seg, 15 junho 2026 12:02
Da sala de aula à Forbes Under 30: a trajetória de um arquiteto formado pela Unifor
Reconhecido pela Forbes Under 30 e à frente de um escritório com atuação nacional e internacional, Romário Rodrigues é exemplo de como uma formação que alia técnica, prática e visão de mercado pode impulsionar carreiras. Foi essa combinação que ele encontrou durante sua passagem pelo curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Fortaleza.

A criatividade presente na infância tranquila na pequena Jaguaretama, no interior do Ceará, foi levada a projetos que atravessam fronteiras sem abrir mão do respeito às próprias raízes e de uma escuta franca. Apostando na força e na singularidade da própria identidade, o arquiteto Romário Rodrigues construiu uma trajetória que hoje o coloca entre os nomes de destaque da nova geração da arquitetura brasileira.
Fundador do escritório que leva seu nome, com atuação em diferentes estados do país e no exterior, ele foi reconhecido pela Forbes Under 30 e ganhou projeção nacional em eventos e publicações de referência do setor, consolidando uma carreira marcada pela criatividade, pelo empreendedorismo e por uma arquitetura que, antes de qualquer coisa, coloca as pessoas no centro dos projetos.
Todo um percurso de êxito construído sobre uma formação que uniu conhecimento técnico, experiências práticas e ampliação de repertório. Egresso da Universidade de Fortaleza (Unifor), vinculada à Fundação Edson Queiroz, Romário encontrou na graduação um ambiente que o incentivou a ir além da sala de aula, participando de atividades de extensão, estágios, intercâmbio internacional e vivências que o ajudaram a desenvolver uma visão ampla da profissão. Na Universidade, aprendeu a projetar espaços, além de dialogar com diferentes contextos, culturas e desafios do mercado contemporâneo.
“A Unifor me deu rigor sem engessar a criatividade, e isso é raro. O contato com professores que tinham experiência real de mercado foi decisivo para que eu entendesse, ainda durante a graduação, o que significava trabalhar com arquitetura de verdade. Além disso, o ambiente da universidade, os espaços, os convidados para talks, as referências, a diversidade de pensamentos, foi um laboratório de repertório que ainda uso”, afirma o egresso.
A combinação entre excelência acadêmica e conexão com a prática é justamente um dos diferenciais do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unifor. Com professores atuantes no mercado, atividades extensionistas, oportunidades de internacionalização e uma formação que integra técnica, pensamento crítico e responsabilidade social, o curso prepara estudantes para atuar em um cenário cada vez mais complexo e competitivo, sem perder de vista o compromisso com a transformação das cidades e da vida das pessoas.
O Unifor Notícias Mobile apresenta uma série de histórias de egressos que estão conquistando espaços de destaque no mercado e levando a marca da formação da Unifor para diferentes regiões do Brasil e do mundo. A seguir, a trajetória de Romário Rodrigues mostra como talento, dedicação e uma formação sólida podem abrir caminhos para carreiras de impacto.
De Jaguaretama à decisão de abraçar a arquitetura para transformar vidas
Filho de comerciantes, Romário nasceu na pequena cidade de Jaguaretama, a cerca de 240km de Fortaleza. Cresceu pensando que profissões de prestígio eram nos tradicionais direito e medicina, e até cogitou em algum momento ser médico. Mas seu potencial criativo saltava aos olhos de quem o acompanhava, e ele costumava ouvir com alguma frequência: “Romário, vai fazer algo que tenha mais a sua cara, algo ligado ao design, à moda”. Foi aí que começou a pesquisar.
(Foto: Nicolas Gondim)
“Descobri a arquitetura quase por acaso... mas quando descobri, foi como se tudo fizesse sentido de uma vez. Percebi que ela unia exatamente o que eu amava: design, arte, moda, a possibilidade de transformar a vida das pessoas através dos espaços. Desde então, nunca mais pensei em outro caminho.” — Romário Rodrigues, arquiteto e urbanista, sócio-fundador do escritório Romário Rodrigues Arquitetos
Era hora de pesquisar com seriedade as opções de universidades em Fortaleza para realizar o sonho da arquitetura. “A Unifor se destacou pela reputação do curso, pela estrutura que oferecia e pelo perfil dos profissionais que formava”, relembra.
