Orgulho Unifor: egressa de Marketing Digital transforma histórias do Nordeste em exposição fotográfica na Suécia

seg, 22 junho 2026 16:39

Orgulho Unifor: egressa de Marketing Digital transforma histórias do Nordeste em exposição fotográfica na Suécia

O projeto Nordeste Plural foi idealizado por Nayara Pereira Karlsson, que percorreu cinco estados nordestinos para registrar memórias, saberes e personagens que agora serão apresentados ao público europeu


O Nordeste Plural é um movimento de território, escuta e observação, que transforma vivências reais em encontros, narrativas e conexões com a diversidade cultural do Nordeste (Fotos: Nayara Pereira Karlsson)
O Nordeste Plural é um movimento de território, escuta e observação, que transforma vivências reais em encontros, narrativas e conexões com a diversidade cultural do Nordeste (Fotos: Nayara Pereira Karlsson)

Há histórias que nascem em estradas. Outras surgem nos encontros, conversas e sonhos compartilhados. O projeto Nordeste Plural nasceu de tudo isso. Criado pela egressa do curso de Marketing Digital da Universidade de Fortaleza — instituição mantida pela Fundação Edson Queiroz —, Nayara Pereira Karlsson, e pela artista e produtora cultural Emanuele Almeida, o trabalho transformou uma expedição por cinco estados nordestinos em uma exposição fotográfica que será apresentada na Suécia neste mês de junho.

Entre setembro e outubro de 2025, Nayara e Emanuele percorreram Pernambuco, Alagoas, Ceará, Sergipe e Bahia em busca de personagens, tradições, modos de vida e manifestações culturais que ajudaram a construir a identidade do Nordeste brasileiro. Após mais de 40 dias na estrada, elas reuniram registros de mestres da cultura popular, artesãos, lideranças comunitárias, produtores culturais e moradores que mantêm vivas as histórias de seus territórios.

O resultado da jornada deu origem à exposição “Nordeste Plural – O Brasil que vive através do seu povo”, que terá exibições em diferentes cidades suecas. Além de apresentar as paisagens da região, o projeto busca aproximar o público europeu das pessoas que fazem o Nordeste existir todos os dias.

Para a egressa da Unifor, a iniciativa representa a realização de um sonho construído ao longo de muitos anos e alimentado por experiências que começaram há muito tempo. “Minha trajetória profissional é marcada pela comunicação, pelo empreendedorismo e por uma profunda conexão com a cultura brasileira. Mas essa história começou muito antes da universidade”, afirma.


Peça de divulgação da exposição fotográfica do projeto Nordeste Plural (Imagem: Divulgação)

Neta de Dona Neuza, ceramista de Cascavel, no Ceará, Nayara cresceu cercada pelo universo do artesanato e dos saberes populares. As memórias da infância, os encontros familiares e a convivência com a cultura tradicional ajudaram a moldar o olhar que hoje a faz conduzir seu trabalho como fotógrafa documental e produtora cultural.

Esse interesse foi ampliado por experiências em projetos audiovisuais e culturais, como o Ponto de Cultura Audiovisual Roteiro de Luz, onde teve contato com profissionais da fotografia, do cinema e da narrativa audiovisual. Mais tarde, durante um período de estudos na Bahia, conheceu Emanuele Almeida, amizade que anos depois daria origem ao Nordeste Plural.

Um elo entre fotografia e memória 

A fotografia documental ocupa um papel central no projeto. Para Nayara, registrar pessoas e histórias vai muito além da produção de imagens. Seu interesse pela área nasceu da convivência com a avó, especialmente nos seus últimos anos de vida. Através de fotografias e registros cotidianos, ela encontrou uma forma de preservar lembranças e afetos. “Hoje consigo revisitá-la através dessas imagens e memórias”, relata.

A mudança para a Suécia também teve influência decisiva nesse processo. Vivendo fora do Brasil, a egressa da Unifor passou a perceber que muitos estrangeiros conheciam apenas versões limitadas da identidade brasileira.


“Quando me mudei para a Suécia, percebi que a imagem do Brasil frequentemente era reduzida a alguns estereótipos ligados ao futebol, ao carnaval ou às praias. Embora esses elementos também façam parte da nossa identidade, eles representam apenas uma pequena parte do que somos.”Nayara Pereira Karlsson, egressa do curso de Marketing Digital e fundadora da Dinamiko Digital

Foi dessa percepção que surgiu o desejo de apresentar um Brasil mais complexo, diverso e humano. A fotografia documental tornou-se, então, uma ferramenta para revelar histórias que muitas vezes permanecem invisíveis fora do país.

O Nordeste Plural nasceu justamente dessa inquietação. Segundo Nayara, o objetivo nunca foi apenas visitar cidades ou produzir belas imagens para redes sociais e exposições. “Queríamos construir um arquivo vivo das pessoas que mantêm o Nordeste pulsando”, afirma.

