Startup KiteSafe vence edital de inovação azul da Unifor

ter, 7 abril 2026 09:43

Startup KiteSafe vence edital de inovação azul da Unifor

A startup estruturou um modelo baseado em Hardware as a Service, que garante comunicação contínua fora da cobertura móvel


Momento da premiação para Rômulo Alexandre, cofundador e head de estratégia, e Rodrigo Avelino, cofundador e head de Tecnologia (Foto: Arquivo pessoal)
Momento da premiação para Rômulo Alexandre, cofundador e head de estratégia, e Rodrigo Avelino, cofundador e head de Tecnologia (Foto: Arquivo pessoal)

A startup KiteSafe, nascida no bairro Cumbuco, em Caucaia (CE), foi campeã do Edital de Inovação Azul da Universidade de Fortaleza, vinculada à Fundação Edson Queiroz. Ela foi reconhecida como a ideia mais inovadora durante o evento “Praias Inteligentes”, realizado no dia 31 de março. O prêmio posiciona a iniciativa como uma das soluções emergentes dentro do novo ciclo de inovação ligado ao mar no estado.
 
A ideia da startup se baseia em transformar tecnologia de alto custo em serviço acessível e mira em um dos principais gargalos do turismo de ventos no Brasil: a segurança em esportes náuticos em áreas sem cobertura de telefonia.

Segundo Rodrigo Avelino, cofundador e responsável pela tecnologia da startup, a proposta ganha ainda mais relevância quando se observa a dinâmica do próprio kitesurf na região. 

Ele explica que o Ceará é um dos principais destinos do mundo para a prática de downwinds, travessias em que são percorridas longas distâncias impulsionadas pelo vento, muitas vezes ao longo de dezenas ou até centenas de quilômetros de costa, frequentemente afastados de qualquer estrutura de apoio.

Nesse contexto, a ausência de comunicação confiável deixa de ser apenas uma limitação e passa a ser um risco real.

Também aluno do curso de Engenharia da Computação da Unifor, Rodrigo conta que a ideia surgiu a partir de uma dor latente do esporte. “A verdade é que todo praticante de kite já passou por alguma situação de risco no mar, ou conhece alguém que passou por isso”, declara.

A partir dessa vivência, ele explica que junto a Rômulo Alexandre, cofundador e Head de Tecnologia da startup, ficou decidido desenvolver uma solução tecnológica que atuasse como referência em segurança náutica, onde foram amadurecendo e trabalhando em cima da hipótese até chegar ao modelo de locação sob demanda que estrutura a KiteSafe.

“Esse momento foi um marco importantíssimo para a KiteSafe. Foi a primeira vez que apresentamos o projeto ao público, e receber o feedback de diversos atores ligados à “economia azul” foi fundamental para validarmos a nossa tese e direcionarmos a evolução da plataforma. Como estudante e um dos criadores da ideia, foi uma realização pessoal enorme subir ao palco, apresentar a solução pela primeira vez e coroar o dia com a premiação. Foi a maior validação que poderíamos ter recebido dentro de um evento tão relevante” - Rodrigo Avelino, cofundador e responsável pela tecnologia da startup KiteSafe

Modelo Hardware

A startup estruturou um modelo baseado em Hardware as a Service, no qual o usuário não precisa adquirir o equipamento nem manter assinatura ativa

A experiência é simples: o praticante reserva o dispositivo online, retira em um ponto parceiro, como pousadas ou escolas, e utiliza durante o período desejado, pagando apenas pelo uso.

Os dispositivos se conectam diretamente a constelações de satélites, garantindo comunicação contínua mesmo fora da cobertura móvel. Em situações críticas, como mudança de vento, falha de equipamento ou deriva para áreas não previstas, o praticante pode acionar rapidamente um alerta ou pedido de socorro com geolocalização precisa.

“O que estamos construindo não é apenas acesso ao hardware, mas uma camada de inteligência sobre ele. Em atividades como downwinds, onde o praticante pode se afastar significativamente da costa, a comunicação passa a ser um elemento de segurança essencial, não acessório”, afirma Rodrigo.

Além do uso individual, a solução também endereça um mercado institucional ainda pouco estruturado. 

Escolas de esportes náuticos, organizadores de travessias e operadores turísticos passam a ter acesso a um painel de monitoramento em tempo real, permitindo acompanhar múltiplos usuários simultaneamente e reduzir riscos operacionais.

Rômulo Alexandre declara que esse equipamento responde a uma dor que foi sentida, por exemplo, no ano de 2024, onde um grupo de 24 kitesurfustas ficaram à deriva e foram resgatados a quilômetros da costa. 

Dessa forma, ele afirma que existiram casos que poderiam ser tratados de uma outra forma com o uso da tecnologia. 

“O equipamento vem para resolver ou vem para minimizar uma dor importante associada à segurança. É um esporte incrível, mas que exige um comprometimento com aspectos de segurança bastante relevantes”, destaca.

Resultados e Impactos 

Atualmente, Rodrigo conta que o projeto está na fase de desenvolvimento e testes da solução. O cronograma prevê o início do Beta Test em maio, onde serão aplicados os primeiros equipamentos na água. 

O objetivo é realizar o Go-live do MVP em agosto, concentrando as operações no Cumbuco, para acompanhar exatamente a abertura da alta temporada de ventos no Ceará.

Para Rodrigo, a KiteSafe é mais do que um produto, ela sinaliza uma tendência: a incorporação de tecnologia embarcada e modelos digitais no cotidiano das chamadas “praias inteligentes”, onde segurança, experiência e gestão passam a caminhar juntas.

 


Esta notícia está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas, contribuindo principalmente para o ODS 14 – Vida na Água, além dos ODS 8 – Trabalho Decente e Crescimento Econômico, 9 – Indústria, Inovação e Infraestrutura, 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis e 17 – Parcerias e Meios de Implementação.

A Universidade de Fortaleza, da Fundação Edson Queiroz, reafirma seu compromisso com a inovação e o desenvolvimento sustentável ao incentivar iniciativas como a KiteSafe, vencedora do Edital de Inovação Azul. A proposta fortalece o ecossistema de empreendedorismo tecnológico no Ceará, amplia a segurança em atividades náuticas e contribui para o uso mais responsável do ambiente marinho, promovendo soluções acessíveis para desafios reais enfrentados no turismo de ventos e na economia do mar.


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