Ele conta que, para um jovem vindo do interior, com muita vontade e pouca certeza sobre o futuro, escolher uma universidade sólida era mais do que uma decisão acadêmica, era uma aposta na carreira que queria construir. “A Unifor representava esse ambiente de seriedade e possibilidade. E, olhando para trás, foi a escolha certa”, diz.
Na Universidade, Romário nunca foi o aluno que tirava as maiores notas. Tampouco conseguia caber apenas na sala de aula. O jovem tinha sede de arquitetura e de experimentar, de se espalhar pelo campus e suas possibilidades. Estava sempre com a mão na massa em estágios, extensões, trabalhos práticos. “Eu sempre fui muito mais do que o que cabia dentro de uma sala de aula”, confessa.
Dedicou-se com afinco ao que poderia abraçar também fora da sala de aula na formação acadêmica. E assim descobriu cedo que a arquitetura se aprende fazendo, testando, errando e refazendo.
“Essas atividades me ensinaram a trabalhar com outros, a receber feedback, fazer amizades, a entender que nenhum projeto nasce sozinho”, ele diz. Também foi nesses espaços que Romário desenvolveu a capacidade de escutar, a habilidade que ele próprio considera a mais importante que dispõe hoje. “A sala de aula me deu a base técnica. As atividades práticas me ensinaram a existir dentro do mercado real”, avalia.
Uma universidade que ensina a enxergar a arquitetura da técnica ao pensamento
O fato é que a Unifor foi fundamental na forma como Romário passou a enxergar a arquitetura: não só como técnica, mas como pensamento. Na graduação em Arquitetura e Urbanismo, os professores frequentemente o desafiavam a ir além do óbvio, a questionar antes de projetar. “Isso moldou meu processo criativo de uma maneira que ainda está presente em cada projeto que entrego”, afirma.
Durante a graduação, houve um momento em que Romário sentiu que precisava ampliar o olhar, vivenciar outras culturas e outras formas de pensar o espaço. Soube por colegas de turma da possibilidade de fazer um intercâmbio em Portugal por meio da Unifor, e a ideia ganhou força ao ouvir histórias dos professores sobre as vivências e pesquisar profissionais que o egresso tinha como referência.
“Foi uma virada de chave na forma como eu enxergava a arquitetura. Voltei com um olhar completamente diferente, muito mais atento ao contexto, à história, à relação entre o espaço e o tempo. Aquilo abriu portas que eu nem sabia que existiam”, diz o arquiteto, que destaca todo o suporte recebido da Unifor durante o processo.
O que mais o marcou nesta experiência foi a relação dos europeus com o tempo e com a história. Do outro lado do Atlântico, Romário aprendeu que nem sempre a resposta está em criar algo completamente novo, mas em saber conversar com o que já existe.
“Voltei para o Brasil com um olhar muito mais refinado, mais atento ao contexto, mais sensível aos detalhes. E voltei com a certeza de que queria construir uma carreira que dialogasse com o mundo, mas sem jamais perder as minhas raízes. Essa tensão entre pertencer e expandir está na base de tudo que faço até hoje”, conta.
Formado em Arquitetura pela Unifor e com passagem por Portugal, onde refinou seu olhar arquitetônico, Romário construiu uma trajetória singular, marcada por sofisticação, olhar contemporâneo e sensibilidade estética (Foto: Nicolas Gondim)
À medida que ia construindo sua própria forma de enxergar a arquitetura, Romário buscava abrir espaços para o seu trabalho no mercado. Ele conta que fez graduação numa época em que se conquistava espaço batendo na porta dos escritórios que admirava. “Não tinha plataforma ainda (risos). Era currículo na mão e muita disposição. E ter a Unifor no currículo fazia diferença real: abria a conversa, gerava credibilidade, te colocava em outro patamar na hora da apresentação”, recorda.
Hoje, o egresso reconhece a importância da plataforma de estágio que começou a funcionar na Unifor em 2017: a Central de Carreiras e Egressos. “Ela se tornou uma ferramenta incrível, inclusive é por lá que encontramos parte dos nossos estagiários hoje. Mas na minha época, era na raça mesmo. E acho que isso também me formou: aprender a me apresentar, a defender meu potencial, a entender que o trabalho começa antes do primeiro projeto”, reflete.
