
Nesta Entrevista Nota 10, o Reitor da Unifor, professor Randal Martins Pompeu, faz o panorama das principais iniciativas desenvolvidas pela instituição, comenta os investimentos realizados na infraestrutura acadêmica e tecnológica e destaca os avanços da pesquisa e da inovação. O docente ainda detalha as estratégias de internacionalização e compartilha a visão da gestão para o futuro da Universidade.
À frente da Reitoria desde janeiro de 2023, o professor Randal Martins Pompeu conhece a Universidade de Fortaleza sob diferentes perspectivas: foi aluno, docente e gestor. Ingressou na instituição em 1979, no curso de Engenharia Civil, especializou-se em Informática, concluiu o mestrado em Informática Aplicada na própria Unifor e é doutor em Gestão pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (Portugal).
Após mais de duas décadas como vice-reitor de Extensão e Comunidade Universitária, assumiu a Reitoria com a missão de fortalecer a integração entre ensino, pesquisa e extensão, ampliar a internacionalização e dar continuidade ao projeto acadêmico da Universidade.
Leia a entrevista na íntegra a seguir.
Entrevista Nota 10 — Quais são hoje as prioridades da gestão da Unifor para fortalecer o ensino superior no Ceará?
Randal Pompeu — A Universidade de Fortaleza, da Fundação Edson Queiroz, tem concentrado seus esforços em três grandes prioridades: excelência acadêmica, inovação e impacto social. Nossa gestão busca fortalecer a integração entre ensino, pesquisa e extensão, ampliando a formação prática e interdisciplinar dos estudantes. Também temos investido na modernização dos cursos, na qualificação docente e no uso de tecnologias educacionais, de acordo com as demandas contemporâneas do mercado e da sociedade.
A Unifor mantém o compromisso histórico com o desenvolvimento do Ceará ao formar profissionais qualificados e promover ações que geram impacto direto nas áreas da saúde, tecnologia, direito, comunicação e gestão. A Universidade entende que fortalecer o ensino superior significa contribuir para o crescimento econômico e social do estado e do país.
Entrevista Nota 10 — De que forma a Unifor tem ampliado sua atuação em pesquisa, inovação e conexão com o mercado?
Randal Pompeu — A pesquisa e a inovação são pilares estratégicos da Unifor. A Universidade possui uma estrutura robusta de laboratórios, núcleos de pesquisa e programas de pós-graduação que estimulam a produção científica e o desenvolvimento tecnológico.
Ressalto as recentes inaugurações do Centro de Pesquisa Clínica (CPC), em 2025, e do Centro de Neurodesenvolvimento em Doenças Raras (CEND), em 2026, ambos em funcionamento no Núcleo de Atenção Médica Integrada (NAMI).
Destaco também o Núcleo de Biologia Experimental (Nubex), centro de excelência em pesquisa e inovação nas áreas de biotecnologia, alimentos, fármacos e educação, inclusive no desenvolvimento de startups que criam soluções em saúde. Faz parte do Nubex o Laboratório NB3, focado em pesquisas de alto risco e patógenos emergentes. Temos avançado em áreas como robótica e inteligência artificial, com criação de aplicações para governos e empresas, além de projetos reconhecidos nacionalmente, como o capacete Elmo e pesquisas em biotecnologia animal.
Outro ponto importante é a aproximação com organizações, instituições públicas e o setor produtivo. A Unifor possui 22 empresas locais e nacionais instaladas no campus, além de 45 startups, com participação de alunos e professores. A Unifor incentiva projetos colaborativos, transferência de tecnologia e iniciativas voltadas ao empreendedorismo e à inovação aberta. Isso fortalece a empregabilidade dos estudantes e aproxima a Universidade das transformações do mercado contemporâneo.
Entrevista Nota 10 — Como a Universidade tem trabalhado para preparar os estudantes para um cenário profissional cada vez mais global e tecnológico?
Randal Pompeu — A preparação dos estudantes passa por uma formação que combina conhecimento técnico, competências humanas e visão internacional. A Unifor tem ampliado metodologias ativas de aprendizagem, experiências práticas, programas de inovação e uso intensivo de recursos tecnológicos em sala de aula e nos laboratórios.
