Pesquisa desenvolvida no Nubex pode dar origem a startup

ter, 10 fevereiro 2026 16:10

Pesquisa desenvolvida no Nubex pode dar origem a startup

O objetivo é produzir proteínas recombinantes para a produção de gel cicatrizante em larga escala


A ideia é recebida de forma positiva no Nubex, que já tem uma plataforma bem estabelecida para a produção de biofármacos (Foto: Getty Images)
A ideia é recebida de forma positiva no Nubex, que já tem uma plataforma bem estabelecida para a produção de biofármacos (Foto: Getty Images)

Tudo começou com uma pesquisa desenvolvida no Nubex - Núcleo de Biologia Experimental da Universidade de Fortaleza, instituição mantida pela Fundação Edson Queiroz. O doutorando em Biotecnologia pelo programa Renorbio, Felipe Sousa, e sua orientadora, professora Cristina Moreira, descobriram o potencial da semente da fruta-pão e da flor-de-pavão para a criação de um gel com alto poder de cicatrização.

Os primeiros estudos tiveram início em 2012, quando, em sua tese de doutorado, a professora Cristina estudou sobre os benefícios da fruta-pão. Por volta de 2015, os dois pesquisadores começaram a investigar a combinação de lectinas, proteínas com capacidade de se ligar a carboidratos e hemiceluloses, que formam as paredes de células vegetais junto com a celulose, e estudar como podem potencializar o processo de cicatrização

Segundo Felipe, o produto é ideal para pacientes com diabetes ou lesões vasculares, quando a pele ferida geralmente persiste, ocasionando as chamadas feridas crônicas. 


“A elaboração desses materiais por diferentes métodos de produção permite a elaboração de hidrogéis ou membranas porosas, capazes de carrear e liberar essas lectinas em áreas lesionadas, protegendo a área da ferida e permitindo um ambiente favorável ao reparo e regeneração de tecidos” — Felipe Sousa, doutorando em Biotecnologia" — Felipe Sousa, doutorando em Biotecnologia. 

A orientadora da pesquisa ressalta que, para fazer o produto chegar à sociedade, é preciso aumentar a produção da proteína nativa: “Quando a gente pensa em transferir essa tecnologia para realmente chegar no mercado, ou seja, chegar lá na prateleira de uma farmácia ou de um hospital, um dos fatores limitantes é exatamente a obtenção dessa proteína nativa, obtida da planta. Como ela não tem um rendimento, não seria suficiente para a produção em larga escala capaz de atender uma indústria farmacêutica, por exemplo”, diz Cristina. 

Pensando nisso, Felipe quer ir além e criar uma startup para resolver essa limitação - produzir a proteína nativa em larga escala, na forma recombinante. “A startup visa não apenas o desenvolvimento de biomateriais, mas também a produção de proteínas recombinantes, o que inclui a produção de anticorpos para monitoramento. Essa abordagem permite aplicações no laboratório, como a produção de anticorpos para monitorar a produção dessas proteínas e a produção das próprias proteínas em outros sistemas, com o objetivo de fornecer insumos para a produção de biomateriais que incorporam essas moléculas como componentes ativos.”

A ideia é recebida de forma positiva no Nubex, que já tem uma plataforma bem estabelecida para a produção de biofármacos. “Estabelecendo um protocolo eficiente de produzir essa proteína na sua forma recombinante, a gente sana essa limitação e agora sim, a gente teria como produzir essa proteína em larga escala e dessa forma ela poderia ser fornecida para a indústria na quantidade necessária para industrializar o produto desenvolvido, especificamente a formulação farmacêutica com ação cicatrizante, tendo como ativo a proteína frutalina” afirma a diretora do Nubex, professora Cristina Moreira.

Na próxima matéria desta série, conheça mais uma pesquisa inovadora e patenteada que pode atrair investidores do setor produtivo -  o uso de um espessante encontrado em planta abundante do nordeste em sobremesas lácteas. Aguarde!

Sobre o Nubex

O Núcleo de Biologia Experimental (Nubex) é um centro de excelência em pesquisa nas áreas de pesquisa, de inovação e desenvolvimento para diversos segmentos, principalmente da saúde, de alimentos, fármacos e educação. 

O Nubex faz parte do Tec Unifor, o Parque Tecnológico da Universidade de Fortaleza, beneficiado com investimentos da Fundação Edson Queiroz e da Financiadora de Estudos e Pesquisa (Finep), por meio da chamada pública: “MCTI/Finep/FNDCT/CT - Verde Amarelo - Parques Tecnológicos / Seleção Pública de Propostas para o Apoio Financeiro a Parques Tecnológicos em Implantação e em Operação”. 

Serviço

NUBEX - Núcleo de Biologia Experimental do Tec Unifor
Av. Dr. Valmir Pontes, 300 
Contato: (85) 3477-3821

 


Esta notícia está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), contribuindo para o alcance dos ODSs 3 – Saúde e Bem-Estar, 8 – Trabalho Decente e Crescimento Econômico e 9 – Indústria, Inovação e Infraestrutura.

A Universidade de Fortaleza, assim, fortalece a pesquisa científica e a formação acadêmica, estimula a inovação tecnológica e promove o desenvolvimento de soluções de saúde que podem melhorar a qualidade de vida da população, especialmente de pacientes com feridas crônicas e condições associadas ao diabetes. Além disso, a iniciativa incentiva o empreendedorismo e a transferência de tecnologia, ampliando o acesso a produtos inovadores para a sociedade e fortalecendo a integração entre universidade, setor produtivo e comunidade científica.