O que causa mau hálito? Confira dicas para prevenir o problema e melhorar a saúde bucal
Caso envolvendo o dançarino Juliano Floss no BBB 26 abre espaço para entender as causas da halitose e quais hábitos podem ajudar na prevenção
A discussão entre Samira Sagr e Juliano Floss no reality show Big Brother Brasil (BBB 26), em que o dançarino foi acusado de estar com mau hálito, ultrapassou o entretenimento e levou um tema ainda cercado de constrangimento para o debate público. O episódio, que rapidamente repercutiu nas redes sociais, abriu espaço para falar sobre halitose, um problema comum e que, na maioria das vezes, está relacionado à saúde bucal e aos hábitos diários de higiene.
Apesar de muitas pessoas associarem o mau hálito a problemas no estômago, a principal origem está na boca. Segundo o periodontista Danilo Lopes, docente do curso de Odontologia da Universidade de Fortaleza — instituição mantida pela Fundação Edson Queiroz —, a redução do fluxo salivar é um dos fatores mais relevantes para o desenvolvimento do problema.
“A hipossalivação é a principal causa, no fundo, da halitose”, explica. A pouca produção de saliva favorece o acúmulo de resíduos e a formação da saburra lingual, uma camada esbranquiçada que se deposita sobre a língua e concentra bactérias responsáveis pelo odor desagradável.
O docente destaca ainda que a saliva exerce papel essencial na limpeza natural da cavidade oral. “A saliva é um dos líquidos mais importantes que nós temos”, afirma. Quando sua produção diminui, seja por baixa ingestão de água, longos períodos em jejum, uso de determinados medicamentos ou até estresse, a boca fica mais propensa ao acúmulo bacteriano.
A boca concentra a maior parte das causas do mau hálito
Segundo Danilo Lopes, cerca de 90% dos casos de halitose têm origem na cavidade bucal. Além da saburra lingual, a gengivite, a periodontite e o acúmulo de cálculo dentário — o popular tártaro — aparecem entre as causas mais recorrentes. A higiene inadequada, especialmente a falta de limpeza da língua, está entre os principais fatores.
“O hábito indispensável é a escovação com utilização de pasta [de dentes], com utilização de fio dental e, principalmente, a escovação da língua”, orienta. A fala do professor reforça um ponto muitas vezes negligenciado na rotina de cuidados: não basta escovar apenas os dentes. A língua, por concentrar bactérias e restos alimentares, precisa ser higienizada diariamente.
A
escovação adequada da língua é essencial para evitar o mau
hálito (Foto: Getty Images)
Outro aspecto importante destacado pelo especialista é que muitas pessoas não percebem que estão com halitose. “O sinal de alerta não é dado por você. Ninguém sente a halitose, quem sente é a outra pessoa”, explica. Isso faz com que o diagnóstico profissional seja ainda mais relevante, já que a percepção individual pode falhar.
Além das causas diretamente ligadas à boca, o professor explica que alguns casos de halitose podem ter origem em regiões mais profundas da garganta, especialmente na orofaringe. Inflamações como laringite e faringite, por exemplo, favorecem o acúmulo de secreções e bactérias, o que pode intensificar o odor desagradável.
Outro fator são os cáseos amigdalianos, pequenas massas esbranquiçadas formadas por restos de alimentos, células e microorganismos que ficam retidos nas amígdalas e liberam cheiro forte. Em situações ainda mais raras, o mau hálito pode ser um reflexo de doenças sistêmicas, como diabetes descompensada, gastrite, alterações intestinais ou problemas hepáticos, o que reforça a importância de uma avaliação profissional quando a questão persiste mesmo com boa higiene bucal.
Alimentação, hidratação e rotina influenciam no hálito
Os hábitos alimentares também podem intensificar o problema. Alimentos muito condimentados, períodos prolongados sem se alimentar e a baixa ingestão de água estão entre os fatores que contribuem para a diminuição do fluxo salivar.
“Com pouca ingestão de água, diminui a formação de saliva”, alerta o professor. Por isso, manter uma boa hidratação ao longo do dia é uma das principais recomendações para prevenir o problema. A orientação é consumir, em média, dois litros de água por dia, quantidade que ajuda a manter a boca úmida e favorece a limpeza natural promovida pela saliva.
