seg, 6 julho 2026 18:23
A ciência como vocação e compromisso com a sociedade
Docentes da Unifor destacam a importância da ciência, compartilham trajetória na pesquisa e refletem sobre os desafios da carreira científica

O trabalho de um pesquisador científico começa com uma pergunta e se constrói em uma busca incansável por respostas. Entre experimentos, buscas, análises e descobertas, esses profissionais transformam a curiosidade em conhecimento, ampliam as fronteiras da ciência e desenvolvem soluções capazes de impactar a saúde, tecnologia, meio ambiente e a qualidade de vida.
Em tempos de desinformação e mudanças sociais cada vez mais aceleradas, a ciência permite tomar decisões baseadas em evidência e não em achismo, protegendo vidas e solucionando problemas sociais relevantes.
Reconhecer e valorizar quem faz esse trabalho é essencial. Por isso, no dia 8 de julho, celebramos o Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico, em reconhecimento à contribuição de quem transforma conhecimento em impacto para a sociedade.
Apesar das incertezas, a escolha pela carreira científica
A carreira científica nem sempre começa com a certeza de seguir esse caminho. Em muitos casos ela é construída aos poucos, entre experiências, descobertas e o desejo de compreender o melhor do mundo. Esse é o caso do professor Lucas Souza, pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGA) da Unifor.
“Hoje, não me vejo fazendo outra atividade. Sem a pesquisa acredito que não teria tido boa parte das minhas melhores experiências de vida.” — Lucas Souza, pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGA) da Unifor
Lucas trabalhou durante toda a sua graduação em um negócio de família e ao entrar em um grupo de pesquisa durante seu mestrado viu o que realmente queria para sua vida. Hoje, em seu próprio grupo de pesquisa (GOCC), o docente estuda o consumo sustentável e conduz pesquisas relacionadas à satisfação com a vida, com foco na relação entre materialismo e satisfação com a vida.
Motivado pelo desafio de achar lacunas em pesquisas, desenvolver um estudo, coletar dados, escrever artigos e publicar em revistas renomadas, o docente enfatiza que todo esse processo é desafiador, mas muito recompensador.
“O pesquisador tem o papel de tentar compreender e explicar os fenômenos que ele está analisando. Sem os pesquisadores, a maior parte das decisões são tomadas baseadas em achismos e senso comum”, pontua o docente.
Lucas Souza destaca que a celebração também é uma forma de reconhecer uma profissão ainda pouco valorizada no Brasil. “Esse dia é importante para valorizar esse profissional que, sem ele, não teríamos tanto avanço”, afirma.
Vocação desde o início da graduação
Por outro lado, alguns descobrem essa vocação ainda nos primeiros semestres da graduação. Foi o caso da professora Kaline Lima, pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia (PPGP). Desde o segundo semestre do curso, ela percebeu que as explicações para compreender o comportamento humano e as estruturas sociais iam além do senso comum. Ao conhecer o potencial da investigação empírica, encontrou na pesquisa quantitativa a área de seu interesse.
Hoje, atuando na interface entre psicologia social e psicometria, a docente investiga fenômenos sociais como preconceito, relações de gênero e exclusão social, e segue reforçando: os pesquisadores são instrumentos para a racionalidade, ética, progresso social e econômico de uma nação.
Movida pela possibilidade de desvelar o implícito nas relações sociais e dar visibilidade às demandas coletivas por meio do rigor metodológico, Kaline se sente desafiada a estar em constante evolução, dominando desde análises complexas até discussões teóricas profundas.
“Pessoalmente, a ciência me trouxe um senso de propósito na minha vida. Ela moldou minha visão de mundo, tornando-me mais analítica, empática e comprometida com a justiça social.” — Kaline Lima, pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia (PPGP)
Para ela, o dia 8 de julho representa “um ato de valorização da vida e do desenvolvimento das sociedades”, além de dar visibilidade ao trabalho, muitas vezes silencioso, realizado nos laboratórios e centros de pesquisa.
Pesquisador por influência
Plácido Rogério Pinheiro é doutor em Engenharia de Sistemas e Computação, com uma trajetória na pesquisa que se iniciou ainda durante sua graduação em Matemática na Universidade Federal do Ceará (UFC), despertada pela influência de professores e pesquisadores que o instigaram a fazer ciência.
Atualmente, docente na Unifor, atua no Programa de Pós-Graduação em Informática Aplicada (PPGIA) e no Mestrado Profissional em Administração (MPA). Na graduação, ministra disciplinas no curso de Ciência da Computação, junto ao Centro de Ciências Tecnológicas (CCT).
Plácido Rogério atua com programação matemática e análise multicritério de apoio à decisão, pilares invisíveis, mas fundamentais para a estruturação e o funcionamento da sociedade moderna. A programação matemática e a análise multicritério permitem substituir o "achismo" e o viés humano por modelos transparentes e matematicamente sólidos, garantindo que as grandes decisões sejam tomadas com máxima eficiência, ética e clareza.
"Em um mundo que lida com transições tecnológicas rápidas, crises globais e a necessidade de sustentabilidade, a ciência é a nossa melhor ferramenta de adaptação.” — Plácido Rogério Pinheiro, pesquisador com atuação na graduação e pós-graduação em Tecnologia.
