Observatório da Pessoa Idosa: Unifor e TJCE articulam projeto para ampliar acesso à justiça

seg, 1 junho 2026 12:52

Observatório da Pessoa Idosa: Unifor e TJCE articulam projeto para ampliar acesso à justiça

Em parceria com o Tribunal de Justiça do Ceará, o Observatório da Pessoa Idosa da Universidade de Fortaleza vai desenvolver pesquisas, produzir dados e contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à terceira idade


Pessoas com 60 anos ou mais já representam 15,6% da população brasileira, somando mais de 32 milhões de idosos no país. Segundo o IBGE, esse público já supera o número de jovens entre 15 e 24 anos no Brasil ( Foto: Getty Images)
Pessoas com 60 anos ou mais já representam 15,6% da população brasileira, somando mais de 32 milhões de idosos no país. Segundo o IBGE, esse público já supera o número de jovens entre 15 e 24 anos no Brasil ( Foto: Getty Images)

A Universidade de Fortaleza (Unifor), da Fundação Edson Queiroz, prepara o lançamento de mais uma iniciativa voltada à promoção da cidadania e dos direitos humanos. O Observatório da Pessoa Idosa surge como um espaço de articulação entre a academia, o Poder Judiciário e a sociedade, com foco na produção de pesquisas e no fortalecimento da proteção à população idosa.

O projeto nasce a partir de um acordo de cooperação técnica firmado entre a Unifor e o Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE), seguindo as diretrizes da Resolução nº 520/2023 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que estabelece a Política Judiciária sobre Pessoas Idosas e suas Interseccionalidades.

No âmbito do TJCE, as atividades são coordenadas pela desembargadora Lira Ramos. Já na Unifor, a coordenação fica a cargo de Juliana Borges Mamede, diretora do Centro de Ciências Jurídicas (CCJ), e Mariana López Matias, docente do curso de Direito.

Segundo a professora Juliana, o crescimento da população idosa e o aumento das demandas relacionadas a esse público foram fatores determinantes para a idealização da iniciativa. “A criação do Observatório também decorre da constatação de que o envelhecimento populacional impõe desafios cada vez mais complexos à sociedade brasileira e, de modo particular, à realidade local”, afirma.

Ela destaca ainda que a sociedade e as instituições ainda enfrentam dificuldades para responder de forma adequada às necessidades da população idosa. “Ainda não estamos plenamente preparados, do ponto de vista institucional, social e econômico, para responder às demandas que emergem desse processo”, ressalta. Por isso, iniciativas como o Observatório são tão importantes.

Produção de dados e pesquisas aplicadas

Inicialmente, o Observatório atuará com foco na análise de processos relacionados à judicialização da saúde envolvendo pessoas idosas, especialmente aqueles que tramitam nas Varas da Fazenda Pública. A proposta é desenvolver pesquisas aplicadas, construir indicadores e produzir diagnósticos técnicos capazes de contribuir para a formulação e o aprimoramento de políticas públicas voltadas à terceira idade.

De acordo com a professora Mariana López Matias, o trabalho permitirá compreender de forma mais ampla como o sistema de justiça responde às demandas da população com mais de 60 anos. “Na prática, o Observatório funcionará como um núcleo de análise de dados e pesquisa aplicada”, explica.

Entre as atividades previstas estão:

  • mapeamento de processos judiciais,
  • análise do tempo de tramitação,
  • identificação de padrões decisórios,
  • avaliação de demandas recorrentes relacionadas ao direito à saúde.

A iniciativa também pretende colaborar para a melhoria dos fluxos institucionais e para a criação de respostas mais eficientes às necessidades desse público. “A pesquisa aplicada permite transformar processos individuais em diagnósticos estruturais”, destaca Mariana López. De acordo com Juliana Mamede, a produção de conhecimento qualificado será essencial para fortalecer a proteção integral da pessoa idosa.


“O Observatório surge como uma resposta à necessidade de compreender essas demandas de forma integrada, reconhecendo que a proteção da pessoa idosa exige atuação interinstitucional, produção qualificada de dados e formulação de estratégias capazes de enfrentar problemas que são, ao mesmo tempo, jurídicos, sociais, econômicos e humanos.”Juliana Mamede, diretora do Centro de Ciências Jurídicas e coordenadora do Observatório da Pessoa Idosa da Unifor

Parceria fortalece aproximação entre Universidade e Judiciário

A união entre a Unifor e o TJCE é um dos principais diferenciais da iniciativa. A proposta aproxima o ambiente acadêmico da realidade enfrentada diariamente pelo Poder Judiciário, permitindo que pesquisas científicas contribuam diretamente para a construção de soluções concretas. “Essa parceria é extremamente relevante, pois aproxima a produção científica da realidade institucional vivenciada pelo Poder Judiciário”, ressalta Juliana.

Segundo a docente, a Universidade poderá fornecer dados, análises e diagnósticos capazes de identificar fragilidades que impactam diretamente a população idosa. Em contrapartida, os estudantes terão contato com experiências práticas e desenvolverão competências fundamentais para a formação profissional.

A participação dos alunos já está prevista desde a primeira etapa do projeto, inicialmente com o curso de Direito. Posteriormente, a proposta poderá incluir estudantes de outras áreas, conforme as demandas forem surgindo. “A participação discente no Observatório tem impacto direto na formação acadêmica e humana dos estudantes”, afirma Juliana.

Os estudantes terão contato com análise de processos judiciais, produção de relatórios técnicos, construção de indicadores e pesquisas aplicadas em direito público e saúde. Para Mariana López, essa vivência representa uma importante integração entre teoria e prática. “Trata-se de experiência concreta de integração entre teoria jurídica, gestão pública e dados”, destaca.

Compromisso social e defesa da dignidade humana

Além das atividades de pesquisa, o Observatório também pretende promover seminários, debates acadêmicos, cursos e eventos voltados à comunidade jurídica e à rede de proteção social da pessoa idosa. A expectativa é ampliar o debate sobre envelhecimento, cidadania e direitos humanos.

As atividades do projeto já começaram com reuniões de planejamento e estruturação das primeiras ações. A previsão é que, no próximo semestre de 2026, seja realizado um evento para apresentação oficial do Observatório e divulgação dos resultados iniciais.

Para a professora Mariana López Matias, o projeto representa um compromisso institucional com a dignidade da população idosa e com a efetivação dos direitos fundamentais. “O envelhecimento da população exige respostas institucionais mais qualificadas”, afirma. “Esse é um projeto que une pesquisa, responsabilidade social e compromisso com a efetividade dos direitos fundamentais”.

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Esta notícia está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, contribuindo para o alcance do ODS 4 – Educação de Qualidade, ODS 10 – Redução das Desigualdades e ODS 16 – Paz, Justiça e Instituições Eficazes.

A Universidade de Fortaleza reafirma seu compromisso com a cidadania e os direitos humanos ao lançar o Observatório da Pessoa Idosa. Aliando pesquisa, prática acadêmica e cooperação institucional, a Unifor capacita seus estudantes para a promoção da justiça, transformando o conhecimento em ferramentas de proteção e inclusão social para a população idosa.

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