null Espaço Cultural Unifor estimula fruição da arte por pessoas com deficiência

Ter, 26 Abril 2022 10:28

Espaço Cultural Unifor estimula fruição da arte por pessoas com deficiência

Exposição “100 Anos de arte Moderna em Acervos do Ceará” garante acessibilidade por meio de legendas em braile, audiodescrição e peças táteis


A estudante Samanta Menezes Bisauchet conheceu a obra símbolo da exposição, Figuras, de Di Cavalcanti (Foto: Ares Soares) 
A estudante Samanta Menezes Bisauchet conheceu a obra símbolo da exposição, Figuras, de Di Cavalcanti (Foto: Ares Soares) 

Arte para tocar em todos os sentidos. A democratização do acesso à cultura é prioridade para a Fundação Edson Queiroz. A fruição de obras artísticas ganha possibilidades de acesso ampliadas nas galerias do Espaço Cultural Unifor. Na exposição “100 Anos da Semana de Arte Moderna em Acervos do Ceará”, em cartaz até 31 de julho, peças táteis, audiodescrição e legendas em braile garantem mais acessibilidade aos visitantes que querem apreciar a mostra.

Em algumas das obras expostas, pessoas com deficiência podem contar com audiodescrição, como em "Mulher de cabelo verde", de Anita Malfatti, "Figuras”, de Emiliano di Cavalcanti, e "Colhendo batatas", de Candido Portinari. Em outros casos, houve  adaptação das obras em peças táteis, que permitem às pessoas com deficiência visual conhecer melhor os trabalhos dos artistas, como “Figuras” e “Mulher em pé” (de Ernesto de Fiori).

 

O estudante José Gabriel Sobreira dos Santos foi um dos visitantes que pôde usufruir das iniciativas de acessibilidade (Foto: Ares Soares)

"As medidas de acessibilidade das exposições do Espaço Cultural Unifor estão integradas à missão da Fundação Edson Queiroz de democratizar o acesso às artes aos diversos públicos. Para desenvolver essas iniciativas da melhor maneira possível, tivemos a colaboração de professores da Unifor ligados à temática da inclusão e de pessoas com limitações físicas, que atestaram a qualidade das ações empreendidas", destaca o vice-reitor de Extensão e Comunidade Universitária, Randal Pompeu.

Visitas de alunos

A exposição já foi visitada, por exemplo, pelos alunos da Escola de Ensino Médio em Tempo Integral Monsenhor Dourado, localizada no bairro Padre Andrade, em Fortaleza. A professora Suze Silva já esteve no Espaço Cultural Unifor com dois grupos de estudantes que cursam o 1º e o 2º ano do Ensino Médio para visitar a exposição sobre o centenário da Semana de Arte Moderna. O colégio conta com Atendimento Educacional Especializado (AEE), um dos serviços de apoio à aprendizagem de pessoas com deficiência. 

 “O nome dessa iniciativa é projeto giro multifuncional, quando a gente vai ensiná-los a andar de ônibus e conhecer a cidade na parte artística, história e cultural. Faz onze anos que faço isso”, conta com orgulho a professora. As peças táteis representam novas experiências para adolescentes como Samanta Menezes Bisauchet, 18 anos, aluna do segundo ano do ensino médio.

A adolescente que esteve no Espaço Cultural Unifor pela primeira vez contou ter gostado muito da experiência vivida com a professora Suze, os colegas e alguns cuidadores e parentes de alunos no último dia 19 de abril. Samanta tem interesse em estudar Psicopedagogia ou Medicina Veterinária.


Alunos, professores e cuidadores de estudantes da Escola Monsenhor Dourado (Foto: Ares Soares)

 “A nossa escola é inclusiva. De 320 alunos, 40 (12,5%) são pessoas com deficiência. A Unifor sempre nos recebeu. Estávamos ansiosos porque a Semana de Arte Moderna provavelmente vai cair no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Então nada melhor do que juntar o que eles veem nos livros com a prática. A gente já vem trabalhando as obras da Tarsila do Amaral. Já vem trabalhando outros artistas e aqui vai ser o pontapé pra gente fazer mais arte na escola”, explica a professora Suze.

Políticas de inclusão

Cerca de 45,6 milhões de pessoas com deficiência vivem no Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dos cerca de 190 milhões de brasileiros, aqueles com pelo menos uma deficiência, seja visual, auditiva, motora ou mental, representam 23,9% da população. No Ceará, aproximadamente 27,7% da população apresenta algum tipo de deficiência. Os dados são referentes ao último censo realizado pelo IBGE (2010). De acordo com o Censo mais recente, a Região Nordeste é a que apresenta maiores percentuais de pessoas com deficiência: 21,2% da população dessa região declarou ter deficiência visual; 5,8%, deficiência auditiva; 7,8%, deficiência motora e 1,6%, deficiência mental ou intelectual.

O professor de Fonoaudiologia da Universidade de Fortaleza, Charleston Palmeira, destaca que os aparelhos de cultura no Ceará começam a exercitar essa acessibilidade para as pessoas com deficiência. “Um deles foi o Espaço Cultural Unifor que fez a sua primeira experiência com audiodescrição de obras na exposição sobre os cem anos da Semana de Arte Moderna”.  

O professor Charleston destaca a importância de cada passo desse processo que envolve roteirização da obra, locução e consultoria (esta última etapa foi feita por uma pessoa com deficiência vuisual). “A partir daí, a gente coloca na exposição para que, ao final, os visitantes que não conseguem ver a obra possam ter mais informações sobre as ideias, cores e formas criadas pelos artistas", explica o professor.  (Confira audiodescrição da obra Figuras, de Di Cavalcanti).

As medidas de inclusão em espaços artísticos e culturais da cidade também são defendidas por Rebeca Barroso, graduada em Letras Italiano e pesquisadora e consultora em Audiodescrição e Acessibilidade. “As iniciativas que favorecem a acessibilidade são importantíssimas porque os espaços museológicos ainda são destinados às pessoas que enxergam, são extremamente visuais”, destaca Rebeca. 


“Não é só porque a gente não enxerga que a gente não acessa a arte de outra maneira”, explica Rebeca Barroso (Foto: Ares Soares)

A pesquisadora ressalta que exposições com acessibilidade permitem que as pessoas cegas ou com outras deficiências, não só conheçam a arte mas formem as suas próprias opiniões, e possam estudar sobre arte. “Arte, pessoal, também é para as pessoas cegas. Não é só porque a gente não enxerga que a gente não acessa a arte de outra maneira. Então essas iniciativas, como audiodescrição e  peças táteis, são extremamente válidas e importantes”, explica Rebeca, que prestou consultoria para a exposição. Ela pôde apreciar, entre outras peças táteis, a que reproduz a escultura “Mulher em pé”, do escultor italiano Ernesto de Fiori (1937, bronze patinado).

Serviço:

Exposição “100 anos da Semana de Arte Moderna em Acervos do Ceará
Em cartaz até 31 de julho de 2022
Local: Espaço Cultural Unifor (Av. Washington Soares, 1321 – Edson Queiroz)
Visitação: de terça a sexta-feira, das 9h às 19h – sábados e domingos, das 10h às 18h
Mais informações: (85) 3477.3319

Este conteúdo atende aos  Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas: Educação de Qualidade (ODS4) e Redução das Desigualdades (ODS10), que compõem a lista de indicadores que são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade.
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