Glêdson de Lima Araújo
Estimado Dr. Edson Queiroz,
Quando criança, lá pelo início dos anos 1990, lembro de sempre sentar no chão da sala da casa dos meus pais e de ficar em frente a uma TV - ainda em preto e branco - sintonizada no famoso canal 10. Naquela época, entre propagandas e telejornais, recordo bem de um anúncio da Universidade de Fortaleza (Unifor). O vídeo mostrava a infraestrutura, as salas de aula, os professores e a pintura do teto da Biblioteca Central - essa última me deixava especialmente encantado.
Ao ver a grandiosidade daquilo tudo, com a força da inocência de minha infância, lancei ao universo a semente do meu destino. Pensei comigo: vou estudar na Unifor!
Anos mais tarde, já adolescente e prestes a ingressar no Ensino Superior, eu tinha a convicção de que faria Jornalismo e de que trabalharia no Sistema Verdes Mares, empresa do grupo corporativo que o senhor criou. Passei no vestibular de 2001 e ingressei no curso no segundo semestre daquele ano.
Durante a minha trajetória universitária, tive ricas oportunidades. Explorei, ao máximo, tudo o que a Unifor nos oferecia; e foi sendo bolsista de um grupo de pesquisa que o meu respeito e a minha admiração por sua figura cresceram de uma forma que eu jamais poderia imaginar.
O grupo de pesquisa que participei tinha a missão de registrar, em vídeo, depoimentos de radialistas, técnicos, produtores, atores, atrizes e jornalistas do Ceará; era a memória da radiodifusão cearense captada para a posteridade. Quando os entrevistados começavam a falar, todas as histórias passavam - de uma forma ou de outra - por seu legado. Cada pessoa tinha uma história ou anedota; e o que mais me chamou a atenção: todos, sem exceção, choravam ao lembrar da experiência de ter tido contato com Edson Queiroz. Alguns pediam para desligar a câmera para enxugar as lágrimas e se recompor. Nunca me esqueci!
O mundo passou por transformações imensas desde a sua partida, Dr. Edson. Surgiram a internet, os smartphones e as redes sociais, que revolucionaram a maneira como nós nos comunicamos e nos conectamos com o mundo.
Sabe aquelas transmissões ao vivo realizadas pela TV Verdes Mares? Hoje, as pessoas conseguem fazer o mesmo, mas tudo por meio de um aparelho celular que cabe na palma da nossa mão. Os robôs que a gente costumava ver nos filmes de ficção científica estão sendo desenvolvidos em larga escala e as famílias já possuem assistentes virtuais em suas casas. Agora, uma tal da inteligência artificial vem mexendo ainda mais nas nossas rotinas.
Tudo isso vem acontecendo muito rápido, de maneira que as pessoas ainda estão tentando compreender e assimilar. Confesso que me pego imaginando que empreendimento o senhor criaria diante de tanta inovação.
A sua “fábrica de doutores”, a Unifor, segue formando profissionais do mais alto nível. Eles buscam encontrar soluções criativas em diferentes campos do conhecimento. São mais de cinquenta anos de tradição e milhares de vidas impactadas pelos projetos sociais mantidos pela Fundação Edson Queiroz. Tenho certeza que o senhor ficaria orgulhoso de presenciar essas realizações. Encerro esta breve carta com meus mais sinceros agradecimentos.
Foi inspirado em seu legado e na sua figura, Dr. Edson, que moldei minha carreira e trilhei meus passos profissionais. Confesso que gostaria de ter um décimo de seu carisma, sensibilidade e perspicácia, mas contento-me em saber que tenho valores éticos e morais sólidos, embasados no que trago de família, mas também no que aprendi com seu exemplo e sua história.
Cordialmente,
Glêdson Araújo