E tem adotado o modelo Collaborative Online International Learning (COIL), que promove a integração entre disciplinas ministradas por docentes de instituições de diferentes países, a exemplo do programa de intercâmbio virtual em parceria entre a Georgia State University. Também incentivamos a interdisciplinaridade e o desenvolvimento de habilidades como liderança, criatividade, resolução de problemas e capacidade de adaptação.
A Central de Carreiras, hoje com 5.180 empresas conveniadas, os programas de estágio, as experiências extensionistas e o contato com empresas e organizações permitem que os alunos tenham uma formação conectada com a realidade profissional e com os desafios globais.
Entrevista Nota 10 — A internacionalização é um tema central no ensino superior. Quais estratégias a Unifor tem adotado nessa área?
Randal Pompeu — A internacionalização é uma premissa estratégica da Unifor. Hoje a Universidade mantém mais de 155 acordos de cooperação com instituições de 30 países, promovendo intercâmbio acadêmico, mobilidade estudantil, pesquisa colaborativa e dupla titulação em várias áreas. Essa atuação tem se intensificado com a implantação da Diretoria de Relações Internacionais.
Além do envio de alunos e professores ao exterior, a Unifor recebe regularmente alunos e pesquisadores estrangeiros, fortalecendo o ambiente multicultural dentro do campus. Desde 2024, a Universidade também realiza missões internacionais com visitas técnicas e networking global em países como China, Itália, França, Inglaterra, Portugal e República Tcheca.
Outro destaque é a atuação do EducationUSA na Unifor, por ampliar oportunidades de formação internacional para nossa comunidade acadêmica. O objetivo é preparar profissionais capazes de atuar em um mundo cada vez mais conectado e globalizado.
Entrevista Nota 10 — A recente viagem institucional à China faz parte da estratégia de internacionalização da Universidade de Fortaleza. Quais foram os principais objetivos dessa missão e que parcerias estão sendo construídas?
Randal Pompeu — Minha viagem à China fez parte de uma missão técnica internacional organizada pelo Semesp – Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior, que convidou 40 reitores e vice-reitores de universidades brasileiras. A missão teve o objetivo de visitar universidades e empresas de tecnologia e inovação de Pequim e Shangai, para firmar parcerias em pesquisa aplicada e inovação educacional.
Destaco o contato com grandes universidades que possuem atuação global, como Tsinghua University, Renmin University, CUMT University, Beijing Normal University, NYU Shanghai, Fudan University e Shanghai Jiao Tong University. Também visitamos empresas de tecnologia que lideram seus segmentos, como Alibaba Group, Huawei, iFlytek, Whalesbot, além da Chinese Association for Non-Government Education, organização dedicada à promoção da educação privada e não-governamental.
Entrevista Nota 10 — Que impactos concretos essa aproximação com instituições chinesas pode trazer para alunos, professores e para o ecossistema de inovação da Universidade?
Randal Pompeu — Entre os principais impactos concretos da missão estão os convênios com universidades chinesas; as missões internacionais à China, inclusive uma com inscrições abertas para novembro deste ano, e a oferta do programa de verão Cultura e Civilização Chinesas, da Beijing City University, já com um aluno do curso de Psicologia da Unifor selecionado.
Ressalto o acordo firmado com a Universidade de Tsinghua, conhecida como o “MIT da China”, em razão da excelência de seu parque científico, o TusPark, um dos maiores ecossistemas de inovação e tecnologia do mundo, abrigando mais de 1.500 empresas e instituições. Esse parque tecnológico já desenvolveu 7 “empresas-unicórnio”, ou seja, empresas de capital fechado avaliadas em 1 bilhão de dólares ou mais. Também já foi firmada parceria com a Beijing Normal University com a oferta de curso de capacitação em IA para professores da Unifor.
Entrevista Nota 10 — Como a Unifor tem investido recentemente em infraestrutura acadêmica e tecnológica no campus?