No empreendedorismo, a chance de oferecer sua própria visão da arquitetura
Romário foi aprendendo a abrir portas e criar oportunidades. Construiu uma carreira com cuidado, aproveitando cada conhecimento novo que pudesse ser somado para conquistar novos espaços. Foi assim que começou a aprender o vocabulário do empreendedorismo ainda na Universidade. Lá, descobriu como apresentar um projeto, como defender uma ideia, como entender o valor do próprio trabalho.
“Claro que empreender exige muito mais do que a faculdade ensina. Você aprende de verdade quando está com o escritório aberto e os desafios chegando. Mas a base que a Unifor construiu fez com que eu chegasse a esse momento com mais preparo do que eu imaginava ter”, afirma.
Com bases sólidas, Romário abriu o próprio escritório de arquitetura em 2018, seis anos depois de ter ingressado na Universidade. Dividia, com outro profissional da área, uma sala em um prédio comercial. “Éramos dois funcionários no time e muita determinação”, lembra.
Em 2020, em plena pandemia, eles alugaram e reformaram uma residência na Aldeota, bairro nobre de Fortaleza. “De repente, tínhamos a primeira sede oficial do Romário Rodrigues Arquitetos. Foi um marco: decidi dar forma à minha própria visão de arquitetura. De lá pra cá, crescemos muito”, comemora.
Hoje, o escritório tem duas unidades em Fortaleza, uma em São Paulo com equipe residente, e parte do time trabalhando em home office a partir de Recife e João Pessoa.
“São mais de 60 pessoas no total: arquitetos, designers, equipe administrativa, de comunicação, executiva. E os projetos foram chegando em outros estados, nos Estados Unidos, em Portugal. Ver onde chegamos em tão pouco tempo é motivo de orgulho, mas é, acima de tudo, combustível para continuar”, reconhece.
Projetar do Brasil ao exterior, com o Ceará dentro de si
O jovem que saiu de Jaguaretama hoje atua no cenário internacional da arquitetura. Dentro ou fora de seu país, o processo criativo é o mesmo: começa na escuta, passa pela investigação, chega na solução com identidade. “O que muda são as condições ao redor", comenta Romário.
Nos Estados Unidos, por exemplo, o arquiteto conta que trabalha com normas diferentes, prazos que funcionam de outra forma, acesso a materiais e tecnologias distintos.
“O perfil relacional também muda: lá existe uma objetividade maior, as decisões tendem a ser mais rápidas. Aqui no Brasil, há uma relação mais próxima, mais afetiva com o projeto. Mas o que não muda em lugar nenhum do mundo é o desejo do cliente de se reconhecer no que foi criado para ele. Isso é universal”, considera.
Depois de tantas experiências, Romário diz que, para ele, a arquitetura sempre foi sobre pessoas, não sobre ego, não só sobre prêmios. “O que me move é a possibilidade de transformar vidas. Penso que projetamos casas, comércios, hotéis ou interiores bonitos, mas que criamos cenários onde histórias reais acontecem. Ver um cliente se reconhecer no espaço que desenhamos juntos, ver seus sonhos materializados... isso não tem comparação”, afirma.
Ao mesmo tempo, quanto mais o mercado cresce e se torna mais sofisticado, mais ele sente que a responsabilidade aumenta. “A arquitetura hoje exige que você pense no humano, no contexto, na memória, no tempo. Não existe projeto bom que ignore isso”, pontua. Em qualquer lugar do mundo, Romário leva o Ceará para o seu trabalho, com o Estado natal presente em tudo que ele faz, ainda que de maneira sutil.
(Foto: Nicolas Gondim)
“A intensidade da luz, o contraste das paisagens, a forma como a gente lida com os desafios, fazer muito com pouco, valorizar o essencial. Isso se traduz nos meus projetos como clareza: espaços bonitos, funcionais, que fazem sentido para a vida de quem os habita. E a Unifor contribuiu para que eu soubesse articular esse olhar. Aprendi lá a ter rigor sem perder sensibilidade, a fundamentar as escolhas criativas com pensamento técnico. Isso fica. No Brasil, no exterior, em qualquer projeto, a origem e a formação estão sempre presentes” — Romário Rodrigues
Reconhecimento da Forbes Under 30 à Casa Vogue
No primeiro encontro com um cliente, Romário não gosta de chegar mostrando referências ou falando de estilos. Quer entender quem é essa pessoa, como ela vive, o que ela sonha e, principalmente, o que ela não sabe ainda que quer.
