Estudantes de Moda da Unifor são selecionados para o Dragão Fashion Brasil com coleção inspirada no Poço da Draga
seg, 27 abril 2026 16:12
Estudantes de Moda da Unifor são selecionados para o Dragão Fashion Brasil com coleção inspirada no Poço da Draga
Equipe dos cursos de Moda e Design de Moda é selecionada entre as melhores do país para o Concurso dos Novos Talentos e leva à passarela narrativa potente sobre memória, resistência e identidade urbana

A força criativa e o compromisso com narrativas sociais colocaram estudantes dos cursos de Moda e Design de Moda da Universidade de Fortaleza, instituição mantida pela Fundação Edson Queiroz, entre os finalistas do Concurso Novos Talentos do Dragão Fashion Brasil 2026 (DFB Festival), uma das mais relevantes vitrines de moda autoral do país. Selecionada entre diversas instituições de ensino de todo o Brasil, a equipe integra o grupo das oito finalistas da competição, consolidando uma conquista expressiva para a universidade e seus alunos.
Com o tema “Praia de Iracema: coração e cérebro da cidade dragão”, o festival deste ano propõe um olhar aprofundado sobre um dos territórios mais simbólicos de Fortaleza. Representando a Unifor, os estudantes desenvolveram a coleção “DRAGA”, um projeto que homenageia o Poço da Draga, comunidade histórica localizada à beira-mar e marcada por resistência, memória e intensa produção cultural.
A coleção nasce de uma investigação sensível sobre o território, suas contradições e potências, traduzindo em linguagem estética a vivência de moradores que, ao longo de quase 120 anos, constroem identidade em meio a desafios estruturais e pressões urbanísticas, carregando narrativas de pertencimento, permanência e luta.
O desenvolvimento da coleção foi realizado pelos estudantes que integram a equipe da Unifor selecionada: Giovana Fosaluza (styling), Carlos Peixoto (fotografia e criação), Letícia Abreu (produção) e Júlia Onorio (produção de moda) — todos da graduação em Moda —, além de Raissa Bandeira (criação e estilo), do curso de Design de Moda.
Moda como narrativa social e expressão de identidade
A proposta da coleção “DRAGA” parte de um olhar que foge do imaginário turístico tradicional da Praia de Iracema. A estudante Raissa Bandeira, responsável pela criação e estilo ao lado de Carlos Peixoto, explica que a ideia central surgiu da necessidade de dar visibilidade a histórias muitas vezes invisibilizadas.
Segundo ela, o projeto busca retratar uma dimensão pouco explorada da região, marcada por vivências reais e por uma população que resiste às transformações urbanas. A aluna destaca que foi um processo significativo poder transformar essa história em linguagem criativa, por meio de tecidos, formas e costuras.
“A ideia central surgiu da necessidade de retratar a faceta ‘não turística’ da praia de Iracema. Contar a história daqueles que perderam a voz para as grandes imobiliárias. Apesar de o Poço da Draga tratar-se de uma comunidade, é situado dentro de um grande polo turístico de Fortaleza. É uma honra poder contar uma história tão bonita, em forma de fios e costuras” — Raissa Bandeira, aluna do curso de Design de Moda e membro da equipe selecionada para o Concurso dos Novos Talentos 2026
A construção da coleção também teve como base uma pesquisa aprofundada sobre técnicas artesanais e saberes locais. Carlos Peixoto ressalta que o desenvolvimento conceitual e estético das peças partiu justamente dessa investigação, permitindo que os elementos culturais fossem traduzidos em propostas concretas de design. A equipe precisou de tempo para captar a essência do projeto, mas, ao alcançar essa compreensão, conseguiu desenvolver uma narrativa coesa e consistente.
Processo colaborativo e desafios criativos
A coleção “DRAGA” foi construída de forma totalmente colaborativa, envolvendo uma equipe de cinco estudantes que dividiram funções e responsabilidades ao longo do processo. Essa dinâmica coletiva foi essencial para garantir a coerência entre conceito e execução, com troca constante entre os integrantes.
“A coleção foi desenvolvida de forma colaborativa, com toda a equipe participando ativamente tanto na construção da narrativa quanto no processo criativo das peças, promovendo uma troca constante de ideias ao longo de todo o percurso”, destaca Carlos.
