Do sertão ao metaverso, Unifor desenvolve curta-metragem em realidade virtual

ter, 27 janeiro 2026 11:32

Do sertão ao metaverso, Unifor desenvolve curta-metragem em realidade virtual

Curta-metragem em realidade virtual reúne professores, alunos e egressos da Unifor em uma experiência inédita que cruza cinema, teatro e tecnologia imersiva


Agreste, escrita pelo dramaturgo pernambucano Newton Moreno, é uma premiada peça do teatro brasileiro, reconhecida pelo minimalismo cênico e pela intensidade de sua força dramática. A obra estreou em 2004 (Foto: Marjorie Zaranza)
Agreste, escrita pelo dramaturgo pernambucano Newton Moreno, é uma premiada peça do teatro brasileiro, reconhecida pelo minimalismo cênico e pela intensidade de sua força dramática. A obra estreou em 2004 (Foto: Marjorie Zaranza)

O cinema do século XXI já não cabe apenas na tela tradicional. Entre mundos virtuais, captura de movimento, ambientes digitais e novas formas de narrar histórias, a linguagem audiovisual vive um período de intensa transformação.

É nesse cenário de experimentação que surge o Agreste, curta-metragem de animação 3D em realidade virtual dirigido pelo cineasta e professor Marcelo Müller, desenvolvido com forte participação de professores, alunos e egressos da Universidade de Fortaleza (Unifor), instituição mantida pela Fundação Edson Queiroz.

Com 15 minutos de duração, o curta Agreste adapta a obra teatral Agreste – Malva Rosa, do dramaturgo Newton Moreno, e acompanha a história de Maria e Etevaldo a partir da narração de uma contadora, personagem que dá vida a bonecos digitais em um sertão de marionetes.

O projeto mistura cinema de animação, machinima e teatro de bonecos, utilizando captura de movimento e captação virtual em um ambiente totalmente imersivo. Todos os elementos virtuais foram desenvolvidos no laboratório Vortex, enquanto as gravações aconteceram no Laboratório de Mídias Digitais (Labomídia), ambos da Unifor.

A origem do Agreste

O projeto nasce de uma pesquisa que Marcelo Müller desenvolveu durante os anos em que atuou como professor da Unifor. Ele investigou as relações entre performance, atuação e realidade virtual. “Era uma pesquisa sobre como a gente transfere a atuação do corpo físico para o corpo virtual”, explica.

A virada aconteceu quando o diretor foi contemplado por um edital da Lei Paulo Gustavo para a produção de um curta-metragem de animação. “Eu procurei um texto que desse conta de experimentar essas coisas na prática, entender como fazer cinema dentro do metaverso para além dos jogos”, conta Müller.

A escolha por Agreste não foi aleatória: além de ser um texto regional, a obra concentra a performance em uma única atriz, o que dialoga com limitações técnicas atuais da realidade virtual. “São muitos personagens, mas todos interpretados pela mesma atriz, o que facilitava lidar com questões como delay e sincronização”, explica o diretor da produção. A aposta na realidade virtual não é apenas estética, mas também política e cultural.

 
“Temos a obrigação de oferecer opções culturais mais interessantes dentro desse meio emergente. Não dá para o metaverso ser só jogo de tiro ou rede social imersiva. A imagem já não se produz como antes. Hoje, muitos filmes se fazem mais dentro do computador do que com câmeras” — Marcelo Müller, idealizador do curta-metragem Agreste

Universidade como espaço de inovação

Produzir um filme em realidade virtual, combinando múltiplas técnicas e linguagens, trouxe desafios constantes. “Estamos fazendo uma coisa que ninguém sabe muito bem como faz”, admite Müller. Segundo ele, o processo foi marcado por tentativa e erro. “Experimenta, erra, faz de novo. É muito mais arriscado e emocionante do que qualquer outro filme que eu já fiz."

