"Não Pod Fumar": alunos da Unifor criam robô para ajudar jovens a largar o cigarro eletrônico

sex, 5 junho 2026 09:37

"Não Pod Fumar": alunos da Unifor criam robô para ajudar jovens a largar o cigarro eletrônico

Alunos do curso de Ciência da Computação criam robô de software para auxiliar jovens em um desafio de 30 dias de redução do uso de vapes e pods 


O desafio é individual e visa uma redução de pelo menos 20% do uso dos cigarros eletrônicos no prazo de 30 dias. (Foto: Divulgação)
O desafio é individual e visa uma redução de pelo menos 20% do uso dos cigarros eletrônicos no prazo de 30 dias. (Foto: Divulgação)

O uso de cigarro eletrônico, como vapes e pods, tem se tornado comum principalmente entre os jovens. Isso ocorre predominantemente pela popularização nas redes sociais, pelos sabores atrativos e pela falsa ideia de que esses dispositivos seriam menos prejudiciais à saúde. 

Diante desse cenário, alunos do cursos de Ciência da Computação e Análise e Desenvolvimento de Sistemas (ADS) da Universidade de Fortaleza (Unifor) instituição mantida pela Fundação Edson Queiroz, desenvolveram o projeto "Não Pod Fumar", durante a disciplina Projeto de Tecnologia Intercursos.

A proposta foi idealizada pelos alunos João Gabriel, Bruno Matos, Cauã Melo, João Pedro Magalhães e Angelo Kauê, que escolheram como tema o alto consumo de cigarro eletrônico entre jovens e os impactos causados pelo uso. 

Orientada pelo professor Ricardo Colares, docente dos cursos de Ciência da Computação e ADS, a iniciativa visa sensibilizar usuários de vapes e pods sobre os riscos desses dispositivos. O projeto propõe um desafio de 30 dias com acompanhamento diário realizado por um robô de software, desenvolvido pelos próprios alunos da disciplina para apoiar os participantes durante o processo.

A parte de automação e integração do sistema, incluindo o fluxo desenvolvido em N8N que conecta os processos no backend, contou com a participação do aluno de Ciência da Computação, Evandro Luz, responsável por um trabalho essencial para o funcionamento integrado do projeto.

Com foco em estudantes da Unifor e do Instituto Federal do Ceará (IFCE), a equipe idealizou uma campanha de divulgação do Desafio 30, com cartazes e panfletos aplicados nos dois campi, visando comparar o comportamento entre as instituições. Como parte da ação, foi desenvolvido um formulário de pesquisa acerca dos hábitos e frequência de uso dos cigarros que após preenchido caracteriza um usuário com interesse em parar de fumar. 

O desafio é individual e visa uma redução de pelo menos 20% do uso de cigarro eletrônico no prazo de um mês. A proposta por trás do desafio é provocar diariamente uma reflexão acerca do uso e induzir à diminuição, atentando aos efeitos colaterais, benefícios à saúde e a economia, resultante da diminuição de gastos na compra de vapes e pods. 


Cartaz do projeto "Não Pod Fumar" (Imagem: Divulgação)

Após o preenchimento, o usuário que aceitou o desafio passa a ser acompanhado pelo robô de software que, por meio do whatsapp, realiza o acompanhamento rotineiramente. O participante receberá todo dia uma comunicação perguntando como foi o seu dia, se fumou ou não, quantas vezes fumou e em quais ocasiões ou por quais motivos. 

O que os vapes e pods não te contam

O cigarro eletrônico foi inicialmente popularizado com a proposta de auxiliar na interrupção do uso de produtos convencionais, como o cigarro comum. No entanto, apesar de muitas vezes serem apresentados como uma alternativa recreativa, esses dispositivos também são derivados do tabaco e expõem o usuário a diversas substâncias prejudiciais ao organismo.

Entre os compostos inalados estão o monóxido de carbono, o alcatrão e outras substâncias tóxicas. Além disso, os dispositivos podem conter nicotina, uma droga altamente viciante, associada a diversos danos à saúde e ao risco de morte, dependendo da concentração e do fabricante.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), o uso pode causar dependência química, doenças pulmonares graves, problemas cardiovasculares, hipertensão arterial e até morte súbita, além de aumentar o risco de câncer. A entidade também reforça que esses dispositivos não são inofensivos nem eficazes como estratégia de redução de danos, já que liberam substâncias altamente tóxicas em altas temperaturas.