Durante a expedição, a equipe encontrou personagens que deixaram marcas profundas. Entre eles está a cirandeira Lia de Itamaracá, uma das maiores referências da cultura popular brasileira. Também visitaram o ateliê de Silvio Botelho, criador dos famosos Bonecos Gigantes de Olinda, além de artesãos, agricultores, mestres da cultura popular e representantes de iniciativas comunitárias espalhadas pela região.

Cada encontro ajudou a reforçar uma percepção que acompanhou toda a jornada: o Nordeste não pode ser definido por uma única narrativa, por um único olhar. “[O projeto] revelou aquilo que quem nasce no Nordeste já sente, mas que nem sempre consegue mostrar ao mundo: não existe apenas um Nordeste. Existe um Nordeste de muitas vozes, muitos sotaques, muitos ritmos, muitas culinárias e muitos modos de viver”, explica a fotógrafa documental.

Da costa aos sertões, a expedição registrou paisagens diversas, modos de produção tradicionais, comunidades quilombolas, iniciativas de turismo comunitário e aspectos da caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro.

Ao final do percurso, o que mais permaneceu na memória da fotógrafa não foram apenas os cenários, mas a generosidade das pessoas encontradas pelo caminho. “Em praticamente todos os lugares, fomos recebidos de portas abertas. Compartilharam conosco suas casas, suas mesas, suas histórias e seus sonhos”, recorda Nayara.

Formação que transforma sonhos em projetos internacionais

Embora a sensibilidade artística esteja presente em sua trajetória desde a infância, Nayara reconhece que a formação acadêmica teve papel fundamental para transformar ideias em ações concretas.

Após retornar ao Brasil durante a pandemia, ela criou um negócio de pães artesanais inspirado na cultura nordestina. A necessidade de divulgar a marca despertou o interesse pelo marketing digital, área em que decidiu se formar na Universidade de Fortaleza. “Escolhi a Unifor porque buscava uma formação conectada ao mercado e capaz de ampliar minha visão estratégica sobre comunicação e negócios”, explica.

Segundo ela, a Unifor contribuiu não apenas para o desenvolvimento técnico, mas também para fortalecer competências relacionadas à gestão, liderança e planejamento, “a Universidade me deu ferramentas para transformar ideias em projetos reais e sustentáveis”, destaca a egressa de Marketing Digital.

Atualmente, Nayara é fundadora da Dinamiko Digital, empresa de marketing e comunicação sediada na Suécia. Os conhecimentos adquiridos durante a graduação foram essenciais para estruturar o Nordeste Plural, desenvolver sua identidade, construir parcerias e organizar a circulação internacional da exposição.


No projeto Nordeste Plural, Nayara e Emanuele viajaram por mais de 40 dias pelo Nordeste para registrar suas paisagens e personagens únicos (Foto: Nayara Pereira Karlsson)

O projeto já possui agenda confirmada em três cidades suecas e está em negociação para novas apresentações na Dinamarca, Holanda e Noruega. O processo envolveu desafios como captação de recursos, logística internacional, transporte de obras e tradução de conteúdos.

Apesar das dificuldades, Nayara acredita que a receptividade internacional demonstra a força das histórias registradas durante a expedição. “Embora profundamente nordestinas, elas falam sobre temas universais como pertencimento, memória, identidade e humanidade”, afirma.

Ao chegar à Europa, a exposição levará ao público estrangeiro retratos de pessoas que preservam tradições, criam soluções para suas comunidades e mantêm vivos conhecimentos transmitidos ao longo de gerações. “Mais do que apresentar uma região geográfica, queremos apresentar pessoas e suas formas de viver, criar e transformar o mundo ao seu redor”, resume.

Mas o sonho não termina na Europa. Após a circulação internacional, a intenção é trazer a exposição de volta ao Brasil, especialmente ao Ceará, terra natal da fotógrafa. “Existe algo muito simbólico em levar essas histórias para o mundo e depois devolvê-las aos territórios de onde nasceram”, afirma.

Ao olhar para a própria trajetória, Nayara deixa uma mensagem para estudantes que desejam transformar suas paixões em projetos de impacto: “Valorizem suas origens. Muitas vezes, acreditamos que precisamos buscar algo extraordinário em lugares distantes, quando as histórias mais potentes estão justamente nos territórios que nos formaram”.

O conselho resume também a essência do Nordeste Plural: mostrar que, nas estradas, nos sertões, nas ilhas, nos mercados e nas comunidades, existem histórias capazes de atravessar continentes. 

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Esta notícia está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), contribuindo para o alcance do ODS 4 – Educação de Qualidade. A Universidade de Fortaleza, assim, assegura a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, promovendo oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos.

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