sex, 10 abril 2026 14:06
Unifor integra projeto internacional sobre cuidado de pessoas com múltiplas doenças crônicas
Objetivo do projeto é desenvolver, adaptar e implementar estratégias de cuidado mais integradas, acessíveis e centradas no paciente, utilizando inovação, colaboração internacional e soluções tecnológicas

O Multipulm é um projeto de pesquisa internacional patrocinado pela União Europeia, voltado ao cuidado de pessoas com múltiplas condições crônicas de saúde, com foco especial em doenças respiratórias crônicas. O Parque Tecnológico da Universidade de Fortaleza, vinculada a Fundação Edson Queiroz, por meio do laboratório do Vortex, e o Núcleo de Atenção Médica Integrada (NAMI), estão participando da ação.
Com início em agosto de 2025, o projeto tem como principal objetivo desenvolver, adaptar e implementar estratégias de cuidado mais integradas, acessíveis e centradas no paciente, utilizando inovação, colaboração internacional e soluções tecnológicas que possam ser aplicadas em diferentes contextos de saúde, explica Guilherme Pinheiro, Líder do projeto Multipulm na Unifor.
Segundo ele, o projeto busca enfrentar desafios mais atuais da saúde, especialmente sobre os pacientes que convivem com mais de uma condição crônica simultaneamente, o que torna o cuidado mais complexo.
Guilherme diz que o Multipulm procura responder a problemas como:
- Dificuldade de acesso a estratégias contínuas de cuidado;
- Baixa adesão a mudanças no estilo de vida;
- Necessidade de acompanhamento mais próximo de pacientes com doenças crônicas e barreiras sociais, culturais e organizacionais que dificultam a implementação de tecnologias em saúde.
Desse modo, o Multipulm utiliza metodologias colaborativas e participativas, além de ferramentas de inovação em saúde, sendo entre elas:
- A identificação de necessidades locais;
- Discussão com especialistas e usuários;
- O desenvolvimento de estratégias voltadas ao monitoramento da saúde;
- Mudanças no estilo de vida;
- Apoio ao autocuidado em pessoas com doenças respiratórias crônicas e multimorbidades.
Também professor do curso de Fisioterapia da Unifor, Guilherme conta que, na prática, o projeto quer contribuir para um modelo de cuidado mais eficiente, humano e sustentável.
Guilherme Pinheiro, Líder do projeto Multipulm na Unifor (Foto: Arquivo pessoal)
A participação do TEC Unifor
Fernando Ferreira, pesquisador e coordenador do projeto e do TEC Unifor, explica que participou na coordenação de um projeto anterior chamado OCARIoT, financiado pela União Européia pelo Horizon Europe (HE). Um dos parceiros deste consórcio, o CERTH, convidou o TEC Unifor para compor a equipe do projeto Multipulm.
O TEC Unifor atua na conexão da academia com organizações dos diferentes setores, em prol do desenvolvimento de pesquisas e inovações, para o desenvolvimento socioeconômico. Desse modo, oportunizou a participação da Universidade por meio do laboratório Vortex e do NAMI.
Fernando conta que essa inserção internacional demonstra a capacidade do ecossistema de inovação do TEC Unifor de contribuir com projetos de alta complexidade, alinhados às demandas globais, sem perder de vista a adaptação às realidades locais.
“Do ponto de vista da universidade e do TEC Unifor, percebo um foco em ampliar as nossas ações em parcerias internacionais, fortalecendo ainda mais a pesquisa e inovação em colaboração em nível internacional”, afirma.
“A participação em projetos internacionais, especialmente os HE, ampliam muito a rede de parceiros de pesquisa e inovação, pois são muitos parceiros envolvidos, sendo 18 ao todo, incluindo a Unifor. Deste modo, oportuniza a captação de novos projetos, potencializam e ampliam o alcance dos resultados do projeto, como os artigos produzidos e as pessoas beneficiadas. O conhecimento adquirido nesses projetos também é positivo para novas perspectivas e possibilidades” - Fernando Ferreira, coordenador do TEC Unifor.
Durante os projetos HE que Fernando participou, ele relata que sempre há um esforço dimensionado para marketing e disseminação científica. Ou seja, aliado a 17 outras instituições, durante o período de 4 anos, ele diz que a Universidade estará produzindo resultados, publicações, matérias, e postagens relacionadas ao projeto, contribuindo ativamente para a ciência por meio de periódicos, eventos e outros.
Além disso, ao integrar um projeto HE, o pesquisador conta que a instituição pode ser localizada por meio do portal da União Européia como possível parceira de novos projetos, e que a própria boa condução e participação conduz naturalmente à novas oportunidades.
