Como a Unifor ensinou uma psicóloga a sonhar grande e transformar o mundo

seg, 29 junho 2026 10:30

Como a Unifor ensinou uma psicóloga a sonhar grande e transformar o mundo

Camila dos Santos começou a estudar Psicologia para transformar o mundo. A egressa da Universidade de Fortaleza conta como se dedicou à clínica e ao empreendedorismo até criar um ecossistema que inclui o atendimento a crianças e adolescentes e a formação de psicólogos de todo o país


A trajetória de Camila Santos mostra como a experiência universitária pode ampliar horizontes e criar novas possibilidades de futuro (Foto: Neto Oliveira)
A trajetória de Camila Santos mostra como a experiência universitária pode ampliar horizontes e criar novas possibilidades de futuro (Foto: Neto Oliveira)

Camila dos Santos começou a sonhar sentada nas cadeiras de uma escola pública de Maracanaú, cidade vizinha a Fortaleza. Agarrou todas as oportunidades possíveis — de olimpíadas de história a bolsas de estudo — porque sempre enxergou na educação o alicerce para construir a própria história.

Primeira pessoa da família a ingressar no ensino superior, ela chegou em 2013 à Universidade de Fortaleza (Unifor), vinculada à Fundação Edson Queiroz. Palmilhou bosques e blocos do campus com fome de conhecimento, impulsionada pelo desejo de estudar Psicologia e pela convicção de que o saber poderia abrir novos horizontes.

A estudante que acordava de madrugada para pegar ônibus e atravessar a cidade em busca de um futuro melhor tornou-se uma profissional que hoje inspira outros psicólogos a acreditarem no poder transformador da profissão. Camila é neuropsicóloga, mestranda em Ciências Médicas e fundadora do Espaço Transforma Infância, um ecossistema de serviços voltado para crianças, adolescentes e profissionais da psicologia. 

Na prática, a empresa reúne clínica especializada, programas de desenvolvimento socioemocional, plataformas de formação continuada e uma metodologia própria utilizada por psicólogos em diferentes estados brasileiros. “A Unifor me deu de diferencial o entendimento de não entregar apenas o que as pessoas esperam. Entregar sempre um pouco mais, porque a excelência mora exatamente no overdelivery, em entregar aquilo que o outro não espera”, diz Camila.

A egressa ultrapassou as fronteiras do consultório de psicologia para alcançar diferentes públicos como docente, palestrante e empreendedora. Ela conta que, nesta trajetória de êxito, a experiência na Unifor foi fundamental. A psicóloga diz que a Universidade era um sonho tão especial que preocupou-se em aproveitar absolutamente tudo o que ela pudesse lhe oferecer.

Durante a graduação, ela participou de monitorias, iniciação científica, simpósios, projetos de extensão e atividades de diferentes cursos, ampliando seu repertório para muito além da sala de aula. O perfil inquieto e curioso a levou, anos mais tarde, a empreender. Agora, olhando para trás, ela acredita que o sucesso nasce da combinação entre excelência, capacidade de aprender continuamente e disposição para aproveitar todas as oportunidades

O jornal Unifor Notícias Mobile apresenta uma série de histórias de egressos que estão conquistando espaços de destaque no mercado e levando a marca da formação da Unifor para diferentes regiões do Brasil e do mundo. A seguir, a trajetória de Camila mostra como a Universidade pode ensinar também a sonhar grande quando alia sensação de pertencimento a um ensino de excelência.

O desejo de vivenciar a universidade

Depois de uma vida inteira estudando em uma escola pública de Maracanaú, os bons resultados em uma olimpíada de história do Brasil na cidade paulista de Campinas rendeu a Camila uma bolsa de estudos para fazer o terceiro ano do ensino médio em um colégio particular de Fortaleza, o Christus. 

Até então, a aluna nunca imaginou que pudesse cursar uma universidade particular, ainda que acreditasse fielmente que a educação era a sua grande chance de mobilidade social. Mas de tanto ouvir os professores falarem sobre a qualidade do ensino da Unifor, ela resolveu fazer o vestibular.


