qui, 24 setembro 2026 14:21
Simpósio da Nazide Tech debate uso de tecnologia na formação de profissionais da saúde
Evento reuniu pesquisadores, profissionais e estudantes para discutir a aplicação de robótica e realidade virtual na avaliação funcional do assoalho pélvico feminino

A Nazide Tech, empresa residente no Parque Tecnológico (Tec Unifor) da Universidade de Fortaleza, vinculada à Fundação Edson Queiroz, promoveu o Simpósio Nazide Tech: O Futuro da Simulação na Avaliação Funcional do Assoalho Pélvico Feminino. O evento, que ocorreu na última sexta-feira, 18, teve o objetivo de discutir novas possibilidades para o ensino prático na área da saúde.
O encontro abordou a integração entre robótica de alta precisão e realidade virtual como ferramentas para ampliar a formação de profissionais e tornar o treinamento clínico mais seguro e baseado em métricas objetivas.
De acordo com Verlaine Alencar, CEO da Nazide Tech e pós-graduada em Uroginecologia e Obstetrícia, um dos destaques do simpósio foi a análise de 20 casos clínicos.
A atividade contribuiu para a validação técnica da tecnologia desenvolvida pela empresa e demonstrou, na prática, a possibilidade de utilizar recursos tecnológicos para complementar os métodos tradicionais de treinamento.
“O tema central foi a evolução do ensino prático em áreas sensíveis da saúde, focando na integração entre robótica de alta precisão e imersão em Realidade Virtual”, explica Verlaine.
Tecnologia aplicada à formação
Também fisioterapeuta e mestre em Ciências Médicas pela Unifor, Verlaine conta que a realização do simpósio também representou uma oportunidade de aproximar a tecnologia desenvolvida pela empresa da comunidade acadêmica e de profissionais que atuam na formação clínica.
Segundo a fisioterapeuta, o evento buscou validar o conteúdo teórico junto a pesquisadores e preceptores clínicos, além de apresentar a trajetória da empresa dentro do ecossistema de inovação da Universidade.
A tecnologia da Nazide Tech teve origem em uma pesquisa desenvolvida no Laboratório de Pesquisa e Inovação em Cidades (Lapin) e posteriormente avançou para a estruturação da healthtech.
Entre as aplicações discutidas está a possibilidade de permitir que estudantes desenvolvam habilidades clínicas sem depender exclusivamente de pacientes reais durante o processo de aprendizagem. A proposta é utilizar ambientes simulados para que os futuros profissionais possam exercitar o raciocínio clínico e a percepção tátil de maneira controlada.
“A relevância está em solucionar uma dor latente na formação de novos profissionais da saúde: a dependência de pacientes reais para o treinamento de habilidades clínicas” - Verlaine Alencar, CEO da Nazide Tech.
Aproximação entre Universidade e mercado
Para a CEO, a colaboração entre academia e mercado é fundamental para que as tecnologias desenvolvidas em ambientes de pesquisa estejam alinhadas às demandas encontradas nas instituições de saúde.
“A inovação estrutural exige a união do rigor metodológico da universidade com a agilidade resolutiva do mercado corporativo”, destaca.
A aproximação também permite que pesquisadores e profissionais contribuam para o aprimoramento das soluções tecnológicas, considerando as necessidades de clínicas, hospitais e instituições responsáveis pela formação de profissionais da saúde.
Novas possibilidades para a inovação
A validação realizada durante o simpósio também apontou novas possibilidades de desenvolvimento para a Nazide Tech. Entre elas, está a combinação de inteligência artificial e realidade mista, com potencial para ampliar as funcionalidades das ferramentas de simulação.
Além dos equipamentos utilizados no processo educacional, a obstetra explica que existe uma demanda crescente por dados capazes de acompanhar o desempenho e a evolução dos estudantes.
A partir disso, a empresa identifica oportunidades para desenvolver novos módulos imersivos e preditivos em parceria com instituições e outros atores do ecossistema de inovação.
Da pesquisa científica ao mercado, Nazide Tech
A trajetória da Nazide Tech também representa a transformação de uma demanda identificada na prática profissional em pesquisa científica e, posteriormente, em uma solução tecnológica.
Verlaine explica que o Nazide Pressus surgiu a partir de uma lacuna observada durante sua atuação clínica, que posteriormente se tornou objeto de sua pesquisa de mestrado e foi desenvolvida tecnologicamente pelo Lapin.
Nazide Pressus em exposição no Simpósio Nazide Tech (Foto: Divulgação)
Para a CEO, iniciativas como o simpósio demonstram como a pesquisa acadêmica pode ultrapassar os limites da universidade e chegar ao mercado por meio da inovação.
“O Nazide Pressus é a prova viva dessa conexão, pois nasceu de uma lacuna que identifiquei na prática clínica, virou minha pesquisa de mestrado e foi transformado em inovação tecnológica pelo Lapin”, afirma.
Com a iniciativa, a empresa busca ampliar a utilização da tecnologia na formação em saúde e contribuir para o desenvolvimento de soluções voltadas à saúde da mulher. Além disso, também pretende fortalecer a atuação do Ceará no desenvolvimento de tecnologias cyber físicas aplicadas à área da saúde.
TEC Unifor
O TEC Unifor é o primeiro parque tecnológico cearense reconhecido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Inaugurado em 2017, impulsiona a inovação e a pesquisa por meio de parcerias com empresas e startups que desenvolvem soluções tecnológicas de impacto para a sociedade.
As empresas são residentes ou não residentes no campus e contam com incentivos fiscais, apoio de pesquisadores e bolsistas, além de ambiente equipado com tecnologia de última geração, favorecendo o crescimento de seus produtos e negócios.
O TEC Unifor é ocupado por empresas residentes, núcleos de pesquisa, laboratórios, Unifor Hub, Espaço Growth e auditório. O espaço conta com recursos provenientes da Fundação Edson Queiroz e da Financiadora de Estudos e Pesquisa (Finep), por meio de duas chamadas públicas:
- “MCTI/Finep/FNDCT/CT - Verde Amarelo - Parques Tecnológicos / Seleção Pública de Propostas para o Apoio Financeiro a Parques Tecnológicos em Implantação e em Operação”.
- "MCTI/Finep/FNDCT/CT – Verde Amarelo – Laboratórios Abertos de Prototipagem e Espaços Compartilhados", anunciado em 2022, com apoio financeiro de até 2 milhões de reais em projetos de pesquisa inovadores.