NAMI e Multipulm
Natália Bitar, professora de Fisioterapia da Unifor e pesquisadora do projeto Multipulm, afirma que o NAMI é parceiro estratégico, contribuindo com expertise em assistência à saúde e práticas multidisciplinares no cuidado ao paciente.
Segundo ela, a equipe apoia a implementação local do projeto e colabora na coleta e análise de dados clínicos. O NAMI também se destaca na aplicação prática das soluções, no acompanhamento de pacientes e na validação de protocolos em ambiente real.
A professora ressalta que, como clínica-escola que atende pelo SUS, o NAMI tem papel essencial na formação profissional e na oferta de cuidado acessível. “O NAMI representa a realidade de um sistema de saúde universal, integral e gratuito, e contribui para que as soluções do projeto atendam às demandas da saúde pública”, conclui.
“As expectativas são bastante positivas, principalmente no que diz respeito à melhoria da qualidade do atendimento, ao desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas e à geração de conhecimento científico relevante que possa ser aplicado em diferentes contextos, fortalecendo o nome da UNIFOR no cenário internacional” - Natália Bitar, professora do curso de Fisioterapia da Unifor
Vortex e Multipulm
O coordenador do laboratório do Vortex, Joel Sotero, conta que, no projeto, o Brasil atua como site piloto para validação em saúde, contribuindo na análise das demandas reais do contexto assistencial.
Nesse cenário, o Vortex apoia a definição de requisitos, interfaces e aplicabilidade clínica das ferramentas, buscando garantir que as soluções sejam eficazes e alinhadas à realidade dos serviços de saúde e dos pacientes.
Essa contribuição, para Joel, é importante para garantir que as tecnologias façam sentido na prática e estejam alinhadas às realidades dos serviços de saúde e dos perfis dos pacientes envolvidos.
“Essa experiência permite ao laboratório contribuir de forma qualificada nas discussões sobre o que é realmente viável, necessário e útil dentro de cada piloto. Em outras palavras, ajudamos a aproximar o desenvolvimento tecnológico das necessidades concretas da prática em saúde” - Joel Sotero, coordenador do laboratório do Vortex.
Os estudantes e pesquisadores vinculados ao Vortex participam em diferentes frentes, especialmente no apoio às atividades de pesquisa, levantamento de requisitos, discussão de soluções tecnológicas, organização de fluxos de trabalho e desenvolvimento de tecnologias próprias do laboratório que dialogam com a temática do projeto, comenta o coordenador.
Esse envolvimento, de acordo com Joel, é muito relevante porque permite que alunos da graduação e pesquisadores tenham contato direto com um consórcio internacional, ampliando sua formação em pesquisa aplicada, inovação em saúde e colaboração internacional.
Colaboração Internacional do Multipulm
A colaboração reúne universidades e grupos de pesquisa de diferentes países europeus, integrando conhecimentos científicos, clínicos e tecnológicos. Para Guilherme, essa troca amplia o acesso a metodologias e inovações, com impacto na formação acadêmica e na qualidade do atendimento em saúde.
Natália destaca que a integração de instituições de saúde em projetos internacionais é fundamental, pois fortalece a ciência ao promover compartilhamento de saberes e desenvolvimento de soluções mais eficazes.
Joel afirma que a participação no Multipulm consolida a trajetória internacional do laboratório e abre novas oportunidades de cooperação. Para ele, esse tipo de experiência fortalece o laboratório cientificamente e institucionalmente, abrindo portas para novas parcerias, novos projetos e novas oportunidades de internacionalização
Fora da Europa, apenas a Unifor e um grupo do Rio Grande do Norte integram o consórcio, reforçando a relevância da participação brasileira.
Resultados e estrutura
Atualmente, Guilherme explica que o projeto está em fase de estruturação e desenvolvimento colaborativo, alinhando estratégias entre os parceiros, definindo etapas de implementação e discutindo como adaptar as ações do projeto aos diferentes contextos de saúde envolvidos.
Mesmo nesta fase inicial, o projeto já apresenta avanços importantes, como o fortalecimento da cooperação internacional, o alinhamento metodológico entre os centros participantes e a construção conjunta de propostas inovadoras para o cuidado em saúde.
A participação da Unifor, declara Guilherme, é muito importante porque contribui com experiência em pesquisa e assistência, especialmente na área de reabilitação de pessoas com doenças respiratórias crônicas.
Iniciativas como o Multipulm, segundo Joel, têm impacto direto no fortalecimento da pesquisa aplicada dentro da universidade, porque conectam a produção acadêmica a problemas reais, serviços concretos e redes internacionais de colaboração.
“Isso permite que a universidade avance não apenas na geração de conhecimento, mas também na construção de soluções com potencial de uso prático, ampliando a formação dos estudantes, fortalecendo os grupos de pesquisa e projetando institucionalmente a universidade em contextos estratégicos de inovação” ressalta o coordenador.
Saiba mais
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