A escolha dos alimentos também pode colaborar. O professor destaca que alguns itens auxiliam na remoção mecânica da placa bacteriana. “É importante procurar alimentos também que sejam mais sólidos e consigam remover placa, como uma maçã”, afirma. Frutas ricas em água, como melancia, também aparecem como aliadas por contribuírem para a hidratação.
A combinação entre boa alimentação, ingestão adequada de água e higiene correta forma a base da prevenção. Em muitos casos, pequenas mudanças na rotina já são suficientes para melhorar significativamente o hálito.
Quando o problema persiste, é hora de buscar ajuda
Se, mesmo com cuidados diários, o mau hálito persistir, a recomendação é procurar avaliação odontológica. O professor explica que a consulta permite investigar não apenas a higiene, mas também possíveis alterações no fluxo salivar, hábitos alimentares e até causas sistêmicas.
“Tem que ir ao dentista,
principalmente para fazer esse teste de fluxo salivar e fazer um
rastreamento de hábitos alimentares e de higiene. O dentista
também vai verificar se existe alguma causa sistêmica.” —
Danilo Lopes, periodontista e docente do curso de
Odontologia da Unifor
O cirurgião-dentista também pode verificar sinais de doenças gengivais, presença de tártaro e outras alterações bucais que estejam contribuindo para a halitose. Danilo Lopes ressalta ainda que nem sempre a queixa corresponde à realidade.
“Existem pessoas que nem têm [mau hálito] e acabam achando que têm, o que já começa a ser um problema psicológico”, explica. Nesses casos, a percepção distorcida pode evoluir para quadros de pseudo halitose ou halitofobia, exigindo acompanhamento especializado.
Ao deixar o mundo dos memes e adentrar a área da saúde, o episódio “bafudo” que aconteceu no BBB26 ilustra como assuntos que parecem simples podem criar oportunidades para a conscientização. Embora seja comum, o mau hálito não deve ser visto apenas como um incômodo social, mas como um indicativo de que a saúde bucal necessita de cuidados.
Com medidas simples, como escovar dentes e língua, usar fio dental, beber água regularmente e manter consultas odontológicas periódicas, é possível prevenir a maior parte dos casos e melhorar não apenas o hálito, mas a qualidade de vida e a confiança na hora de falar.
Atendimento odontológico gratuito
Nas Clínicas Odontológicas da Unifor, a avaliação clínica inclui perguntas específicas sobre a presença de halitose, além do exame da cavidade bucal. O atendimento à comunidade também cumpre papel importante na educação em saúde, orientando a população sobre higiene adequada, prevenção e sinais de alerta.
Criado para oferecer um campo de prática para alunos da graduação em Odontologia, o setor oferece atendimento gratuito à população de Fortaleza e demais localidades do estado. Os atendimentos acontecem por meio de encaminhamento médico ou odontológico, seja da rede pública ou privada, de segunda a sexta-feira nos três períodos do dia: manhã, tarde e noite. Atendimentos de urgência ocorrem pela manhã e à tarde.
Estude Odontologia na Unifor em 2026.2
Com três décadas de atuação, o curso de Odontologia da Unifor dispõe de 100 consultórios modernos distribuídos entre a Clínica Multidisciplinar e a Clínica Integrada, além de três laboratórios de habilidades, Centro de Radiologia Digital e Central de Esterilização premiada nacionalmente.
A Universidade de Fortaleza foi pioneira no Nordeste ao integrar a odontologia digital na graduação, permitindo que os estudantes coloquem a “mão na massa” em próteses, implantes guiados, alinhadores e cirurgias computadorizadas — tudo com acesso gratuito a materiais e instrumentais.
Serviço
Clínicas Odontológicas da Unifor
Funcionamento: segunda a sexta-feira, de 7h às 22h
Endereço:
bloco O, campus da Universidade de Fortaleza (Av. Valmir Pontes, S/N,
próximo ao INSS)
Contato: (85) 3477-3211
Esta notícia está alinhada aos Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda
2030 da ONU, contribuindo para o alcance do ODS 3 –
Saúde e Bem-Estar e do ODS 4 – Educação de
Qualidade. Por meio da matéria, a Universidade de
Fortaleza reafirma seu compromisso com a promoção da saúde e com
a educação de qualidade ao transformar o conhecimento acadêmico
em soluções com potencial benefício direto para a população.