“Sempre quis fazer psicologia. E eu lembro muito da sensação de entrar na Unifor pela primeira vez, na Feira das Profissões. Lembro do cheiro, de ver aquele lugar imenso. Achei realmente um espaço muito diferente, e disse: ‘Eu vou estudar aqui’.”Camila dos Santos, egressa do curso de Psicologia

Camila reuniu as economias para fazer a matrícula e logo conseguiu uma bolsa do FIES, o que a ajudaria a concluir o curso. Assim ela começou a estudar Psicologia com um desejo muito grande de viver a universidade. Frequentava muito a Biblioteca Central, fazia os cursos gratuitos, participava de todas as palestras possíveis.

“Eu tinha uma perspectiva de que a Unifor era um banquete. Inclusive, um dos primeiros livros filosóficos que eu li foi ‘O  Banquete’, de Platão. Foi um livro que eu aluguei na Unifor, e eu lembro da sensação que eu tinha de uma expansão da minha mente”, conta a egressa.

Como morava longe, na vizinha Maracanaú, sempre que havia uma atividade no contraturno, Camila precisava ficar direto na Universidade, o que abria espaço para participar do máximo de atividades. Costumava chegar cedo e sair tarde, o que a fazia também conhecer muita gente na Unifor — dos trabalhadores aos professores. Camila foi monitora voluntária e institucional, participou da iniciação científica a simpósios. “Vivi a graduação realmente de uma maneira muito intensa”, atesta.

A então aluna fazia tudo isso enquanto se redescobria na graduação. Ela conta que o desejo de estudar psicologia partiu de uma vontade de diminuir o impacto de uma família um pouco disfuncional, mas depois foi encontrando novos interesses. Na monitoria, começou a se interessar pela docência, por exemplo. O que nunca mudou foi a crença de que, de alguma forma, a psicologia pode mesmo transformar o mundo

Um caminho a ser trilhado na psicologia

Desde que se formou, em 2019, Camila nunca parou de trabalhar. O networking valioso durante a graduação foi uma mola propulsora para atender no seu consultório de psicologia. “Foram os meus professores que encaminharam os primeiros pacientes, que me deram as primeiras oportunidades de trabalho”, afirma.

Depois, a egressa passou numa seleção da Assembleia Legislativa do Ceará para atuar no Centro Inclusivo para Atendimento e Desenvolvimento Infantil (Ciadi), atendendo crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Passou dois anos lá enquanto fortalecia também o consultório de psicologia.

Ela conta que chegou a um ponto de ter praticamente todas as suas horas de trabalho ocupadas, mas sentia que queria ir além. Queria uma remuneração melhor também. O espírito inquieto e reflexivo então a levou ao empreendedorismo.

No início, a egressa começou como acompanhante terapêutica de crianças com TEA. Daí nasceu, em Fortaleza, a clínica Espaço Transforma Infância, que ela fundou com a sócia Manuella Bayma. Se no início era apenas um espaço de atendimento às crianças e suas famílias, hoje o empreendimento abraça um ecossistema de serviços em psicologia, que inclui formações para psicólogos de todo o país que desejam atuar na área infantil.


Camila dos Santos e a sócia Manuella Bayma (Foto: Arquivo pessoal)

“No Transforma Infância, começamos com um projeto de contraturno, que é uma escola de desenvolvimento socioemocional para crianças. Então, as crianças vão no contraturno e passam a tarde aprendendo sobre comunicação, assertividade, treinando habilidade social. Desenvolvemos uma metodologia própria e hoje temos vários serviços”, explica Camila.

A egressa acrescenta que a clínica possui cerca de 15 profissionais que prestam serviços para crianças e adolescentes, além da venda dessa metodologia própria para psicólogos de todo o país.

“Hoje temos 80 psicólogas no nosso programa que chamamos de filiação, que usam o nosso método de intervenção grupal em todo o Brasil”, celebra. Funciona assim: os psicólogos fazem uma espécie de assinatura para receber materiais mensalmente. Além disso, há formações para psicólogos e mentorias. 

Tudo isso foi construído com investimento próprio e graças às divulgações e produções de conteúdo no ambiente digital. “Pouca gente fazia grupo terapêutico para crianças desenvolverem inteligência social e emocional. A internet foi a forma como eu trouxe a cultura disso para os meus clientes, que eram os pais. Então, tivemos que ter uma presença muito forte no digital, frequente, para educar os clientes e mostrar porque eles precisavam desse serviço”, explica Camila.

