Proibição de alimentos ultraprocessados nas escolas cria novos desafios e amplia demanda por nutricionistas

ter, 7 julho 2026 11:20

Proibição de alimentos ultraprocessados nas escolas cria novos desafios e amplia demanda por nutricionistas

Nova legislação no Ceará fortalece a atuação de nutricionistas em escolas públicas e privadas e amplia oportunidades para profissionais da área


O curso de Nutrição da Universidade de Fortaleza conta com uma matriz curricular voltada à formação de profissionais capazes de planejar, executar e avaliar ações de cuidado integral à saúde humana - Foto: Ares Soares
O curso de Nutrição da Universidade de Fortaleza conta com uma matriz curricular voltada à formação de profissionais capazes de planejar, executar e avaliar ações de cuidado integral à saúde humana - Foto: Ares Soares

A restrição progressiva de alimentos ultraprocessados nas escolas públicas e privadas do Ceará tem impactado a rotina das instituições de ensino, dos profissionais e dos estudantes. Diante desse cenário, a Universidade de Fortaleza, instituição vinculada à Fundação Edson Queiroz, explica como a legislação influencia a alimentação de crianças e adolescentes, quais são os desafios que ainda precisam ser enfrentados e a importância da formação de profissionais para atender a essa nova demanda.

De acordo com dados do Sistema Único de Saúde (SUS), o excesso de peso entre adolescentes de 10 a 19 anos aumentou no Ceará entre 2014 e 2024. Nesse período, o percentual de jovens com sobrepeso passou de 23% para 35%, um crescimento de 12 pontos percentuais. É nesse contexto que as instituições de ensino deverão se adaptar à nova legislação, que prevê a restrição progressiva dos alimentos ultraprocessados até a proibição total desses produtos nas escolas em 2027.

Para a Profa. Dra. Maria Soraia Pinto, docente do curso de Nutrição da Universidade de Fortaleza, o período de transição exigirá uma rápida adequação das redes pública e privada de ensino. Segundo ela, a atuação do nutricionista será fundamental para orientar as mudanças e garantir o cumprimento da legislação.

Profa. Dra. Maria Soraia Pinto, docente do curso de Nutrição - Foto: Arquivo Pessoal

A docente destaca que a demanda por esses profissionais deve crescer especialmente nas áreas de Alimentação Coletiva, com foco na gestão de unidades de alimentação escolar, como cantinas e refeitórios; Saúde Coletiva, por meio do acompanhamento do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE); e Consultoria em Nutrição. "Todas essas áreas apresentarão um pico de demanda inédito no Ceará", afirma.

Nesse contexto, o papel do nutricionista torna-se ainda mais estratégico. Os desafios da implementação reforçam a importância desse profissional para além da responsabilidade técnica, contribuindo diretamente para a efetivação da lei. Para Soraia, esse também é um momento acompanhado de grandes oportunidades

“As ações já desenvolvidas, como o planejamento de cardápios adequados, o controle de qualidade higiênico-sanitária, e a educação alimentar e nutricional ganham um cenário mais propício no sentido de encontrar alimentos in natura na própria escola, que reforçam as ações realizadas com alunos, professores e colaboradores. É o caso de oficinas de alimentação, criação de hortas escolares, treinamento contínuo de manipuladores de alimentos (merendeiras) sobre boas práticas de manipulação, higiene e preparo, principalmente de alimentos que apresentam maior perecibilidade”, comenta. 

Por que estudar Nutrição na Unifor?

Com duração de quatro anos, o curso de Nutrição da Universidade de Fortaleza conta com uma matriz curricular voltada à formação de profissionais capazes de planejar, executar e avaliar ações de cuidado integral à saúde humana. Para a professora Maria Soraia Pinto, a nova legislação fortalece um nicho de atuação em expansão: a Nutrição Escolar.

"Para o graduando em Nutrição na Unifor, esse cenário é bastante positivo. A formação contempla módulos voltados à Gestão de Unidades de Alimentação e Nutrição (UAN), incluindo escolas públicas e privadas, além dos estágios supervisionados e das atividades de Consultoria e Assessoria em Serviços de Alimentação, que preparam os estudantes para atuar em escolas, cantinas, treinar manipuladores de alimentos e elaborar ou reformular cardápios."

A docente ressalta que as oportunidades vão além da atuação técnica nas instituições de ensino e também abrangem o empreendedorismo e a promoção da alimentação saudável.

"Abre-se um campo muito amplo para o empreendedorismo, trabalhado no módulo de Gestão e Empreendedorismo. Outro aspecto importante é a ampliação das ações de Educação Alimentar e Nutricional nas escolas. Desde o início da graduação, os estudantes participam de práticas no Núcleo de Atenção Médica Integrada (NAMI) e dos estágios em Nutrição em Saúde Coletiva e Interprofissional, desenvolvendo oficinas, atividades lúdicas e dinâmicas que favorecem a aceitação de novos alimentos por toda a comunidade escolar”, finaliza. 

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