Mês da Mulher: conheça empreendedoras que transformaram ideias em negócios de sucesso

Lissa Moura e Fabiola Caracas, egressas da Unifor, falam sobre a construção de suas marcas, os desafios do empreendedorismo e como a formação acadêmica contribuiu para suas trajetórias

O empreendedorismo feminino tem se consolidado como uma das principais forças da economia brasileira. Segundo levantamento do Sebrae e do Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME), as mulheres comandam mais de 10,3 milhões de empreendimentos no país, representando cerca de 34% dos donos de negócios no Brasil. Esse crescimento evidencia a presença cada vez maior das mulheres no mercado e também o papel do empreendedorismo como caminho para autonomia e protagonismo profissional.

Para compreender os impactos desse movimento, a psicóloga Regina Heloisa Maciel, professora e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia (PPGP) da Universidade de Fortaleza — instituição da Fundação Edson Queiroz —, destaca que o trabalho desempenha um papel fundamental na construção da identidade e no reconhecimento social das pessoas.

Segundo ela, a inserção das mulheres no mercado de trabalho está diretamente relacionada à ampliação da autonomia, da independência econômica e da participação social. “A possibilidade de tomar decisões estratégicas, organizar o próprio tempo e conduzir o desenvolvimento do negócio tende a fortalecer sentimentos de autoeficácia e competência”, afirma.

Apesar das possibilidades de autonomia, Regina alerta que o empreendedorismo também pode trazer desafios relevantes: ao optar por trabalhar por conta própria, muitas mulheres acabam abrindo mão da segurança oferecida pelo emprego formal, como estabilidade, direitos trabalhistas e proteção social.



“Quando o empreendimento alcança resultados positivos, ele pode funcionar como uma importante fonte de reconhecimento simbólico e material, contribuindo para o fortalecimento da autoestima e para a construção de uma identidade profissional mais autônoma, muitas vezes rompendo trajetórias marcadas por barreiras de ascensão ou subvalorização no mercado de trabalho”Regina Heloisa Maciel, psicóloga e professora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Unifor


Nesse cenário, histórias de mulheres que transformam ideias em negócios evidenciam como o empreendedorismo pode abrir novas possibilidades de carreira e realização pessoal. A seguir, egressas da Unifor compartilham as trajetórias na construção de suas marcas, os desafios enfrentados ao empreender e de que forma a formação acadêmica contribuiu para a atuação à frente de seus negócios hoje.

Inovação e empreendedorismo

Egressa do curso de Engenharia Civil da Unifor, Fabiola Caracas hoje está à frente do empreendimento familiar Hotel Vale das Nuvens , além de comandar a fábrica de sorvetes Magus . A empresária diz que sua relação com o empreendedorismo começou ainda na infância, influenciada pelo exemplo da própria família, que sempre esteve envolvida em negócios inovadores. 

Esse ambiente despertou nela o desejo de criar projetos diferentes no mercado. Um exemplo é o próprio hotel, construído com plástico reciclado e considerado pioneiro nesse tipo de tecnologia na hotelaria.

“Minha família sempre foi muito empreendedora, tive esse exemplo desde muito novinha. Os negócios da família sempre foram de inovação, e eu sempre quis colocar algo que fosse diferente, não queria ser só mais um no mercado”, explica a egressa.

Para Fabíola, iniciar um empreendimento exige coragem e muito conhecimento sobre o mercado, destacando a importância de estudar o público e o produto para entender se a ideia pode gerar lucro. A empreendedora também lembra que começou jovem, aos 23 anos, e que a idade foi um dos principais desafios no início da trajetória, já que muitas vezes sentia que precisava provar sua credibilidade.

Ao longo do caminho empreendedor, novas experiências também influenciaram a forma como a engenheira passou a conduzir seus negócios. Em 2020, com o nascimento da primeira filha, ela precisou reorganizar a rotina e desacelerar o ritmo de trabalho para conseguir equilibrar as diferentes áreas da vida

“Antes de 2020, eu só queria saber de trabalhar. Depois vi que existiam coisas tão importantes quanto, como a minha família. E diariamente acontecem desafios que precisamos resolver. A mente não descansa, é o tempo todo pensando em como resolver um problema e como melhorar para os clientes”, relata.

A experiência de Fabiola reflete uma realidade vivida por muitas mulheres empreendedoras no país. Dados divulgados em 2025 pela Serasa Experian indicam que a busca por flexibilidade no trabalho é atualmente a principal motivação para que mulheres abram o próprio negócio, apontada por 46% das entrevistadas. Em seguida, aparecem a busca por independência financeira (40%) e a necessidade de renda complementar (24%). O levantamento também mostra uma mudança em relação a 2022, quando a independência financeira era a principal razão para empreender.

