Projetos de alunos da Psicologia ampliam debate sobre a condição da mulher na sociedade por meio da arte

seg, 15 junho 2026 17:17

Projetos de alunos da Psicologia ampliam debate sobre a condição da mulher na sociedade por meio da arte

Podcast, música, peça de teatro e outras produções desenvolvidas por estudantes do curso de Psicologia transformam reflexões sobre diversidade em experiências de aprendizagem e conscientização


Os projetos foram apresentados no INOVA-S, evento que reúne os cursos da área da saúde em uma programação aberta ao público, com oficinas, exposições, apresentações culturais e atividades científicas (Foto: Getty Images)
Os projetos foram apresentados no INOVA-S, evento que reúne os cursos da área da saúde em uma programação aberta ao público, com oficinas, exposições, apresentações culturais e atividades científicas (Foto: Getty Images)

A arte e a comunicação foram as ferramentas escolhidas por estudantes da graduação em Psicologia da Universidade de Fortaleza, instituição mantida pela Fundação Edson Queiroz, para promover reflexões sobre diversidade, inclusão e a condição da mulher na sociedade. 

Como parte da disciplina Psicologia, Cultura, Arte e Diversidade, os alunos desenvolveram podcasts, apresentações musicais, documentários, performances teatrais e intervenções públicas que foram apresentados durante o INOVA-S — evento que conecta discentes e docentes com o público em geral por meio da apresentação dos trabalhos produzidos ao longo do semestre.

A iniciativa integrou as atividades de extensão da disciplina e buscou aproximar os estudantes de temas sociais relevantes por meio de diferentes linguagens artísticas. Segundo o psicólogo Filipe Jesuíno, docente do curso de Psicologia e responsável pela disciplina, cada equipe teve liberdade para escolher tanto o tema quanto o formato do trabalho.

“A disciplina prevê uma atividade de extensão relacionada a recursos artísticos que trabalhem temas de inclusão das várias diversidades. Cada equipe escolheu seu tema e sua modalidade artística”, explica.

Antes da formação dos grupos, os estudantes participaram de discussões sobre diversidade, preconceito e segregação social. Foi a partir dessas reflexões que surgiram os temas que seriam trabalhados ao longo do semestre pelos alunos. Entre os assuntos debatidos, a condição da mulher ganhou destaque em diferentes projetos. Para o docente, a escolha está relacionada às transformações sociais que vêm ampliando o debate sobre o papel feminino na sociedade.


“O lugar da mulher na sociedade vem se transformando e trazendo à tona conteúdos que faziam ou fazem parte de nossa sombra coletiva. Isso promove resistência, atrito e afetos. Requer muito trabalho e uma voz presente.”Filipe Jesuíno, mestre em Psicologia e docente do curso de Psicologia da Unifor 

Além do aprofundamento teórico, os projetos passaram por etapas de pesquisa, planejamento, produção e apresentação, sempre acompanhados pela equipe docente da disciplina.

Formação humana e cidadã

Mais do que desenvolver habilidades técnicas, a proposta buscou estimular a construção de competências humanas e cidadãs. Segundo Filipe, trabalhar temas sociais por meio da arte favorece uma aprendizagem mais participativa e reflexiva. “Elas mobilizam afetos, participação de grupo, memorização e, mais que tudo, mobilizam engajamento e pensamento crítico e criativo”, explica. 

O professor destaca que os estudantes foram incentivados a refletir sobre temas como:

  • desigualdade de gênero,
  • preconceitos históricos,
  • violência contra a mulher,
  • empoderamento feminino,
  • o papel da sociedade na promoção da igualdade.

A realização dos trabalhos também contou com apoio institucional. A estrutura disponibilizada pela Universidade e o suporte oferecido pela coordenação do curso e do INOVA-S contribuíram para que as propostas fossem colocadas em prática.

Para o docente, experiências como essa ajudam os futuros profissionais a desenvolver empatia, escuta acolhedora, comunicação e sensibilidade diante das diferentes realidades humanas.

Podcast aborda gordofobia e exclusão social

Um dos trabalhos apresentados foi um podcast produzido por sete estudantes da disciplina. O conteúdo discute a condição da mulher em situação de obesidade e os impactos da gordofobia na vida cotidiana.

A estudante Renata Coelho, do 5º semestre de Psicologia e egressa de Ciências Contábeis da Unifor, conta que a ideia surgiu a partir do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de uma integrante da equipe, que pesquisava a realidade de pessoas obesas em situação de vulnerabilidade.


