O olhar criativo de Maylla Moura para o Design de Interiores

seg, 13 julho 2026 14:42

O olhar criativo de Maylla Moura para o Design de Interiores

Inspirada pelas lembranças do fogão a lenha da avó, aluna de Design de Interiores da Unifor transforma memória, criatividade e técnica em móvel que integrará o catálogo da empresa cearense Ronega 


Logo no primeiro ano da graduação em Design de Interiores da Unifor, Maylla Moura conquistou algo raro: ver um projeto acadêmico ultrapassar os limites da sala de aula (Foto: Ares Soares)
Logo no primeiro ano da graduação em Design de Interiores da Unifor, Maylla Moura conquistou algo raro: ver um projeto acadêmico ultrapassar os limites da sala de aula (Foto: Ares Soares)

Como você mantém sua “chama da criatividade” acesa? Esse é um dos grandes desafios da atualidade; mas manter a curiosidade aguçada e a sensibilidade artística são recompensadores, e podem resultar na materialização de ideias que agregam ao mundo.

Quem entende bem sobre essa importância das faíscas de inspiração é Maylla Moura, aluna da graduação em Design de Interiores da Universidade de Fortaleza (Unifor), instituição mantida pela Fundação Edson Queiroz. Ela é médica gastroenterologista pediátrica há quase dez anos, com atuação nas áreas de assistência, gestão e ensino em saúde, e decidiu investir nesta segunda formação profissional como forma de explorar seu interesse pelas diferentes formas de expressão humana. 

“Acredito que a vida também deve reservar espaço para desenvolver talentos que nos acompanham, e o Design de Interiores surgiu exatamente desse lugar”, conta a discente, destacando também que o curso a permite criar conexões e experiências que ampliam seu olhar criativo e pessoal.

“[A Medicina e o Design] são formas diferentes de atuação, mas ambas exigem atenção aos detalhes, empatia e um cuidado genuíno com a experiência humana. Para mim, compartilham a mesma essência: o cuidado, seja com pessoas ou com espaços, gerando conforto, pertencimento e significado”, acrescenta Maylla.

A escolha da Unifor para a nova etapa não foi difícil. Maylla destaca as exposições promovidas pela Universidade e o Café das Artes como fontes de inspiração que refletem a vocação artística presente no campus. “Quando descobri que o Design de Interiores era oferecido como uma graduação tecnológica na Unifor, e não só como um curso técnico, tive a certeza de que era a escolha certa”, conta a estudante.

Mas um outro diferencial superou suas expectativas: o quanto o curso aproxima-se do mercado de trabalho e aproxima os estudantes de desafios e oportunidades. E é aí que as ideias ganham uma nova dimensão – a de integrar o dia a dia das pessoas. Logo no primeiro ano de formação, um dos projetos de Maylla, desenvolvido na disciplina de Ergonomia e Design do Mobiliário, conquistou algo raro: ultrapassou os limites da sala de aula e foi escolhido pela empresa cearense Ronega para integrar seu novo catálogo de móveis.

A “Mesa Brasa” – como a criação foi batizada – representa um dos frutos da metodologia de “aprender fazendo” da Unifor, e das parcerias que o curso possui com profissionais de renome. Maylla afirma que a metodologia da disciplina a ajudou a compreender ergonomia, materiais e processos produtivos. Para ela, o contato direto com a empresa foi determinante para entender a realidade profissional. “Nunca imaginei que veria uma ideia já sendo materializada”, ressalta a futura designer de interiores, já dando os primeiros passos nesse novo mercado.

O Unifor Notícias Mobile apresenta uma série especial dedicada a alunos e egressos com protagonismo em diferentes áreas profissionais, levando a marca da Unifor para além do campus. Nesta reportagem, Maylla Moura mostra como criatividade, formação acadêmica e conexão com o mercado abrem novos caminhos, desde a escolha por uma segunda graduação até o reconhecimento de um projeto desenvolvido em sala de aula.

Desafiando mentes criativas

A associação Maylla-Ronega começou por intermédio do professor Rodrigo Porto, que ministra a disciplina de Ergonomia e Design do Mobiliário no curso de Design de Interiores. Tudo começou quando os alunos realizaram uma visita técnica à empresa, que tem mais de 40 anos de atuação no mercado de móveis soltos e planejados. 

“A disciplina tem foco no desenvolvimento de mobiliário, e o proprietário da empresa, Rodrigo Laureano, além de empresário, também é designer. [...] A partir dessa confiança mútua, conseguimos criar uma oportunidade concreta para que os alunos vivenciassem todas as etapas do desenvolvimento de um produto, da concepção à produção. Quando o mercado acredita na Universidade e investe nos seus estudantes, todos ganham: a empresa, a instituição e, principalmente, o aluno”, conta o docente.

A experiência foi enriquecida por um bate-papo com Laureano, em que o designer compartilhou que criar um produto vai muito além de desenhar uma peça bonita: requer uma metodologia de pesquisa, repertório, observação, processo produtivo, posicionamento de mercado e constituição de identidade. 

