VI ECOE 2026 destaca impacto social dos projetos extensionistas da Unifor

sex, 5 junho 2026 14:43

VI ECOE 2026 destaca impacto social dos projetos extensionistas da Unifor

Projetos contemplaram áreas da saúde, gestão, direito e tecnologia


A programação do evento foi dividida em duas modalidades de apresentação: banners e exposições orais (Foto: Ares Soares)
A programação do evento foi dividida em duas modalidades de apresentação: banners e exposições orais (Foto: Ares Soares)

Na última sexta-feira (29), a Universidade de Fortaleza, instituição da Fundação Edson Queiroz, realizou o VI Encontro de Curricularização da Extensão (ECOE) 2026. Promovida pela Vice-Reitoria de Ensino de Graduação e Pós-Graduação (VRE), a iniciativa reuniu projetos extensionistas desenvolvidos por estudantes e professores, evidenciando o impacto da universidade na sociedade.

A programação foi dividida em duas modalidades de apresentação: banners e exposições orais. Os trabalhos em formato de banner permaneceram expostos ao longo de todo o dia no campus para apreciação da comunidade acadêmica e do público visitante. Já as apresentações orais ocorreram no auditório da biblioteca, reunindo os projetos de maior destaque de cada Centro de Ciências e da Pós-Unifor.

Durante a abertura do evento, a vice-reitora de Ensino de Graduação e Pós-Graduação da Unifor (VRE), Profa. Dra. Katherinne Maciel, ressaltou a relevância da curricularização da extensão para a formação acadêmica e para o fortalecimento dos vínculos entre universidade e sociedade. Segundo ela, ampliar o alcance das ações extensionistas e compartilhar os resultados alcançados junto à comunidade estão entre os principais objetivos do ECOE.

“No dia de hoje, a gente vem tratar de um tema extremamente importante na formação de vocês. A gente fala de curricularização da extensão. Quando se coloca essa pauta, a gente vem aproximar a formação que é estabelecida em sala de aula da entrega e do impacto social que vocês irão efetivar na sociedade por meio da formação profissional de vocês. O conhecimento é muito bonito, mas ele deve sair do campo das ideias. A pesquisa é importante, mas, quando ela vem para resolver um caso concreto, um problema concreto, uma demanda da sociedade, ela ganha ainda mais relevância”, enfatizou a vice-reitora.

Confira os projetos de destaque 

Centro de Ciências da Comunicação e Gestão 

O projeto de maior destaque da área de Comunicação e Gestão no ECOE 2026 foi desenvolvido por estudantes do curso de Design de Moda na disciplina Laboratório de Prototipagem. Na proposta curricular, os alunos foram desafiados a criar um look conceitual inspirado na obra do estilista cearense Lino Villaventura. Intitulado “Baobá: mulher do fim do mundo: design autoral, ancestralidade e tingimento natural”, o trabalho propõe uma reflexão sobre o processo criativo como instrumento de construção de significados e de análise das dinâmicas socioculturais contemporâneas.

A pesquisa foi desenvolvida pelos estudantes Bruno Félix e Ana Célia, sob orientação da professora Fernanda Moriconi, e buscou integrar práticas de design autoral, sustentabilidade e valorização de saberes ancestrais por meio do uso de técnicas de tingimento natural.

Entre os principais resultados, o projeto contribuiu para o desenvolvimento do pensamento crítico, da colaboração e da cidadania, ao mesmo tempo em que estimulou reflexões sobre os impactos do fast fashion e a importância de modelos de produção mais sustentáveis. Nesse contexto, as cores foram exploradas não apenas como elementos estéticos, mas também como símbolos carregados de significado cultural e social.

"A visibilidade alcançada fortalece a continuidade da iniciativa ao incentivar novas parcerias entre universidade e comunidade, ampliar a divulgação das práticas sustentáveis e valorizar os saberes tradicionais como elementos fundamentais para a inovação em moda. O destaque obtido reforça a importância de projetos extensionistas que aproximam ensino, pesquisa e sociedade, estimulando a realização de futuras ações comprometidas com a inclusão social, a sustentabilidade e a valorização da cultura local", conta Bruno Félix, estudante de Moda e um dos autores do projeto. 

