Entrevista Nota 10: Samuel Girão, do Ceará para a imersão cultural e acadêmica na China

seg, 22 junho 2026 11:24

Entrevista Nota 10: Samuel Girão, do Ceará para a imersão cultural e acadêmica na China

Aluno de Psicologia da Unifor fala sobre sua experiência acadêmica e a oportunidade de internacionalização com a bolsa para o programa de verão da Beijing City University


De 22 de junho a 5 de julho, Samuel embarca para uma oportunidade de mobilidade internacional na China, onde vai aprender sobre a história e a cultura do país milenar (Foto: Ares Soares)
De 22 de junho a 5 de julho, Samuel embarca para uma oportunidade de mobilidade internacional na China, onde vai aprender sobre a história e a cultura do país milenar (Foto: Ares Soares)

Enquanto fazia seu café em uma manhã que parecia comum, Samuel Rocha Girão recebeu a notícia de que foi selecionado para o Programa de Verão Cultura e Civilização Chinesas, da Beijing City University (BCU). “Definiria em uma palavra: catártico”, relata o aluno de Psicologia da Universidade de Fortaleza, instituição mantida pela Fundação Edson Queiroz.

A iniciativa, organizada pela Diretoria de Relações Internacionais (DRI) da Unifor,  irá proporcionar ao estudante uma experiência de imersão acadêmica e cultural na China por meio da mobilidade internacional. De 22 de junho a 5 de julho, Samuel embarca para uma jornada de conhecimento única, do outro lado do planeta, onde vai aprender sobre uma civilização milenar que equilibra tradição com inovação.

“A China ocupa um lugar muito relevante no cenário político e tecnológico contemporâneo como um país futurista e, surpreendentemente (ou não), é a civilização contínua mais antiga do mundo. O que despertou meu interesse desde o início foi exatamente a maneira como o país integra esses polos tão bem, futuro e passado, inovação e cultura, e como olhar para esses eixos de maneira isolada pode nos impedir de compreender o todo”, comenta.

Entusiasmado, o jovem de 22 anos está nos últimos preparativos para a viagem que pode não só transformar sua visão de mundo, mas também trazer uma nova perspectiva profissional e acadêmica para sua trajetória. Segundo ele, a internacionalização é uma das ferramentas mais potentes em uma formação universitária integral.

“Ao criar e fortalecer parcerias internacionais, a Unifor possibilita que alunos de diferentes áreas do conhecimento tenham acesso a experiências que muitas vezes não teriam em sala de aula. [...] Essas iniciativas demonstram um compromisso com a formação de tantos alunos, que ultrapassa esses limites quadrilaterais da sala de aula e prepara os estudantes para atuar em um mundo cada vez mais interconectado”, pontua.

Na Entrevista Nota 10 desta semana, Samuel fala sobre sua experiência acadêmica e a oportunidade de internacionalização com a bolsa para o programa de verão da Beijing City University.

Leia a entrevista na íntegra a seguir.

Entrevista Nota 10 — Samuel, conta um pouco sobre quem você é, o curso que está fazendo na Unifor e quais são seus principais objetivos acadêmicos e profissionais hoje.

Samuel Girão — Me chamo Samuel Girão, tenho 22 anos e atualmente estou cursando o 6º semestre de Psicologia na Unifor.

Acredito que meus interesses sempre estiveram alinhados com projetos de pesquisa e extensão. Desde o início da graduação, há cerca de três anos, procurei me envolver em atividades que despertassem em mim algum tipo de chamado. Como todo bom calouro, confesso que naquele momento eu ainda não sabia exatamente o que era esse chamado, mas algo que aprendi fazendo ao longo do percurso é que os caminhos costumam nos encontrar quando estamos atentos às nossas inquietações, às nossas opiniões mais enérgicas.

Estou concluindo minha terceira monitoria, participo de atividades de iniciação científica e ajudo na organização de um grupo de cinema e psicologia, tudo sempre ao lado de amigos e professores muito queridos. Sobre o que mobiliza minhas próprias inquietações, meus interesses se voltam especialmente para as relações entre psicologia e sociedade, bem como para os impactos dos fenômenos culturais e políticos na constituição subjetiva dos indivíduos.

