Pesquisa Unifor: estudo cria placa de sensores multiuso para prática tecnológica em sala de aula

seg, 2 fevereiro 2026 16:48

Pesquisa Unifor: estudo cria placa de sensores multiuso para prática tecnológica em sala de aula

Desenvolvida no Laboratório de Pesquisa e Inovação em Cidades (Lapin), a IoT Board funciona como uma forma de prototipação mais rápida para diferentes equipamentos


O dispositivo oferece a possibilidade de coletar dados em ambientes hostis ou em áreas muito grandes, além de lidar com uma grande quantidade de dados de forma mais fácil e mais segura (Ilustração: Getty Images)
O dispositivo oferece a possibilidade de coletar dados em ambientes hostis ou em áreas muito grandes, além de lidar com uma grande quantidade de dados de forma mais fácil e mais segura (Ilustração: Getty Images)

As placas de sensores são componentes eletrônicos projetados para detectar estímulos físicos ou ambientais (temperatura, luz, movimento, pressão, corrente elétrica) e convertê-los em sinais elétricos. Elas são utilizadas na automação e no monitoramento de sistemas eletrônicos de diferentes dispositivos, realizando ações como ligar uma luz, disparar um alarme ou abrir travas, por exemplo.

Ligada à criação de um equipamento de sensoriamento de lixo, a pesquisa IoT Board, desenvolvida no Laboratório de Pesquisa e Inovação em Cidades (Lapin) da Universidade de Fortaleza — vinculada a Fundação Edson Queiroz —, consiste em construir uma placa dessas, com funcionamento multiuso. Capaz de ter diversas interconectividades com vários sensores diferentes, ela pode ser utilizada para mais de um objetivo. 

O IoT Board funciona como uma forma de prototipação para equipamentos. O Lapin recebe demandas de outros laboratórios, empresas, pesquisadores ou mesmo de empreendimentos que estão sediados no Parque Tecnológico (TEC Unifor) para a criação desses pequenos dispositivos sensores ou atuadores. Com a placa, existe uma forma de, rapidamente, prototipar um equipamento que já pode ir a campo.


O IoT Board em uso para desenvolvimento de jogos eletrônicos (Foto: Arquivo pessoal)

IoT Board: uma placa micro controladora 

O professor Daniel Chagas, coordenador do Lapin, explica que a IoT Board é uma placa desenvolvida para ser um intermediador entre diferentes sensores e os mais comuns, funcionando como uma placa micro controladora, chamada “S32 ESP-32”, que possui conectividade à rede wi-fi e ao Bluetooth. Essa placa micro, diz ele, foi criada para que pudesse ser facilmente adaptada por professores, pesquisadores e mesmo alunos, conectando-se a vários sensores. 

O docente diz que os sensores são os mais simples, contando com botões, pequenos displays numéricos, diferentes formas de expor os dados e diferentes displays de vários tamanhos distintos, além de também possuir sensores mais avançados, como:

  • sensor de distância,
  • sensor de umidade,
  • sensor de temperatura,
  • sensor de diferentes gases,
  • sensores giroscópicos,
  • sensores magnéticos,
  • GPS.

“As placas já estão sendo utilizadas por alunos da disciplina de Experimentação Orientada, onde eles têm contato com o desenvolvimento de artefatos [tecnológicos]. Então, às vezes é um pequeno robô, um controle remoto, um sensor. E a disciplina tem como avaliação a criação de um dispositivo”, relata Daniel, que é docente do Centro de Ciências Tecnológicas (CCT) da Unifor.

Ele ainda ressalta que já teve alunos que criaram dispositivos de verificação de temperatura, de coolers para resfriamento de equipamento ou de verificação de dispensas de ração para animais. Esses são alguns exemplos do que os estudantes trabalham no dia a dia em sala de aula.


“Uma placa com IoT Board permite a utilização de diferentes controladores com diferentes conectividades e sensores, rapidamente conseguindo ter um protótipo funcional para fazer uma prova de conceito daquela ideia que [o aluno] está tentando avaliar. Essa placa já tem três semestres que está sendo utilizada, com bons resultados, dada a versatilidade”Daniel Chagas, professor da Unifor e coordenador do Laboratório de Pesquisa e Inovação em Cidades (Lapin)

Aplicação do IoT Board

Nicole Takeda, aluna do curso de Engenharia da Computação da Unifor, conta que a importância da placa está em automatizar a coleta e comunicação de dados entre placas, possibilitando as análises de grandes áreas por dispositivos não comumente conectados à internet. Segundo ela, a IoT oferece a possibilidade de coletar dados em ambientes hostis ou em áreas muito grandes, além de lidar com uma grande quantidade de dados de forma mais fácil e mais segura.

Durante a disciplina de Experimentação Orientada, a estudante desenvolveu um controle, em conjunto com outros estagiários, utilizando o IoT Board, com inspiração em controles de arcade, um ESP-32 (um microcontrolador) e um shield feito pelo próprio Lapin. Para passar os dados do controle por decabot, foi utilizado um protocolo de comunicação próprio dos ESPs chamado “ESP NOW”, que usa wi-fi para “conversar” com outras placas ESPs.

De acordo com Nicole, participar do estudo e desenvolver trabalhos através dele lhe ajudou a aprender a criar novos projetos, vendo o que funciona e o que não funciona na vida real e aprendendo a lidar com limitações físicas.

Resultados e estrutura

Daniel diz que os resultados da pesquisa, que teve o apoio da Unifor pelos recursos do edital de apoio à pesquisa da Vice-Reitoria de Pesquisa (VRP), são os de permitir que os alunos, mesmo nos primeiros semestres, tenham contato com o desenvolvimento de artefatos. Ele acredita que, quando o discente põe a mão na massa ainda no início da graduação, ele cria um engajamento positivo perante o curso.

“As disciplinas de experimentação instituídas no CCT fazem com que os alunos ganhem uma força para se manter no curso, sem desistir dele. As disciplinas de experimentação ocorrem nos primeiros anos dos cursos tecnológicos, e nós temos ganhos principalmente na diminuição da evasão estudantil”, comenta o coordenador do Lapin.


IoT Board em uso para desenvolvimento de um armário inteligente (Foto: Arquivo pessoal)

O professor explica que, quando essas disciplinas de experimentação são disponibilizadas, o aluno tem acesso à prática logo nos primeiros semestres, produzindo artefatos com apoio didático, como a placa IoT Board. Este apoio permite que o estudante consiga fazer os projetos com menos ruído e atrito, finalizando o semestre letivo com um produto finalizado e completo por si. 

 


Esta notícia está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), contribuindo para o alcance do ODS 4 – Educação de Qualidade e do ODS 9 – Indústria, Inovação e Infraestrutura.

A Universidade de Fortaleza, assim, reafirma seu compromisso com a promoção de uma educação inclusiva, equitativa e de qualidade, ao ampliar o acesso à formação acadêmica e profissional voltada às demandas do setor energético (ODS 4). Ao mesmo tempo, contribui para o fortalecimento da inovação, da pesquisa e do desenvolvimento de competências essenciais para a modernização da indústria e da infraestrutura, incentivando soluções sustentáveis e tecnológicas (ODS 9).