Transformação no SUS: estudantes da Unifor desenvolvem tecnologia para qualificar a saúde pública

ter, 23 junho 2026 09:44

Transformação no SUS: estudantes da Unifor desenvolvem tecnologia para qualificar a saúde pública

O Painel Eletrônico de Chamadas desenvolvido por integrantes do PET-Saúde digital Unifor foi criado para otimizar o fluxo de pacientes  


O projeto se caracteriza como um catalisador de transformação ao integrar tecnologia e inovação aos serviços do SUS, promovendo soluções práticas para desafios reais. (Foto: Getty Images)
O projeto se caracteriza como um catalisador de transformação ao integrar tecnologia e inovação aos serviços do SUS, promovendo soluções práticas para desafios reais. (Foto: Getty Images)

O atendimento em uma emergência exige agilidade, organização e uma comunicação eficiente. Com o objetivo de aprimorar a experiência de pacientes e profissionais, integrantes do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde), em parceria com a Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (Sesa) e o Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto, desenvolveu um projeto intitulado Painel Eletrônico de Chamadas para a emergência da Unidade. 

A necessidade de criação do recurso surgiu durante as atividades do PET-Saúde Digital. Durante essas visitas, alunos das áreas de tecnologia e saúde analisaram diversos setores do Hospital de Saúde Mental com o objetivo de identificar desafios que pudessem ser solucionados por meio de ferramentas tecnológicas. 

Atualmente em fase de implantação, a ferramenta irá exibir o nome do paciente e indicar a sala ou consultório para o qual ele deve se dirigir, além de auxiliar os profissionais no acompanhamento da posição na fila, da classificação de risco e do tempo de espera. 

O processo de desenvolvimento da ferramenta contou com reuniões com gestores e profissionais do hospital e observações diretas do fluxo da emergência. Esse trabalho buscou compreender não apenas as demandas operacionais do serviço, mas também a experiência dos pacientes e acompanhantes durante o atendimento.


O PET-Saúde digital reúne estudantes das áreas de tecnologia e saúde reafirmando sua abordagem interdisciplinar. (Foto:Arquivo Pessoal)

Esses processos permitiram identificar dificuldades relacionadas à comunicação sobre a ordem de chamada e ao tempo de espera dos pacientes. A partir desse diagnóstico, a direção e o centro de estudo do hospital apontaram o Painel de Chamadas como uma solução prioritária e viável. 

Após o mapeamento das necessidades e das possibilidades de melhoria, a proposta foi apresentada à Secretaria da Sesa, que reconheceu o potencial da ideia e apoiou a continuidade da iniciativa, viabilizando o desenvolvimento do projeto.

Enquanto o sistema passa pelos ajustes finais e treinamento das equipes, os primeiros acompanhamentos realizados pelos monitores do PET-Saúde Digital, Maria Lucia Jorge, aluna de Enfermagem, e Plínio Gomes de Oliveira, estudante de Ciência da Computação, ambos discentes da Universidade de Fortaleza, instituição mantida pela Fundação Edson Queiroz, apontaram benefícios como:

  • organização do fluxo de chamadas;
  • melhor comunicação com pacientes e acompanhantes;
  • fácil adesão pelos profissionais.

O que é o PET-Saúde: informação e saúde digital 

O Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde: Informação e Saúde Digital (PET-Saúde/I&SD), vinculado ao Ministério da Saúde e ao Ministério da Educação,  busca aprimorar as tecnologias digitais no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS).

 O PET-Saúde reúne estudantes da graduação, profissionais do serviço de saúde e docentes das áreas da Saúde e Tecnologia.

A iniciativa tem como objetivo capacitar estudantes e profissionais para o uso ético, estratégico e inovador das tecnologias digitais na saúde pública. O programa desenvolve ações voltadas à criação de aplicativos, sistemas de informação e outras ferramentas tecnológicas capazes de contribuir para a eficiência dos serviços oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), além de estimular a proteção de dados sensíveis no ambiente da saúde.

Um dos principais diferenciais do PET-Saúde Informação e Saúde Digital é sua abordagem interdisciplinar, que reúne estudantes de diversos cursos, como:

Essa integração favorece a construção de soluções inovadoras para os desafios da saúde pública.

Para a coordenadora do PET-Saúde Unifor, Silvia Capistrano, o programa vai além do desenvolvimento de ferramentas tecnológicas. A iniciativa contribui para a qualificação dos serviços de saúde e para a formação dos futuros profissionais. 

Segundo a docente, projetos como esse funcionam como catalisadores de transformação ao integrar tecnologia e inovação aos serviços do SUS, promovendo soluções práticas para desafios reais da saúde pública.

A professora também destaca que a participação dos estudantes em iniciativas desse tipo proporcionam experiências que ultrapassam os limites da sala de aula. Ao atuar em contextos reais, os alunos desenvolvem uma visão interprofissional, aprendem a solucionar problemas complexos, trabalham em equipe e compreendem o impacto social da saúde digital. 


“Essa combinação de teoria e prática proporciona uma formação mais completa e alinhada às demandas do mundo real.” — Silvia Capistrano, professora do curso de fonoaudiologia da Unifor. 

Alunos destacam aprendizado e impacto social do projeto 

Além dos resultados obtidos para o hospital, a participação no projeto também tem contribuído para a formação dos estudantes envolvidos. Para a bolsista Amanda Fonseca Rodrigues, aluna do curso de Ciência da Computação da Unifor, a experiência proporcionou contato direto com desafios reais da saúde pública e mostrou como a tecnologia pode gerar impacto na rotina dos serviços de atendimento.


“O que mais me impressionou foi ver o código sair da teoria e fazer diferença de verdade. Saber que o sistema atende a uma necessidade real do hospital e já está auxiliando a equipe é muito gratificante.” — Amanda Fonseca Rodrigues, bolsista do PET-Saúde e estudante de Ciência da Computação da Unifor.

Quem também vivenciou de perto os impactos da iniciativa foi José Anderson Cordeiro, discente de Psicologia e monitor do PET-Saúde Digital. Integrante do projeto desde o segundo semestre de 2025, ele participou do mapeamento das necessidades dos setores do Hospital de Saúde Mental e colaborou no desenvolvimento de soluções tecnológicas voltadas para a qualificação do atendimento.

Para o estudante, a experiência reforçou a importância de aliar inovação e cuidado humanizado.


“O projeto mostrou que a tecnologia pode qualificar o atendimento em saúde quando é desenvolvida a partir das necessidades reais dos pacientes e dos profissionais. Além disso, a vivência ampliou minha compreensão sobre o trabalho multiprofissional e fortaleceu minha formação.” — José Anderson Cordeiro, estudante de Psicologia e monitor do Pet-Saúde Digital. 

 


Esta notícia está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, contribuindo diretamente para o alcance do ODS 3 - Saúde e Bem-Estar, ao otimizar o tempo de resposta em atendimentos críticos, e do ODS 9 - Indústria, Inovação e Infraestrutura, por meio do desenvolvimento de tecnologias que modernizaram a infraestrutura dos serviços públicos de saúde.

A Universidade de Fortaleza reafirma, assim, seu compromisso com a inovação e a saúde pública ao transformar o conhecimento acadêmico em soluções tecnológicas que salvam vidas e humanizam o atendimento à população.


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