Segundo a pesquisa Empreendedoras e Seus Negócios 2025 , uma em cada três empreendedoras é mãe solo, o que significa que, além de administrar o próprio negócio, muitas também são responsáveis sozinhas pelo cuidado dos filhos e pela organização da casa. Na prática, isso se traduz em uma rotina marcada por dupla ou até tripla jornada entre trabalho, cuidado e gestão do lar.



“Meu pai sempre dizia que quem se forma em engenharia está apto a montar qualquer negócio. Depois que me formei, percebi que a engenharia realmente me ajudou a ter uma visão mais ampla dos negócios. Tive disciplinas de empreendedorismo, com as quais me identifiquei muito, mas todas as disciplinas e professores contribuíram para eu chegar até aqui.”Fabiola Caracas, egressa do curso de Engenharia Civil da Unifor


Sonhos que se tornam realidade

O crescimento do empreendedorismo feminino tem sido impulsionado por diferentes fatores, entre eles o fortalecimento de redes de apoio, a busca constante por capacitação e novos modelos de liderança. Especialistas apontam que comunidades de mulheres empreendedoras têm desempenhado um papel importante nesse processo, já que o compartilhamento de experiências, desafios e aprendizados contribui para ampliar oportunidades e fortalecer trajetórias profissionais.

A trajetória da empreendedora Lissa Moura, egressa do curso de Design de Moda e sócia da marca de roupas Lire , ilustra como essas iniciativas e experiências podem se transformar em negócios concretos. Segundo ela, o interesse pelo empreendedorismo surgiu ainda cedo, influenciado pelo ambiente familiar. “Praticamente, boa parte da minha família é empreendedora, então mesmo quando eu ainda era mais nova e nem sabia se iria cursar moda, já tinha em mente que provavelmente iria empreender”, conta.

A maior inspiração veio da mãe, a estilista e empresária Larissa, que despertou na designer a paixão pela moda e também incentivou a criação da própria marca. A ideia do negócio surgiu a partir da rotina corrida que ela e a sócia, Renata Saldanha, levavam desde jovens, conciliando estudo, trabalho e dança. 

Muitas vezes, não havia tempo para voltar para casa e trocar de roupa ao longo do dia — um problema que fez as amigas pensarem em peças versáteis, capazes de acompanhar diferentes momentos da rotina. “Assim nasceu a ideia de criar roupas confortáveis, versáteis e fáceis de combinar, pensadas para o movimento do corpo e para acompanhar o dia a dia das pessoas”, explica.


Renata Saldanha e Lissa Moura em evento organizado pela marca (Foto: Arquivo pessoal)

Transformar a ideia em realidade exigiu organização e planejamento. Ela destaca que o primeiro passo foi alinhar expectativas e responsabilidades com a sócia, garantindo que  ambas estivessem em sintonia em relação ao projeto. Além disso, Lissa ressalta que superar o medo inicial foi essencial para concretizar o sonho. “Quando o nosso sonho ainda estava só no papel, surgiam muitas dúvidas, mas, quando você organiza e estrutura o negócio, fica mais fácil se arriscar”, afirma.

Na visão de Lissa, o fato de trabalhar em um ambiente majoritariamente feminino contribui para um clima de colaboração e respeito dentro da empresa. Embora reconheça que mulheres ainda enfrentam barreiras em diferentes áreas do mercado de trabalho, ela afirma que tem vivido uma experiência positiva. “Cada pessoa tem um papel muito importante dentro da empresa e, como ainda somos um negócio pequeno, o trabalho de cada uma faz muita diferença no todo”, comenta a modista. 

Conciliar diferentes áreas da vida também faz parte da rotina de quem empreende. Para Lissa, manter o equilíbrio entre trabalho, família e vida pessoal é um desafio constante, mas que pode se tornar mais leve quando existe uma rede de apoio.



“Eu acho que conciliar tudo realmente é um desafio, mas acaba acontecendo de forma mais natural e equilibrada no meu dia a dia. Acho que ajuda muito ter pessoas ao meu redor que entendem a minha rotina e passam por coisas parecidas. A gente vai encaixando momentos para se ver dentro da rotina.”Lissa Moura, egressa do curso de Design de Moda e sócia da marca Lire


A empreendedora também destaca a importância da formação universitária para o desenvolvimento das habilidades que utiliza hoje. Durante a graduação, teve contato com disciplinas, projetos e atividades que estimularam a criatividade e o pensamento estratégico. “A Unifor contribuiu muito para mim por ser uma universidade receptiva, com cursos, atividades e laboratórios inspiradores. As disciplinas e os projetos ao longo do curso foram muito importantes para a forma como enxergo meu negócio hoje”, afirma.

 


Esta notícia está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), contribuindo para o alcance do ODS 4 – Educação de Qualidade e do ODS 5 – Igualdade de Gênero.

A Universidade de Fortaleza, assim, reafirma seu compromisso com a promoção de uma educação inclusiva, equitativa e de qualidade, ao mesmo tempo em que fortalece ações voltadas à valorização da diversidade, à promoção da equidade de gênero e à ampliação de oportunidades para todas as pessoas.