qui, 8 janeiro 2026 14:29
Projeto Pau de Arara retorna ao Cariri e celebra 20 anos de história
Projeto de extensão da Unifor apresenta fotografias produzidas por alunos em vivência pelas cidades de Nova Olinda e Juazeiro do Norte

Entre estradas do Cariri e olhares atentos por trás das câmeras, a fotografia volta a cumprir seu papel de memória, registro e identidade. Entre os dias 17 e 20 de dezembro, o Projeto de Extensão Universitária Pau de Arara retornou à região do Cariri levando uma exposição de fotografias produzidas durante a edição realizada no ano passado. A iniciativa une imagem e cultura nordestina para documentar, por meio da fotografia, as vivências, paisagens e expressões de diferentes localidades do Ceará.
Criado em 2004, o Pau de Arara tem como objetivo dar visibilidade à cultura regional e proporcionar aos estudantes uma experiência de imersão que ultrapassa o aspecto técnico da fotografia. Ao longo de suas edições, o projeto se consolidou como um espaço de aprendizado sensível, no qual os alunos são convidados a observar, registrar e refletir sobre o território e as pessoas que o habitam.
Nesta edição, a exposição reúne fotografias feitas por alunos em dezembro de 2024, durante uma vivência de dois dias pelas cidades de Nova Olinda e Juazeiro do Norte, além de imagens assinadas pelos curadores da mostra. As fotografias revelam cenas do cotidiano, manifestações culturais, espaços simbólicos e detalhes que traduzem a essência do Cariri em suas múltiplas formas de representação.
Coordenado pelo professor Jari Vieira, docente da disciplina de Fotografia da Universidade de Fortaleza, instituição da Fundação Edson Queiroz, o projeto nasceu do desejo de aproximar os estudantes da realidade cultural nordestina.
Natural de Juazeiro do Norte, o professor conta que a ideia surgiu após uma visita técnica à Fundação Casa Grande, em Nova Olinda, ainda em 2002. A experiência despertou a percepção de que a fotografia poderia ser uma ferramenta para além do registro visual, funcionando também como meio de autoconhecimento e de compreensão das origens culturais. Na edição de 2025, o projeto chegou a sua 20ª edição.
O professor ressalta a relação de anos com a Fundação Casa Grande. “O Projeto Pau de Arara está fazendo 20 anos agora. E a Fundação Casa Grande, tem mais de 30 anos. ela é fundamental como uma parceira, uma apoiadora do projeto. Ela nos recebe muito bem. Sempre, os alunos, os professores, deixa a gente tirar fotos de tudo. E ainda cede um espaço para a gente montar a exposição”, pontua Jari.
Antes mesmo de chegar ao interior do estado, o projeto teve suas primeiras experiências em Fortaleza, com passeios fotográficos pelo centro da cidade. “Muitos alunos não conheciam de fato as praças, as ruas e as peculiaridades do centro. A fotografia ajudou a criar esse olhar”, relembra o professor. A partir daí, o Pau de Arara passou a percorrer o interior do Ceará, sempre com o propósito de aproximar universidade e território.
Atualmente, o projeto integra a programação oficial da Renovação da Fundação Casa Grande – Memorial do Homem Kariri, em Nova Olinda. Como parte desse compromisso, uma das premissas da iniciativa é devolver as imagens ao local onde foram produzidas, promovendo o acesso da comunidade às fotografias que retratam sua própria realidade.
A exposição foi montada pelo coordenador do projeto junto aos alunos participantes, durante os festejos da Renovação da Fundação Casa Grande. Com visita gratuita e aberta ao público, a mostra reafirma o Pau de Arara como um projeto que transforma a fotografia em instrumento de diálogo cultural, formação acadêmica e valorização das identidades nordestinas.
Esta notícia está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, contribuindo para o alcance dos ODS 4 – Educação de Qualidade, 10 – Redução das Desigualdades, 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis e 17 – Parcerias e Meios de Implementação.
A Universidade de Fortaleza reafirma, assim, seu compromisso com uma educação inclusiva, equitativa e de qualidade, que valoriza a extensão universitária como instrumento de formação sensível e de aproximação entre universidade e território. A Unifor reforça também seu empenho na valorização da cultura nordestina, na preservação da memória e das identidades locais, bem como no fortalecimento de parcerias institucionais que promovem o desenvolvimento cultural e social das comunidades.