Bituca Cidadã: alunos da Unifor desenvolvem lixeiras próprias para o descarte correto de bitucas de cigarro

qua, 10 junho 2026 16:45

Bituca Cidadã: alunos da Unifor desenvolvem lixeiras próprias para o descarte correto de bitucas de cigarro

A equipe criou a partir de um cano de PVC o protótipo do projeto, que para além do descarte correto visa conscientizar o usuário reafirmando o cuidado com a natureza 


A proposta do projeto também aposta na conscientização dos fumantes sobre o descarte adequado das bitucas.(Foto: Getty Images)
A proposta do projeto também aposta na conscientização dos fumantes sobre o descarte adequado das bitucas.(Foto: Getty Images)

O uso de cigarros está diretamente associado a graves impactos à saúde e ao meio ambiente. O principal desafio está no descarte das bitucas e dos filtros, que não são biodegradáveis e liberam toxinas na natureza. Essas bitucas são descartadas incorretamente em ruas, avenidas, praças, parques e até em praias, sendo também bastante comum encontrar pontas de cigarro jogadas nas calçadas e pátios de faculdades.  

Durante uma conversa cotidiana pelo campus da Universidade de Fortaleza (Unifor), instituição mantida pela Fundação Edson Queiroz, um grupo de estudantes notaram um acúmulo expressivo de bitucas de cigarros. A partir dessa percepção, surgiu a proposta de um mobiliário urbano de fácil instalação, para auxiliar em um descarte adequado e tornar o campus mais limpo e consciente. 

Buscando solucionar esse problema, os alunos: Fabrício Garcia, Lucas Rangel, Caio Csemark, Caio Gomes, Yuri Enomoto, Cauã Angnes e Rodrigo Façanha, estudantes do curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas (ADS), levaram a ideia para a disciplina de projeto de intercursos, e foram orientados pelo professor Ricardo Colares, docente dos cursos de Ciência da Computação e Análise e Desenvolvimento de Sistemas, na condução do processo criativo e na implementação do projeto. 

As lixeiras serão instaladas em pontos estratégicos do campus, identificados pela equipe como áreas de maior acúmulo de bitucas. A lógica é simples, reduzir ao máximo o esforço do fumante, deixando o descarte correto, sempre acessível e conveniente. “Quanto menos desculpa, menos poluição”, destaca Lucas Rangel, integrante da equipe. 

Segundo o professor Ricardo Colares, as lixeiras resolvem o problema da coleta, mas não do descarte, pensando em uma solução completa, surgiu a ideia de usar as bitucas coletadas na confecção de tijolos como uma forma de uso e evitando a contaminação do ambiente. 

Projeto saindo do papel 

A disciplina Tecnologias e Intercursos orienta os alunos a criarem um senso crítico aos problemas sociais e ambientais, conduzindo-os na proposta e execução de projetos de tecnologia voltados para a solução de um problema escolhido pelos alunos. 

A equipe foi então direcionada a criar um modelo para a lixeira com foco na praticidade e na facilidade de instalação. Os alunos optaram por usar um cano de PVC de 100mm como estrutura principal, complementado por uma base impressa em 3D e fizeram investimentos para a construção da lixeira, criando o design e a arte de divulgação do projeto no adesivo que envolve o depósito. 


(Imagem: Divulgação)

Foi utilizado na modelagem digital um software de modelagem 3D para criar um esboço inicial e definir as proporções adequadas, ajudando os alunos a ter uma visão mais clara do produto antes mesmo de partir para a produção física. 


O projeto é resultado de uma educação voltada à inovação, que incentiva os estudantes a transformar conhecimento em soluções para desafios reais. (Foto:Leonardo Bino)

A próxima etapa do projeto foca no aprimoramento técnico dos tijolos produzidos a partir das bitucas coletadas. Os estudantes trabalham no desenvolvimento de um material de alta resistência e máxima segurança, garantindo uma estrutura sólida que mantenha os resíduos completamente isolados e protegidos do meio ambiente. 

Além disso, trabalham para acelerar o processo de cura do produto, já que enquanto tijolos tradicionais podem levar cerca de 21 dias para secar completamente, o grupo precisa de uma solução que fique pronta em aproximadamente três dias para atender ao cronograma acadêmico.

Para o professor Ricardo Colares, a experiência também trouxe uma mudança de percepção sobre o problema. “Antes, eu não percebia a dimensão desse impacto ambiental. Hoje entendo que as bitucas não devem ser descartadas junto aos resíduos doméstico.


Esta notícia está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), contribuindo para o alcance dos ODSs 3 – Saúde e Bem-Estar, 4 – Educação de Qualidade e 9 – Indústria, Inovação e Infraestrutura

Dessa forma, a Universidade de Fortaleza fortalece a formação acadêmica de excelência ao integrar tecnologia e bem-estar, incentivando o desenvolvimento de soluções computacionais inovadoras aplicadas à saúde. 

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