Rita de Cascia Capibaribe
Carta a Edson Queiroz, escrita por uma jornalista que aprendeu a sonhar na Unifor
Querido Edson,
Escrevo-lhe com o respeito de quem fala a um mestre que nunca conheceu em vida, mas que aprendeu a admirar pelo exemplo de determinação com que viveu e empreendeu em tantas áreas. Quem diria, hein? Que aquele menino, filho ilustre de Cascavel e tão amado por dona Cordélia e seu Genésio, despontaria ainda adolescente para os negócios e logo seria exemplo para todos nós, cearenses, e depois para todo o Brasil.
Sabe, seu Edson, até hoje, quando passo em frente à Unifor, meu coração dispara. Foi ali que me apaixonei pelo Jornalismo e iniciei minha carreira. Ali também conheci meu futuro marido e hoje pai de meus dois filhos. Ou seja, a minha história passa pela Fundação Edson Queiroz e como sou grata por isso!
Hoje, com orgulho, e um sentimento de proximidade e grande carinho, lhe escrevo - mais de quarenta anos após sua partida. Desde 1982, muita coisa mudou. O mundo se reinventou inúmeras vezes, e nós também. E como é gratificante perceber que, em muitas dessas transformações, há um traço seu, aquela centelha da sua ousadia.
O senhor partiu quando o Brasil ainda vivia sob o peso do silêncio. Mas logo depois, o país reaprendeu a falar e, desde então, tem lutado por melhorias nas mais diversas áreas. Voltamos às urnas, escrevemos uma nova Constituição, e a liberdade, que o senhor tanto valorizava, passou a ser o bem mais precioso da nação.
Nosso Ceará também floresceu. O sertão, quem diria! se encheu de turbinas, o vento virou energia e o sol virou riqueza. Nossa Fortaleza também se modernizou e, mesmo ainda tendo grandes desafios a enfrentar, é uma terra de oportunidades, sendo a quarta capital mais populosa do Brasil. O mundo, seu Edson, não tem mais fronteiras. A comunicação, que o senhor tanto acreditava, se multiplicou em mil formatos. As notícias agora viajam pela palma da mão, as vozes ecoam pelas telas, e o jornalismo se reinventa todos os dias. Nós, claro, seguimos acompanhando tudo pelo Sistema Verdes Mares, que leva informação, entretenimento e educação para mais de 5 milhões de pessoas todos os meses, alcançando, atualmente, quase 80% da população cearense. E entre bytes e algoritmos, a essência permanece a mesma: servir à comunidade e iluminar o caminho.
O grupo que leva seu nome, seu Edson, segue sólido e respeitado. E continua presente no cotidiano de todo o Brasil, aquecendo lares, levando informação, gerando emprego e formando mentes.
Aquele Ceará seco e tímido de antigamente agora fala alto, dança com o vento, exporta tecnologia e esperança. É um estado que aprendeu a se orgulhar de si, e nisso há muito da sua semente. Porque o senhor foi pioneiro: acreditou que o talento nordestino não precisava migrar: bastava ter oportunidade.
E o Brasil… ah, o Brasil que o senhor não viu! É um país que experimentou a democracia, enfrentou crises, venceu a inflação, abraçou a diversidade e aprendeu a valorizar sua própria voz. A cada década, uma reinvenção. A cada geração, novos sonhadores. Talvez o senhor se surpreendesse com a velocidade do nosso tempo, com a surpreendente inteligência artificial, com o jornal impresso que virou tela. Mas sei que continuaria apaixonado pela invenção humana, pela coragem de criar. A chama azul que o senhor espalhou pelo país segue acesa — nos lares, nos olhos, nas ideias. E ela aquece mais do que panelas: é uma verdadeira fonte de inspiração.
Seu Edson, o senhor não viu o advento da internet, nem o primeiro homem brasileiro no espaço. Não viu o Ceará se tornar polo de energia limpa, nem o Brasil conquistar estabilidade e depois enfrentar novos desafios. Mas, de algum modo, o senhor antecipou tudo isso. Porque quem acredita no progresso humano, de forma ética, inclusiva e generosa, sempre fala com o amanhã.
Por tudo isso, esta carta é, antes de tudo, um agradecimento. Obrigada por ter sonhado grande. Por ter visto futuro onde muitos só viam carência. Por ter apostado no Nordeste, não como promessa distante, mas como uma potência viva, vivíssima! Obrigada por ter transformado energia em cidadania, indústria em dignidade e pelo empreendedorismo ao criar uma empresa de GLP (quando você tinha apenas 26 anos!) que se transformou nesse grande legado que impacta milhares de vidas. E obrigada, pessoalmente falando, por ter criado a Unifor. O lugar que me deu uma família. E que segue me encantando com suas fontes, saberes e possibilidades.
O Ceará não é mais o mesmo, seu Edson. O Brasil não é mais o mesmo. Mas o mundo, mesmo tão vasto, tão acelerado, nunca deixará de reconhecer a força de quem acredita no trabalho com propósito e na educação com afeto. Fico pensando: quanto orgulho sua família tem do senhor! Sua amada esposa Yolanda, os filhos Airton, Myra, Edson Filho, Renata, Lenise e Paula e todos os demais descendentes. E não poderia ser diferente.
Seu Edson, o senhor construiu muito mais que um grupo empresarial: abriu caminho para que milhares de nós pudéssemos sonhar, estudar, escrever e mudar a própria vida. Sou uma dessas pessoas. E é com a alegria de ex-aluna, e a gratidão de quem aprendeu a ver poesia no progresso, que encerro esta carta com o coração leve: o seu sonho continua vivo, seu Edson. E o melhor: só cresce a cada dia!
Com grande admiração,
Rita de Cascia Capibaribe