O pesquisador relata encontrar sua maior utilidade: atuar como uma ferramenta de apoio, capaz de acelerar investigações e ajudar a mapear soluções para problemas altamente complexos, contribuindo para o bem-estar social. Mesmo com desafios, atuar na pesquisa científica é por natureza um exercício constante de resiliência e curiosidade, e para Plácido, a formação de novas mentes é a recompensa que define a trajetória de um pesquisador.
O docente ainda afirma: “A vida de um pesquisador é um caminho árduo, mas fundamental para o avanço da sociedade, abrangendo desde a pressão por publicações de alto nível até as contribuições da pesquisa à sociedade e a dedicação exigida pela orientação de pós-graduandos”.
Ele diz ainda que celebrar a ciência é reconhecer a força motriz que estrutura e impulsiona a humanidade para o futuro. Para ele, homenagear os pesquisadores é celebrar “o triunfo da curiosidade disciplinada” e a busca contínua por respostas que transformem a realidade.
Na Unifor, a ciência é prioridade
A Universidade de Fortaleza estimula a produção científica por meio de editais de fomento que impulsionam grupos de pesquisa e promovem a publicação de estudos em periódicos de alto impacto. Além disso, a instituição propicia acesso a laboratórios com equipamentos de ponta para o desenvolvimento de estudos.
Para os estudantes de graduação, por exemplo, a Universidade disponibiliza programas de bolsas de iniciação científica em parceria com entidades como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap).
“Ser pesquisadora na Unifor é ter a certeza de estar inserida em um ecossistema que respira inovação e valoriza a excelência acadêmica. Para mim, a Unifor é um Oásis, que vai muito além da incrível beleza dos seus jardins” , afirma a pesquisadora Kaline Lima
Já o pesquisador Plácido define a Unifor como um ambiente projetado para o rigor tecnológico. “O pesquisador que traduz a vanguarda em currículos sólidos e forma profissionais que lideram suas próprias linhas de pesquisa garante o prestígio institucional e a perenidade do seu trabalho.”
A estrutura de apoio à pesquisa reúne as Vice-Reitorias de Pesquisa e Ensino, as Diretorias de Pós-Graduação e Relações Internacionais, além da Biblioteca, formando um ambiente que fortalece a produção científica na Universidade. Para o professor Lucas Souza, esse conjunto de iniciativas faz a diferença: “Ser pesquisador na Unifor é muito bom, temos oportunidade que em outras instituições não existem [...] a Unifor nos dá diversos apoios e incentivos para que possamos realizar nossas pesquisas.”
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Por que ser pesquisador?
O pesquisador está na linha de frente dos grandes desafios da humanidade. Seja no desenvolvimento de vacinas, na criação de algoritmos de inteligência artificial (IA), na busca por soluções sustentáveis ou na compreensão do comportamento humano para orientar políticas públicas, seu trabalho produz conhecimento que impacta diretamente a vida em sociedade
Mais do que uma profissão, fazer ciência é uma escolha voltada para quem mantém a curiosidade como motor da aprendizagem. O pesquisador investiga fenômenos de forma sistemática, formula hipóteses, analisa evidências e produz conhecimento capaz de gerar tecnologias, aperfeiçoar processos e responder a problemas concretos. Essa atuação abre espaço para diferentes trajetórias profissionais, em universidades, institutos de pesquisa, empresas, órgãos públicos e centros de inovação, nas mais diversas áreas do conhecimento.
Embora cada carreira científica siga um caminho próprio, todas compartilham características fundamentais: curiosidade, dedicação, pensamento crítico e disposição para enfrentar desafios. Para a professora Kaline Lima, o primeiro passo é não perder o interesse por aprender.
"Cultivem a curiosidade e não tenham medo da complexidade ou dos números. A pesquisa científica exige resiliência e paciência, pois as respostas não surgem do dia para a noite. Eu sempre digo aos meus alunos: ciência não se faz sozinho."
O professor Lucas Souza também destaca que a construção de uma carreira científica exige tempo e persistência. "Não desistam. A curva de aprendizagem é muito grande. São diversas habilidades que um pesquisador precisa desenvolver. Tudo isso demanda tempo e dedicação. Minha recomendação é que tenham paciência, não se cobrem tanto e entendam que esse crescimento faz parte do processo."
Na visão do professor Plácido Rogério, a pesquisa é construída de forma coletiva e orientada pelo compromisso de transformar a realidade. "A resiliência é tão importante quanto a inteligência; a ciência nunca é solitária; e mantenha a curiosidade aberta às transições. A pesquisa é, em essência, o compromisso de construir o futuro com as próprias mãos, tijolo por tijolo."
O Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico convida à valorização de profissionais que dedicam suas carreiras à produção de conhecimento. Em um mundo marcado por rápidas transformações, reconhecer a importância da pesquisa científica significa fortalecer a inovação, incentivar o desenvolvimento sustentável e ampliar a capacidade da sociedade de enfrentar os desafios do presente e do futuro.
Fotos: Ares Soares e Vito Moura