Entrevista Nota 10: Pedrina Silva e o poder do atletismo como carreira e ferramenta de superação

seg, 4 maio 2026 20:33

Entrevista Nota 10: Pedrina Silva e o poder do atletismo como carreira e ferramenta de superação

Aluna da Universidade de Fortaleza fala sobre a vida de atleta de alta performance, suas motivações, a conquista da Meia Maratona na 1ª Maratona Internacional de Fortaleza e sua relação com os estudos


Estudante do curso de Educação Física da Unifor, Pedrina coleciona conquistas memoráveis, como a vitória sobre a famosa atleta queniana Viola Jelagat Kosgei nos 21km da Vai de Bet Run, em Recife (Foto: Arquivo pessoal)
Estudante do curso de Educação Física da Unifor, Pedrina coleciona conquistas memoráveis, como a vitória sobre a famosa atleta queniana Viola Jelagat Kosgei nos 21km da Vai de Bet Run, em Recife (Foto: Arquivo pessoal)

Para muitos, a corrida é apenas atividade física ou passatempo. Mas para Pedrina Silva, o esporte se tornou não só um estilo de vida, mas uma ferramenta para alcançar sonhos e superar desafios pessoais. “A Pedrina de antes para a de hoje cresceu em tudo, [inclusive] como pessoa”, compartilha a atleta da Universidade de Fortaleza, instituição mantida pela Fundação Edson Queiroz.

Natural de Lagoa do Juvenal, distrito de Maranguape, ela é hoje uma profissional de peso do atletismo brasileiro e que segue quebrando marcas. Recentemente, cravou seu nome na história ao conquistar o 1º lugar da Meia Maratona (21km) na 1ª Maratona Internacional de Fortaleza, prova emblemática realizada no aniversário de 300 anos da capital cearense no mês de abril.

Vindo de origem simples, Pedrina primeiro encontrou na corrida um refúgio para lidar com a perda do pai, depois viu a possibilidade de ganhar dinheiro e ajudar sua mãe e seus irmãos sendo uma atleta de alto rendimento. “Hoje, com o investimento na minha carreira esportiva, posso ajudar minha família no financeiro e ter minhas próprias coisas como sempre sonhei em ter, graças a Deus”, relata.

Desde 2023, a aluna de Educação Física e atleta da Unifor conta com apoio educacional, financeiro, técnico e médico da Fundação Edson Queiroz, por meio da Vice-Reitoria de Extensão e Comunidade Universitária (Virex). Longe de separar as pistas da sala de aula, ela uniu a teoria acadêmica à prática profissional, aplicando os conhecimentos adquiridos na graduação como trunfo valioso para controlar a mente e o corpo nos momentos mais críticos das provas.

Pedrina vem colecionando conquistas expressivas. Em 2024, foi bronze no Troféu Brasil (5km e 10km), bicampeã nos Jogos Universitários (5km e 10km) e a 4ª melhor brasileira na São Silvestre. O ritmo forte seguiu em 2025 com o 3º lugar no Campeonato Sul-Americano de Corrida de Rua. Além de garantir sua soberania em casa com o tetracampeonato na Corrida Unifor (2022-2025), a atleta também venceu a queniana Viola Jelagat Kosgei nos 21km da Vai de Bet Run, em Recife.

Na Entrevista Nota 10 desta semana, ela fala sobre a vida de atleta de alta performance, suas motivações, a conquista da Meia Maratona na 1ª Maratona Internacional de Fortaleza e a sua relação com a Unifor.

Confira a entrevista na íntegra a seguir.

Entrevista Nota 10  — Pedrina, qual é a lembrança exata do momento em que a corrida deixou de ser só um esporte e você decidiu: “é disso que eu vou viver”? Quais foram suas motivações para se dedicar à vida de atleta de alto rendimento?

Pedrina Silva — Eu já conheci a corrida da pior forma, que foi quando meu pai faleceu. Quando corri a minha primeira corrida, onde ganhei um dinheiro, botei na cabeça que iria treinar para ver até onde eu iria chegar. Foi aí, então, que me dei conta que eu tinha jeito para a corrida e vi também que eu poderia viver dela. Meu motivo para começar a vida de atleta de alto rendimento foi minha mãe e meus irmãos — meus “tudo”, que me dão forças para eu estar onde estou hoje.

Entrevista Nota 10  — Na 1ª Maratona Internacional de Fortaleza, que aconteceu no aniversário de 300 anos da cidade, você foi a campeã da Meia Maratona (21km). Como foi participar desse momento histórico enquanto também fazia história em uma data tão simbólica?