“Muita gente sabe como quer se sentir dentro de um espaço, mas não consegue nomear isso. É exatamente aí que começa o projeto”, ele diz. A escuta não é passiva. Para o arquiteto, é um exercício ativo de leitura de alguém. “E isso vale para o cliente, mas também para o terreno, para o contexto, para a cidade. Um bom projeto é sempre uma resposta a algo que estava sendo dito antes de você chegar", acredita.
O resultado dessa forma de trabalhar levou Romário a ser destaque na Forbes Under 30 e na Casa Vogue, além de garantir participação na CASACOR no Ceará e em São Paulo. “Cada um desses momentos teve um peso diferente”, admite. Estar na Forbes Under 30, para ele, foi uma validação de que o trabalho tinha impacto além do círculo imediato e representou uma responsabilidade: “Quando você recebe esse tipo de reconhecimento, precisa continuar entregando”.
Já a lista da Casa Vogue Brasil, celebrando os 50 anos da publicação, foi algo que ainda emociona o egresso. “Estar ao lado de nomes que me formaram como profissional por dois anos consecutivos, em uma publicação que ajudou a moldar meu olhar sobre design, foi (e ainda é) surreal”, afirma. Enquanto a CASACOR em São Paulo e depois no Ceará foram experiências de pertencimento em dois sentidos completamente diferentes.
“Em São Paulo, você está provando para o mercado nacional que é capaz, principalmente por ter sido o primeiro cearense a participar da mostra como estreante, tanto em São Paulo, como na mostra como um todo. No Ceará, você está provando para a sua terra, para quem te viu crescer. O carinho do público local foi algo que não tem como descrever”, reconhece.
Uma universidade que ensina a importância da troca para um mercado exigente e generoso
Toda a experiência profissional e os reconhecimentos que vieram com ela levam Romário a enxergar a arquitetura como um mercado que está mais exigente e, ao mesmo tempo, mais generoso com quem tem algo genuíno a dizer.
(Foto: Divulgação/Forbes)
“O cliente ficou mais sofisticado, a concorrência cresceu, o acesso à informação instantânea mudou a conversa. Quem está se graduando agora precisa entender que domínio técnico é o ponto de partida, não o diferencial.” — Romário Rodrigues
Segundo o egresso, o que vai separar os melhores é a capacidade de escutar, de colaborar, de construir uma identidade própria sem cair em fórmulas. “E também, e isso é importante, não ter medo de vir de onde veio. O Ceará tem uma força criativa enorme. Usar isso como diferencial, não como desculpa, é o que vai abrir portas", acredita.
Para atuar neste mercado paradoxalmente exigente e generoso, Romário diz que aprendeu, na Unifor, ensinamentos além da técnica que leva para sua carreira. “Aprendi a importância da troca. A arquitetura não é uma profissão solitária, ela nasce do diálogo, da colaboração, da capacidade de escutar outros olhares. A Unifor me colocou em contato com pessoas incríveis, professores que me desafiaram, colegas com quem troco até hoje”, afirma.
Com uma carreira estabelecida e uma aposta firme nas próprias raízes, o arquiteto Romário Rodrigues anima os estudantes que estão no início da construção de suas trajetórias profissionais. “Esteja presente de verdade. Não só nas aulas, nos estágios, nas extensões, nas conversas de corredor, nas visitas às obras. A arquitetura não cabe inteira dentro de uma sala”, aconselha.
Ele segue aconselhando por vielas que ele mesmo seguiu: Construa identidade desde cedo. Não tente parecer com ninguém. Estude muito, absorva referências, mas procure o fio que conecta tudo isso com quem você é. Não subestime de onde você vem. Suas raízes não são uma limitação, são o seu ponto de vista único no mundo. Por fim, aprenda a escutar. Antes dos softwares, antes das tendências, antes de qualquer técnica, a escuta é a ferramenta mais poderosa que você vai usar na sua carreira. E, assim, Romário segue tendo êxito com sua arquitetura de raízes e de escuta.