As coisas começaram a funcionar e pessoas do Brasil inteiro demonstraram interesse. Foi assim que surgiu a ideia de vender a metodologia utilizada e fazer formações como o “Mão na Massa”. “É um curso de formação profissional que está na 8ª edição já”, detalha a egressa.


Última edição do curso presencial “Mão na Massa”, com mais de 150 psicólogos de todo o Brasil (Foto: Neto Oliveira)

O evento já aconteceu tanto em Fortaleza quanto em São Paulo. “Vem pessoas do Brasil todo pro nosso curso, e eu atribuo muito isso à presença no digital, à produção de conteúdo. Lembro que eu fiz algumas oficinas de comunicação na Unifor que me ajudaram muito a destravar, mas ainda não chamavam de produção digital”, diz.

A cultura da excelência começa na universidade

O êxito do empreendimento leva a egressa aos tempos de graduação. “De maneira subjetiva, realmente eu me conecto com a cultura da Unifor. Acho que a cultura da Unifor é uma cultura da excelência, de muito cuidado”, opina.

Ela diz que leva para a sua prática a mesma atenção aos detalhes que encontrava na Universidade, seja nas salas sempre limpas, no sistema online em pleno funcionamento ou no acolhimento dos funcionários que a orientavam a cada renovação da bolsa do FIES. “Sempre fui muito fã dessa cultura do cuidado, da excelência, do acolhimento”, diz.

E se sentir pertencente à Unifor só a fazia ter mais vontade de aproveitar as oportunidades oferecidas ali para uma formação completa. Camila conta que começou com a monitoria, onde viu despertar seu amor pela docência. Hoje, a egressa dá aulas na Especialização em Neuropsicologia.

A iniciação científica, por sua vez, ampliou o seu olhar e a ensinou onde buscar as melhores referências quando tinha dúvidas no próprio consultório. “E voltar para a Unifor como colaboradora, tendo reconhecimento do fazer científico do meu trabalho, é muito importante para mim, é significativo”, avalia.

Camila não se poupou de participar de eventos e simpósios, seja como participante ou organizadora. Chegou até a viajar para São Paulo com uma professora do curso de Psicologia para apresentar uma amostra do seu Trabalho de Conclusão de Curso para grandes pesquisadores na Universidade de São Paulo (USP).

“Isso impacta muito a sua carreira, como você se enxerga, a segurança que você tem e sobre o que você está fazendo. Então, todas as experiências que eu tive na Unifor foram muito ricas”, afirma a egressa.

Como gostava muito de empreendedorismo e de desbravar novas áreas, ela conta que costumava escolher disciplinas optativas de outros cursos e, assim, costumava ficar sabendo de eventos relacionados a outras áreas de interesse. Foi assim, por exemplo, que pôde ouvir uma palestra do dono da farmácia Pague Menos e se inspirar para o empreendedorismo e o marketing.

E, nesse percurso, Camila também viu a Unifor se transformar, ampliando o pensamento sobre o mundo digital e levando aos alunos caminhos para o empreendedorismo. Agora no mestrado na mesma instituição de ensino, ela conta que tem tido mais acesso a essas áreas e à divulgação científica, o que a ajuda na produção de conteúdos que faz para as redes sociais, principal porta de entrada do seu negócio.


“Acho que para além do acesso à informação de qualidade, a Unifor deu conexão, um networking com pessoas muito qualificadas que me orientaram. E trouxe algo mais subjetivo, um sentimento de que eu poderia fazer tudo aquilo que eu queria.”Camila dos Santos, egressa do curso de Psicologia

Habilidades para marcar presença no digital

Olhando para toda a trajetória da graduação, Camila reconhece que recebeu uma formação técnica “impecável”. “É o que sustenta, porque se você não tiver um bom conteúdo, as coisas não vão para frente”, considera.

E era justamente isso que ela tentava levar aos seus alunos quando começou a dar aulas e formações. Com o tempo, porém, percebeu que, além da formação técnica, é importante que os novos psicólogos desenvolvam habilidades de comunicação, negociação e tomada de decisões. São as famigeradas hard skills, soft skills e power skills.