A iniciativa também ampliou seu alcance por meio de parcerias com a ONG Brilho da Lua e a comunidade indígena Jenipapo-Kanindé, além da realização de ações sociais voltadas para mulheres mastectomizadas. Ao integrar moda, sustentabilidade e justiça socioambiental, o projeto evidencia o potencial do design como ferramenta de transformação social e valorização da diversidade cultural.

Centro de Ciências Jurídicas 

O trabalho “Geojus: o uso da engenharia jurídica como mecanismo de emancipação socioeconômica do pequeno produtor rural” foi o trabalho destaque do Centro de Ciências Jurídicas (CCJ). Desenvolvido a partir de um relato de experiência na disciplina de Engenharia Jurídica, o estudo lança luz sobre a invisibilidade jurídica e o isolamento econômico enfrentados por pequenos produtores rurais.

A pesquisa utiliza a regularização ambiental e o acesso ao crédito rural como recortes para analisar desigualdades estruturais que limitam o desenvolvimento desse segmento. A proposta consiste em transformar normas e procedimentos complexos em módulos operacionais acessíveis, capazes de promover maior autonomia jurídica e econômica aos produtores.

O Geojus surgiu da convergência entre uma trajetória acadêmica singular e a identificação de um problema concreto enfrentado por pequenos produtores rurais. O projeto nasceu no contexto da disciplina de Engenharia Jurídica, voltada à criação de soluções inovadoras para desafios do Direito. A proposta ganhou força após estudos sobre as dificuldades relacionadas ao Cadastro Ambiental Rural (CAR), instrumento essencial para a regularização ambiental das propriedades rurais. 

A validação prática da ideia veio por meio do contato da equipe com famílias de pequenos produtores rurais, que relataram os obstáculos enfrentados para acessar o CAR e, consequentemente, obter crédito e segurança jurídica. Segundo os desenvolvedores, a burocracia, a lentidão dos processos e a falta de acesso a serviços especializados contribuem para a exclusão digital e econômica de milhares de agricultores. Nesse cenário, o Geojus foi concebido como uma ferramenta capaz de simplificar procedimentos, ampliar o acesso à informação jurídica e fortalecer a autonomia do homem do campo, reduzindo barreiras que historicamente dificultam sua inserção plena nas políticas públicas e no mercado de crédito rural.

De autoria das estudantes Maryane Hasse de Andrade Figueira e Bárbara Rocha Coelho Cavalcante, sob orientação do professor Francisco Medina, a iniciativa resultou em uma metodologia voltada à democratização do acesso à justiça no campo. Para isso, integra ferramentas de diagnóstico por geoprocessamento à visibilização de oportunidades de crédito rural, contribuindo para a inclusão produtiva e o fortalecimento da cidadania no meio rural.

"Por se tratar de um protótipo desenvolvido dentro de uma disciplina extensionista, o impacto inicial do GEOJUS se deu na provocação e na conscientização da própria comunidade jurídica. O projeto foi apresentado primeiro em sala de aula, posteriormente no Unifor Hub, onde foi avaliado por profissionais especialistas em Direito Digital e, por fim, levado à Comissão de Direito Digital da OAB. Para a comunidade jurídica e para o Direito, o projeto democratiza a justiça ao dar voz e visibilidade a uma problemática rural urgente e invisibilizada, rompendo as barreiras dos tribunais tradicionais e levando o debate jurídico para o cotidiano, para a vida do pequeno produtor", conta Maryane, estudante do terceiro semestre de Direito. 

 

Centro de Ciências da Saúde 

Na área da Saúde, o destaque ficou com o trabalho “Educação em saúde em contexto interprofissional: experiência de atividades em grupo de arteterapia em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS)”. O estudo analisa o CAPS como espaço de cuidado integral e investiga a arteterapia como estratégia terapêutica voltada à promoção da saúde mental, ao fortalecimento do protagonismo dos usuários e à educação em saúde em um contexto de atuação interprofissional.

A iniciativa evidenciou a importância de práticas coletivas que favorecem a escuta ativa, a troca de experiências e a ressignificação de vivências. Os resultados apontam que a arteterapia se mostrou uma ferramenta eficaz para a promoção da saúde mental e para a reabilitação psicossocial dos participantes.