Randal Pompeu — A Unifor mantém investimentos contínuos em infraestrutura para garantir um ambiente moderno, inovador e acolhedor. O campus conta atualmente com centenas de salas de aula, mais de 400 laboratórios especializados, centros de pesquisa, espaços de convivência, equipamentos esportivos e estruturas voltadas à cultura e à saúde.
Segue em construção, com previsão de inauguração para o segundo semestre de 2026, o Museu do Complexo Cultural Yolanda e Edson Queiroz, que será um marco na arte e cultura do estado e de toda a região. Nos últimos anos, houve ampliação dos recursos tecnológicos aplicados ao ensino, modernização de laboratórios, fortalecimento da conectividade digital e atualização dos ambientes acadêmicos para atender às novas metodologias de aprendizagem. Também seguimos investindo em sustentabilidade e em estruturas que favoreçam a experiência acadêmica completa dos estudantes.
Entrevista Nota 10 — Como a Universidade tem incentivado o empreendedorismo e o surgimento de novos negócios entre os alunos?
Randal Pompeu — A Unifor entende o empreendedorismo como uma competência essencial, por isso desenvolve programas, eventos, mentorias e iniciativas voltadas à inovação e à criação de negócios. Nesse contexto, o Parque Tecnológico da Universidade de Fortaleza – TEC Unifor aproxima alunos e professores a empresas, pesquisadores e startups em um ambiente voltado à inovação, pesquisa aplicada e desenvolvimento tecnológico. O espaço favorece a criação de soluções inovadoras e estimula a colaboração entre diferentes setores da economia, para fortalecer o ecossistema de inovação do Ceará.
Outro destaque é o Unifor Hub, que atua como ambiente de empreendedorismo e inovação dentro da Universidade. O Hub promove capacitações, networking, programas de aceleração e eventos como os hackathons, que buscam soluções para problemas reais de empresas, incentivando os estudantes a transformar ideias em negócios viáveis e competitivos. Essas práticas ampliam o contato da comunidade universitária com contextos internacionais e contribuem para transformar ideias em projetos reais, fortalecendo a cultura empreendedora dentro e fora do campus.
Entrevista Nota 10 — Qual o papel da Unifor no desenvolvimento econômico e social de Fortaleza e do Ceará?
Randal Pompeu — A Unifor exerce um papel estratégico no desenvolvimento do Ceará há mais de cinco décadas. Desde sua criação, a Universidade contribui para a formação de profissionais qualificados, produção científica, desenvolvimento cultural e fortalecimento da cidadania. A instituição mantém diversos projetos de impacto social em áreas como saúde, assistência jurídica, arte e cultura, esporte e capacitação profissional.
A Universidade também impulsiona o desenvolvimento econômico ao formar mão de obra qualificada, fomentar a inovação e colaborar com empresas e instituições públicas em projetos relevantes para o estado. A história da Unifor está conectada ao crescimento de Fortaleza e do Ceará, consolidada como a melhor universidade particular do Norte e Nordeste do Brasil segundo os principais rankings educacionais nacionais e internacionais.
Entrevista Nota 10 — Que visão o senhor tem para o futuro da Universidade nos próximos anos?
Randal Pompeu — Vejo a Universidade de Fortaleza avançando como instituição de referência nacional e internacional em ensino, pesquisa, extensão e impacto social. Nosso objetivo é consolidar uma universidade conectada às transformações do mundo contemporâneo, sem perder os valores humanísticos que fazem parte da nossa trajetória, sempre com o apoio irrestrito da Fundação Edson Queiroz.
Nos próximos anos, continuaremos investindo na excelência acadêmica, na transformação digital, na internacionalização e no fortalecimento da pesquisa aplicada e da inovação. Queremos ampliar a integração entre universidade, setor produtivo e sociedade, ao formar profissionais preparados para os desafios globais e para as novas demandas do mercado de trabalho.
Também temos o compromisso de fortalecer ações voltadas à sustentabilidade, inclusão e arte e cultura, com ações que contemplam o Complexo Cultural Yolanda e Edson Queiroz, a ser inaugurado neste ano de 2026. A Unifor seguirá sendo um espaço de produção de conhecimento, formação cidadã e geração de oportunidades, atenta às mudanças tecnológicas e sociais que definirão o futuro da educação superior.