Gosto de pensar que, além de um “Eu” acadêmico, divido meu olhar e sentido com um “Eu” menino, aquele da curiosidade de que falei mais cedo, e talvez esse seja o elemento que dá sentido ao que venho fazendo no meu curso até então. Meu principal objetivo é construir uma formação que articule o que pesquiso junto a uma reflexão, contribuindo para a produção de conhecimento sem perder a capacidade de me surpreender diante das perguntas que surgem no caminho. É um exercício contínuo. 

Busco moldar uma prática que me permita compreender e refletir sobre os fenômenos que atravessam nosso cotidiano e vejo na atuação institucional, nos projetos, na pesquisa, elementos de tudo aquilo que já vemos no dia a dia, que nos incomoda, a velha e conhecida angústia. Acho que é um pouco disso.

Entrevista Nota 10 — O que despertou seu interesse em ir para a China? Como você ficou sabendo da oportunidade de mobilidade acadêmica para a Beijing City University?

Samuel Girão — Sempre tive grande curiosidade em conhecer outras culturas e compreender diferentes formas de organização social e histórica. A China ocupa um lugar muito relevante no cenário político e tecnológico contemporâneo como um país futurista e, surpreendentemente (ou não), é a civilização contínua mais antiga do mundo. O que despertou meu interesse desde o início foi exatamente a maneira como o país integra esses polos tão bem, futuro e passado, inovação e cultura, e como olhar para esses eixos de maneira isolada pode nos impedir de compreender o todo.

Tomei conhecimento da oportunidade por meio da Diretoria de Relações Internacionais da Unifor, a DRI, que divulgou nas redes sociais da Unifor Comunica. Já havia tentado outros editais de mobilidade internacional, mas quando vi a proposta do Programa de Verão Cultura e Civilização Chinesas, senti que seria minha oportunidade de vivenciar uma realidade muito diferente de tudo aquilo que já conheci até hoje, no meu curso também, mas, sobretudo, em minha vida.

Entrevista Nota 10 — Como foi receber a notícia da aprovação para o Programa de Verão Cultura e Civilização Chinesas? Você acha que a sua dedicação e trajetória até aqui na graduação foram determinantes para essa conquista?

Samuel Girão — Definiria em uma palavra: catártico. A notícia veio em uma manhã comum para mim. Estava preparando um café quando abri, por um acaso, meu e-mail para acompanhar uma encomenda, e lá estava uma mensagem chamativa com um “Parabéns” acima de todas as outras. Com muita alegria e gratidão, comemorei um momento que creio que represente o reconhecimento de um percurso construído de pouquinho em pouquinho.

Nenhuma conquista acontece de forma isolada. Certamente meu envolvimento com a universidade, com meu curso, especialmente por tudo aquilo que contribui além dos muros físicos da instituição, contribuiu para essa oportunidade. Ao mesmo tempo, reconheço a importância do apoio de muita gente maravilhosa que me apoiou. Até quando estava desacompanhado, nunca estive sozinho.

Entrevista Nota 10 — O programa tem um foco forte na cultura e na história chinesas. Como você imagina que essa imersão em um país tão diferente vai impactar o seu futuro profissional e a sua visão de mundo? 

Samuel Girão — O que mais me chama a atenção na China é a maneira como o país parece articular tradição e inovação. Como discutimos anteriormente, é um país que está conectado profundamente a uma história multimilenar, produzindo um futuro marcado por sua própria cultura e por uma visão de longo prazo construída no perdurar de eras. Há algo de muito curioso nessa relação que desafia a cronologia ocidental à qual nos acostumamos: o passado humaniza o futuro, enquanto o futuro revisita e ressignifica o passado; e eu quero ver tudo de perto.

