Entrevista Nota 10: Caio Pontes e a especialização em enfermagem como fator crucial no cuidado intensivo

seg, 2 fevereiro 2026 11:00

Entrevista Nota 10: Caio Pontes e a especialização em enfermagem como fator crucial no cuidado intensivo

O especialista em Enfermagem em Terapia Intensiva Adulta e Pediátrica fala sobre a importância da especialização para ampliar as oportunidades profissionais no mercado de enfermagem e os desafios do trabalho com pacientes críticos nas UTIs


Pós-graduando em Qualidade e Gestão Hospitalar, Caio é egresso e docente da graduação em Enfermagem e da Especialização em Enfermagem em Terapia Intensiva da Unifor (Foto: Arquivo pessoal)
Pós-graduando em Qualidade e Gestão Hospitalar, Caio é egresso e docente da graduação em Enfermagem e da Especialização em Enfermagem em Terapia Intensiva da Unifor (Foto: Arquivo pessoal)

A enfermagem em terapia intensiva se diferencia da enfermagem tradicional, sobretudo, pela complexidade do cuidado e pela necessidade de tomada de decisão imediata baseada em raciocínio clínico avançado. Nesse cenário, a formação direcionada se apresenta como fator crucial não só para a qualidade do cuidado intensivo, mas também para a expansão de oportunidades profissionais.

De acordo com o enfermeiro Caio Pontes, especialista em Enfermagem em Terapia Intensiva Adulto pela Universidade de Fortaleza — instituição mantida pela Fundação Edson Queiroz —, essa qualificação especializada impacta diretamente a segurança do paciente, reduzindo eventos adversos e qualificando o cuidado prestado.

“Um enfermeiro intensivista bem formado reconhece precocemente sinais de alterações hemodinâmicas/clínicas, atuando de forma assertiva e contribuindo ativamente para melhores desfechos. A base sólida adquirida na Unifor, com forte articulação entre teoria e prática, prepara o profissional para atuar com excelência, senso crítico e responsabilidade”, pontua o analista assistencial hospitalar do Instituto de Gestão, Estudos e Pesquisa em Saúde (IGEP Saúde).

Graduado em Enfermagem pela Unifor, Caio é especialista em Enfermagem em Terapia Intensiva Pediátrica e em Gestão Hospitalar pela Faculdade de Venda Nova do Imigrante (FAVENI). Com especialização em Enfermagem em Perícia Forense pela Faculdade Volpi Miele (FVM), é conselheiro da Comissão Brasileira de Enfermagem em Perícia Forense do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e pós-graduando em Qualidade e Gestão Hospitalar na Cequale Cursos.

Caio retornou à Unifor como professor dos cursos de graduação e pós-graduação que lhe capacitaram, trabalhando ainda como segundo conselheiro da Sociedade Brasileira de Nanomedicina. Atuou em instituições de referência, como o Hospital de Messejana, o Hospital Infantil Albert Sabin, a OTOclínica e a Rede D’Or, consolidando experiência no cuidado ao paciente crítico adulto e pediátrico, além de coordenar unidades e implantar serviços de UTI no Hospital Universitário do Ceará (HUC).

“Acredito que minha experiência em processos clínicos e administrativos, aliada à atuação em contextos de alta complexidade, pode contribuir para os desafios da educação, fortalecendo a qualidade, a eficiência e a integração das terapias assistenciais, alinhadas aos padrões de acreditação e à missão institucional de promover saúde com excelência”, declara o docente.

Na Entrevista Nota 10 desta semana, ele fala sobre a importância da especialização para ampliar as oportunidades no mercado de enfermagem e os desafios do trabalho com pacientes críticos nas UTIs, além de comentar sua relação com a Unifor.

Confira na íntegra a seguir.

Entrevista Nota 10 — As Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) exigem preparo técnico, equilíbrio emocional e tomada de decisões rápidas. Na sua avaliação, o que diferencia a enfermagem tradicional da enfermagem em terapia intensiva? Quais são, hoje, os principais desafios enfrentados pelos profissionais que atuam em UTIs?

Caio Pontes — A enfermagem em terapia intensiva se diferencia da enfermagem tradicional, sobretudo, pela complexidade do cuidado e pela necessidade de tomada de decisão imediata baseada em raciocínio clínico avançado. Na UTI, o enfermeiro lida continuamente com pacientes em risco iminente de vida, tecnologias de alta complexidade e múltiplas variáveis clínicas que exigem vigilância constante, domínio técnico-científico e maturidade emocional.

Além disso, o enfermeiro intensivista precisa integrar o conhecimento técnico à sensibilidade humana, compreendendo que, mesmo em um ambiente altamente tecnológico, o cuidado não pode se afastar do afeto, da escuta qualificada e do olhar integral sobre o paciente e sua família.

Os principais desafios atuais envolvem a sobrecarga de trabalho, o desgaste emocional, a escassez de recursos em determinados contextos e a necessidade permanente de atualização científica. Nesse cenário, uma formação sólida, como a oferecida pela Unifor, faz toda a diferença ao preparar o profissional para articular teoria e prática in loco, sem perder de vista a essência humana da enfermagem. 

Entrevista Nota 10 — Recentemente, um caso ocorrido no Hospital Anchieta, em Brasília, ganhou repercussão nacional após um técnico de enfermagem ser acusado de matar três pacientes internados na UTI ao injetar substâncias indevidas. De que forma a criação e a aplicação rigorosa de protocolos de segurança podem ajudar a prevenir situações como essa? Na sua opinião, que reflexões esse caso levanta sobre ética profissional na área da saúde?

