Orgulho Unifor: Marcos Bandeira e o olhar artístico que redesenha a cidade

seg, 4 maio 2026 19:50

Orgulho Unifor: Marcos Bandeira e o olhar artístico que redesenha a cidade

O arquiteto e ilustrador Marcos Bandeira, docente do curso de Arquitetura e Urbanismo, transforma vivências urbanas em arte e inspira novas formas de perceber Fortaleza


Em seus desenhos, Marcos revela uma Fortaleza mais artística e simbólica, ressignificando os espaços urbanos a partir de um olhar sensível (Foto: Arquivo pessoal)
Em seus desenhos, Marcos revela uma Fortaleza mais artística e simbólica, ressignificando os espaços urbanos a partir de um olhar sensível (Foto: Arquivo pessoal)

Fortaleza chega aos 300 anos como uma cidade em constante transformação, com suas paisagens urbanas e formas diferentes de ser vista e vivida. Para além das mudanças físicas, há quem se dedique a reinterpretar seus espaços por meio da arte. É o caso do professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Fortaleza — instituição mantida pela Fundação Edson Queiroz —, Marcos Bandeira de Oliveira, cuja trajetória une desenho, sensibilidade e vivência urbana.

Ao longo de sua história, a capital cearense se reinventou entre contrastes, memórias e novos usos dos espaços, revelando diferentes camadas de identidade. Nesse cenário, a arte surge como uma linguagem capaz de reinterpretar a cidade, ampliando os sentidos do cotidiano e revelando detalhes muitas vezes invisíveis à pressa do dia a dia. É nesse contexto que o trabalho do arquiteto e ilustrador ganha destaque. 

A cidade como experiência sensível

Para Marcos Bandeira, membro associado da Academia Cearense de Artes, a arte é uma ferramenta essencial para reinterpretar os espaços urbanos e estimular novas percepções. Ele defende que diferentes manifestações artísticas têm o poder de transformar a forma como as pessoas se apropriam da cidade.


“As manifestações artísticas, nos seus mais diversos tipos, podem ser instrumentos valiosíssimos para que a gente ressignifique e se aproprie dos espaços urbanos, valorizando esses locais.”Marcos Bandeira, ilustrador, docente e assessor da coordenação do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unifor

O professor cita exemplos que vão das apresentações de maracatu às intervenções de artistas de rua, passando pela poesia, música e artes visuais. Em sua atuação, destaca especialmente o Urban Sketchers Fortaleza, que ocupa espaços públicos para desenhar a cidade in loco, promovendo uma interação direta com o ambiente urbano.

Esse olhar não é só pela peça gráfica em si, mas por estar na rua, sentir o espaço, perceber a cidade de outra forma e traduzir isso em arte”, analisa Marcos, que é fundador e coordenador do grupo. Essa vivência, segundo ele, envolve todos os sentidos, som, cheiro, luz à movimentação e contribui para uma compreensão mais profunda do espaço urbano.

Entre o desenho e a arquitetura: da sala de aula para a cidade

A relação de Marcos com a arte começou ainda na infância e foi determinante para sua escolha profissional. O desenho, segundo ele, foi o ponto de partida para a construção de sua trajetória na arquitetura e no urbanismo. “Eu posso dizer, com muita segurança, que toda a minha formação enquanto profissão foi a partir do desenho”, revela.

Desde cedo interessado por paisagens e edificações, ele transformou esse interesse em carreira. Com quase 25 anos de atuação na Unifor, o professor mantém o desenho presente tanto na sala de aula quanto em sua produção artística, transitando entre o técnico e o expressivo.

Essa integração entre arte e arquitetura também se reflete na forma como observa a cidade. Para ele, o olhar artístico amplia a capacidade de análise e interpretação dos espaços urbanos, indo além do aspecto técnico. “Quando a gente olha com mais atenção e sensibilidade, a assimilação da cidade se torna mais natural e mais forte”, ressalta Marcos.