E, ao final do encontro, foi lançado o desafio: ao longo de um mês, os alunos deveriam desenvolver uma peça seguindo o método apresentado, e o projeto vencedor seria produzido pela Ronega. “A ideia não era encontrar um trabalho ‘pronto’, mas entender quem conseguiria absorver o processo”, ressalta o empresário.

A interação com os alunos e os resultados apresentados deixaram uma boa impressão no proprietário da Ronega. “Eu já havia participado de palestras e conversas com estudantes em outras oportunidades, mas essa foi a primeira vez que estruturamos uma experiência tão prática, com um desafio de criação que se estendeu para além da sala de aula e aproximou os alunos da realidade do desenvolvimento de produtos dentro da indústria”, explica.

Na avaliação de Laureano, a Unifor tem buscado aproximar os estudantes das discussões do mercado e criar oportunidades para o contato direto com profissionais e empresas ainda durante a graduação. Para ele, iniciativas como essa reduzem a distância entre teoria e prática e preparam os futuros designers para um mercado cada vez mais exigente.


“Acredito muito que a universidade e a indústria têm muito a aprender uma com a outra. A universidade traz questionamentos e liberdade criativa; a indústria traz restrições reais, processos, custos, fabricação e mercado. Quando esses dois mundos se encontram, o aprendizado se torna muito mais rico.”Rodrigo Laureano, designer e proprietário da empresa moveleira Ronega, parceira do curso de Design de Interiores.

“Mandando brasa”

A Mesa Brasa já nasceu cheia de significado: Maylla se sentiu inspirada a criar a peça durante uma visita à sua avó materna em Itaueira, município do Piauí onde sua família é natural. As memórias de infância da avó cozinhando rente ao fogão a lenha – que ela ainda utiliza, por sinal – ressurgiram, trazendo a revelação de que essa é uma experiência coletiva que permeia o imaginário de muitos nordestinos. Em sua mente, aquele fogão começou a se transformar em uma ideia.


“Quis transformar a referência em um móvel contemporâneo que carregasse significado e pertencimento. Acredito que as pessoas buscam cada vez mais viver em ambientes que contem suas histórias, preservem suas raízes e expressem suas origens. Mais do que representar um objeto, a peça procura traduzir essa conexão afetiva e cultural, resgatando elementos da identidade brasileira e reinterpretando-os dentro do design contemporâneo.”Maylla Moura, aluna do curso de Design de Interiores.

Dentre os obstáculos encontrados, o maior foi equilibrar conceito e viabilidade técnica: “Eu queria que a peça remetesse ao fogão a lenha sem se tornar algo literal, preservando sua essência de forma contemporânea”, conta Maylla. Após pesquisas sobre comportamento do consumidor, materiais e referências de design, o projeto se tornou uma mesa, alternativa viável para ambientes urbanos, e recebeu nome.

O processo de concepção foi árduo. “Desenvolvi croquis, ajustei proporções, estudei ergonomia e utilizei softwares que já vinham sendo trabalhados em sala para transformar a ideia em algo viável. [...] Além de definir os materiais adequados, também foi importante definir proporções e dimensões adequadas aos ambientes para os quais ela foi pensada, o que exige muitos ajustes e testes ao longo do processo”, revela.

Além dos conhecimentos técnicos, um outro grande aprendizado surgiu do processo – o de contar a história por trás da criação, parte fundamental do processo de design e da apresentação de ideias. E o resultado, claro, foi só elogios: “A Mesa Brasa possui um conceito claro, uma narrativa consistente e demonstra que cada decisão de projeto foi tomada com intenção. Não é apenas um exercício acadêmico, é uma proposta que possui identidade e potencial para evoluir”, comenta Rodrigo Laureano. 

Atualmente, o projeto se encontra na fase de detalhamento técnico e adaptação para a produção. Maylla tem tido apoio e trabalhado em parceria com a equipe da Ronega para ajustar materiais, proporções, e encontrar soluções construtivas que preservem o conceito original da peça. Laureano ressalta que esses percalços são comuns, pois um produto destinado ao mercado ainda passa por diversas etapas de engenharia, prototipagem, testes, adequações produtivas e validações comerciais. 

“Isso faz parte do processo de qualquer lançamento. Mas, como ponto de partida, considero que o projeto está em um nível muito acima do que normalmente se espera de um trabalho de graduação. O mais importante é que ele demonstra pensamento de projeto, e isso é exatamente o que diferencia um bom profissional”, explica o empresário.

É justamente esse perfil de profissional que o setor moveleiro busca hoje. Ainda de acordo com ele, existe uma demanda crescente por novos designers que consigam conectar criatividade com viabilidade, desenvolvendo uma identidade própria no processo: “O mercado já não procura apenas alguém que saiba desenhar ou especificar um produto; procura pessoas que entendam comportamento, processos industriais, materiais, sustentabilidade, comunicação e estratégia”.


Maylla durante a defesa do projeto para o time por trás do desafio. (Imagens: Arquivo pessoal)

“A Mesa Brasa chamou a atenção justamente porque a Maylla compreendeu esse caminho. Ela não apenas desenhou um móvel, mas construiu um conceito coerente, pesquisou referências, fez escolhas conscientes e apresentou um projeto consistente. Isso demonstra maturidade de pensamento, algo que considero mais importante do que simplesmente ter uma boa ideia”, adiciona Laureano sobre o projeto vencedor.

