Nos bastidores da inauguração do novo museu, acervo de Yolanda e Edson Queiroz passa por processo de conservação

qua, 29 julho 2026 13:52

Nos bastidores da inauguração do novo museu, acervo de Yolanda e Edson Queiroz passa por processo de conservação

Objetos que atravessaram décadas passam por cuidados antes de integrar exposição no Complexo Yolanda e Edson Queiroz, previsto para ser inaugurado em novembro deste ano 


O trabalho minucioso é realizado com artigos pessoais, que incluem obras de arte, vestimentas e fotografias - Foto: Vito Moura
O trabalho minucioso é realizado com artigos pessoais, que incluem obras de arte, vestimentas e fotografias - Foto: Vito Moura

O ambiente que, por anos, abrigou o Espaço Cultural da Universidade de Fortaleza (Unifor), atualmente vem sendo dedicado a um cuidadoso trabalho de preservação de memórias. É ali que parte do acervo que integrará uma das principais exposições do museu do Complexo Cultural Yolanda e Edson Queiroz passa por preparação para a inauguração, prevista para o dia 12 de novembro. 

Sob o olhar atento e as mãos cuidadosas dos restauradores, álbuns de fotografias, retratos pintados a óleo, livretos, peças de vestuário e santinhos que traduzem a fé da família Queiroz passam por um criterioso processo de conservação. Marcados pela ação implacável do tempo, esses objetos carregam fragmentos de uma trajetória construída por laços familiares, espírito empreendedor e um profundo apreço pela cultura e pelas artes.

"Santinhos" que retratam as devoções da família - Foto: Vito Moura

Cada peça contribui para reconstruir a trajetória do casal, revelando aspectos da vida cotidiana, das tradições e do legado deixado para o Ceará e para o Brasil. Toda essa história estará disponível à sociedade no Espaço Yolanda e Edson, onde os visitantes terão a oportunidade de percorrer um trajeto sensorial e afetivo pela vida do casal cearense, cuja parceria transformou a história do Estado. A mostra terá curadoria de Denise Mattar e cenografia de André Scarlazzari.

“A memória é uma história vivida e sentida, então existe toda uma carga afetiva, e essa importância está presente durante todo o processo”, comenta João Leite, conservador das obras de artes do acervo da Fundação Edson Queiroz. Ele explica que esse trabalho minucioso é necessário para garantir uma maior vida útil às obras e aos objetos. 

Quadros restaurados revelam diferentes momentos da vida do
empresário Edson Queiroz - Foto: Vito Moura

Etapas do processo

João Leite detalha também que a etapa mais importante da restauração é a primeira, que consiste no inventário, quando é feita a elaboração de laudos dos objetos pessoais e das obras de arte. “Nesses registros, identificamos o estado de conservação de cada peça, os danos existentes e quais ações serão necessárias para que esses objetos estejam nas melhores condições possíveis para entrar no espaço expositivo”, explica.

Depois do inventário, vem a prática da conservação, principalmente o trabalho de higienização dos objetos, conforme explica o conservador do acervo da FEQ. “O objetivo é prepará-los para a exposição, deixando-os da forma mais apresentável possível, sem eliminar as marcas do tempo que fazem parte da história de cada peça, para que o público possa acompanhá-las na exposição.”

Trabalho dos restauradores nos álbuns de família - Foto: Vito Moura

Com mais de 35 anos de serviços prestados à Fundação Edson Queiroz, o restaurador Francisco Gomes é um dos responsáveis pelo preparo das peças. Ele comenta que o amor pela profissão e o cuidado são fundamentais durante o processo. “Esse trabalho é feito com uma certa delicadeza. Quando pegamos nos materiais que são da preservação do legado da família, temos que usar luvas, máscaras e ter um certo cuidado, porque são materiais que estão se deteriorando com o correr do tempo. Isso requer muito amor por essa profissão e delicadeza para esse tipo de trabalho”, comenta.

O restaurador Francisco Gomes trabalha há mais de 35 anos
para Fundação Edson Queiroz - Foto: Vito Moura

Um presente à Fortaleza

A primeira etapa do Complexo Yolanda e Edson Queiroz será o museu, que receberá, inicialmente, quatro exposições. Além do Espaço Yolanda e Edson Queiroz, também serão abertas ao público a Bienal de Arte da Fundação Edson Queiroz, que reunirá mais de 160 obras de 40 artistas; a mostra Constelações, com mais de 200 obras pertencentes à FEQ e que propõe um percurso pela história da arte no Brasil; e a exposição Escrevendo tempos: encontros, elos e fronteiras entre artistas do Ceará e do Mundo nas coleções cearenses, que apresentará 135 obras de artistas cearenses e internacionais.

Especificamente sobre o Espaço Yolanda e Edson Queiroz, a curadora Denise Mattar ressalta que um módulo especial da exposição será dedicado a Yolanda. “Revelará não só sua força como empresária após a morte de Edson, mas também seu lado artístico e sensível, ainda pouco conhecido. A mostra se encerra com a apresentação de algumas obras da coleção de arte da Fundação Edson Queiroz, símbolo de um legado que une empreendedorismo, cultura e amor ao Ceará”, finaliza.

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