Caio Pontes — Casos como esse evidenciam, de forma contundente, a importância da implementação rigorosa de protocolos de segurança do paciente, aliados a uma cultura institucional de vigilância, rastreabilidade e responsabilidade compartilhada. Protocolos bem estruturados, como dupla checagem de medicamentos, controle de acesso a substâncias de alto risco, auditorias assistenciais e supervisão efetiva, reduzem significativamente a margem para falhas.

Do ponto de vista ético, o episódio suscita reflexões profundas sobre o compromisso moral do profissional de saúde com a vida, a dignidade humana e a confiança social depositada na equipe. A formação ética não pode ser dissociada da formação técnica. É preciso reforçar, desde a graduação, que o paciente não é um cliente ou um número, mas um ser humano vulnerável. A Unifor sempre trabalhou essa perspectiva de forma muito consistente, formando profissionais conscientes de que cuidar é, antes de tudo, um ato ético e humano.

Entrevista Nota 10 — A especialização costuma ser um caminho comum na enfermagem, principalmente para quem quer trabalhar com terapia intensiva. Qual a importância desse passo para ampliar as oportunidades de atuação no mercado de trabalho? De que maneira a qualificação profissional especializada impacta a segurança e a qualidade do cuidado prestado a pacientes críticos?

Caio Pontes — A especialização em Terapia Intensiva representa um divisor de águas na trajetória do enfermeiro. Além de ampliar significativamente as oportunidades no mercado de trabalho, ela confere segurança técnica, autonomia profissional e maior capacidade de liderança dentro das equipes multiprofissionais. Em ambientes críticos, não há espaço para improviso: cada decisão precisa ser fundamentada em evidências científicas.

A qualificação especializada impacta diretamente a segurança do paciente, reduzindo eventos adversos e qualificando o cuidado prestado. Um enfermeiro intensivista bem formado reconhece precocemente sinais de alterações hemodinâmicas/clínicas, atuando de forma assertiva e contribui ativamente para melhores desfechos. A base sólida adquirida na Unifor, com forte articulação entre teoria e prática, prepara o profissional para atuar com excelência, senso crítico e responsabilidade.

Entrevista Nota 10 — Você é graduado em Enfermagem e especialista em Enfermagem em Terapia Intensiva pela Unifor. Poderia contar como foi a sua experiência formativa aqui? O que te levou a escolher a Universidade de Fortaleza?

Caio Pontes — Minha experiência formativa na Universidade de Fortaleza foi extremamente marcante e determinante para minha trajetória profissional. Escolhi a Unifor pela excelência acadêmica, pela infraestrutura diferenciada e, principalmente, pela proposta pedagógica que valoriza a integração entre teoria e prática desde os primeiros momentos da formação.

A Unifor não forma apenas profissionais competentes, mas profissionais críticos, éticos e humanos. Os ensinamentos recebidos na graduação e na especialização me permitiram compreender a enfermagem como ciência do cuidado, baseada no conhecimento científico, mas também no afeto, na escuta e no respeito à singularidade do paciente. Essa base sólida se reflete diretamente na prática assistencial e na forma como exerço a profissão até hoje.

Entrevista Nota 10 — Quais diferenciais da Especialização em Enfermagem em Terapia Intensiva foram decisivos para o seu destaque no mercado de trabalho? De que forma essa experiência contribuiu para a sua trajetória profissional?

Caio Pontes — Entre os principais diferenciais da Especialização em Enfermagem em Terapia Intensiva da Unifor, destaco o corpo docente altamente qualificado, a abordagem prática alinhada às evidências científicas mais atuais e o estímulo constante ao raciocínio clínico e à tomada de decisão responsável. A vivência prática supervisionada, aliada à discussão de casos reais, foi fundamental para consolidar o aprendizado.

Essa formação me proporcionou segurança técnica, visão sistêmica do cuidado intensivo e abriu portas para atuações diversas. A especialização não apenas qualificou meu currículo, mas fortaleceu minha identidade profissional enquanto enfermeiro intensivista comprometido com a excelência e a humanização do cuidado.

Entrevista Nota 10 — Hoje você volta à Unifor como docente tanto da Especialização em Enfermagem em Terapia Intensiva quanto da graduação em Enfermagem. Como está sendo integrar o corpo docente da instituição onde você se formou? De que maneira a sua vivência profissional contribui para a formação dos novos profissionais de enfermagem?

Caio Pontes — Retornar à Unifor como docente é, sem dúvida, além de um sonho, é uma experiência de grande orgulho e responsabilidade. Integrar o corpo docente da instituição onde me formei representa o fechamento de um ciclo e, ao mesmo tempo, o início de um novo compromisso com a formação de futuros profissionais que almejam ser um enfermeiro intensivista de excelência.

Minha vivência profissional permitiu levar para a sala de aula a realidade concreta dos serviços de saúde. Procuro sempre conectar a teoria à prática in loco, reforçando que o paciente não deve ser visto como cliente, mas como outro ser humano que necessita de cuidado, escuta e respeito. Os professores da Unifor me ensinaram que a enfermagem é a ciência do cuidado; por meio disso, tratamos o outro com humanidade e dignidade, e são exatamente essas virtudes que carrego no meu legado enquanto docente e busco transmitir aos meus alunos.

 


Esta notícia está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), contribuindo para o alcance do ODS 4 – Educação de Qualidade e do ODS 8 – Trabalho Decente e Crescimento Econômico.

A Universidade de Fortaleza, assim, assegura educação inclusiva, equitativa e de qualidade, promovendo oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos, além de propiciar o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente.