Unifor se destaca em publicação internacional sobre inovação que integra arte, ciência e tecnologia

qui, 7 maio 2026 16:16

Unifor se destaca em publicação internacional sobre inovação que integra arte, ciência e tecnologia

A Universidade integra seleto grupo de instituições brasileiras no livro do programa S+T+ARTS, iniciativa da Comissão Europeia


Hygor P. M. Melo, pesquisador do Núcleo de Ciência de Dados e Inteligência Artificial (NCDIA); e Lara Furtado, professora do Mestrado Profissional em Ciências da Cidade. Foto: Ares Soares
Hygor P. M. Melo, pesquisador do Núcleo de Ciência de Dados e Inteligência Artificial (NCDIA); e Lara Furtado, professora do Mestrado Profissional em Ciências da Cidade. Foto: Ares Soares

Com um rico ecossistema que une naturalmente arte e inovação, a Universidade de Fortaleza (Unifor), instituição mantida pela Fundação Edson Queiroz, integra o seleto grupo de instituições brasileiras destacadas no livro Science+Technology+Arts: Lessons Learned from a Decade of European Transdisciplinary Innovation, edição 2026.

A publicação nasce de uma iniciativa da Comissão Europeia que promove a colaboração entre arte, ciência e tecnologia, partindo da premissa de que, quando essas três áreas se encontram, impulsionam o surgimento de soluções mais humanas, éticas e inovadoras. Nesta edição, o #OrgulhoUnifor evidencia o protagonismo da Universidade de Fortaleza, que se posiciona na vanguarda nacional com uma participação relevante nesse cenário.

Hygor P. M. Melo, pesquisador do Núcleo de Ciência de Dados e Inteligência Artificial (NCDIA) e docente da Unifor, explica que tudo começou a partir de um edital anual voltado à seleção de empresas, laboratórios e centros de pesquisa, responsáveis por acolher artistas em residências dentro do ecossistema do projeto. Inicialmente restrita à União Europeia, a iniciativa passou a expandir suas fronteiras mais recentemente. 

“No último ano, quem ganhou foi um consórcio com o tema S+T+ARTS Buen-TEK, com a ideia de trabalhar com a América do Sul. Esse consórcio reúne cerca de dez centros, entre laboratórios e estúdios de arte. Cada parceiro europeu buscava uma instituição na América do Sul, e foi nesse contexto que a Unifor se tornou parceira da Sony CSL Itália”, explica.

Mapa divulgado no livro Science+Technology+Arts: Lessons Learned from a Decade of European Transdisciplinary Innovation, que mostra as instituições envolvidas no Brasil. Foto: divulgação.

O resultado dessa parceria foi a recepção de dois artistas, o equatoriano Anthony Tandazo e a brasileira Mari Nagem, que desenvolveram residências artísticas na Universidade. A seleção ocorreu por meio de um edital aberto para a América do Sul, com participação da Vice-Reitoria de Pesquisa (VRP) e da Vice-Reitoria de Extensão e Comunidade Universitária (Virex), em colaboração com o programa S+T+ARTS.

Os artistas exemplificam como a convergência entre arte, ciência e tecnologia pode gerar práticas inovadoras e profundamente conectadas ao contexto contemporâneo. Em seus processos criativos, o domínio de ferramentas digitais e o uso de dados se entrelaçam a investigações sensíveis sobre território, cultura e meio ambiente. Tandazo transformou dados urbanos em experiências audiovisuais interativas, aproximando o público dos ritmos e dinâmicas da cidade, enquanto Nagem articulou inteligência artificial, mapeamento e saberes comunitários para refletir sobre o direito à sombra, justiça climática e qualidade de vida nas cidades. Essas práticas interdisciplinares ajudam a ampliar o debate sobre a cidade contemporânea, conectando inovação tecnológica e reflexão sobre questões urbanas.

Para Lara Furtado, professora do Mestrado Profissional em Ciências da Cidade, essa discussão sobre sombreamento ganha centralidade em um contexto de mudanças climáticas e aumento das temperaturas nas cidades. “As árvores cumprem um papel fundamental na adaptação climática urbana, porque ajudam a reduzir a sensação térmica, qualificam os espaços públicos e tornam a cidade mais habitável, especialmente para as populações mais expostas ao calor”, afirma. 

Protagonismo

Durante esse período, os artistas residentes trabalharam com estudantes de graduação, mestrado e doutorado dos cursos de Arquitetura e Urbanismo e da pós-graduação em Informática Aplicada, fortalecendo o intercâmbio entre diferentes áreas do conhecimento. A experiência também ultrapassou os limites do campus, com a apresentação dos resultados em eventos internacionais, na Holanda e na Itália.

Anthony Tandazo e Mari Nagem apresentaram sobre a experiência da residência artística na Unifor em Veneza, na Itália. Fotos: Reyna Agostinelli 

Como desdobramento desse ciclo, foi produzido o livro que reúne os principais resultados e aprendizados da iniciativa ao longo da última década. Nele, a Universidade de Fortaleza aparece ao lado de instituições brasileiras como o Instituto de Oceanografia da Universidade de São Paulo, a Pivô, associação cultural sem fins lucrativos; e o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.

Foto: Ares Soares

A participação da Unifor consolidou sua atuação em redes internacionais de inovação e reforçou o compromisso com práticas transdisciplinares.“Essa foi a primeira iniciativa do laboratório nesse tipo de residência artística, mas não será a última. Já há esforços para estender a colaboração na produção científica, tanto com o laboratório da Sony quanto com os artistas. A colaboração não se encerra com a residência, pois tende a continuar e a expandir a rede de parcerias”, destaca Hygor P. M. Melo.

Ao refletir sobre o impacto da iniciativa, o pesquisador também apontou a importância de uma formação ampla e interdisciplinar, especialmente para aqueles que desejam atuar no campo da inovação.

“Como conselho para estudantes interessados em inovação: é importante ter interesse por tudo. O conhecimento está em todas as áreas, e ideias inovadoras surgem quando há contato com diferentes campos. Não basta dominar apenas uma área; é necessário ter uma visão ampla do mundo, conhecer arte, literatura, cinema, outras culturas e línguas”. 

Segundo Vasco Furtado, coordenador do NCDIA, o projeto também fortalece o papel institucional da Unifor como agente produtor de conhecimento aplicado a temas de interesse público.

Foto: Ares Soares

“Essa iniciativa solidifica a atuação da Universidade em pesquisas conectadas às demandas da sociedade e do poder público, consolidando parcerias e gerando dados capazes de apoiar processos de tomada de decisão”, Vasco Furtado, coordenador do NCDIA.

 


Esta matéria está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas, contribuindo para o alcance dos ODS 4 – Educação de Qualidade, 9 – Indústria, Inovação e Infraestrutura, 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis e 17 – Parcerias e Meios de Implementação.

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