Povos originários do Brasil e da Austrália destacam desafios climáticos em debate na Internationalization Week 2026
qui, 21 maio 2026 14:19
Povos originários do Brasil e da Austrália destacam desafios climáticos em debate na Internationalization Week 2026
Painel reuniu representantes de povos originários do Brasil e da Austrália para discutir impactos ambientais, escassez hídrica e a importância dos conhecimentos tradicionais na construção de soluções sustentáveis

Na manhã desta quinta-feira (21), a Internationalization Week 2026 da Universidade de Fortaleza, instituição mantida pela Fundação Edson Queiroz, promoveu a discussão sobre mudanças climáticas e saúde, com a presença de representantes de povos originários, como a pesquisadora de origem indígena dos povos Mbabaram (Queensland) e Hammond Island/Keriri (Torres Strait), na Austrália, Dra. Sharna Motlap; e a presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena do Ceará, Naara Tapeba. O coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena Ceará, Lucas Guerra, também integrou a mesa. O momento aconteceu no Auditório da Biblioteca e foi mediado pelo docente do Curso de Medicina, Prof. Dr. Geraldo Bezerra.
“A Semana da Internacionalização evidencia algumas parcerias que já temos com instituições estrangeiras e também possibilita fortalecer laços com outras igualmente importantes. Desde 2019, meu grupo desenvolve pesquisas em colaboração com pesquisadores da Austrália, um país extremamente relevante na área da pesquisa e que possui algumas das melhores universidades do mundo. No ano passado, tive a oportunidade de conhecer a Universidade Charles Darwin, onde a professora Dra. Sharna Motlap leciona, localizada no Território do Norte da Austrália”, comentou o Prof. Dr. Geraldo Bezerra.
Com o tema “Animal Justice: Building a Better World Interspecies”, a Internationalization Week 2026 trouxe, por meio desse painel, uma reflexão sobre os impactos das mudanças climáticas na vida dos povos originários no Brasil e na Austrália. Apesar das diferenças geográficas, os dois países compartilham desafios climáticos semelhantes e, em ambos os casos, os conhecimentos indígenas vêm se mostrando essenciais para soluções sustentáveis.
Sharna Motlap iniciou sua fala agradecendo aos povos indígenas de seu país, a quem chamou de “os verdadeiros donos da terra”. Ela falou sobre a fauna e a flora da Austrália, além dos principais fenômenos que atingem o território australiano atualmente, como secas, queimadas florestais, aumento do nível do mar e enchentes. Segundo a pesquisadora, as consequências desses eventos têm impactado diretamente a vida e a saúde das populações indígenas.
“As pessoas precisam ser ouvidas, porque devem ter autonomia e autodeterminação sobre o conhecimento que possuem e sobre as necessidades do seu povo. Também temos as instituições que precisam cuidar do país, e um exemplo é a queima da vegetação. O meu povo realiza queimadas preventivas para evitar mega incêndios, mas esse conhecimento foi ignorado por muito tempo. Só muito recentemente o governo australiano passou a querer implementar isso. Para lidar com o território e com a terra, por exemplo, os povos indígenas sabem como evitar incêndios em grandes áreas, mas, ao longo dos séculos, esse conhecimento foi desconsiderado” - Dra. Sharna Motlap (Foto: Ares Soares).
A fala de Naara Tapeba evidenciou a similaridade entre os desafios enfrentados nos dois países.
“Quando falamos sobre questões climáticas, para nós, população indígena — especialmente os povos indígenas que vivem no semiárido cearense — pensamos imediatamente na escassez hídrica. Esse é o nosso cenário: o abastecimento de água muitas vezes depende de caminhões-pipa, e existem aldeias onde diversos poços já foram perfurados sem que se encontrasse água. Vivemos, portanto, um processo de desertificação em alguns territórios, e essa discussão é urgente, é para ontem” - Naara Tapeba (Foto: Ares Soares) .
Sobre a Semana da Internacionalização 2026
Promovida pela Diretoria de Relações Internacionais (DRI), a Internationalization Week 2026 Unifor integra o calendário acadêmico institucional e ocorre, tradicionalmente, na penúltima semana de maio. A iniciativa promove a articulação entre ensino, pesquisa e extensão, com o propósito de ampliar o diálogo entre diferentes culturas, saberes e perspectivas globais.
As atividades seguem até esta sexta-feira (22), em diversos espaços da universidade, com ações que incluem atividades culturais e de bem-estar, exposições, palestras, oficinas, mesas-redondas, workshops, painéis e debates. A programação tem como objetivo promover maior integração entre estudantes, docentes e a comunidade acadêmica internacional.
As iniciativas são organizadas por áreas do conhecimento, com atividades distribuídas entre o Centro de Ciências da Saúde (CCS), o Centro de Ciências da Comunicação e Gestão (CCG), o Centro de Ciências Tecnológicas (CCT), o Centro de Ciências Jurídicas (CCJ) e a Divisão de Pós-Graduação.