Outro risco associado é o desenvolvimento da Evali, sigla em inglês para lesão pulmonar associada ao uso de produtos de cigarro eletrônico ou vaping. A condição pode provocar sintomas como tosse, dor torácica e falta de ar (dispneia), além de manifestações como dor abdominal, náuseas, vômitos, diarreia, febre, calafrios e perda de peso.

Um estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística  (IBGE) no fim de maio confirma o uso de vapes e pods entre os mais jovens. De acordo com Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar de 2024 (PeNSE 2024), cerca de 29,6% dos estudantes entre 13 e 17 anos consultados relataram já ter experimentado cigarro eletrônico.

Muitos jovens, inclusive, começam a usar o vape por uma mistura de curiosidade e desejo de pertencer ao grupo. No ambiente de festas, repúblicas e intervalos de aula, o dispositivo acaba funcionando como um "facilitador social", é fácil de compartilhar, tem cheiros agradáveis (como frutas ou doces) e não carrega o estigma negativo do cigarro comum, mas carrega tantos malefícios quanto.

Conhecimento em ação 

A disciplina Tecnologias e Intercursos, que abrange o "Não Pod Fumar", orienta os alunos a criar um senso crítico aos problemas sociais e ambientais, conduzindo-os na proposta e execução de projetos de tecnologia voltados para a solução de um problema escolhido pelos alunos.  Assim, o "Não Pod Fumar" foi concebido e terá sua execução finalizada no mesmo semestre.

“Os alunos são orientados a pensar na continuidade do projeto de duas formas: divulgando o projeto para estimular iniciativas semelhantes e mantendo o sistema automático desenvolvido por eles  em funcionamento, mesmo após a conclusão do semestre", afirma o professor Ricardo Colares.

"A tecnologia ganha ainda mais força quando é desenvolvida para transformar realidades e gerar impacto social",  complementa a professora Liádina Camargo, coordenadora dos cursos de Ciência da Computação, Engenharia da Computação e Análise e Desenvolvimento de Sistemas da Unifor. 


Professores Liádina Camargo e Ricardo Colares (Foto: Marjorie Zaranza)

Após processo de tentativas e erros, o grupo definiu o cigarro eletrônico como temática. A partir disso, os alunos uniram tecnologia e impacto social por meio de uma landing page interativa e um sistema de acompanhamento diário, tudo construído a partir da pergunta: “Como usar o que sabemos da computação para ajudar pessoas de verdade?”. 

Os alunos utilizaram seus conhecimentos da área em praticamente todas as camadas do projeto: no desenvolvimento da landing page; na construção dos formulários pensando em quais dados coletar; na automação do fluxo e acompanhamento via N8N que consiste em uma visualização em tempo real de cada etapa; e até na análise dos dados coletados, para medir se o projeto está alcançando os resultados esperados, tudo para garantir a funcionalidade.  

Ao longo do projeto, o papel dos alunos variou bastante de acordo com suas habilidades, abrangendo desde a criação até a divulgação. João Pedro Magalhães, por exemplo, atuou na fase de ideação, design de panfletos e QR codes, além de estruturar os formulários e realizar a triagem e acompanhamento diário dos usuários.

Ainda na fase de divulgação os alunos relatam que o maior desafio está sendo manter o engajamento das pessoas ao longo dos 30 dias. “Destruir um hábito exige disciplina e tempo, e o nosso papel é estar presente nesse processo, seja com mensagens de apoio, conteúdos informativos em texto ou vídeo, ou simplesmente fazendo a pessoa dar o primeiro passo, ou recomeçar, mas dessa vez com suporte real", enfatiza João Pedro. 

Ao incentivar o desenvolvimento de projetos com impacto social, a Universidade de Fortaleza fortalece a formação de profissionais capazes de aplicar o conhecimento tecnológico na solução de desafios reais da sociedade.

A integração entre estudantes de Ciência da Computação e Análise e Desenvolvimento de Sistemas amplia as possibilidades de inovação e demonstra como a tecnologia pode contribuir para a promoção da saúde, do bem-estar e da qualidade de vida, aliando formação acadêmica, responsabilidade social e transformação coletiva.


Esta notícia está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), contribuindo para o alcance dos ODSs 3 – Saúde e Bem-Estar, 4 – Educação de Qualidade e 9 – Indústria, Inovação e Infraestrutura.

Dessa forma, a Universidade de Fortaleza fortalece a formação acadêmica de excelência ao integrar tecnologia e bem-estar, incentivando o desenvolvimento de soluções computacionais inovadoras aplicadas à saúde.


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