Esse tipo de risco, segundo o diretor, só é possível dentro de um ambiente universitário. “Projetos assim funcionam melhor em laboratórios experimentais do que no mercado. Aqui existe espaço para errar, para integrar áreas diferentes e para descobrir como fazer algo novo”, afirma.

Ele destaca ainda: “No mercado, percebi muita resistência em sair do que já está estabelecido. Aqui houve muito mais disposição para experimentar". Tal visão é compartilhada por Max Eluard, diretor da TV Unifor e docente do curso de Cinema e Audiovisual. Para ele, o diferencial está justamente na interseção entre pesquisa e prática. 


“A Unifor não está aqui apenas para reproduzir o que o mercado já faz. Laboratórios como o Vortex e o Labomídia pesquisam linguagens e propõem novos padrões que, no futuro, podem ser absorvidos pelo mercado. Contar com uma mantenedora como a Fundação Edson Queiroz, que investe em equipamentos de última geração e em pesquisa, faz toda a diferença” — Max Eluard, diretor da TV Unifor e docente do curso de Cinema e Audiovisual  

No campo tecnológico, o Vortex teve papel central no desenvolvimento do filme. O professor Daniel Jaguaribe, do Centro de Ciências da Tecnológicas (CCT), explica que a equipe utilizou softwares como o Unity, óculos de realidade virtual Quest 2 e Quest 3, além de computadores de alto desempenho. 


“Nunca tínhamos feito um filme, mas já tínhamos experiência em realidade virtual. Foi um grande desafio unir o mundo objetivo da tecnologia com a subjetividade do cinema” — Daniel Jaguaribe, professor do Centro de Ciências da Tecnológicas (CCT)

Segundo o egresso Felipe Cassiano Barbosa, tech lead do Vortex, esse choque de linguagens foi um dos maiores aprendizados. “Receber diretivas de arte, pensar iluminação, identidade visual e transformar isso em código e modelos 3D foi algo totalmente novo para a gente”, conta. Ele destaca ainda a criação de um verdadeiro “set de filmagem virtual” dentro do mundo digital. “O desafio era fazer o público sentir que aquele mundo de madeira realmente era feito de madeira."

 
No Vortex, laboratório da Unifor, foram desenvolvidos os ambientes virtuais e os elementos digitais do curta Agreste (Foto: Marjorie Zaranza)

Ele ressalta que, por se tratar de um projeto viabilizado por um edital da Secult, Agreste reforça a importância de iniciativas que integrem arte, cultura e tecnologia, especialmente dentro de uma instituição como a Unifor, mantida pela Fundação, já que, atualmente, esses campos estão cada vez mais interligados.

Formação na prática: alunos dentro do futuro do cinema

Para os estudantes envolvidos, participar de Agreste tem sido uma experiência transformadora. A aluna Taís Veríssimo, do curso de Cinema e Audiovisual, atua como responsável pela fotografia do projeto. “Eu nunca tinha tido contato com realidade virtual. Ver a atriz atuando ao mesmo tempo dentro e fora do mundo virtual é algo muito interessante”, relata.

Taís destaca o aprendizado técnico, mas também a autonomia criativa. “A equipe é pequena, as funções são bem definidas, e isso faz a gente crescer muito”, afirma. Para ela, trabalhar ao lado de professores e egressos torna o mercado mais próximo. “A gente percebe que esse lugar também pode ser nosso”, afirma a aluna.

Max, diretor da TV Unifor, acredita que experiências como essa apontam para o futuro da formação em cinema. “Por Agreste ser uma experiência de produção extremamente inovadora, experimental, diferenciada, ela já traz esse hibridismo e a relação com ferramentas altamente tecnológicas para a experiência, para a formação dos alunos”, diz. 

Com lançamento previsto para os próximos meses, Agreste deve circular por festivais de curta-metragem e, futuramente, oferecer também uma experiência ao vivo em realidade virtual, em que o público poderá assistir à história de dentro do metaverso. Entre filme, teatro imersivo e animação em tempo real, o projeto reforça o papel da universidade de possibilitar a imaginação e construção do cinema do futuro.

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