São elas que vão ajudar os novos psicólogos a usarem seu conhecimento técnico e fazer algo diferente do que é esperado. “Nos cursos de desenvolvimento profissional, eu trago muito essa perspectiva para os profissionais de que nós precisamos refinar essas habilidades, que essas habilidades [comportamentais] são tão importantes quanto as técnicas”, defende.

Para a egressa, hoje os profissionais de psicologia precisam saber difundir seus conhecimentos e se autopromover com ética e responsabilidade. “Você precisa hoje acompanhar essa velocidade de mudança das informações. Então, é importante estar presente no digital, e tudo isso é uma maneira de alavancar o seu trabalho”, argumenta.

A importância de continuar estudando e se especializando

Além de marcar presença no digital, a egressa acredita que seguir estudando e se especializando é fundamental para uma carreira exitosa. Depois da graduação, ela fez uma especialização em Neuropsicologia e agora está no Mestrado de Ciências Médicas da Unifor. Lá, tem mergulhado em muitas disciplinas técnicas. Continuar investindo nos estudos foi possível graças ao empreendedorismo, que lhe deu a possibilidade de reservar dois dias da semana para o mestrado.

“E aí eu já sabia que seria a Unifor, justamente pela qualidade técnica, e foi uma felicíssima surpresa. O mestrado me deu muito subsídio, inclusive para essa parte mais empreendedora, porque temos incentivos constantes, especialmente para a divulgação científica no digital”, afirma. O mestrado uniu a parte técnica do que Camila queria pesquisar com o que ela queria desenvolver de habilidades.

Ferramentas para transformação

Depois de tantas experiências profissionais, Camila diz que vê a psicologia como uma grande ferramenta de transformação, não só na vida das pessoas atendidas quanto na dela própria. A egressa diz que o curso ainda é majoritariamente feminino e que abre muitas portas para potencializar as mulheres.

“Perceber a psicologia como uma ferramenta que faz com que a mulher possa escolher é muito importante. Tenho muitas alunas, e ver mulheres que abrem suas próprias clínicas e que sustentam seus filhos através da psicologia, para mim, é um pagamento. Você dá uma ferramenta para uma pessoa e vê que aquela ferramenta que você deu é usada para mudar vidas”, declara a egressa.

Ela mesma olha para a própria história e vê a transformação por meio da educação e da psicologia. A jovem que atravessava a cidade de ônibus hoje tem o próprio carro blindado e consegue sair do país anualmente. Com seu trabalho e conhecimento, deu mais conforto à família e a si mesma.


“Entrei na psicologia para transformar a vida dos pacientes. A minha própria vida foi transformada pela psicologia, porque eu tive uma grande mobilidade social. Depois que fiz Unifor, minhas duas irmãs também fizeram. Nossa família mudou.”Camila dos Santos, egressa do curso de Psicologia

Quando olha para o futuro, Camila se vê como educadora, transmitindo conhecimento nos mundos real e virtual, formando profissionais e estimulando o empreendedorismo. De alguma maneira, ajudando a psicologia a ir cada vez mais longe.

“Quero muito potencializar nos profissionais a ideia de que você pode ser pesquisadora e falar de marketing. Você pode ter um trabalho sério e se autopromover nas redes sociais. Meu sonho é quebrar o estereótipo e mostrar que quem está na academia também pode fazer marketing”, afirma.

É nesta perspectiva que ela aconselha quem está ingressando agora no curso de Psicologia e sonha em fazer uma carreira na área: “Aproveite o máximo que você puder. Todas as possibilidades, mesmo que não tenha certeza se quer muito aquilo. Vá. Participe. Seja um aluno ativo”, encoraja.

Para Camila, aprendizagem é um processo ativo e quem a deseja deve se mover para buscá-la. E graduação não necessariamente é um período de grandes decisões profissionais, mas sim de experimentação. “Aproveite todas as ferramentas que a Unifor tem. Realmente viva o campus. Eu amo essa frase. Viva as experiências que o campus pode te proporcionar sem pressa. O que a gente constrói dentro da universidade, a gente vai levar para o resto da vida”, finaliza.

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