“Percebemos a importância de ampliar a discussão em torno da vivência das mulheres e utilizamos essa temática como base para refletir sobre as experiências, desafios e formas de exclusão que atravessam a vida delas.”Renata Coelho, estudante do curso de Psicologia da Unifor

Antes da gravação, o grupo realizou pesquisas sobre gordofobia, exclusão social e o corpo na contemporaneidade. O processo contou ainda com acompanhamento semanal do professor e das monitoras da disciplina.

Segundo Renata, ouvir relatos de pessoas que vivenciam esse tipo de preconceito foi uma experiência transformadora. “Conhecer sua história e compreender os efeitos desses julgamentos em sua vida despertou uma reflexão mais profunda sobre a importância de enxergar as pessoas para além dos estereótipos e das aparências”, conta. 

O podcast foi gravado nos estúdios de rádio da Unifor e está disponível na plataforma Spotify. Para a estudante, o formato amplia o alcance da mensagem e permite que as discussões continuem mesmo após o encerramento do evento: “A utilização de mídias é importante porque permite que o conteúdo permaneça acessível mesmo após o evento, alcançando pessoas que não puderam participar e ampliando o impacto da ação”.


Equipe responsável pela produção do podcast: Isabela Marques, Letícia Borges, Jedson Fiuza, Joyce Falcão, Renata Coelho, Flora Dimitria e João Henrique Lima (Foto: Arquivo Pessoal)

A aluna também destaca os impactos da vivência em sua formação acadêmica. “Essa experiência permitiu ampliar o olhar sobre o ser humano em sua singularidade, reconhecendo que cada pessoa possui sua própria história e vivências”, relata.

Projetos transformam experiências em arte

Além do podcast, outras equipes escolheram a condição da mulher na sociedade como tema central de seus trabalhos. Um dos grupos de estudantes produziu uma performance artística sobre violência contra a mulher.

Coordenado pela aluna Maria Clara Gadelha, o projeto buscou conscientizar o público sobre a frequência e a gravidade das diferentes formas de violência enfrentadas pelas mulheres. “Queríamos que fosse um tema que impactasse as pessoas e as fizesse pensar sobre como nos organizamos enquanto sociedade”, pontua.


“Os profissionais da psicologia precisam saber não só como acolher a mulher vítima de violência, mas também orientar sua rede de apoio e contribuir para o combate à crescente onda de violência.”Maria Clara Gadelha, aluna do curso de Psicologia da Unifor 

Outro trabalho que chamou a atenção do público foi a música original Como é ser mulher, criada por um grupo formado exclusivamente por estudantes mulheres. A produção teve início com um formulário que perguntava a diferentes participantes: “Como é ser mulher?”. As respostas serviram de base para a criação de uma poesia que posteriormente foi transformada em canção.

Segundo a coordenadora do projeto, Maria Laís Rodrigues, a escolha do tema surgiu da identificação das integrantes com a realidade abordada. “Queríamos falar sobre como é ser mulher porque todas do grupo são mulheres, então temos identificação com o tema”, declara a aluna.

Ela explica que a proposta foi inspirada no processo criativo utilizado por Gonzaguinha na composição da música O que é, o que é?. “As respostas das mulheres serviram de base para a criação de uma poesia, que inspirou a composição da música”, explica. A canção criada pelas discentes pode ser conferida nas redes sociais do projeto.


“A arte sensibiliza as pessoas, estimula a criatividade, a expressão de emoções e o entendimento de diferentes realidades.”Maria Laís Rodrigues, aluna do curso de Psicologia da Unifor 

Além desses projetos, os estudantes também produziram documentários, apresentações musicais, uma intervenção pública sobre intolerância religiosa contra religiões afro-brasileiras e uma oficina de arteterapia inspirada no legado de Nise da Silveira, médica psiquiatra que revolucionou o tratamento mental através da arte.

Ao unir pesquisa, criatividade e compromisso social, as iniciativas desenvolvidas na disciplina demonstram como a formação universitária pode ultrapassar os limites da sala de aula e contribuir para a construção de profissionais mais conscientes, empáticos e preparados para dialogar com os desafios da sociedade contemporânea.

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Esta notícia está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), contribuindo para o alcance do ODS 4 – Educação de Qualidade, ODS 5 – Igualdade de Gênero, ODS 10 – Redução das Desigualdades e ODS 3 – Saúde e Bem-Estar

Por meio de projetos que utilizam a arte, a comunicação e o diálogo para promover reflexões sobre a condição da mulher, diversidade, inclusão e saúde mental, a Universidade de Fortaleza reafirma seu compromisso com a formação cidadã, a promoção da equidade e o desenvolvimento de profissionais sensíveis às demandas sociais contemporâneas, fortalecendo o papel da educação como agente de transformação social. 

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