Pedrina Silva — Para mim, foi um momento único e espetacular correr os 21km no aniversário de Fortaleza e me tornar campeã. Meu sentimento ao cruzar a linha de chegada foi só de gratidão por tudo que Deus vem fazendo em minha vida. Sem contar que esse dia foi maravilhoso e, ao mesmo tempo, triste: nesse dia, meu tio completou um mês que havia falecido. Foi dedicada a ele a minha vitória.

Entrevista Nota 10  — Para quem assiste de fora, correr parece só uma questão física, mas sabemos que tem muita tática. Nas maratonas, qual é o quilômetro mais complicado para você e qual é o seu “truque” para enganar o cansaço e seguir adiante?

Pedrina Silva — Para falar a verdade, exige muita tática e cabeça. Na meia maratona, os quilômetros mais complicados são a partir dos 10km, porque é onde a prova apenas está começando. Se você não souber usar estratégia direitinho, você quebra o ritmo e começa a cair. Meu truque para enganar o cansaço é não ficar toda hora olhando em quantos quilômetros já estou e ficar pensando que, em cada passada que estou dando, meu pai e meu tio — que moram no céu — estão comigo, lado a lado, até eu cruzar a linha de chegada, me dando força.

Entrevista Nota 10  — Se colocarmos a Pedrina “antes” e a Pedrina “depois” de integrar a equipe da Unifor lado a lado, qual é o detalhe do seu dia a dia que mais escancara a diferença que um suporte profissional como o da Fundação Edson Queiroz faz nos seus desempenhos de prova? Como essa oportunidade de investimento na carreira esportiva transformou sua vida?

Pedrina Silva — A Pedrina de antes para a de hoje cresceu em tudo, [inclusive] como pessoa. Como também cursar Educação Física, que era um sonho, e hoje, graças a Unifor e a minha treinadora Sônia Ficagna — que me descobriu na corrida e fez minha vida mudar pra melhor —, [estou realizando]. Com o suporte da Unifor em minha carreira de atleta, só alcancei voos que nunca pensei que um dia eu iria conseguir estar ali, naquele lugar onde eu só via pela TV.

Hoje, com o investimento na minha carreira esportiva, posso ajudar minha família no financeiro e ter minhas próprias coisas como sempre sonhei em ter, graças a Deus. Porque, primeiramente, toda honra e toda glória são dadas a Ele por ter me dado esse dom de correr e feito de mim essa pessoa que sou hoje, de um coração gigante.

Entrevista Nota 10  — Muitos atletas sentem o corpo na prática, mas você também estuda ele na graduação em Educação Física da Unifor. Conta um momento em que você estava na pista, sentiu algo no treino ou na competição e lembrou de algo que aprendeu em aula que poderia aplicar na hora? Como esse conhecimento te ajuda no dia a dia de atleta?

Pedrina Silva — Um exemplo clássico acontece em treinos intensos de corrida, principalmente em tiros ou ritmos mais fortes. Já tive momentos na pista em que comecei a sentir aquela queimação nas pernas e a respiração mais ofegante — e na hora vem na cabeça o que aprendi sobre o metabolismo anaeróbico. Em vez de me desesperar achando que “quebrei”, eu entendo que é um processo normal do corpo produzindo energia sem oxigênio suficiente, acumulando lactato.

Isso muda completamente minha reação: ao invés de parar ou perder o controle, ajusto o ritmo, controlo a respiração e tento manter a técnica, porque sei que o corpo ainda aguenta por um tempo naquele estado.

Entrevista Nota 10  — A energia mental utilizada no estudo para as provas da graduação é diferente do investimento físico em um treino de atletismo. Como você sobrevive a essa dupla jornada? Quais dicas você daria para outros atletas que buscam balancear a rotina de treinos com a rotina de estudos?

Pedrina Silva — O estudo exige foco contínuo e atenção mental. Se você não organiza isso, um começa a atrapalhar o outro. [É preciso] organização porque não dá para viver improvisando. Eu separo dias mais pesados de treino com tarefas mais leves de estudo e deixo conteúdos mais difíceis para dias em que o corpo está menos desgastado. Isso evita aquele cansaço acumulado que derruba tudo. Tem momentos em que o foco é mais treino (perto de competição) e outros em que dá para puxar mais nos estudos (semana de prova). Entender esse ciclo ajuda a não se cobrar 100% em tudo ao mesmo tempo.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Encontro debateu caminhos para o fortalecimento de políticas públicas mais justas, inclusivas e sustentáveis na capital (Foto: Kiko Silva)

Unifor contribui com construção de propostas para a Agenda 2030 em Fortaleza

A palestra abordará como a formação acadêmica pode abrir portas para a atuação global - Foto: Getty Images

Unifor debate sobre carreiras e oportunidades no mercado global durante a Semana da Internacionalização 2026