Ilustração do Cais do Porto, por Marcos Bandeira

No curso de Arquitetura e Urbanismo da Unifor, essa perspectiva é incorporada à formação dos estudantes. O docente destaca que o contato direto com a cidade é fundamental para o desenvolvimento profissional: “Para que essa formação aconteça, é fundamental que os nossos alunos conheçam a cidade”.

Visitas técnicas, aulas de campo e viagens acadêmicas fazem parte da rotina dos estudantes, que são incentivados a explorar diferentes contextos urbanos, de Fortaleza a outras cidades históricas do Brasil.

Além disso, práticas como o desenho de observação ajudam a desenvolver um olhar mais atento e sensível. Segundo o professor, a reação dos alunos costuma ser marcada por descobertas. “Muitos dizem: ‘eu não percebia isso antes, agora estou percebendo’. É uma grata surpresa conhecer lugares que estavam fora do circuito cotidiano”, relata. Essa experiência, para ele, amplia o repertório dos futuros arquitetos e fortalece a conexão entre teoria e prática.

Memória, transformação e pertencimento

Embora não seja natural de Fortaleza, Marcos Bandeira construiu uma relação profunda com a cidade ao longo de décadas. Suas memórias pessoais se entrelaçam com as transformações urbanas que testemunhou, especialmente no centro histórico. “O Centro sempre me traz uma grande alegria. Mesmo conhecendo bem, sempre observo algo novo que desperta vontade de criar”, relembra. 

Ao mesmo tempo em que reconhece avanços no desenvolvimento urbano, ele também aponta desafios, como a priorização dos automóveis e o abandono de espaços públicos. “Infelizmente, a cidade não é convidativa para caminhar com segurança. A prioridade ainda é o automóvel”, alerta o professor e morador de Fortaleza. 

Essas contradições também aparecem em sua produção artística, que busca tanto valorizar a beleza quanto chamar atenção para questões urbanas, como o abandono de edifícios históricos. “Às vezes, uma ruína desperta tristeza, mas também a vontade de registrar e chamar atenção para aquele abandono”, compartilha o ilustrador.

A Unifor celebra os 300 anos de Fortaleza

No contexto dos 300 anos da capital cearense, a atuação da Unifor se destaca como promotora de cultura e reflexão. Para Marcos, a Universidade desempenha um papel fundamental na construção de novas narrativas sobre a cidade: “A Unifor tem uma importância ímpar na formação de Fortaleza. Esse incentivo às artes é algo que não dá nem para dimensionar”. 

Ele ressalta que iniciativas como exposições e eventos culturais ampliam o repertório da comunidade acadêmica e estimulam novos olhares. “É uma forma de trazer novas visões do mundo através do olhar do artista, despertando curiosidades e novas formas de enxergar a cidade”, pondera.

Em celebração aos 300 anos de Fortaleza, a Unifor realiza a mostra fotográfica “Fortaleza 300 anos – Unifor: a Cidade que Forma a Cidade”, reunindo imagens que destacam a relação histórica e afetiva entre a instituição e a capital cearense. Promovida pela Vice-Reitoria de Extensão e Comunidade Universitária (Virex), por meio da Divisão de Arte e Cultura, a exposição homenageia a chamada “Cidade Luz do Nordeste”.


Obra símbolo da exposição “Fortaleza 300 anos – Unifor: a Cidade que Forma a Cidade” (Foto: Ares Soares)

Ao integrar arte, ensino e vivência urbana, a Universidade de Fortaleza contribui não apenas para a formação profissional, mas também para o desenvolvimento de uma consciência mais crítica, sensível e artística sobre o espaço urbano, especialmente a capital cearense.

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O curso de Arquitetura e Urbanismo da Unifor é para quem deseja uma formação de excelência em Fortaleza, o curso prepara profissionais para criar, planejar e transformar espaços arquitetônicos, urbanos e paisagísticos. Com uma formação ética e crítica, o aluno é capacitado para atuar em áreas como planejamento urbano, interiores, paisagismo e patrimônio histórico, tornando-se um agente de transformação da cidade.

 


Esta notícia está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), contribuindo para o alcance do ODS 4 – Educação de Qualidade. A Universidade de Fortaleza, assim, assegura a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, promovendo oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos.

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