A imersão terá um impacto profundo na minha formação profissional, mas admito que, na minha visão de mundo, desempenhará um destaque especial. Como estudante latino-americano, vivenciar uma realidade asiática tão distinta representa uma oportunidade de compreender, na prática, como contextos históricos, culturais, econômicos e territoriais moldam diferentes formas de vivenciar o mundo e de estabelecer relações humanas. Para a psicologia, essa experiência amplia a capacidade de reconhecer a diversidade de perspectivas e de compreender que os fenômenos humanos são profundamente atravessados pelo contexto sociocultural. 

Além disso, essa oportunidade dialoga diretamente com o tipo de profissional que me enxergo em um futuro próximo, já que sempre estive em movimento e me comprometo a continuar assim. Vejo essa imersão como mais um passo nessa construção, integrando todos os aprendizados que acumulei até aqui e contribuindo para uma atuação continuamente multicultural.

Entrevista Nota 10 — Qual a importância, na sua visão enquanto estudante e futuro profissional, de a Unifor oferecer essas oportunidades de internacionalização? Como você avalia o papel da Universidade em abrir essas portas para seus alunos?

Samuel Girão — A internacionalização é uma das ferramentas mais potentes em uma formação universitária integral; ela inicia a partir de uma inquietação. O mundo se comunica, as nações interagem e negociam cenários bons e ruins, e vivemos os efeitos disso cotidianamente. O processo de se internacionalizar se inicia na inquietação, quando lemos um artigo internacional, estudamos outro idioma, participamos dos tantos eventos que a universidade proporciona, nos atrevemos a iniciativas como o Buddy Program. São alguns exemplos de como tudo isso está mais perto de nós do que imaginamos, por meio da democratização e do acesso ao conhecimento em sua mais pura manifestação. 

Isso amplia perspectivas e interpretações de mundo, mas especialmente contribui para uma formação mais completa e conectada com os desafios globais, e vejo a atuação da Unifor nesse campo como extremamente relevante. Ao criar e fortalecer parcerias internacionais, a Universidade possibilita que alunos de diferentes áreas do conhecimento tenham acesso a experiências que muitas vezes não teriam em sala de aula. Não é à toa que a etimologia da palavra universidade tem origem no termo latino universitas, que significa “o todo”, e por que não estender o tripé universitário de ensino, pesquisa e extensão para o outro lado do mundo também? Essas iniciativas demonstram um compromisso com a formação de tantos alunos que ultrapassa esses limites quadrilaterais da sala de aula e prepara os estudantes para atuar em um mundo cada vez mais interconectado.

Entrevista Nota 10 — A experiência já começa nesta próxima semana, de 22 de junho a 5 de julho. Como estão os preparativos e as expectativas para esse intercâmbio? O que você espera trazer na sua bagagem pessoal e profissional quando voltar da China para o Brasil?

Samuel Girão — Os preparativos estão acontecendo com bastante entusiasmo; acho que é uma palavra que define bem [risos]. Mesmo com o tempo apertado, tenho dedicado esse período a conhecer um pouco mais sobre alguns aspectos do cotidiano chinês para aproveitar ao máximo a experiência. Comecei meus estudos no HSK1 (nível mais básico do exame oficial de proficiência em língua chinesa) ao lado de um amigo próximo, mas pretendo de fato imergir em Beijing.

Minhas expectativas não poderiam ser melhores. Espero retornar com novos conhecimentos, novas perspectivas e uma compreensão mais ampla sobre a diversidade cultural e filosófica que manteve uma nação de pé por tanto tempo. Profissionalmente, acredito que essa experiência contribuirá para uma perspectiva literal e figurativa maior do que é o mundo da pesquisa em extensão.

Espero voltar com amizades, vivências e aprendizados que me tornem radicalmente mais aberto ao diálogo. E vejo na internacionalização a oportunidade perfeita para isso, compartilhando com meus pares aqui da universidade tudo o que pude ver com meus próprios olhos, como venho fazendo ao longo de todos esses anos, e, claro, algumas comprinhas também; ninguém é de ferro…

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