O professor Rodrigo Porto concorda. Segundo ele, o profissional de hoje não deve apenas saber como desenhar um bom produto; para se destacar, é necessário desenvolver soluções viáveis, inovadoras e alinhadas às necessidades do mercado: 

“Ao longo da minha atuação profissional, acompanhando a evolução do mercado de arquitetura e design de interiores nas últimas duas décadas, percebo que a tecnologia, por si só, não forma um bom profissional. O diferencial está em saber transformar ferramentas em soluções inteligentes para as pessoas. É exatamente essa visão que buscamos desenvolver na formação dos nossos alunos, conciliando criatividade, domínio técnico,  compreensão dos processos industriais, e pensamento crítico”.

Construindo pontes

O sucesso do caso apresentado demonstra a efetividade da metodologia aplicada na graduação da Unifor na formação de futuros profissionais do design. Para o professor Rodrigo Porto, o reconhecimento conquistado por Maylla ainda no início da graduação reforça a qualidade do ensino oferecido pelo curso e evidencia como a aprendizagem se traduz em resultados concretos. 

“Ver esse aprendizado refletido em projetos como o da Maylla, e receber dela um retorno tão positivo sobre essa experiência, é a confirmação de que estamos no caminho certo”, comemora o docente.


“A Unifor dispõe de uma infraestrutura que permite ao estudante experimentar, ainda na graduação, uma rotina muito próxima da realidade profissional. Os alunos utilizam laboratórios de informática com softwares amplamente empregados nos escritórios de arquitetura e design, ateliês de projeto, oficinas de prototipagem e espaços voltados à experimentação de materiais, ergonomia, iluminação e design de mobiliário.”Rodrigo Porto, professor do curso de Design de Interiores

Em adição à prática constante, há outro elemento importante que faz parte da filosofia do curso de Design de Interiores: o compromisso com a construção de uma ponte entre estudantes e profissionais do mercado de trabalho. Porto observa que as parcerias nascem da credibilidade da Unifor a nível nacional, e da rede de relacionamentos construída pelos membros do corpo docente ao longo de suas trajetórias profissionais e acadêmicas.

O professor Rodrigo Porto explica que procura levar para a disciplina profissionais reconhecidos pelo mercado, permitindo que os alunos tenham contato com diferentes experiências e compreendam, desde cedo, a realidade da profissão. A parceria com a Ronega, por exemplo, demonstra como a aproximação entre Universidade e mercado pode gerar oportunidades concretas, valorizando os talentos dos estudantes e incentivando sua inserção profissional ainda nos primeiros semestres da graduação.

Como parte da proposta de aproximar os estudantes de profissionais reconhecidos em suas áreas de atuação, a disciplina recebeu a designer e arquiteta cearense Gabriela Picanço, egressa do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unifor e atualmente responsável por uma coleção de mobiliário para uma das principais indústrias moveleiras do Sul do Brasil. 

Segundo Rodrigo, a relação profissional e de amizade construída ao longo dos anos possibilitou o convite, aceito pela designer para compartilhar sua trajetória com os alunos. “Ela topou compartilhar sua experiência com nossos estudantes, aproximando-os de uma trajetória de sucesso e do universo da indústria do mobiliário”, destaca. 

Coragem para experimentar

Para Maylla, porém, o maior resultado dessa trajetória vai além de ver um projeto ganhar espaço em um catálogo de móveis. A experiência reforçou a importância de experimentar novos caminhos e confiar no próprio potencial, mesmo quando os resultados ainda parecem distantes. “Muitas vezes, a gente inicia um caminho sem imaginar onde ele pode chegar e algumas das melhores oportunidades da nossa vida surgem justamente quando escolhemos explorar novas direções”, afirma.

A estudante acredita que a coragem de começar antecede a confiança e incentiva outros alunos a desenvolverem seus talentos sem esperar pelo momento perfeito. “Acreditem na própria capacidade e façam o melhor que puderem com os conhecimentos e recursos que têm naquele momento. A gente nunca sabe até onde uma boa ideia pode chegar quando encontra dedicação, coragem e as pessoas certas pelo caminho”, diz.

Enquanto a Mesa Brasa passa pelos ajustes necessários para chegar à produção, Maylla segue encarando a graduação como um espaço de descoberta. Seu objetivo é ampliar o repertório por meio de novas experiências, participar de feiras e eventos, continuar desenhando mobiliário e explorar maneiras de integrar o design a outras habilidades que também fazem parte de sua trajetória, como a escrita e o trabalho manual. 

Aos poucos, ela espera construir uma identidade autoral capaz de transformar memórias, histórias e afetos em projetos que criem conexões com as pessoas.

Estude Design de Interiores na Melhor!

O processo seletivo da Unifor continua e para participar basta escolher uma das modalidades de ingresso a seguir: nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), nota de vestibular anterior da Unifor, transferência de instituição, segunda graduação ou reabertura de curso.

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