“O projeto surgiu a partir de uma vivência extensionista desenvolvida em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), durante uma disciplina do núcleo comum. Ao observarmos a importância de espaços de escuta, acolhimento e expressão emocional para os usuários do serviço, desenvolvemos atividades de educação em saúde utilizando a arteterapia como estratégia de cuidado. A proposta buscou contribuir para o fortalecimento da autoestima, da autonomia e da participação ativa dos usuários no processo de cuidado em saúde mental”, enfatiza Itana Cavalcante, uma das autoras do projeto.

O trabalho também destacou a relevância da atuação interprofissional na construção de intervenções mais abrangentes e integradas, possibilitando a articulação de diferentes saberes em benefício dos usuários. Além disso, a experiência contribuiu para o fortalecimento de um cuidado integral e humanizado, alinhado aos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS).

O projeto foi desenvolvido pelas autoras Itana Cavalcante, Inês Borba da Silveira, Mariana Gonçalves, Sara Sombra e Ana Luisa Duarte, 

Centro de Ciências Tecnológicas 

No Centro de Ciências Tecnológicas, o trabalho de destaque foi “Desenvolvimento de assistente virtual para o Núcleo de Apoio Contábil e Fiscal: uma abordagem com inteligência artificial generativa e RAG”. O estudo teve como objetivo desenvolver e implementar o assistente virtual Gemini Flash para o Núcleo de Apoio Contábil e Fiscal (NAF) da Unifor, buscando otimizar o atendimento e ampliar o acesso a orientações na área contábil e fiscal.

O projeto foi desenvolvido pelas estudantes Ana Virginia Braga Feitosa, Monique Menezes Guimarães e Nycolle Mayara da Silva Rodrigues, e pelo estudante Marcos Levy Guedes Dias, sob orientação do professor Francisco Estevão Simão Pereira.

Os resultados demonstraram que o assistente virtual apresentou desempenho satisfatório na geração de respostas, mantendo uma comunicação empática e profissional com os usuários. A ferramenta mostrou-se capaz de compreender perguntas formuladas em linguagem informal e fornecer orientações técnicas precisas, contribuindo para a qualificação do processo de triagem e atendimento realizado pelo NAF.

A iniciativa evidencia o potencial da inteligência artificial generativa associada à técnica de Recuperação Aumentada por Geração (RAG) na modernização de serviços de apoio à comunidade, ampliando a eficiência dos atendimentos e o acesso à informação especializada.

Pós-Unifor 

No âmbito da pós-graduação, o trabalho “Conectados e protegidos: a inclusão da população 60+ na segurança digital” foi o grande destaque. A pesquisa aborda o crescimento do uso da internet entre pessoas idosas em um contexto de acelerada digitalização dos serviços públicos e privados, cenário que contrasta com os baixos níveis de alfabetização digital e amplia a exposição desse público a fraudes e golpes virtuais.

O estudo também analisa a relação entre vulnerabilidade socioeconômica e os impactos causados por crimes digitais, evidenciando os desafios enfrentados pela população 60+ para navegar com segurança no ambiente online.

Os resultados apontam que a inclusão digital de pessoas idosas deve ser consolidada como uma política permanente, capaz de promover autonomia, segurança e participação social. A pesquisa destaca ainda o papel da Universidade na transformação de situações de vulnerabilidade em oportunidades de empoderamento, contribuindo para um envelhecimento ativo, conectado e mais seguro.

"Esta ação foi acolhida com bastante atenção pelos ouvintes da população 50+, que, ao mesmo tempo, compartilharam suas experiências já vividas em tentativas de golpes cibernéticos e demonstraram interesse em uma ação que abrangesse mais tempo e mais pessoas, pois, mesmo com o cuidado necessário, eles precisam muito de instruções para uma inclusão digital de forma segura", ressalta Marciliano da Silva, formado em Análise e Desenvolvimento de Sistema e 
pós-graduando em Segurança Cibernética com Foco em DevOps.

Além dos benefícios para a comunidade, a iniciativa fortalece a formação acadêmica dos participantes ao estimular a empatia, a responsabilidade social e o compromisso com a disseminação do conhecimento.

O trabalho foi desenvolvido por Marciliano da Silva, Francisco Wellington Gomes e George José dos Santos, sob orientação do professor Roberto de Paula Aguiar.

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