seg, 9 fevereiro 2026 16:43
Entrevista Nota 10: Herbet Santos e a formação que constrói Justiça
Egresso da Unifor, o procurador-geral da Justiça do Ceará destaca o papel da universidade na formação jurídica e os desafios da gestão 2026–2027

Egresso da Universidade de Fortaleza (Unifor), instituição vinculada à Fundação Edson Queiroz, o recém-empossado procurador-geral da Justiça do Ceará, Herbet Gonçalves Santos, é natural de Juazeiro do Norte e falou à Entrevista Nota 10 sobre o impacto da instituição em sua formação e sobre como a carreira jurídica sempre esteve em seu caminho. O jurista também comentou os planos para o biênio 2026–2027 à frente do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE).
Herbet é egresso da Unifor, onde cursou a graduação em Direito. Sua carreira no MPCE teve início em 2014, com passagem pelas comarcas de Jaguaribe e outras unidades da região do Vale do Jaguaribe. Ao longo de sua trajetória profissional, atuou como conselheiro do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), do Ministério da Justiça, e como membro colaborador do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
De 2012 a 2014, foi defensor público na Defensoria Pública do Estado do Ceará. Entre 2009 e 2012, exerceu o cargo de procurador do Estado do Amapá, desempenhando a representação judicial e consultiva do Estado, com atuação em demandas estratégicas.
Recentemente, Herbert reuniu-se com o reitor da Unifor, professor doutor Randal Martins Pompeu; com a professora doutora do Programa de Pós-Graduação em Direito Constitucional (PPGD) e diretora da Diretoria de Relações Internacionais (DRI) da Unifor, Gina Pompeu; e com o diretor da Pós-Unifor, Marcos James Bessa. Na ocasião, foi debatida a importância da aproximação entre a Universidade e o MPCE, por meio de novos convênios e da oferta de cursos de mestrado e doutorado.
Ao revisitar a Universidade de Fortaleza, o procurador-geral da Justiça do Ceará retoma a experiência de quem viveu plenamente o ensino superior e incorporou os ensinamentos de uma formação acadêmica de excelência.
Da sala de aula aos espaços de prática jurídica, a vivência universitária foi um pilar decisivo para a construção de sua trajetória no Direito, contribuindo para a consolidação de valores, visão institucional e compromisso com a função pública, que hoje orientam sua atuação à frente do Ministério Público do Estado.
Confira a entrevista na íntegra a seguir.
Entrevista Nota 10 — O que a Unifor acrescentou na sua formação, em termos de repertório, método e visão de mundo?
Herbert Santos — A Unifor foi decisiva na construção do meu repertório jurídico e humano. A Universidade ofereceu uma formação sólida, que vai muito além do conhecimento técnico legal e doutrinário. Aprendi ali a importância do método, do rigor técnico, mas também da sensibilidade social. A convivência com professores qualificados, muitos deles com atuação prática no sistema de justiça, ampliou minha visão sobre o papel do Direito como instrumento de transformação.
Entrevista Nota 10 — Como a academia pode contribuir mais com o Sistema de Justiça?
Herbert Santos — O mundo acadêmico pode contribuir de forma ainda mais efetiva com o sistema de justiça ao produzir conhecimento baseado na realidade da nossa rotina institucional, dialogando diretamente com os desafios enfrentados no dia a dia. Além de aperfeiçoar a formação e o conhecimento daqueles que compõem o sistema de Justiça, a universidade tem um papel fundamental na pesquisa aplicada, na inovação e na construção de soluções jurídicas mais eficientes. Quando academia e instituições caminham juntas, ganham o Direito, a Justiça e, principalmente, a sociedade.
Entrevista Nota 10 — Em que momento você entendeu que queria atuar no sistema de justiça?
Herbert Santos — Essa decisão nasceu muito cedo e tem raízes profundas na minha história familiar. Venho de uma família em que o estudo e o serviço público sempre estiveram presentes como vocação.
Entrevista Nota 10 — Quais são as três prioridades do seu biênio à frente do MPCE?
Herbert Santos — Podemos destacar três grandes prioridades da nossa gestão:
A primeira é o fortalecimento do combate ao crime organizado, com a criação de novos Grupos de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECOS), promovendo a interiorização da investigação especializada, além da implantação do Cyber GAECO, como núcleo permanente voltado à investigação de crimes cibernéticos.
A segunda prioridade é a ampliação do atendimento às vítimas de violência, por meio da modernização estrutural e da ampliação da equipe multidisciplinar do Núcleo Estadual de Atendimento às Vítimas de Violência (NUAVV), bem como a interiorização desse serviço e a criação de novas promotorias especializadas no combate à violência doméstica.
Por fim, temos como eixo estratégico a valorização dos membros e servidores do MPCE, com políticas institucionais voltadas ao fortalecimento das condições de trabalho, ao bem-estar e ao reconhecimento de quem constrói diariamente a missão constitucional do Ministério Público.
Entrevista Nota 10 — Como você avalia o fortalecimento de parcerias com a universidade?
Herbert Santos — O fortalecimento das parcerias com a universidade é essencial e estratégico. A aproximação entre o MPCE e instituições como a Unifor permite a troca de experiências, o desenvolvimento de pesquisas, projetos de extensão e formação continuada.
Essas parcerias qualificam a atuação institucional e aproximam o Direito acadêmico da realidade social, formando profissionais mais preparados, conscientes e comprometidos com a Justiça. É uma relação em que todos ganham.
Entrevista Nota 10 — Que conselho você daria para estudantes da Unifor que querem seguir carreira pública?
Herbert Santos — Meu principal conselho é: acreditem no poder do estudo e da constância. A carreira pública exige disciplina, resiliência e propósito. Não é uma jornada rápida, mas é profundamente transformadora.
Aproveitem ao máximo a formação oferecida pela Unifor, busquem conhecimento além da sala de aula, mantenham a curiosidade intelectual e não percam de vista o compromisso social do Direito. O estudo abre portas, transforma destinos (minha família é um exemplo disso) e permite que cada um contribua, de forma concreta, para a construção de uma sociedade mais justa.