Entre os principais desafios enfrentados, a equipe aponta a necessidade de trabalhar com materiais de origem natural. “Como foi um pré requisito do evento, tivemos um grande desafio na construção da coleção com tecidos inteiramente naturais e peças dotadas de muita artesania. Mas, ao final, conseguimos uma grande parceria com a Unitextil, e está ficando lindo”, ressalta Raissa.
Carlos, que também acompanhou o processo de criação e estilo, lembra que houve dificuldades na implementação prática do conceito, como a tradução precisa do conceito em peças viáveis e a gestão do tempo ao longo da produção. Para lidar com isso, a equipe se organizou de maneira estratégica, distribuindo responsabilidades e mantendo uma comunicação constante para assegurar a consistência e a qualidade do resultado final.
Formação na Unifor e o impacto profissional
A participação no Concurso dos Novos Talentos do DFB Festival evidencia o papel do ambiente acadêmico na formação dos estudantes. Raissa lembra que, ao longo de todo o processo, a equipe contou com suporte institucional e pedagógico: “Contamos com o apoio do corpo docente da Unifor, principalmente da nossa coordenadora, Priscila Medeiros, que nos apoiou desde os primórdios”.
Segundo Priscila, uma das principais habilidades desenvolvidas nesse tipo de experiência é a gestão do tempo. “O aluno desenvolve várias competências e habilidades, mas a principal, que eu considero dentro de um concurso desse, é a gestão do tempo. Porque os estudantes seguem o edital, seguem um cronograma com datas definidas, precisam exercer o papel de aluno e, ainda assim, cumprir essas demandas de entregas”, pondera a professora.
“O aluno, quando quer participar de um concurso, tem todo o suporte da nossa equipe de corpo docente. Então, nós auxiliamos, fazemos mentorias e disponibilizamos acesso aos nossos laboratórios para que eles possam fazer experimentações.” — Priscila Medeiros, coordenadora dos cursos de Moda e Design de Moda da Unifor
Além disso, ela ressalta os impactos da participação em eventos como o Dragão Fashion Brasil: “A participação em concursos como o Dragão Fashion, primeiramente, geram visibilidade para o estudante. Além disso, agrega ao portfólio do aluno, e ele aprende praticando”.
Para os discentes, a conquista representa um marco importante na trajetória. Raissa destaca o impacto direto na carreira: “Acredito que nos mostrará ao mercado. Falando por mim, meu maior sonho é ter minha própria marca, pois o que mais amo fazer é criar. Tenho certeza que, após o DFB, eu só quero inovar mais e mais”, revela Raissa.
Ela também reforça a transformação pessoal proporcionada pela experiência. “Me fez ter ainda mais certeza de que estou no lugar certo. Não digo que será fácil, porque não será. Mas estou pronta para o desafio”. Carlos também aponta seu crescimento ao longo do processo.
“Essa conquista fortalece o percurso acadêmico ao validar o processo criativo desenvolvido e amplia a visibilidade do trabalho, podendo abrir portas para novas oportunidades no mercado” — Carlos Peixoto, aluno do curso de Moda e membro da equipe selecionada para o Concurso dos Novos Talentos 2026
Ao alcançar a final de uma das principais plataformas de moda autoral do país, os estudantes da Universidade de Fortaleza reafirmam o potencial criativo do Ceará e destacam a importância de uma formação que valoriza tanto a técnica quanto a sensibilidade social.
Estude Moda ou Design na Unifor em 2026.2!
Os cursos de Moda e Design de Moda da Unifor são para quem quer ser um profissional com olhar crítico, visão sistêmica e capacidade de entender as relações entre cultura, sociedade e mercado. Aqui, você aprende a interpretar cenários, identificar problemas reais e desenvolver soluções criativas por meio de projetos e produtos.
Esta notícia está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), contribuindo para o alcance do ODS 4 – Educação de Qualidade e do ODS 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis.
A Universidade de Fortaleza, assim, assegura uma formação acadêmica inclusiva, equitativa e de qualidade, promovendo oportunidades de aprendizagem que integram teoria e prática. Ao mesmo tempo, incentiva a valorização de territórios, culturas e identidades locais, estimulando nos estudantes um olhar crítico e sensível sobre a cidade e suas dinâmicas sociais, contribuindo para a construção de comunidades mais sustentáveis e inclusivas.